Desembainhada
2 Hikari, Novato, Luz
Notas iniciais
Este é o segundo capítulo, tentarei sempre dar sequencia às ações finais do capitulo anterior para que fiquem mais enganchadas e a personalidade das personagens ficar mais explicadas. Espero que apreciem a leitura.
Hikari deitou em sua cama e acabou desabando em choro, escondia seu rosto no travesseiro, encolheu-se tentando se abraçar, tentando ter um pouco de carinho, um pouco de amor, o que não tinha mais em sua casa desde a morte de sua mãe há três anos, quando tinha 13 anos, foi muito difícil passar pela situação, era muito apegada a ela.
Ela e seu pai sofreram muito, era uma família feliz, onde se davam muito bem, havia bastante diálogo e cumplicidade, porém um ano passado seu pai não aguentou o sofrimento e começou a sair para beber e nessas saídas conheceu Gina, uma mulher alta, de cabelos castanhos curtos que ficavam um pouco abaixo da orelha, era magra, branca, seu corpo esguio chamava a atenção, era uma mulher atraente, não demorou muito para que Masao interessasse por ela. Depois de poucos meses se conhecendo, resolveu casar-se com ela. A partir dai a vida de Hikari não foi mais a mesma, ela não aceitava que sua mãe tinha sido substituída por uma mulher metida e um tanto esnobe, totalmente oposto de sua falecida mãe, que era doce e caridosa, procurava sempre ajudar os outros. Com pouco tempo de convívio as brigas entre eles começaram, sua madrasta não aceitava a rebeldia de sua enteada, onde seu pai sempre ficava do lado de Gina, tirando a razão da Hikari.Já eram sete horas da noite e seu pai chegava do escritório, ele tinha estatura mediana, cabelos castanhos escuros, olhos castanhos, era um tipo comum, Oosaki Masao.– Hikari já chegou, Gina?– Já, ela foi direto para o quarto. Gina falava indiferente, folheando a revista.– Que bom, está mais calma, vou falar com ela. Deixava sua pasta preta no sofá e caminhava em direção ao quarto de Hikari, primeiro bateu na porta, esperou por alguns segundos e sem sucesso resolveu chamá-la, contudo não obteve resposta, assim, ele abriu a porta lentamente e observava que o quarto estava em uma escuridão densa, com as janelas fechadas, seus olhos aflitos vagavam pelo quarto e logo achou Hikari deitada em sua cama, aparentemente dormindo. Ele entrou no quarto, com cuidado, caminhou até a filha verificando se estava mesmo dormindo, após isto levantou a franja dela e depositou-lhe um beijo em sua testa, após isto saiu do quarto. Hikari passou o resto da tarde e adentrava a noite dormindo.Na manhã seguinte Satsuki e Hikari encontraram-se no colégio, enfrentando mais um dia de prova. Após o término dos exames Satsuki procurou por sua amiga e não a achou preocupada rondou um pouco mais a escola e teve a certeza de que ela não se encontrava mais, com esse comportamento estranho Satsuki veio a ligar para Hikari e todas suas chamadas foram recusadas. Onde será que ela se meteu? Perguntava para si mesma, temendo atitudes impensadas da amiga.Assim, a garota ruiva deslocou-se para uma praça bem arborizada que ficava perto da escola, acreditando que sua amiga estivesse lá. Enfim, ao chegar perto do lago encontrava a garota, como Satsuki estava longe, a sua visão dava a entender que a amiga estava amuada e chorando, ao perceber, ela correu até a amiga e a abraçou. Fiquei preocupada, a gente sempre sai juntas do colégio e quando isso não acontecia... bom, você sabe.Hikari em prantos abraçou a amiga e esta afagou o rosto da menina. Calma. O que aconteceu? Indagou Satsuki tentando confortar.– Meu pai ontem, ele se lembrou de mim, ele não me ignorou. Eu sinto falta da mamãe, eu quero minha vida de antes de volta, não quero que aquela vadia ocupe o lugar da minha mãe, ela não merece receber o amor do meu pai... e... e...- Hikari tentava explicar soluçando, tentando se recompor enxugando as lágrimas.– Chore, coloque tudo para fora. É difícil enfrentar a ida de um ente querido, mas temos que tentar passar por isso. E... bom, você sabia que seu pai poderia se casar de novo, hm. Tentava consolá-la afagando seus cabelos claros.– É, eu sei, mas ele poderia ter achado uma pessoa melhor, não essa ai. Ela só pensa em gastar, não se importa com o que acontece em casa, ela acha que tem direito em tudo e me trata com indiferença. Sempre levo bronca quando revido o que ela diz, mas ontem a ignorei, só que ficar trancada no quarto pensando não foi uma ideia lá muito boa.– Já disse que quando estiver assim você pode dormir lá em casa, eu falo com seu pai. Se for o caso eu peço para minha mãe cuidar disso.– Eu sei, mas sua mãe não gosta muito de mim. Abaixava a cabeça e ao fim pronunciava as palavras cada vez mais baixas.Satsuki puxava a garota mais para perto e dava-lhe um beijo em sua bochecha, assim enxugava-lhe as lágrimas e arrumava o cabelo. Pronto, vamos andar um pouquinho?Hikari tentando recompor-se logo se levantou ajeitando sua roupa. Vamos, não posso ficar assim.As duas garotas caminhavam lentamente pelo parque, conversavam sobre coisas usuais, a brisa fraca batia nelas naquela tarde de outono, deixando uma visão bela do fraco sol batendo em ambas. Logo a fome dava sinais, as amigas direcionavam-se a uma lanchonete e compravam sanduíches, comiam-no calmamente sentadas a uma mesinha redonda que ficava do lado de fora da simpática lanchonete cujos donos eram um casal de idosos, onde eles mesmos produziam os sanduíches e atendiam os clientes. Já ao fim de seu lanche um garoto de cabelos esbranquiçados aparecia entre as árvores o que deixou Satsuki perturbada, Hikari ao vê-la assim logo se virava e via o jovem. É dele que eu venho falando para você. — Diz Satsuki tentando disfarçar o incomodo e medo. Hikari tentava entender a situação, contudo o garoto calmamente se aproximava das duas com um sorriso um pouco lateral. Olá. Satsuki na mesma hora paralisou, ficou sem fala com a aproximação do jovem. Porém Hikari prontamente fez contato com o então desconhecido. — Oi, nunca te vi por aqui. É novo?
– Sim, me mudei essa semana, estou conhecendo a cidade ainda. Muito agradável essa praça. Comentava olhando as árvores, deixando um ar sereno em sua aproximação, assim Satsuki começava a se sentir mais tranquila.Ah, bem vindo à cidade então. Estuda? indagava Hikari.– Obrigada. Sim, estou em meu primeiro ano na faculdade de Filosofia, bem próximo daqui, apenas duas quadras de distancia. O jovem sorria serenamente.– Ah, a faculdade fica perto de nosso colégio então. Não é Sat? Quando Hikari olhou para Satsuki viu que sua amiga estava se tremendo e parecia estar com medo, mas disfarçava para que o jovem dos cabelos brancos não percebesse o que não adiantou muito já que ele se voltou à garota ruiva e a encarou com os olhos azuis preocupados, assim pegou em sua mão. Está bem?– Sim, estou só que... Satsuki ficava confusa e sentia seu ar oscilar. – Só que...? O jovem tentava entender.A ruiva engolia em seco e tomava o resto de coragem que restava. Você anda seguindo a gente? Ao soltar estas palavras os olhos de Hikari arregalaram-se, mostrando que a garota de cabelos claros ficava assustada com a objetividade da ruiva.– Sim, eu estava, você deixou este livro cair na rua, porém sempre que eu tentava me aproximar você me encarava de um jeito estranho. Entregava o livro preto a ruiva, o mesmo livro que ela havia visto na loja estranha no dia anterior.– Obriga... AAAH! a garota soltava o livro quando percebia que era o que havia deixado com a dona.– O que foi? Fiz algo errado? O jovem ficava desconsertado com a reação da garota.– Nada, ela está um pouco perturbada, preocupações. Não é Sat?! Hikari tentava contornar a situação e pegava o livro.– Quero ir embora. Ela Falava em um sussurro para Hikari, seus olhos imploravam para que amiga a concedesse.– Se quiser posso acompanhá-las até em casa. A ruiva não parece muito bem. Falava o jovem de forma preocupada, o sussurro de Satsuki não foi muito eficiente.– NÃO! Exclamava Satsuki.– O que é isso? Aceitamos sim sua ajuda. Hum... Qual é seu nome? reprovava a ação da amiga e aceitava com interesse a ajuda do desconhecido.O jovem esguio e bem vestido ajudava a Satsuki se levantar. Cody, Cody Stwart, prazer. E o de vocês?– O meu é Oosaki Hikari e o da minha amiga é Amamiya Satsuki. Você não é do Japão então. Inglaterra?– Sim, sou inglês, a cultura daqui me fascina, então resolvi vir para estudar. Olhava para Satsuki com curiosidade e preocupação. Quer algo para beber? Você está muito mal.– Não obrigada. Satsuki tentava desvencilhar-se dele de qualquer forma. Porém Cody ignorava o que ela havia dito e comprava uma latinha de suco e entregava-lhe. Está aqui.– Não precisava, eu... ahm... Ficava um pouco sem ação com a atitude dele.– Vamos? Está escurecendo. – Tá. Satsuki caminhava cambaleando ainda, contudo, quando estava prestes a cair com a tontura que repentinamente surgia o jovem e a segurava, apoiava enquanto ela tentava voltar a andar. É melhor tomar cuidado. Dava um sorriso amigável. Com isso Satsuki corava, não esperava tal reação.– Você teve uma reação bem peculiar quando te devolvi o livro. – Ah. monologava Satsuki.– Aquele é um livro de bruxa. Com a expressão mais séria Hikari comentava.– O que? Bruxa? Cody coçava a cabeça sinalizando confusão.Hikari ria ao ver a reação do belo jovem. Sim. Bom, pelo menos foi o que a dona da loja onde achamos esse livro nos disse.– Ah, entendo. Supersticiosa essa dona. Por isso adoro esse lugar, há mistérios. Onde fica essa loja?– Bom fica entre a livraria e a loja de pelúcia, tem uma ruela entre essas lojas, fica bem ali, há bastantes coisas antigas, acho que irá gostar.– Irei lá depois, tenho interesse por esses artigos antigos.Os três caminhavam em direção à casa de Satsuki. Cody caminhava apoiando a ruiva e continuava conversando com Hikari sobre coisas rotineiras, cotidiano, o que gostava, sobre a cidade e Satsuki olhava-o desconfiada, como se ele estivesse escondendo algo e a entrega do livro fosse só um motivo para se aproximar e colher algum tipo de informação.Chegando a casa de Satsuki o novo garoto despediu-se e desapareceu rua abaixo, as duas meninas entraram na casa e direcionaram-se ao quarto da ruiva.– Não gostei dele. resmungou Satsuki.– Ah, que isso. Ele é bem educado e te ajudou a chegar a casa.– Sim, e eu agradeci, mas não engoli a história dele me entregar o livro.– Ué, você deve ter deixado cair no chão mesmo, sei lá. A gente saiu meio avoada da loja.– Sim, saímos depressa, mas eu lembro muito bem que a dona pegou o livro e o colocou de volta na estante, eu não trouxe o livro comigo.– Tem certeza?– Claro que tenho.– Mas se tivesse deixado mesmo ele não apareceria e te entregaria o livro. E ele falou que você ficava encarando-o, o que eu concordo porque te peguei olhando para o nada ontem de um jeito estranho.– Não estou engolindo essa história, ele estava nos perseguindo, eu sei que estava e não era apenas com o intuito de entregar o livro, tenho certeza.– Ah, esquece essa história.– E tem outra, a dona disse que aquele livro não é todo mundo que vê e ele pode pegá-lo.– Ah não, agora vai começar a acreditar naquelas asneiras?!– Ah, não sei. Só sei que não fui muito com a cara dele.– Ok Sat, não irei discutir. Tenho que voltar para casa, hum.– Não, durma aqui, minha mãe não estará em casa e depois de hoje não quero dormir sozinha.– Sabe que tenho que voltar, Sat.– Eu sei, eu ligo para seu pai e digo que temos prova amanhã e que você ficará estudando comigo, pronto.–Sat...Satsuki pegou o telefone e convenceu o pai de Hikari a ela dormir em sua casa.– Viu? Foi fácil.– Me surpreendeu, não pensei que ele deixaria. Aposto que aquela cobra não está em casa.– Não sei, ele deixou, isso que importa.Já eram oito horas da noite, as duas já tinham tomado seus banhos e estavam vendo seu seriado favorito, Supernatural, comendo pizza. De repente a luz acabou e Hikari levantou-se e tentou ver o que havia acontecido, abriu a porta e viu que as outras casas também não tinham luz.– Sat, acabou a luz em todas as casas.– Hikari, corre aqui.– O que? Aonde? A jovem correu tentando seguir a voz da amiga, até que se deparou com uma luz vinda do porão, juntou-se a satsuki. O que é isso?– Não sei, está vindo do livro.–Mas o livro não estava em sua bolsa?!– Estava, eu te disse que estava achando tudo muito estranho e... e... A voz de Satsuki falhava e com suas pernas bambas desmaiava.Hikari tentou ajudá-la a se levantar, mas suas ações não deram resultado, posteriormente começou a sentir-se tonta e também desmaiou com a luz misteriosa envolvendo-a. Ambas ficaram inertes no canto do porão enquanto a luz cada vez as envolve mais. Ainda no porão um vulto passou e a luz desapareceu assim como o livro.
Notas finais
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