Notas iniciais
Lembrando que a história não foi betada Boa leitura

— Uau, sua casa é enorme, Shino! – Foi a primeira coisa que o Uzumaki disse ao descer da minivan empresarial que levou-os até sua residência – Saí do Japão tão remelento que esqueci das inúmeras casas confortáveis e com tamanho bastante agradável que existem por aqui.

Shino entendeu o que Naruto quis dizer com aquele comentário, acostumou-se a observações errôneas sobre o tamanho das casas japonesas, no geral ditas por pessoas que conheciam o país através de documentários televisivos internacionais, o que não era o caso do loiro, sorriu educado e agradeceu o elogio a sua casa, que foi comprada pensando em Kiba. O Inuzuka sempre gostou de grandes espaços e uma vez lhe confidenciou que no futuro gostaria de viver em um lugar onde pudesse receber sua família e amigos, para juntos festejarem seu sucesso.

— Sintam-se à vontade. – Shino fez as honras e deu passagem aos convidados e a Shibi.

Enquanto ele dispensava o motorista o trio tomou a dianteira e adentrou o terreno, repleto de flores e plantas ornamentais. Pode ouvir quando Sasuke enalteceu a beleza do jardim e Naruto falou sobre a falta de muros separando as residências. Em dado momento aproveitou a distração dos três e se adiantou, na intenção de abrir a porta de casa, estranhou as luzes do genkan acesas logo que passou pelo batente, no entanto julgou tê-las esquecido assim quando saiu pela manhã. Abriu as portas e ao colocar os pés no degrau abaixo do piso principal foi surpreendido por um cenário inesperado no interior de sua sala.

De costas para a porta (e consequentemente para si) estava...

— Kiba?! –Shino soou incerto.

Questionou-se se não estaria vendo uma aparição, mas logo compreendeu que não, pois na hora que ouviu seu nome ser dito em tom de surpresa, Kiba fez questão de se fazer notar:

— Hou, hou, hou! Merry Christmas, namorado. – cantarolou.

Não, não era alucinação.

O rapaz vestindo um micro vestido aveludado de mamãe Noel, meia calça arrastão 7/8, suripas nos pés e gorrinho natalino na cabeça, era mesmo seu namorado, e sim, Kiba estava literalmente sobre seu kotatsu, em via de iniciar uma performance sensual, que Shino ainda não sabia, ficaria eternizada em sua mente e coração.

Frente à perspectiva de presenciar uma apresentação memorável, o Aburame sequer piscou, tampouco se lembrou dos que ficaram para trás a admirar seu jardim. Deu dois passos largos e já estava em frente ao palco improvisado, visando contemplar de pertinho sua fonte de inspiração. O vice-presidente estava hipnotizado, melhor dizendo, estava enfeitiçado pela visão do estudante de educação física sobre a mesa de centro.

Assim que o perfume conhecido invadiu suas narinas. Kiba (ainda de costas) ergueu as mãos e bateu palmas, logo que realizou o gesto, uma batida cadenciada e envolvente preencheu o espaço, junto a ela, uma lâmpada de led colorida começou a girar no cômodo, recordando o interior de uma boate.

Shino engoliu em seco, a gravata apertou e o coração acelerou.

O mover do corpo (repleto de músculos perfeitos e distribuídos na medida certa) era preciso e audacioso. Seu namorado pareceu entrar em transe à medida que a música tomava conta de tudo. A quebra lenta do seu quadril oscilava a saia. Sob a peça, uma tanga fio dental e cinta liga, ambas rendadas e vermelha. A visão era sexy e a trilha sonora perfeita! Best Part, canção de Daniel Caesar, que o Inuzuka adorava. Naquele instante, durante a execução daqueles passos, Kiba mal lembrava o garoto hiperativo com o qual namorava há alguns anos. Shino tinha um namorado que era uma caixinha de surpresas, cheio de segredos e facetas ainda escondidos.

Enquanto o Aburame chegava àquela conclusão, a música dava indícios que chegaria ao fim, do mesmo modo que a magnífica performance. Então, Kiba, entre um suave rebolar e outro, foi gingando sem pressa, até estarem face a face. Os olhos do Inuzuka encontravam-se fechados, a respiração pesada saia com dificuldade pela boca entreaberta, na pele bronzeada algumas gotas de suor evidenciavam o esforço feito. Lindo! Seu namorado era lindo, e cada detalhe em seu corpo exalava luxúria e sensualidade.

Feito um fantoche nas mãos de um ventríloquo, Shino viu-se manipulado pelo calor que emanava de seu corpo. A boca se abriu e mão direita instintivamente seguiu em direção ao volume que se formava sob sua calça social, no entanto...

— Caralho! – A sobre-excitação de Naruto chegou aos ouvidos de todos, inclusive de Kiba, e aquele foi o estopim para despertá-lo.

– Ô porra! – O Inuzuka exclamou ao abrir os olhos. Quase caiu do kotatsu diante do susto ao se deparar com o namorado o olhando intensamente, não apenas ele, vários pares de olhos estavam o encarando? – Ai, merda! S-shino?!

Shino, que ainda permanecia inerte, finalmente acordou ao ouvir seu nome. Diante do pavor estampado no rosto de Kiba, virou-se para trás. Onde, além de seu pai, Sasuke e Naruto, havia mais três entregadores do restaurante de Yamanaka Ino e dois funcionários do buffet delivery, assistiam de camarote a MA-RA-VI-LHO-SA performance do seu namorado.

Por um breve instante todos permaneceram parados feito estátuas, inclusive os prestadores de serviços, que seguravam as caixas de comidas e bebidas em mãos. Ninguém sabia qual o próximo passo a dar. Shibi limpou a garganta e ajeitou os óculos escuros, dando-se conta da complexidade da situação do casal. Sasuke, que estava ao seu lado, logo percebeu que aquilo não fazia parte do roteiro comemorativo preparado pelos anfitriões. A situação ficou estranha, até que sons de Palmas e assovios quebraram a aura esquisita que crescia no interior do cômodo.

— Clap! Clap...– Naruto seguiu aplaudindo empolgado. – Que incrível, Shino. Você é demais! Não acredito nisso, uma maid Natalina!

Kiba olhou para o namorado em busca de respostas, jamais havia visto aquele homem que agora olhava-o com admiração e expectativa. As mãos trêmulas foram para as coxas à medida que o corpo ia se curvando na tentativa inútil de esconder o ousado lingerie sob o vestido.

Ao notar a expressão desesperada no rosto do outro, Shino se deu da saia justa em que ambos estavam, antes que o constrangimento aumentasse, agiu rápido. Colocou-se na frente de Kiba e após ajudá-lo a descer da mesinha de centro, tirou o sobretudo que vestia e pôs sobre os ombros do rapaz.

— Ah não! Por favor. Shino, estava tudo tão lindo! Deixa ele continuar com o sho… ai – O Uzumaki gritou ao ter as costelas acertadas pelo cotovelo de Sasuke – O que foi ago…?

Cala a boca, Naruto. —Sasuke sussurrou, depois gesticulou para que o rapaz olhasse a cena defronte por outro ângulo.

Shino abraçava Kiba que começava a chorar. Naruto, então, calou-se, porém a expressão de deslumbramento continuou em sua face.

O quê 'tá acontecendo aqui, Shino?— Kiba choramingou, e olhou por sobre seu ombro no instante em que foi tocado. Não reconheceu nenhum daqueles rostos, a não ser o do… sogro?! O Inuzuka começou a chorar e enterrou mais a cabeça na curva do pescoço do namorado – Cacete! Teu pai 'tá aqui e 'tá olhando para mim? Diz que 'tô dormindo e isso é um pesadelo, por favor.

— Você não está dormindo, nem tendo um pesad… aliás! Não era para você estar na casa da sua mãe agora? O que está fazendo aqui? – Shino questionou baixo, todavia mais áspero que pretendia.

— Não consegue imaginar o que estou fazendo aqui, seu maldito! – Revoltado, Kiba se afastou e deu um soquinho no ombro que o acolhia – Eu quero morrer, que vergonha...

Shino sorriu, no entanto sentia-se enciumado por não ter sido o único a presenciar aquele show incrível, como denominou Naruto.

Por um instante Shibi sorriu também, feliz pelo filho, por ter alguém tão corajoso a seu lado e sabendo o que tudo aquilo significava. Shino havia encontrado sua pessoa especial. Contudo, eles tinham convidados para recepcionar e algumas entregas para receber.

— Todos vocês – apontou para os homens que estavam consigo. – Me acompanhem.

Daria um minuto para os pombinhos se recomporem, mas aquela comemoraçãozinha íntima que seu genro certamente pensou para abrilhantar a véspera de Natal do casal, teria que esperar um pouquinho mais.

Notas finais
A música de Daniel Caesar, que foi mencionada no texto é maravilhosas, mas o vídeo com a coreografia dos dançarinos é PERFEITO! Caso queiram dar uma olhada deixei o link está no corpo do texto. Vale muito a pena.