Desenterrando passados...
4 Adeus...
Notas iniciais
Depois de tomar café da manhã com a irmã Tereza, tive de me juntar as outras crianças para a aula da manhã. Ao circular pelos corredores, todas as crianças que cruzavam meu caminho, acabavam recuando. Aquilo foi gratificante, passei sete anos naquele maldito lugar sendo maltratada por todos e finalmente aquilo tudo sessaria.
— Senhorita Braun... – Aquela voz cruel estava a me persegui novamente, virei de costas e me deparei com a Madre Superiora.
— Sim Madre?
— Acompanhe-me, o padre Murphy deseja vê-la. – Ótimo, outro tirano que mal pisa neste buraco deseja me ver. Segui na frente daquela megera até a sala do padre. Ao adentrar ele pediu que eu me sentasse.
— Catherine, tenho notícias para você, faça suas malas, seu tio Ronald Braun veio leva-la embora! – Senti meu ar faltar por rápidos minutos, eu finalmente iria sair daquele lugar, finalmente iria me livrar de todos que um dia me machucarão. Retirei-me rapidamente da sala do padre sem dizer uma única palavra, no entanto ao sair da sala a Madre Superiora me abordou novamente.
— Deve estar muito feliz com a notícia não é Catherine?
— Sim estou.
— Que bom, sabe Catherine, você não é uma criança como as outras, sabe, por mais que seu tio tenha vindo pega-la, você nunca será amada como as outras crianças, você não passará de um estorvo para ele assim como foi para nós este tempo todo e ninguém nunca será capaz de lhe dar amor, por que você é um monstro! –Senti meus olhos se encherem de lagrimas, mas eu não iria lhe dar mais esse gosto de me ver chorando.
— É, você tem razão, talvez eu seja realmente um monstro, mas sabe, aprendi tudo isso com você, que paga de alma caridosa, mas que é o diabo em pessoa. Mas não precisa sentir minha falta Madre, essa não será a última vez que iremos nos encontrar, marque minhas palavras! – Disse me retirando vitoriosa, para uma garota de apenas doze anos, eu havia amadurecido o bastante dentro daquela prisão. Aproveitei para me despedir de irmã Tereza que não parava de chorar e me abraçar, por fim eu tinha de ir, ainda faltava uma pessoa para me despedir. Scott estava sentado no pátio comendo seu costumeiro sanduiche de atum, por várias vezes ele o compartilhou comigo quando eu estava de castigo e não tinha nada para comer. Seus sanduiches tinham um ótimo gosto, ou melhor, qualquer coisa tinha o gosto melhor do que aquele treco que eles serviam no jantar e chamavam de comida.
— Oi Scott.
— Oi Cath, como vai parceira?
— Vou bem, obrigada. – Depois do que a Madre Superiora fez comigo, eu percebi que Scott e irmã Tereza haviam se aproximado mais. – Scott, vim me despedir de você, estou indo embora com meu tio.
Vi ele soltar o sanduiche no chão e me encarrar pasmo, de repente ele me agarrou e me abraçou forte, a ponto daquele abraço se tornar dolorido:
— Não pode ser, diga-me que está mentindo!
— Sinto muito parceiro, mas não estou, finalmente sairei deste lugar! – Depois de um tempo abraçados ele finalmente falou.
— Eu sentirei muita sua falta parceira- Disse com a voz embargada.
— Eu também sentirei, nunca irei esquecer de você e irmã Tereza!
— Nós também não a esqueceremos, vai me escrever não vai?
— Com certeza.
— Aqui está meu endereço, esperarei ansioso por notícias suas.
— Adeus Scott.
— Adeus pequena. – Disse me dando um beijo na testa e deixando uma lagrima cair. Peguei minha mala e me direcionei para o salão principal do orfanato, assim que encontrei tio Ron eu corri e o abracei.
— Oh Mugs, eu procurei você por tanto tempo, e graças a Deus eu a encontrei. – Sai do orfanato com um alivio no coração e um sorriso maligno nos lábios. Ao pôr os pés dentro do esportivo vermelho de meu tio, senti-me ainda mais aliviada, agora eu voltaria para casa.
LAS VEGAS- NEVADA 1995
Entrei para a universidade quando completei dezoito anos, e já cursava o mesmo curso a três anos, meus dias com meu tio não eram lá as mil maravilhas, pois ele quase nunca estava em casa, já que cuidava de nossos negócios, onde 40 % da fortuna de meu pai foi deixado para ele e os outros 60 % pertenceria a mim quando atingisse os vinte e cinco anos, desta forma ele administraria toda a fortuna. Mesmo assim ele me ensinou uma lição que eu jamais irei esquecer. Meu tio me ensinou a nunca confiar nas pessoas ao meu redor, elas eram mentirosas e só queriam se aproveitar. Os únicos que poderíamos confiar era um no outro, pois era só o que nos restava.
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