Desejo Realizado
2 O QUE DESEJO SER?
\"É verdade...está aí uma coisa misteriosa. Existem cerca de 5 bilhões de pessoas neste planeta. Mas a gente acaba se apaixonando por uma determinada pessoa e não quer troca-la por nenhuma outra\"
Jostein Gaarder
Uma carta em minhas mãos...e na verdade aquilo era o meu próprio coração, como não podia deixar de ser. Descendo as escadarias naquele dia ensolarado não conseguia deixar de me perguntar o que me trouxera ttal coragem...e no mesmo momento lembro-me então...um riso leve de bebe...o sorriso inebriante de um pai:
- Bom dia, Hyoga!
O loiro cavaleiro vira-se então com o bebe nos braços...era uma menina de pele clara como a neve e olhos verdes cristalinos iguais aos da mãe, que preparava o almoço naquele instante:
- Olá, Afrodite!!
O novo cavaleiro de Aquário se aproxima com um largo sorriso...eu ainda não me acostumara bem com o fato de Kamus ter partido...ainda mais...logo após de ermos firmado uma amizade mais estreita devida à Anuska (1)...guardo a carta no bolso da camisa para, assim, tomar o bebe em meus braços...claro...porque não admitir que o fato de ver amigos indo embora, viver suas vidas...tomando coragem de amar...era o que me impulsionava a me declarar a ele?
- Está tudo bem?
- Claro! Porque não estaria?!
Pergunto me sentindo subitamente invadido pelo olhos azuis do rapaz...ao qual ele ri:
- Nada...é que você estava tão distante olhando para Nádia!
Suspirei...a cada dia era mais difícil esconder o que eu sentia...eu não conseguia entender porque tinha que ser assim...porque não ter uma vida normal...uma mor real...que pudesse ser possível...que trouxesse alegria e paz como acontecia entre Hyoga e Eiri...
- Estava apenas olhando sua pequena, Aquário!
Entrego-a a ele com um aberto sorriso...as pequenas mãos apeertando o meu indicador...
- Pensando também no quanto sou sortudo...
Ele me observa dar alguns passos na direção as escadarias para a casa de Shura...sua expressão de dúvida me diverte:
- A vida é bela, o sol brilha, os pássaros cantam!...
Digo gesticulando a andar de costas, olhando para ele...adorava provoca-lo! Por ser o único a não estar acostumado comigo...ainda! E,assim, completo:
- E eu tenho um loiro, alto de olhos azuis como vizinho! Preciso de mais?!
Com uma piscada e uma risada posso vê-lo ficar vermelho:
- Afrodite!
Viro-me apenas para mandar-lhe um beijinho e deixa-lo ainda mais sem jeito...Hyoga tinha a incrível capacidade de descobrir o que acontecia ao seu redor...muitas vezes me perguntei se ele não tomara aulas de telepatia com Um...e...por essa razão eu o distraia toda vez que ele me pegava nesses meus distantes devaneios.
Ele sabe que eu amo Carlo.
Respiro fundo descendo as escadarias a passos lentos, sentindo os raios de sol tocarem meu rosto no fresco dia de primavera...
Quem não sabia que eu o amava? Até o próprio Carlo sabia! Não...eu nunca falei a ele...não é por mim que ele sabe disso...nem por mim, nem por outro...ele sabe por ele mesmo, afinal eu não precisei falar para ninguém pra que soubessem...e dessa mesma forma eu...podia sentir que ele me amava também...que é recíproco, saber se não falando? Eu poderia viver esse impasse o restante dos meus dias? Ou superaria todos os meus medos...o preconceito, seria capaz? Talvez estivesse...acomodado naquela situação...sim...parei em um dos degraus e mordi o lábio inferior...preocupado. Sim...ambos estávamos acomodados até então...mas de repente, eu pude perceber o quanto eu sofria com tudo as respostas que ele me dava através de gestos e olhares singelos...mostrando o que sentia por mim...mas nunca dizendo...nunca...amando totalmente.
Tiro a carta do bolso...olho-a fixamente...o vento sopra levando meus cabelos a dançarem por meu rosto...aquela era a resposta. Eu entregaria a ele. Não era apenas uma declaração...era um pedido. Para que pudesse no minimo entender o que eu sentia...aquela carta em minhas mãos...era o que o futuro me reservava...olhei para a frente, ergui a cabeça...amar...para amar é preciso força e coragem.
- Minha deusa...me ajude!
Passei pelo interior da casa de capricórnio sentindo o cheiro de comida recém-feita...ouvi risadas...ouvi sua eu previra. Os amigos tomavam uma cerveja a conversar na frente da casa de Shura, aguardando o almoço...Depois que as batalhas terminaram isso foi ficando cada vez mais freqüente, e era delicioso poder passar por esses momentos...parei na sombra de uma pilastra apenas observando a alegria deles...ali estavam o anfitrião, os gêmeos e Aioros..provavelmente Shina estava preparando uma deliciosa macarronada...dei um passo a frente... mas parei...
- A regazza me botou pra fora, Shura! Só porque eu queria experimentar o molho!...
Ele ria malicioso enquanto trazia uma bandeja com queijos...e eu fiquei petrificado...meu coração acelerou-se que pensei que ia saltar de meu peito...ele é tão...
Sentou-se tomando um tapa do amigo uma bermuda preá e uma regata azul...os cabelos sempre um italiano mal-humorado e divertido...eterna contradição que havia em sua personalidade forte...eu não conseguia me mover...eu precisava me mover!!! Como eu iria entregar a carta a ele na frente de todos?! As risadas se intensificaram...eles se divertiam...Eu precisava fazer alguma coisa...tomar uma atitude...eu...
- E a Anuska? (Aioros)
- Mulherão!!! (Kanon e Saga)
- É unânime, até o Afrodite acha que o Kamus é um cara de sorte! (shura)
- O tipo de mulher que você nunca enjoaria...(Carlo)
Risadas...mulher...risadas...resolvi esperar um pouco...me encostei na pilastra...e...descobri que não foi uma boa idéia escutar o que eles tinham a dizer...
- Ela é o tipo de mulher que todo homem gostaria, isso sim! (Aioros)
- Não sei quanto a isso...estou mais do que feliz com a Shina! (shura)
- Mas é diferente! A Shina tem esse jeito forte e...a Anuska...sei lá, ela era...(Saga)
- Feminina. A Anuska é a mulher com os traços mais femininos que eu já vi...uma mulher tem que ser assim! (Kanon)
Eu precisava sair dali...eu precisava ir embora...não era certo escutar aquilo...
- É...se quer saber, acho que está certo, Kanon. Essa coisa da mulherada hoje em dia ficar com graça de se vestir que nem homem...essas coisas que fazem elas perderem a vaidade...(Carlo)
- A feminilidade...(Aioros)
- Isso não é delas! E ainda que a bambina não tinha alma só de mulher...era um belo conjunto de corpo e alma que víamos ali, falemos a verdade! (Carlo)
Aqueles risos me feriam...aquelas palavras me trucidaram o coração...a conversa continuava...não bastava uma alma feminina...ah, não, isso nunca bastaria...nunca bastaria...olhei para a carta novamente...eu jamais bastaria para ele...nunca daria certo...sorri e guardei o papel em meu bolso...no que eu estava pensando?! Porque estragar o que temos? A amizade que criamos...por algo que ele não iria entender...por uma tristeza...por uma angustia maior que essa que sinto agora?
Meus olhos estavam marejados...minha expressão séria...olhei para eles novamente...o assunto já mudara, as risadas continuavam...senti um aperto no peito me dizendo para correr para bem longe dali...e eu estava preparado para seguir meu instinto quando:
- Afrodite! Nossa, chegou na hora boa! (Shina)
Por um único instante não consegui esconder minha surpresa de ter sido descoberto...mas logo sorri abertamente e corri a ajuda-la com as panelas do almoço, ao qual os rapazes também vieram...tendo chamada a atenção para minha presença...meu olhar automaticamente se fixou em Carlo, que permaneceu sentado...sua expressão era estranha e surpresa...cumprimentei a todos, e neguei educadamente o convite para ficar ali...meramente impossível pensar naquela hipótese, uma vez que era tão difícil controlar o tremor das minhas mãos...as lagrimas em meu interior...o amor no meu coração...logo pensei numa desculpa:
- Já almocei, gente, sério! Preciso ir lá na casa do Shaka cuidar do jardim!
- É verdade, ele ligou essa semana! (Aioros)
- E me pediu pra cuidar de suas \"plantinhas\" enquanto estivesse fora...
Risos...todos sabiam o tamanho do jardim...imenso! Mas sabiam também que eu não me importava...e foi perfeitamente compreensível para eles que eu estivesse indo la...respirei aliviado enquanto me retirava...
- Dido, se precisar de qualquer coisa...estarei em casa mais tarde!
Porque aquilo estava acontecendo comigo? Ao ouvi-lo chamar-me daquele jeito...parei estagnado...não sei como tudo não saiu ali naquele momento...não entendo como não virei pra ele e disse que o amava...as palavras não saíram...e de costas dei um aceno, como dizendo obrigada...e continuei meu caminho...agradeço até hoje pela casa de sagitário estar vazia...porque ali me sentei e fiquei a me acalmar e tentar raciocinar o que havia acontecido. Minhas pernas tremulas nunca teriam agüentado chegar até Virgem...e mesmo assim, não permaneci ali muito tempo...já que agora estava decidido...eu precisava me distrair...e não era uma má idéia cuidar de um jardim...
Já estava anoitecendo quando voltei para minha casa...o céu parecia pintado com pinceladas de nuvens alaranjadas...não acendi as luzes...tirei a camisa suja e soltei os cabelos suspirando cansado...quando a carta que estava no bolso caiu no chão...uma angustia cresceu em meu peito...a tomei rapidamente, levantando a olhar para o espelho em minha frente...aquele ódio...aquela raiva...porque? PORQUE?! Porque tinha que ser assim?
- Porque eu tenho esse corpo?!
O espelho se estilhaça com a força de meu cosmo...uma lagrima rebelde resolve escapar e descer por meu rosto assustado com minha própria indignação...respiro fundo e começo a juntar os cacos, mais calmo...sento-me no chão...e num ato estranhamente inusitado, comecei a junta-los novamente na antiga moldura dada por minha mãe.
- Porque não me aceitam como sou?
De baixo para cima eu encaixava os pedaços do espelho no entorno de madeira...
- Porque não posso ser amado como sou?
Aos poucos uma imagem quebrada se formava...uma imagem disforme...uma brisa vinha pelos corredores...parecia que queria me acalmar...queria me dizer que iria ficar tudo bem...aquela brisa com aroma de rosas.
- Porque nasci assim?
Levantei-me...era eu no espelho... em pedaços... despedaçado... estilhaçado... porque uma parte de mim me pertencia...mas a outra parte...a outra parte...
- Se eu tivesse um corpo de mulher...
Toquei de leve o espelho onde se refletia meu rosto e de repente me senti fraco...me senti...zonzo...caminhei com dificuldade até a cama ao tempo que um vulto vermelho passava pelo espelho...outrora quebrado, mas que subitamente retornou a forma original...mal encostei a cabeça no travesseiro e todas as minhas preocupações...se foram...
Tão belo em seu sono...em meio a tantas preocupações com sua aparência não podia ver que seu verdadeiro eu refletia-se em seu rosto...os mortais são tão engraçados, tão...frágeis...tão...fortes...
- Eu nunca agüentaria passar pelo que você esta passando...
Tirei com cuidado uma mecha de cabelo que estava entre seus olhos, até então eu não sabia com certeza porque fazia aquilo...nem, ao menos, se daria certo...mas ele precisava aprender de alguma forma que o amor que ele sentia era mais...que todo o restante...
- Não pense que será fácil, meu protegido...
Me aproximo e dou-lhe um leve beijo na testa...logo me desfazendo como o perfume das rosas e voltando ao Olimpo...
- Porque não será...
CONTINUA...
Notas finais
(1) Anuska é personagem original que vc encontra na fic VISITA INESPERADA.
Até o próximo cap!!!
Ephe-chan
Fale com o autor