Notas iniciais
Nem vou dizer nada HSUASHUAHSSenti muuuita falta do meu yaoi! T-T Não consigo parar de escrever kkkA fic já atingiu os 30 leitores... tá mais do que ótimo pra quem começou tem 1 semana... mesmo que apenas meia dúzia dê o seu incentivo, já vale por muito! o/Boa leitura! ♥

Mãos passeavam pelo peito musculado do guerreiro. As pontas dos dedos delgados deslizavam sobre a pele arrastando as unhas de leve num trilho imaginário. Uma risadinha provocante encheu a mente de Kain. Não conseguia ver o rosto da mulher com quem estava sonhando, mas pelo decote muito plano, sabia que não eram uma das garotas com quem costumava deitar-se, todas elas tinham a bênção de peitos fartos.

O rosto sorridente aproximou-se mais do seu, saindo da sombra que escondia parcialmente o rosto. O dono do sorriso exibia uns olhos azuis mais claros e brilhantes que já vira. O cabelo branco decaía sobre o rosto, formando um manto sedoso emoldurando o rosto com traços suaves. A surpresa fez Kain arregalar os olhos, a intensidade do sonho acordou-o alarmado e embasbacado, pois nunca antes sonhou com homens. Kain demorou para localizar-se e assimilar que estava tendo um sonho erótico com Caja.

Esfregou o rosto pesadamente, como se quisesse apagar as memórias que envolviam o garoto dos cabelos brancos. Demorou para perceber, que um peso sobre as suas coxas condicionava a sua parte inferior do seu corpo. A origem do seu sonho perturbador estava fazendo das suas coxas um confortável travesseiro. O rosto dele demonstrava que estava confortável ali, inclusive estava ressonando.

Kain apoiou-se nos seus antebraços e observou o rosto incomum adormecido. As pestanas longas e negras tocavam nas bochechas. A cor negra contrastava com a palidez da sua cor de pele e cabelo. O jovem guerreiro não sabia como descreve-lo, ou se era certo chamar um homem de bonito. O efeito do sonho estava refletido no seu pênis, ele encontrava-se com uma rigidez absurda e incômoda. Nem enquanto estava fudendo alguma das garotas da aldeia, ele conseguia ficar tão duro.

Já incomodado com a situação, Kain tentou sacudir o garoto de cima das suas pernas. — Ei! Acorda! Já amanheceu! — Sacudiu o rosto dele mexendo mais energicamente a sua perna.

Havia amanhecido e o som da chuva era inexistente. Finalmente poderia deixar o confinamento da caverna e regressar a casa, e levar o animal assustado que caria-lhe nas mãos. Sacudiu um pouco mais forte a sua perna, ouvindo um resmungo de Caja, sacudiu outra vez até a sensação de cair acordar o garoto. Outra coisa que pôde conhecer do garoto, que ele era difícil de acordar. Se ele dormisse assim no meio da selva, acabaria por ser comido sem dar por isso.

— O quê? — Caja esfregou os olhos sonolentos. Tinha dormido melhor naquela noite do que na anterior. Geralmente Caja não era de acordar mal-humorado, mas acordar abruptamente tinha um efeito catalisador para tal.

— Estava complicado de acordar, florzinha. Fazer as minhas pernas de apoio para dormir, precisas de encostar o teu delicado rosto em algo macio? Posso deduzir que mijas sentado como as mulheres também? — Kain levantou-se mais bruto do que costume.

Atirando as palavras rudes para cima de Caja, como se ele fosse o culpado por ter tido aquele sonho irrefletido. Uma dolorosa impressão no meio das suas pernas causou-lhe alguma dor. Sem conseguir esconder o seu estado, Kain apertou a região com a mão para tentar fazer o pulsar parar.

— Deixa-me em paz. — Caja não queria ouvir aquele homem ressaltar os seus defeitos, como primeira coisa do dia. Desviou o olhar, quando o outro fez o gesto que supostamente todos os homens faziam sem embaraço. Tocar no centro da masculinidade seria como um cumprimento matinal ao seu corpo, os machos tinham esse costume. Todavia não tinha como Caja criticar o gesto, quando sabia que era ele o errado, nada em si era normal, não tocava no seu pênis sem ser para urinar. Não tinha o costume de tocar-se mais intimamente.

Ajeitou as folhas enfaixadas do seu pé, que estavam ficando com algumas pontas soltas.

Kain foi até à entrada da caverna e comprovou o que o sol brilhava forte, como se não tivesse sido coberto por camadas de nuvens pesadas durante dois dias. Os grunhidos de diversas espécies enchiam o céu e terra como uma sinfonia descoordenada. Parecendo uma competição, quando um dinossauro vocalizava, outro tentava destronar e vocalizava mais alto, metendo medo aos outros. Tentava ganhar o estatuto de macho dominante.

A intensidade do sol fez o moreno colocar a mão para proteger os olhos, formando uma barreira com os dedos. Kain preparou-se mentalmente e fisicamente, para o longo trilho de regresso a casa que tinha pela frente. Tomou a decisão de seguir por um caminho um pouco mais longo. Não teriam os perigos como os que havia se atravessassem um trilho curto e aberto. Pelo pôr-do-sol estariam na tribo do lago.

Regressou para perto de Caja, ele olhava-o com uns olhos sem maldade, a inocência dele dava-lhe um certo dó. Pegou na folha afunilada contendo o rosto da água que sobrou, e entregou-a a Caja. — Iremos partir agora, comeremos pelo caminho. Por isso bebe isto. — Estendeu a água para ele. Caja não se fez de rogado e aceitou, pois a sua garganta estava seca e arranhada. Kain abaixou-se para verificar a entorse dele.

Desamarrou as lianas e desembrulhou as folhas largas, retirou a pasta seca que cobria o tornozelo. O osso já encontrava-se visível sem o inchaço e vermelhidão. Não precisava de colocar mais pasta de ervas, somente trocou as folhas do enfaixamento por umas novas e frescas. Apertou os nós das lianas para que desse jeito imobiliza-se o pé.

Sentindo-se culpado por beber a água egoisticamente, Caja desejou que tivesse recusado. Porque Kain já fizera muitas coisas por ele, mais do que alguém da sua própria tribo fizera alguma vez. — Ficarás bem? Eu bebi toda a água… — Caja sentiu a sua culpa crescer quando viu Kain preocupar-se com o seu machucado.

— Vou ficar bem, não te preocupes. Agora sobe nas minhas costas. — Kain, não deu muita importância ao que o garoto disse, arrancou o colar de Caja. Seria melhor ele não exibir a marca de filho de um líder inimigo, guardou o colar na sua bolsa.

Kain permanecia agachado e virou os seus calcanhares, ficando de costas para ele. Carregar Caja facilitaria a locomoção dele e não atrasá-lo-ia. Notando a demora e retraimento, Kain impacientou-se. — Despacha-te, estamos perdendo luz do dia. — A ordem foi dada de maneira soberana.

A voz de Kain entrou nos ouvidos do menor como um trovão, junto com a brutidade de arrancar o seu colar, rebentando o cordel. Um arrepio de apreensão estalou na sua espinha. A aura dominante dos machos superiores era algo que Caja nunca alcançaria, disso ele tinha a certeza. Apressou-se a subir nas costas do moreno. Eles tinham as mesmas idades, mas a diferença de posturas era notória e irreversível.

Quando o peso do garoto-flor recaiu sobre as suas costas, Kain pegou na sua espada de pedra e levantou-se com facilidade. Uma coisa, que Caja tinha a seu favor era a extrema leveza que um corpo de dezasseis invernos não devia possuir.

— Coloca isso nas tuas costas. — Kain passou a sua espada, precisava segurar nas coxas dele, por isso não a podia carregar.

Essa ordem foi acatada mais rapidamente, colocou-a nas suas costas e amarrou a tira de couro dando um nó sobre o seu peito. As costas largas e musculadas eram quentes, o contato da sua pele com a dele era estranho. — Não vamos conseguir esquivar-nos aos carnívoros assim. — Caja estava na dúvida com o que deveria fazer com as suas mãos, segura-lo já seria demais.

— Não tem problema, qualquer coisa eu deixo-te como isco e salvo a minha vida. — Kain riu, ele e a sua carga saíram do abrigo da caverna, onde pernoitaram por dois dias. Os pés do jovem guerreiro firmaram-se na terra amolecida e coberta de pedras, enquanto descia por um terreno inclinado. — Põe os teus braços no meu pescoço. — O corpo de Caja não ficaria muito instável se ele segura-se a si.

Caja não respondera ao sarcasmo do moreno, claramente ele próprio concordaria com esse método caso fosse preciso. Kain deu um solavanco em Caja, acordando-o. Este não teve outra escolha senão segurar-se ao moreno para não cair. O caminho escolhido por Kain, resumia-se em uma paisagem de pedra e alguma vegetação separada por pequenos leitos de rios. Os enormes rochedos eram formados por arcos de pedra, ligando rochedos entre si, as estreitas passagens faziam com que os carnívoros maiores não conseguissem entrar ali.

Kain e Caja seguiam pela borda de um desses cursos de água. Dois pterodátilos guincharam por cima da cabeça deles. Deviam ser um casal, ambos levavam peixes nas suas garras, quando os pterodátilos pescavam em conjunto, significava que havia crias para serem alimentadas. O silêncio entre os dois humanos somente era sobreposto pelos barulhos da natureza, a correnteza mansa do rio, os peixes saltando vez ou outra sobre a superfície lisa e os grunhidos ecoando no ar.

O farfalhar dos fetos e da copa das Cicadáceas era como uma melodia própria daquele sítio, animais de pequeno porte, tímidos e assustadiços espreitavam quando os passos de Kain chegavam perto das suas tocas. Extasiado com a beleza insipida do sítio, Caja girava a sua cabeça de um lado para o outro, admirando a cor terracota dos rochedos reluzirem com os raios de sol.

Obviamente, ele nunca pisara naquele lugar, não conhecia nada mais além das redondezas da fortaleza onde situa-se a sua tribo, por isso não soube em que direção iam. O cenário pedroso parecia-se com uma floresta estéril, desprovida da abundante vida verde. A marcha de Kain estancou subitamente, Caja foi colocado em baixo de uma Cicadácea.

Sem dar satisfações para a paragem, Kain impulsionou-se para subir a árvore e arrebatar uns quantos frutos amarelos e redondos, com pintas verdes na casca. A habilidade de escalador não passou despercebido a Caja. O garoto elevou o rosto, olhando com assombro o quanto ele já tinha subido em pouco tempo. Lá em cima Kain cortou os talos dos frutos que os prendia à árvore, com uma pequena lâmina de ferro afiada cravejada no cabo feito de osso. Mirou para não acertar em Caja, deixou-os cair perto dos pés dele, obviamente isso fez o garoto lá em baixo sobressaltar-se.

O guerreiro não conteve o sorriso. Guardou o punhal rudimentar no cós da tanga e deslizou pelo tronco da cicadácea até tocar com os pés no chão. Sem grandes motivos para conversar os dois permaneceram comendo calados. Os olhos repletos de curiosidade de Caja seguiam todos os movimentos de Kain, sem dar por isso já tinha uma fruta descascada em frente ao seu nariz. Timidamente aceitou, sentindo-se como uma criança que não poderia usar um objeto afiado porque poder-se-ia magoar. Murmurando um agradecimento. — Obrigado…

Kain tomou um lugar na rocha onde Caja também estava sentado. O guerreiro olhou de esguelha para o seu acompanhante, o seu cabelo branco estava imundo mas brilhava excessivamente com a luz do sol. A lentidão com que ele comia o seu fruto era irritante. O olhar de Kain desviou-se para observar o céu, o sol chegara ao seu ponto mais alto e eles ainda nem estavam a metade do caminho. Decidiu que estava na hora de partirem, engoliu o resto do fruto e colocou-se em pé. — Vamos Caja. — Ajoelhou-se de novo para o menor subir nas suas costas.

— Eu acho que posso ir pelo meu p… — Caja tentou fazer o outro mudar de ideias, mas estremeceu quando Kain olhou por cima do seu ombro. A expressão dele não era muito amigável. — Caja, quando eu disser para fazeres algo, tu fazes sem questionar.

Não se atrevendo a questionar uma segunda vez, Caja jogou o resto do seu fruto para o chão e subiu para as costas dele. Agora cobertas com uma fina camada brilhante de suor. Pensando que o seu peso leve fosse uma grande vantagem naquela situação, Caja animou-se com esse pensamento. À medida que adentravam no labirinto de pedra, o garoto voltava a fascinar-se com a paisagem. Se não fosse pelo solo estéril os humanos poderiam viver confortavelmente ali, pois oferecia proteção contra os carnívoros.

O entusiasmo silencioso não passou despercebido a Kain, pois sentia o corpo dele irrequieto. — Impressionado? Não ficarei admirado por saber que nunca andaste por aqui.

— Não eu nem sei em que direção estamos. No dia da tempestade, foi o primeiro dia em que sai dos arredores da tribo da… — Caja começou a tagarelar sendo interrompido pela voz grossa do outro. — Não quero saber de onde vens. — Kain não precisava de saber se a tribo do lago e a dele já haveriam de ter algum atrito e rivalidade. Seria para protege-lo se mantivesse isso em segredo.

— Eu vou saber qual é a tua tribo. Não achas estranho? — Caja franziu a testa. A relutância dele em falar das respetivas tribos era confusa, ele não conseguia entender completamente. Não achava que Kain fosse mata-lo se soubesse de onde ele vinha.

— Mas tu não representas qualquer perigo. Preocupa-te contigo, não pronuncies algo desnecessário. — O tom de Kain era ríspido e irônico. Caja não era de pouca inteligência como aparentava, iria perceber que deveria saber proteger-se.

Caja assimilou mudo o que ele disse, não tinha o que responder por isso remeteu-se ao silêncio, continuar a ver para onde era levado.

.OoO.

A impaciência do líder era notória, faziam dois dias do desaparecimento do filho. Estava a ponto de expelir a sua raiva em cima do grupo de caça que perdera Caja na tempestade. Rhae fora parado de ir em uma busca solitária pelo filho. A ação irrefletida do líder fora parada pelo seu amigo de toda a vida, e braço direito na liderança da tribo da floresta.

O longo cabelo prateado ondulava com os movimentos irrequietos do seu dono. A expressão do homem estava carregada e pesarosa, estava enlouquecendo pelo desaparecimento do seu filho. Seu único filho. As vestes fluídas seguiam os passos do homem na sua marcha, a mão de dedos longos e magros cobriam metade do rosto, enquanto mergulhava em memórias de Caja.

Rhae era a imagem mais velha de Caja, os traços suaves, nariz de linha reta, lábios rosados e cheios, queixo estreito, eram iguais entre pai e filho. O elemento que diferenciava os dois era que Rhae tornara-se um guerreiro primado, com inteligência e habilidades exímias em caça. Rhae caçava sem usar as próprias mãos, a invenção de armadilhas e artifícios permitia que poupasse os caçadores das viagens longas em busca de caça. Quando mais novo ele montava as armadilhas durante a noite, e pela manhã haveria um animal de porte pequeno ou médio para comer. Depois que Rhae sucedeu ao seu pai, esse tipo de caça deixou de ser praticada, voltando ao antigo método de força bruta e velocidade.

O seu filho era o seu próprio reflexo quando mais novo, ele sabia muito bem que Caja era o excluído por ser diferente, o líder sentira isso na pele também. Tudo mudou quando Rhae começou a amadurecer psicologicamente, e a conduzir a sua tribo como um verdadeiro líder. Esperava que Caja tivesse a mesma evolução.

Por vezes, o seu coração de pai doía-lhe ao ver os olhos do filho, meio apagados e sem a vitalidade de um garoto da sua idade. Querendo que Caja se fortalecesse por si próprio, Rhae não fizera a intensão de conforta-lo como uma criança, não poderia segura-lo no colo como fizera quando ele era pequeno. E tudo o que ele pensava que seria para o bem do seu filho, agora resumia-se a arrependimento. Naquele momento estaria disposto a quebrar o seu juramento, e recuperar o seu filho por quaisquer métodos.

Decidido a isso, Rhae precipitou-se para a saída da sua cabana, a maior que ocupava o centro da aldeia. Todavia uma mão pesada parou-o, impedindo ele colocar um pé fora da cabana. Ao ver o estado nervoso do líder, Targus tinha que impedi-lo de cometer qualquer que fosse a loucura que ele tinha em mente. O guerreiro girou o pulso de Rhae fazendo-o virar-se para si, embatendo o corpo magro dele no seu.

Surpreso, o líder arregalou os olhos, o seu peito acelerou-se com a respiração irregular, os olhos marejaram-se tornando o azul aguado. A fraqueza do líder revelou-se naquele instante, Rhae desabou em prantos nos braços do seu amigo, repetindo interruptamente o nome de Caja. Tendo a sua mente contra si, pensando no pior que poderia ter acontecido a Caja.

O seu peito apertou-se um pouco mais, já tivera que fazer uma escolha muito difícil que levara-o a perder alguém muito especial. Tudo que restava-lhe era Caja, o alicerce da sua vida era o seu filho.

— Yvell! — A voz grossa como um dinossauro rompeu do peito de Targus, chamando o seu filho e ordenando outra busca por Caja.

.OoO.

Como previra chegaram à tribo do lago ao anoitecer, restavam umas réstias de laranja no céu. Kain parou na grande fortaleza de madeira, berrando para as sentinelas, que obviamente estavam desleixados na vigia porque não deram pela presença deles. — Abram esta merda!

Um dos guerreiros ao serviço surgiu, mandando de imediato abrir a passagem para eles. Outro guerreiro apareceu junto do primeiro, esse não conteve o sarcasmo. — Finalmente regressou a casa depois de sequestrar a filha de alguém?

Como filho do líder por vezes a inveja alheia ficava visível, mas Kain não deixava de dar resposta mesmo que fosse a alguém mais velho. — Volta para a tua brincadeira solitária, o teu pau já sente falta da tua mão. — Kain avançou para os metros finais, onde a sua cabana ficava. Deixando as risadas altas dos guerreiros sentinelas para trás das suas costas.

O alvoroço alertou o líder da tribo do lago que algo se passava. Theon saiu da sua cabana para ver o seu filho, são e salvo como era de esperar, o seu grande orgulho. Contudo nada o preparara para ver a companhia que Kain trouxera junto. O cabelo branco do garoto desenterrou memórias de dezasseis dolorosas primaveras atrás. Os olhos verdes do líder estavam a ponto de saltarem das orbitas. Conhecia alguém com os mesmos cabelos, olhos e rosto, até a fisionomia magra era parecida. Não estava certo do que Kain estava aprontando. Ou como se conheceram.

O seu filho trouxera consigo o filho de Rhae. Theon perguntou-se o quanto o destino estava brincando pela segunda vez. Recuperado o líder aproximou-se do seu filho e abraçou-o fortemente, apanhando-o despercebido. — Kain, meu filho! A tua demora quase fez a tua mãe esfolar-me vivo.

O jovem deixou-se ser abraçado pelo pai, amava o seu pai acima de todos. — A minha mãe é a fera mas perigosa que enfrentaste até hoje. Percebo o teu medo. — Os dois gargalharam da piada familiar que só ambos entendiam.

Caja observou os dois homens, sentindo-se de parte permaneceu quieto. Os laços entre ambos eram bastante visível, a união de pai e filho, fascinou o garoto. Pelo pouco que pôde perceber as personalidade dos dois eram semelhantes, assim como o aspeto físico.

O abraço entre os dois desfez-se e Theon virou a sua atenção para o garoto recém-chegado. — Qual é o teu nome rapaz?

Caja espantou-se, por aquele homem conseguir distinguir o que ele era logo à primeira vista. — Caja, senhor.

Theon pôde perceber a ligeira diferença entre as vozes de Rhae e Caja. Isso estava bem gravado na sua memória. Sentiu-se transportado no tempo em que era jovem. O líder sorriu para o garoto dando-lhe umas boas vindas calorosas. — Espero que te sintas em casa aqui na tribo do lago, Caja.

A pouca cor que o rosto do garoto possuía sumiu com as palavras do líder. ‘’Tribo do lago?’’ O seu tumulto interno passou despercebido, pois Kain pegou nele ao colo sem o avisar. A espada de pedra que Caja segurava caiu no chão sem ninguém se importar com isso. Os seus ouvidos ainda captaram pai e filho despedindo-se.

Kain levou Caja para a sua cabana, localizada perto da cabana do líder, no centro da aldeia. O jovem deixou o outro lá dentro avisando que voltaria depois de ver a sua mãe. Deixado sozinho, Caja viu-se num dilema, permanecer quieto ou explorar aquele ninho que exalava a odor masculino. O espaço era ocupado por uma cama feita de camadas de folhas e palha, em cima várias cobertas feitas por peles de animais macios, serviam para proteger o corpo do contato das folhas e palha, servido também para proteger do frio.

A um canto um pequeno arsenal de armas de pedra, osso e madeira descansavam encostadas à parede. Pelo aspeto gasto delas, percebia-se que eram muito usadas. Encostado a uma outra parede de madeira, um baú de madeira negra representava o único sítio de arrumação da cabana. Tudo era muito diferente ali, ao contrário do seu quarto aquele regia-se pela simplicidade que os machos gostavam. O seu estava repleto de objetos decorativos feitos por ele, flores e tapetes de peles de animais sedosos e brilhantes.

Caja sentou-se na cama, afundando levemente as folhas com o seu peso, ainda um pouco atordoado. Ele tinha entrado na tribo do lago. A sua má sorte não deixava de surpreende-lo, cair logo na tribo com quem tinham maior rivalidade. Se bem que todas as tribos eram rivais, mas foi ensinado que aquela em especial era a pior de todas.

Suspirou, não sabia muito bem o que devia fazer. O primeiro contato feito, Caja não sentiu que foi ruim. O pai de Kain, o líder pareceu-lhe um bom homem. Porém a sensação de traição era intragável. Bastava fazer atravessar o grande rio e estaria em casa. Acrescentar traidor às suas inúmeras qualidades pobres que possuía, não era o que ele queria. Conversando interiormente, Caja não se apercebeu que uma garota de longos cabelos negros e olhos verdes, pele muito morena e as típicas vestimentas de verão que as garotas usavam, uma saia bem curta feita de couro de algum animal junto com uma faixa do mesmo tecido cobrindo os peitos. Estava risonha na sua frente com uma refeição em mãos.

— Pediram-me para trazer-te esta comida. O meu nome é Lila, segunda filha do líder, muito prazer. — A garota abriu mais o seu sorriso.

Caja emudeceu, a simpatia da garota era notória, visivelmente a rudeza de Kain não era de família. Sorriu de volta para a garota, e aceitou a bandeja com a comida, colocando-a em cima da cama. — Muito obrigado. — O garoto comovia-se com qualquer gesto de simpatia, isso deixava-o feliz.

— Ah, Kain disse que devias logo ir dormir depois de terminares de comer. — A curiosidade de Lila inflamou-se mais. Por que o seu irmão simplesmente apareceu com uma noiva nos braços, depois de voltar da sua suposta caçada.

Caja franziu a testa com aquela ordem, o outro atrevia-se a manda-lo dormir como se mandasse nele. Nem o seu pai lhe dava tal ordem.

Vendo o bonito rosto pintar-se com descontentamento, Lila esclareceu. — O meu irmão tem sangue de líder, por isso tudo o que ele diz vai parecer ordens. Não te preocupes, Kain pode ser um bruto mas preocupa-se com as pessoas.

A preocupação do filho do líder, Caja já a conhecia muito bem. Kain providenciara-lhe comida e tratara-lhe do seu machucado, não se importando em enfrentar uma tempestade para conseguir isso. Claramente era indício de pessoa que colocava o bem-estar dos outros acima do seu, como um verdadeiro líder. — Eu sei. Ele é uma boa pessoa.

— Obrigada por teres Kain em boa consideração. — Os olhos da garota brilharam. — Bom eu preciso ir, boa noite.

— Obrigado pela comida, e o meu nome é Caja. — Ofereceu um sorriso singelo.

— Caja?! Nome muito bonito. — Lila elogiou o nome, mas saber o seu nome a fez ter mais dúvidas quanto ao gênero daquela pessoa. Percebia-se que não tinha peitos, todavia a essência masculina dele era fraca. Acenou-lhe e saiu da cabana, levando consigo as dúvidas.

De novo sozinho, Caja pegou na tijela de sopa morna e começou a come-la. O seu estomago agradeceu o calor dado pelo caldo delicioso. Dois dias sem comida caseira, apenas fruta, peixe e carne assados na fogueira não alimentavam como devia ser o seu paladar. De repente sentiu saudades da comida do seu pai, o líder cozinhava as três refeições do dia para ele, todos os dias.

Caja sempre desconfiou que isso seria a forma que o seu pai arranjou para aconchega-lo e dizer que estava cuidando dele. Por isso, ele comia com deleite tudo o que era feito pelas mãos do seu pai. Afundado em pensamentos saudosos, Caja terminou a sua sopa, pão e peixe seco num instante. Limpou as mãos e boca na sua túnica, que uma vez já foi branca, agora estava imunda.

O seu corpo fedia bastante, precisava tirar aquela sujidade ressequida do seu corpo e cabelo. Os nós formados nos fios brancos eram nojentos, era impossível colocar os dedos e desembaraça-los. Parecia que a sua cabeça havia-se transformado num ninho de um bicho qualquer. Sabia que não ia ter o desejado banho naquele momento, por isso resolveu fazer o que Kain mandara, dormir.

Colocou a bandeja no chão e esticou-se na cama de folhas. Sentiu a boa maciez da cama no corpo e rebolou nela. Parecia que nunca havia deitado numa, pois já tinha-se esquecido como era deitar-se nela, depois de ter dormido somente dois dias no chão duro, mas sentiu como se tivesse sido por mais tempo.

Quando o seu corpo relaxou com as folhas fofas e os pelos macios das peles, Caja resignou-se a ocupar o espaço mínimo da enorme cama. Contentou-se somente por ficar na borda. Esgotado pelo corrupio de emoções, o garoto caiu no sono sem muito esforço.

.OoO.

Kain regressava à sua cabana depois da sua mãe parar de repreende-lo, obriga-lo a comer cinco vezes e deixa-lo ir tomar banho. Para ele a vida familiar era muito mais cansativa do que uma caçada de dois dias. Na sinceridade Kain não sabia o que estava fazendo, qual fora o propósito de trazer Caja consigo, isso ocupava a sua mente por inteiro.

Os olhos verdes cravaram-se em Caja adormecido, com passos silenciosos aproximou-se da borda da cama de folhas. Kain agachou-se ao nível do adormecido, permanecendo com o rosto austero. Retirou os fios de cabelo caídos no rosto dele. — O que é que eu vou fazer contigo…

Era certo que ele trouxera-o consigo por iniciativa própria, mas também Caja não recusara, por isso os dois tinham que trabalhar num propósito em conjunto. Kain tinha muito o que fazer, aperfeiçoar as suas habilidades para tornar-se o líder, não podia ter tempo livre para olhar por Caja.

Desavisado, por obviamente estar distraído olhando para Caja, Kain não notou a entrada de Xanxus. O tigre dentes de sabre, esfregou a sua enorme cabeça no ombro do seu dono. Xanxus era um macho adulto que gostava de receber atenção do humano. Metade das cicatrizes feias que Kain tinha no corpo foram feitas pelo tigre, no fim o filho do líder conseguira domar o tigre.

Kain não retirava os olhos do garoto. Murmurando para com o felino. — Vamos ter que olhar por este bichinho estranho, Xanxus.

Como se entendesse o que o humano dissera, os olhos amarelos fixaram Caja.

Não resolvendo nada por somente estar encarando o garoto adormecido, Kain levantou-se e foi ocupar o lado vazio da cama, ficando de costas para ele. Xanxus fez o lugar onde Kain estivera o seu sítio para dormir naquela noite.

Caja encontrava-se dormindo alheio a tudo, entre Kain e o tigre dentes de sabre.

Notas finais
Habilidade ótima pra criar nomes dos personagens como sempre kkkSinceramente esses dois não sabem na treta em que se meteram.Espero que tenham gostado ♥ Imagem paisagística sugerida pela fofa da Mililika ♥ Kissus ~ ♥