Desejo de viajar após o ano novo
1 único
Ainda lembro do meu mês de janeiro desse ano que está indo embora, lembro de como foi triste. Faltou comida na geladeira, recebi a visita estranha de um agiota, meu pai havia voltado a beber depois de 3 meses limpo e por conta disso minha mãe partiu assim que chegou fevereiro.
Eu nunca peço nada a Deus quando chega essa época do ano, ainda mais agora que não acredito em deus nenhum, pois tudo foi tão difícil que minha fé foi drenada pelas mãos do meu pai quando acordava atordoado no piso frio da cozinha e tentava ver minha mãe nos meus olhos castanhos.
Retirava suas mãos estranhamente quentes, talvez porque era o único afeto que ele me dava, e o erguia do chão para cobri-lo na cama. Depois eu passava a andar sozinho na cidade pela noite, olhando as estrelas e ao redor; pensando em como aquele lugar tão simples era apertado e tendo lembranças de como via tudo tão gigante quando criança.
Tudo era mais perfeito quando era um menino.
Mas essa minha caminhada havia um destino que preenchia o vazio do meu coração da mesma forma como ficamos com insônia pelo fato da manhã seguinte irmos para uma viagem com nossa família em um lugar e vermos que o mundo sempre fora lindo, bastasse contemplar.
Sanji me recebia na sua cama, seu abraço era como brasa e me fazia desmanchar-me em lágrimas, porque o calor lembrava minhas férias de verão, minha infância e de como tudo era tão fácil, da comida boa de minha mãe. Sobretudo de minha mãe.
Fazíamos sexo e eu não chorava mais, apenas contemplava sua beleza, embora estivesse igualmente cansado. Sua vida não era melhor que a minha e talvez aquela relação só desse certo por sermos carentes. Era uma relação também conturbada, brigávamos demais e na maior parte do tempo porque Sanji não me deixava, quando eu me esforçava tão pouco e não prestava.
— Está a fim de fazer uma viagem nesse mês de janeiro? — Perguntei, enquanto o tinha em meus braços e fazia um carinho em seus cabelos loiros.
— Se não tiver que voltar, sim.
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