Desejos Ilícitos - HIATUS
3 O pedido
Notas iniciais
A jovem Swan ajudava a srta. Alice a desfazer as bagagens, e em momento algum conseguiu tirar da cabeça a forma como o Sr. Cullen a olhara momentos antes. Ela não costumava reparar nos homens a sua volta, mas tinha a certeza de que nunca vira um homem tão bonito. Ele tinha feições simétricas e olhos verdes intensos, tinha as maçãs do rosto levemente coradas por causa da temperatura mais baixa, e Isabella achou isso totalmente encantador, mas, ao mesmo tempo, ele tinha um olhar tão sério. Era impossível não se sentir intimidada em sua presença.
— Ai Bella, eu estou tão feliz e tão triste ao mesmo tempo! – Alice exclamou depois de sua breve descrição da viagem, tirando Isabella de seus devaneios.
— Que motivos tem para estar triste Alice? – perguntou a Swan.
— Lembra do que eu lhe escrevi na carta que te mandei há uns meses? – perguntou Alice.
— Sobre o seu pretendente?
— Sim, isso mesmo. – Alice respondeu de forma desanimada.
— O que aconteceu? Ele não fez o pedido? – indagou Isabella.
— Não, ele não tinha uma posição social adequada para tal coisa. — disse num muxoxo. – Não poderia fazer o pedido.
— É uma pena. Pelo que você me falou parecia um bom homem. — lamentou a Swan.
— Mas a história não acabou por aí. Aconteceram algumas coisas. — observou Alice. – Por isso nós viemos pra cá.
— Que coisas foram essas? – perguntou Isabella.
— Nós íamos fugir. – Alice disse como se tivesse comentando sobre o tempo.
— Fugir?! – Isabella olhava chocada para a amiga.
— Sim, fugir. — reafirmou Alice. – Depois nos casaríamos, obviamente. — completou justificando.
— Alice, você ficou louca?! – Isabella tentava entender onde é que tinha ido parar o juízo de Alice.
— Louca? Só se for de amor! — a Cullen disse num suspiro. Se jogando na cama.
— Você não se importa do que falariam de você? Da sua família? Por Deus Alice! Você sabe o que isso significa? – Isabella ainda tinha esperanças de fazer Alice a ver a razão. Ela não entendia como alguém poderia colocar sua reputação em risco por causa de um homem.
— Isso não importa mais, a tia Esme descobriu tudo e meu irmão me arrastou pra cá, provavelmente nunca mais verei Reymond. Mas, como eu disse, tenho motivos pra ficar feliz, afinal estava com saudades. — disse abraçando a moça que ainda a olhava espantada, pela banalidade com que tratava a situação.
***
Os dias foram passando e uma rotina se formou na propriedade. Alice, Bella e Rosálie se divertiam muito juntas, iam até as lojas do vilarejo mais próximo, passeavam nos jardim da região que mesmo afetados pelo outono possuíam muita beleza, cavalgavam pelos campos, bordavam e tomavam o chá da tarde juntas entre conversas animadas. A única que não se juntava ao grupo era Jéssica, apesar de ter a idade mais aproximada das meninas, ela era três anos mais nova que sua irmã mais velha. Rosálie já tinha 21 e se dava tão bem com as meninas que parecia adolescente. Jéssica sempre se deu bem com a prima por possuírem o mesmo animo para roupas e festas, mas não gostava da Swan, e não fazia questão de esconder isso.
Apesar de ser tratada como da família, Bella não esquecia o seu lugar de criada e ajudava a mãe em todas as tarefas da casa. Sua função era arrumar todos os quartos da mansão e todos os dias antes da hora de deitar ia, a pedido da mãe, levar um chá para o Sr. Cullen, mas apesar de todos os dias fazer a mesma coisa, ela ainda se sentia desconfortável com os olhares que o rapaz lhe lançava, e ainda havia os elogios.
— Obrigado, Srta. Swan. – dizia o rapaz, sempre olhando em seus olhos, mas Bella não conseguia sustentar o olhar e sempre baixava o rosto tentando esconder suas bochechas rubras.
— Não precisa agradecer senhor. – ela dizia envergonhada, sua voz quase não saindo.
— Eu deveria agradecer só por ter a honra de ver-te todos os dias, senhorita. – respondia ele galante. Bella, sempre sem saber o que dizer, apenas desejava um tímido 'boa noite' e se retirava.
Ela não conseguia se sentir normal na frente dele, pois ele sempre a deixava sem graça, mesmo que não dissesse nada, bastava apenas um olhar e a menina sentia suas bochechas esquentando. Por que ele tinha que olhar tanto para ela?
Em algumas noites ao fim do jantar, todo o grupo se reunia na sala para jogar e conversar. Era o que acontecia no momento.
Alice, Jéssica e Rosálie conversavam animadamente sobre a moda do outono; Bella estava em um canto mais quieto da sala e contava uma história para Theo que estava quase dormindo em seu colo; naquela noite sua irmã mais velha Leah estava lhes visitando e conversava com sua mãe e a Sra. Hale; os quatro homens jogavam um jogo de cartas; e as crianças brincavam em um canto. O clima estava tranquilo, mas de vez em quando era possível ouvir os homens comemorando alguma jogada, ou uma das crianças gargalhando.
Bella terminou a história e sorriu ao ver seu pequeno irmãozinho dormindo, ocasionalmente sentia que era observada.
— Ah, não acredito que ganhou novamente Sr. Cullen! – ouviu o cunhado falar.
— Não adianta, nenhum de nós é pareo para ele. – o Sr. Hale disse.
— O que posso fazer senhores, para jogar cartas é preciso concentração, vocês se distraem muito fácil. – comentou o Cullen.
— Ah, mas agora aposto que não ganhará! – falou o Swan convicto. – Bella querida, venha cá. Mostre ao Sr. Cullen como se joga! – o Cullen sorriu com a ideia, e Bella ficou apavorada com a possibilidade de jogar com o patrão.
— Não posso, estou colocando o Theo para dormir. – gesticulou para o menino em seu colo.
— Ele já está adormecido querida. – disse sua mãe, levantando-se para pegar o menino. – Vou colocá-lo no quarto, vá jogar. – a jovem sem saber como negar, encaminhou-se para a mesa de jogo, de repente todos estavam interessados na partida.
— Vamos ver se o seu pai tem razão, senhorita. – brincou o Cullen, e mais uma vez Bella sentiu-se corar, isso sem falar de suas mãos que agora vivam suadas e geladas.
A partida durou algum tempo, as jogadas eram quase as mesmas e o tempo todo parecia que haveria um empate, mas depois de analisar a última cartada do seu adversário, Bella simplesmente ganhou o jogo, surpreendendo a todos, menos ao pai.
— Ganhei. – falou, um pouco mais confortável agora. O Cullen a olhava admirado.
— Parabéns senhorita, vejo que seu pai tem razão. – o sr. Cullen comentou sentindo ainda mais admiração pela moça. Pelo que pode observar no pouco tempo que estava na propriedade, ele enumerou algumas qualidades de Isabella, além de linda, era doce, carinhosa, prestativa, sem frescuras e agora inteligente. Não teve mais dúvidas, e finalmente tomou a decisão. Esse pensamento lhe ocorreu desde o primeiro dia que chegou ao campo, achou melhor não se precipitar, mas agora não haveria nada que o fizesse mudar de ideia.
— Ah, tenho certeza que minha cunhada me ensinaria a jogar decentemente. – disse Samuel, não deixando a moça com brecha para negar.
— Claro. Não é difícil. – respondeu a moça, pronta para começar um novo jogo.
— Sr. Swan eu gostaria de falar com o senhor em particular, pode me acompanhar ao escritório? – perguntou o Cullen deixando todos na sala curiosos.
— Claro. – o Swan respondeu o acompanhando para fora da sala.
Enquanto Bella estava concentrada em ensinar seu cunhado a jogar, o resto da família voltou ao que estava fazendo antes da partida épica.
Após duas partidas inteiras com o cunhado Bella viu o pai e o patrão voltarem para sala, ambos muito sorridentes. Todos na sala ficaram confusos tentando entender motivo de tamanha repentina felicidade.
— Qual é o motivo de tanta alegria? – Alice que não conteve a curiosidade perguntou.
— Uma notícia maravilhosa! — respondeu Charlie animado. Seu sorriso mal cabia em sua face, só não era maior que o do Cullen.
— Oh, maravilhosa?! – exclamou a Sra. Swan já imaginando o que seria, ela tinha feito o possível para que isso acontecesse assim que percebeu que haveria uma possibilidade, esperava que estivesse certa.
— O Sr. Cullen acaba de me pedir a mão de Isabella em casamento, não é magnífico?! – ele anunciou contente. Houve uma comoção enorme na sala.
Fale com o autor