Desejo Noturno

10 Resgatando O Passado


Notas iniciais
Hey meus amores, finalmente voltei com mais um capítulo para vocês, espero que gostem :3

"Eu não te mereço agora
Mas você se dá para mim de qualquer forma
Posso te ter agora
Você é tudo o que eu preciso
E quando eu me afasto
Você vem correndo direto para mim"

Dean Winchester

–Então vai ficar ai deitado ou vai me dar um abraço? – Perguntou ela dando um largo sorriso ao estender a mão me ajudando a levantar. Dei um abraço apertado nela, ainda não conseguia acreditar que depois de tanto tempo estávamos nos reencontrando e justamente naquela cidade.

–E sua mãe sabe que você está aqui ou fugiu de novo? –Perguntei, ao me separar dela pude ver sua expressão de irritada.

–Vocês têm que parar de me tratar como uma criança, eu sou uma caçadora agora. – Disse ela dando um sorriso de canto enquanto dois homens se aproximavam.–Estes são Ben e Roy, também são caçadores.

Após cumprimenta-los Jo me convidou para a casa onde eles estavam hospedados que ficava próxima a floresta. Ao chegarmos na grande casa antiga como era de se esperar sal espalhado pelas portas e janelas e inúmeras armadilhas do diabo, nela haviam também outros caçadores mal encarados, todos carregavam suas armas com balas de prata e afiavam a lâmina de seus facões, obviamente estavam caçando e ninguém precisava ser um gênio para deduzir o que era. Segui Jo e os outros dois até um quarto mais reservado, ela retirou de uma bolsa um velho livro com capa de couro e caminhou até mim.

–Então como veio parar aqui? –Disse cruzando os braços e a encarando sério.

–Há alguns meses eu estava mexendo nas coisas do meu pai e encontrei isso. – Disse ela me entregando o livro. – O diário do meu pai. Grande parte dele fala sobre um caso em que ele trabalhou com o John há alguns anos atrás, que não foi concluído.

–E o que eles caçavam? – Perguntei, folheando algumas páginas do diário e de imediato me deparando com uma frase na última página. – “Se existe um lar para criaturas sobrenaturais, com certeza é esta cidade”. –Li, lancei um olhar espantado para Jo. –Espera! Ninguém aqui é humano?

–Não, tem humanos aqui, mas esses monstros sabem disfarçar muito bem. –Suspirou ela.

–Bom, até onde eu entendi tem alguém querendo pôr a culpa dos ataques em vampiros. Mas os seus caçadores parecem estar se preparando para lutar contra lobisomens. –Disse colocando o diário sobre a mesa e a olhando confuso.

– Nesta cidade existem várias criaturas sobrenaturais e entre elas vampiros e lobisomens. E pelo que descobrimos até agora, eles são inimigos. – Disse ela franzindo a testa, enquanto eu tentava aceitar que havia me enganado gravemente, eu pensava que essa era uma cidade normal mas estava repleta de monstros.

– Jo, ele acordou! – Gritou um homem abrindo uma porta da sala.

–Dean, eu preciso te mostrar uma coisa. – Disse Jo me guiando até a sala de onde o homem havia acabado de gritar, ao entrarmos dei de cara com um homem preso por diversas correntes em uma cadeira de ferro. -Este é Owen Blake, um lobisomem. – Disse ela parando diante do homem que começava a acordar.

–Ele tem uma alcateia? – Perguntei o observando, aquele homem me parecia familiar assim como seu sobrenome.

–Na verdade, ele tem uma família. – Ela pegou uma faca de prata e se abaixou ficando frente a frente com Owen. – A família Blake. – Sussurrou ela com ódio e enfiou a faca na perna dele.

–Vadia! –Gritou ele mostrando seus caninos.

–Que falta de educação! Seus papais lobos não te ensinaram a respeitar as garotas? – Disse ela num tom irônico voltando a apunhala-lo, após ele soltar um grito ensurdecedor ela se levantou o encarando.- Fale sobre a sua adorável família.

–Eu não vou dizer nada. – Vociferou ele tentando inutilmente se soltar das algemas.

–Você não vai conseguir escapar. Mas talvez eu não te faça sofrer muito, é claro se você colaborar. – Negociou Jo. Ele respirou fundo e se acalmou, obviamente ele havia acreditado nela.

–Nós somos uma família de lobisomens, não somos a única, existem outras três: Baker, Hill e Moore. Mas somos a família principal, os mais fortes. –Disse ele relutante.

– Roy! — Gritou Jo, e em poucos segundos Roy chegou até nós. – Traga a lista com o nome de todas as famílias. – Imediatamente Roy saiu da sala e retornou trazendo alguns papeis que entregou para Jo.

– O que pretende fazer? – Perguntei me aproximando de Jo que olhava atentamente a lista com inúmeros nomes.

–Primeiro, descobrir quem são os lobisomens e mata-los em seguida será a vez dos vampiros e dos outros. – Disse ela parando seus olhos no nome dos integrantes da família Blake e passou a lê-los em voz alta. – Jason, Alice, Jane, Daniel e Caroline...Forbes. Por que o nome de uma Forbes está entre os Blake?

–Porque ela é a esposa de Daniel Blake, o lobisomem mais perigoso que eu já conheci. – Respondeu Owen. Eu permaneci por alguns segundos sem reação, Caroline estava casada com um lobisomem e morava nesta cidade monstruosa, então ela poderia ser um deles.

–Ela é um de vocês? – Antes que eu pudesse me dar conta estava diante dele o puxando pela camisa.

–É impressão minha ou tem algum interesse especial nela? – Perguntou ele dando um sorriso debochado. Ao ver aquele maldito sorriso senti meu sangue ferver, fechei meu punho e lhe dei um soco no rosto.

– Responda! — Gritei impaciente.

–Dean, se acalme! – Jo me puxou tentando me afastar do homem que repentinamente começou a tossir sangue.– O que está acontecendo com ele? – Ela gritou para Roy que tentou ajuda-lo mas já era tarde demais, ele estava morto.

✵

–Droga! – Dei um soco na parede, podia sentir meu corpo inteiro tremer de raiva.

–Então quer dizer que a mulher da sua vida é um deles. – Disse Jo andando de um lado para o outro me dando um olhar de reprovação.

–Ela não é um deles! – Exclamei impaciente passando a mão pelos cabelos.

–Só porque você teve um “namorico” com ela, há duzentos anos atrás, não significa que vocês se conhecem o bastante para dizer se ela é ou não um ser sobrenatural. –Ela parou diante de mim cruzando os braços.

–Mas o fato dela ser casada com ele não faz com que ela seja um deles, ela pode ser humana. – Suspirei a encarando.

–E como vamos descobrir isso? – Indagou ela.

–Eu vou descobrir. – Disse confiante, desejando com todas as minhas forças para que ela realmente fosse humana.

No dia seguinte me levantei antes mesmo que o sol surgisse no céu. Eu praticamente não havia pregado o olho a noite inteira, hoje era o dia em que eu descobriria se Caroline, a garota doce e divertida por quem me apaixonei e esteve em meus pensamentos durante quinze anos era humana, ou uma criatura desprezível que me enganou durante todos esses anos. Pensar nela desta maneira era terrível, mas infelizmente era possível que fosse verdade.

Sai do hotel e caminhei atentamente observando todos ao meu redor, era difícil aceitar que entre aquelas pessoas normais existiam monstros disfarçados e entre todos aqueles rostos misteriosos que pareciam esconder grandes segredos surgiu o mais belo e encantador que já vi em toda a minha vida, o rosto que sonhei durante longos quinze anos. Ela andava distraída, parecia perdida em seus pensamentos, aproveitei o momento para apreciar a deslumbrante beleza dela. Ela vestia um vestido branco, seus cabelos loiros estavam soltos e eram levados pela brisa da manhã e sua pele era completamente iluminada pelo intenso sol que nascia. Senti um alivio enorme, afinal se ela estava no sol uma coisa era certa, ela não é uma vampira.

–Dean. Oi. – Disse ela parando diante de mim dando um sorriso tímido. Sem me dar conta havia caminhado até ela, o meu plano de segui-la o dia inteiro para descobrir o que ela é havia acabado de ir água abaixo.

– Oi Caroline, que coincidência nos encontrarmos. Cidade pequena dá nisso, né? – Disse tentando pensar em um plano B, ao mesmo tempo em que era dominado pela emoção de vê-la tão próxima e não poder fazer absolutamente nada.

–É mesmo. – Ela deu um rápido sorriso e voltou seus hipnotizantes olhos azuis para mim.

–Caroline, gostaria de dar uma volta comigo? – Perguntei no exato momento em que veio a minha mente a lembrança de Jo falando sobre ter criado armadilhas do diabo e sal em todas as cabanas ao redor da floresta.

–Claro. – Sorriu ela começando a caminhar ao meu lado. – Então agente Dorfman, porque está fingindo ser do FBI?

–Ah! Bom...bem...-Gaguejei tentando inventar uma explicação coerente, eu não esperava por aquela pergunta e tinha que pensar o mais rápido em uma resposta que não envolve-se caçador de criaturas sobrenaturais. – Bom, uma pessoa muito importante para mim morreu há alguns anos da mesma forma em que essas pessoas, então assim que eu soube quis vir para cá, quem sabe eu encontro o responsável desses assassinatos e posso vinga-lo. – Apenas observei a expressão de surpresa no rosto de Caroline, na verdade eu estava tão surpreso quanto ela, definitivamente eu era um bom mentiroso.

–Eu sinto muito, espero que consiga encontrar o responsável por essas coisas terríveis. – Disse ela cabisbaixa.

–Então, você não sabe quem foi? – Perguntei examinando minuciosamente sua reação, dependendo de como ela reagisse eu saberia se ela estava envolvida ou não.

–Eu não faço a menor ideia, nessa cidade acontecem tantas coisas estranhas. – Murmurou ela,mas pude notar que ela realmente não sabia.– Mas e quanto a você, o que tem feito durante esses anos?

–Um pouco de tudo, tem dias que eu sou agente do FBI, Jornalista e até Médico de Ursinhos. – Disse num tom irônico, Caroline me olhou confusa e logo começou a rir, em pensar que ela nem imaginava que eu já havia feito tudo isso mas tenho quase certeza que deveria riscar a parte do “Médico de Ursinhos” do meu currículo.

–Uau! Você realmente faz de tudo. Eu por outro lado só fico nessa cidade sem nada para fazer. – Suspirou ela, era óbvio que ela não gostava daquele lugar. Eu precisava descobrir porque ela havia voltado.

–Ah! Mas você deve gostar daqui, afinal você tem a sua família e o seu marido. – Disse observando que havíamos acabado de entrar nos arredores da floresta e uma das cabanas estava próxima.

–Sim, eu tenho eles. –Disse ela dando um sorriso fraco. – Nossa, eu nem percebi que tínhamos entrado na floresta! É melhor voltarmos. – Neste momento resolvi colocar um dos testes para descobrir o que ela realmente é em pratica. Eu usava um anel de prata e assim que ela se virou segurei seu braço fazendo com que a prata entrasse em contato com sua pele e para meu alivio nada aconteceu.

–Caroline! – Disse ao vê-la me olhar confusa sem entender porque eu a segurava. – Que lugar é aquele? – Perguntei olhando em direção a cabana.

–Eu não sei. – Disse ela secamente, desviando o olhar parecia esconder algo.

–Então, eu vou descobrir. – Comecei a caminhar em direção a cabana enquanto Caroline me seguia tentando me convencer a não ir até lá. Ao entrar passei pela linha de sal na porta e pela armadilha, me virei para ela e novamente vi o teste falhar, ela passou sem problema algum pelas armadilhas. Ou seja ela não é um demônio.

–Esse lugar é dos Blake e eles ficam muito irritados quando alguém vem até aqui. – Suspirou ela tentando disfarçar o nervosismo. Eu começava a suspeitar que ela sabia sobre eles serem lobisomens, e aquele deveria ser o lugar onde eles se transformavam, afinal haviam algumas correntes e marcas de garras nas paredes.

–Ah sim! Mas esse lugar também é seu, afinal você é esposa de um Blake. Eu acho que nunca vou me acostumar com o fato de você ser casada.

– Já faz quinze anos Dean, eu precisava seguir em frente e o Daniel apareceu. Mas e você não se apaixonou por mais ninguém? – Perguntou ela se aproximando de mim.

–Não, durante todos esses anos, eu amei e sempre irei amar apenas você. – Observei seus olhos se iluminarem ao ouvir minhas palavras, desta vez ela não estava indiferente mas quando seus lábios se moveram prestes a dizer algo fomos interrompidos.

–Caroline! – Exclamou Daniel assim que surgiu na porta.

–Oi querido. – Disse ela imediatamente se virando para ele dando um largo sorriso.

–O que está acontecendo aqui? – Perguntou ele se aproximando de nós e me olhando desconfiado, minha vontade naquele momento era pegar minha arma e descarregar todas as balas de prata no peito dele mas aquela não era a ocasião.

–Eu estava conversando com Dean, ele é um agente que está trabalhando com a Julliet no caso dos ataques. E ele me pediu para mostrar a floresta para ele e é isso o que eu estou fazendo. –Disse ela com a maior naturalidade do mundo, ela era uma ótima mentirosa e eu precisava ficar atento a isso.

–Ah! É mesmo, você estava no baile mas não tivemos a oportunidade de nos conhecer, eu sou Daniel Blake. – Disse ele me estendendo a mão, por mais que eu detestasse ser civilizado com um lobisomem eu não tinha escolha.

–É um prazer conhece-lo. – Disse apertando a mão dele.

–Então já descobriram quem está por trás desses ataques terríveis? – Perguntou ele colocando uma das mãos na cintura de Caroline.

–Não, mas assim que descobrirmos vou fazer questão de acabar com o responsável pessoalmente. – Respondi tentando ao máximo conter a fúria que me dominava.

–Isso é ótimo. Bom, agora temos que ir. Até mais Dean. – Disse ele dando um rápido sorriso e puxando Caroline pela mão, antes que ela saísse me deu um olhar idêntico ao da primeira vez que a vi naquela sala de aula. Ela não havia mudado em nada, talvez seu amor por mim também continuasse o mesmo.

Caroline Forbes

Olhei impaciente para o relógio que marcava 21h, eu não aguentava mais ficar naquela casa gigante apenas olhando para as paredes. Hoje era noite de lua cheia e todos os lobisomens haviam ido para a floresta onde costumavam se transformar, sendo assim eu estava completamente sozinha durante a noite toda. Comecei a andar pela casa a procura de alguma distração não conseguia deixar de pensar no Dean, hoje eu senti tanta vontade de dizer a ele o quanto eu o amo, queria tanto poder toca-lo, beija-lo poder tê-lo para mim, mas tudo estava contra nós e eu ainda teria que fazê-lo me esquecer.

Enquanto ele estivesse aqui eu não conseguiria ter paz, o amor que eu sentia por ele ainda pulsava intensamente em meu peito, talvez a melhor maneira de resolver isso fosse hipnotiza-lo de uma vez e em seguida pedir ao meu pai que me fizesse esquecer dele. Era a única maneira de seguirmos em frente, esquecendo um do outro.

✵

Parei diante da porta de madeira, aquele hotel era tão parecido com o de quinze anos atrás e por ironia do destino aqui estávamos novamente, só que desta vez ao invés do começo de um amor seria o fim dele. Respirei fundo e bati na porta que em poucos segundos foi aberta. Senti o ar me abandonar ao ver Dean vestindo uma regata preta, calça jeans e seus cabelos estavam molhadas, seus olhos verdes se iluminaram com a surpresa de me ver. Mas antes mesmo que ele dissesse alguma palavra, talvez por impulso, ou simplesmente pânico por saber que ele estava prestes a me esquecer, deixei pela primeira vez que meu coração falasse.

–Dean, eu vim até aqui fazer algo muito difícil mas antes eu preciso te dizer...eu te amo. Durante todos esses anos eu te amei e sofri a cada segundo longe de você, graças a você eu descobri que até mesmo alguém como eu pode amar, você me resgatou da solidão em que eu vivia e me trouxe para a luz. E quando eu te vi novamente, eu senti uma alegria tão grande foi como se o ar retornasse aos meus pulmões permitindo que eu voltasse a viver, porque eu tinha você de volta. Eu te amo e irei amar por toda a eternidade. – Quando dei por mim tudo o que eu havia guardado dentro de mim havia sido dito para ele, Dean permanecia me olhando imóvel e boquiaberto, sem dúvida alguma nenhum de nós esperava por isso.

–Mas se você me ama tanto, porque mentiu para mim dizendo que não sentia mais nada por mim? Por que você foi embora? – Perguntou ele me olhando confuso.

– Porque eu queria fazer o que era certo. Na verdade fazer o que é certo vai totalmente contra o que eu sou, afinal é de se esperar que eu faça o que é errado e não pense em ninguém, e é exatamente o que eu vou fazer pela primeira vez. Eu quero que todos vão para o inferno e vou me importar apenas comigo e com o que eu quero. – Disse decidida notando seu olhar tão confuso quanto antes.

–E o que você quer? –Suspirou ele.

–Eu quero você.

Me aproximei dele e finalmente o beijei depois de tantos anos, senti seus doces lábios tocarem os meus, suas mãos tocarem meu corpo enquanto deslizava minhas mãos por seus braços. Eu não conseguia acreditar que depois de tanto tempo eu estava com ele, pela primeira vez eu estava fazendo aquilo que eu realmente sentia, não estava mais me escondendo ou tentando reprimir aquilo que sinto mas sim me entregando, me entregando ao imenso amor que sinto por ele, e estava disposta a lutar contra tudo e contra todos pois desta vez não conseguiriam nos separar.

Notas finais
Não se esqueçam de me dizer o que acharam, bye♥