Desejos
4 Dreams Come True
Notas iniciais
[JULIANA]
O avião descia lentamente, cortava as nuvens em partes desiguais e ao tocar o chão, meu corpo foi pressionado contra o banco pelo cinto.
Londres.
Desembarcamos em silêncio e fomo pegar as malas, depois seguimos para o mesmo hotel.
O meu sonho começava a realizar-se, fitei o céu que parecia estar longe e foi pintado com belos tons claros de cores escuras. Era dia, era verão e estava frio. O Sol tentava escapar da névoa que o cobria.
Chegamos ao hotel. Um saguão grande encontrava-se escondido pela porta alva e de tamanho descomunal para apenas uma porta.
Peguei a chave de meu quarto, 508, e o de Leo e William era o 509. Subimos as escadas, as pernas levavam-nos e os anseios de realizar um dos desejos guiavam-nos. Cheguei a minha suíte e rodei a chave na fechadura quase que insensivelmente como se fosse um velho hábito, mas passaria a ser a partir daquele dia.
Pisei no chão frio, os cômodos eram bem distribuídos e podiam ser considerados espaçosos, a ausência de uma varanda não me era problema. Atirei-me no colchão fofo, fazia-o constantemente em minha mente, mas daquela vez era real, era tátil, era incomensurável.
Levantei-me da cama quase que num salto ao ver William e Leo à porta que eu não havia fechado. Assustei-me, mas era Londres, e o susto passou de maneira sucinta.
– Vocês me assustaram. – suspirei.
– Eu e Leo vamos conhecer Londres, quer vir conosco?
– Claro… Só espera eu tomar um banho, trocar de roupa e desfazer as malas. –pausei — Podem ir sem mim.
E eles foram.
Enquanto me banhava, refleti sobre a vida e pensei em como eu iria realizar a outra parte de meu sonho. Submergi meu corpo por completo e deixei meus pensamentos fluírem com a água.
Os três primeiros dias voaram e eu nada tinha visitado, eles teriam seguidos extremamente melancólicos e monótonos se eu não estivesse em Londres. Perguntava-me quase que incontrolavelmente quando iria ser o show da minha banda favorita, perguntava-me se os boatos eram verdadeiros. Tudo não passava de perguntas sem respostas.
O quarto dia, ou melhor, a noite foi a pior daquela primeira semana londrina, meus pensamentos lúgubres prendiam-me ao meu silêncio que exprimia sombria felicidade, mas nem mesmo no silêncio me calei, foi lá que passei a questionar-me se a minha decisão de vir para Londres estava certa. Encontrei-me estarrecida e nem por isso me deixei ser intimidade pela escuridão da incredulidade. Desfaleci em contínuo nervosismo.
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