Desejo Mortal
6 Novo Começo
"Jéssica! Não! Merda, merda!" disse ele, descontrolado, batendo na cara da Jéssica, gentilmente, deixando lágrimas escorrerem pelo seu rosto. "Acorda!!!" disse ele, cada vez mais desesperado. Jensen agarrou na Jéssica ao colo e parou a olhar para os irmãos. "Se ela não acordar nunca mais vou perdoar vocês... e mesmo que ela acorde, eu não vou querer olhar mais para a vossa cara. Vocês estavam dispostos a que eu perdesse a única coisa com que eu me importo para salvar o vosso cu! A única pessoa que faz com que vale a pena eu viver, a pessoa que me fez ver a vida de outra forma. Vocês vão pagar por isso..." disse ele, ao virar costas e a deitar no sofá. "Sumam da minha frente..." eles assim o fizeram e Jensen ficou sozinho, durante horas e horas, esperando ela acordar, até adormecer, ao seu lado. Quando ele acordou, acordou exaltado, lembrando-se que não devia ter adormecido. Olhou desesperado para ela e viu que ainda estava a inanimada. Saiu de casa sem dirigir uma única palavra aos irmão, que o olhavam sérios. Foi até ao centro da cidade, ao bar que ele costumava frequentar e pediu um copo de whisky puro. Bebeu-o todo num só golo e pediu outro, que bebeu com mais cuidado. E se ela não acordar? Pensava ele. "Eu vou matá-los!" disse ele, baixo o suficiente para ninguém o ouvir. Enriqueceu as mãos e partiu o copo com a força exercida nele. "Merda!" exclamou ele, enquanto o barman o olhava espantado. Ele sacudiu a mão, que não tinha nenhum ferimento, e tirou a carteira do bolso. Tirou algumas notas do bolso e pousou-a no balcão. "Desculpe o incidente, fique com o troco para compensar." Disse ele. Saio do café e foi até á tabacaria, onde comprou dois maços de tabaco, a contar que ela iria acordar hoje, e foi até casa.
Mais uma vez se dirigiu ao quarto dela, sem dizer uma única palavra aos irmãos. Assim que entrou viu que ela continuava imóvel e deixou-se abater. Sentou-se na cadeira de frente para ela, de onde não tirou os olhos durante horas a fio.
Olhou para janela, onde observava o luar. Estava lua cheia e ouvia-se os grilos a cantarolar. O quanto ele gostaria de partilhar este momento com ela, mas ela continuava na mesma e ele começava a desesperar. Não era habitual uma transformação demorar tanto tempo e ele começou a perder as esperanças que ela acordasse. Baixou a cabeça no colchão e deixou-se adormecer junto dela.
Ele acordou ouvindo uma pessoa a soltar uma grande inspiração, como se estivesse a recuperar o ar e levantou a cabeça de repente, deparando-se com a Jéssica sentada na cama, em aflição. Ele pulou de alegria mas pensou que primeiro tinha que ajudá-la.
"Respira! Tens que respirar fundo e tentares controlar a tua respiração. Nós os vampiros não precisamos de respirar tão rápido." Disse ele, metendo-lhe a mão no peito e outra nas costas. "Puxa o ar e expira devagar..." disse ele. Ela começou a voltar ao normal e ele sorriu. "Isso... devagar." Ela acalmou e sorriu para ele.
"Eu disse-te que não iria morrer, Jensen..." disse ela, sorrindo, feliz. "Como fizeste aquilo? Como te libertaste? Que circulo dourado foi aquele á tua volta?" perguntou Jéssica, acordada. Jensen não se conteve e abraçou-a forte, com medo de a largar. Agarrou-lhe a cara e observou-a freneticamente. "Sim, eu estou bem, Jensen. E tenho presas, o que quer dizer que resultou." Disse ela, mostrando-lhe as presas.
"Eu não quero saber das presas." Disse ele, puxando-a para ele, para um beijo intenso e longo. Os seus lábios tocavam-se descontrolados, como se não houvesse amanha, um beijo selvagem e novo, do qual Jéssica estava a gostar, logo se apercebeu da intensidade que tinha o beijo para ela, apercebeu-se que sentia tudo a dobrar, o desejo, a excitação, o nervosismo, a felicidade. O seu coração batia forte e rápido, o que significa que era como a mão escrevera, tinha-se tornado vampira. Sentia o perfume do Jensen, mais intensificado a até o coração dele ouvia, sentia o corpo todo a ferver mais e mais, á medida que o beijo avançava e sentia o coração dele cada vez a bater mais rápido, formando uma sinfonia com o dela. Jensen a beijava com desejo e ferozmente, como nunca a beijara antes. Uma mistura de irritação com desejo e desespero. Ela gostava deste tipo de beijo, mas afastou-o sentindo-o demasiado nervoso.
"Calma... eu deixo-te repetir o beijo, se tu te acalmares primeiro... não gosto de te ver desorientado. Eu estou viva e bem, agora podes acalmar-te."
"Está bem, mas hoje não te vou largar." Disse ele, sorrindo, finalmente.
"Sabes que ainda preciso dormir. E temos escola."
"Amanha não á escola nem nos próximos dias, tens que te habituar primeiro ás tuas próprias necessidades." Disse ele.
"Ok, vou ter que concordar com isso..." disse ela sorrindo. Ele aproximou-se e beijou-a de novo. Desta vez com delicadeza e ternurento. Beijou o lábio superior com doçura e devagar, aproveitando cada segundo daquele beijo.
Já de noite Jéssica estava a dormir, estava demasiado cansada para se levantar mesmo que estivesse a morrer de sede. Jensen estava sozinho no quarto, sem conseguir dormir, independentemente do cansaço. Não conseguia tirar a imagem da Jéssica a cair inanimada no chão, não conseguia admitir que tinha sido inútil devido ao desespero de a salvar e não conseguir-se soltar a tempo. Levantou-se e andou até a porta do seu quarto, pensando se deveria entrar ou se isso a iria aborrecer. Conseguia ouvir o respirar pesado dela, sabendo que estava a dormir e isso fez com que o coração dele acelerasse. Então devagar, sem fazer nenhum barulho e olhou para ela de longe a dormir serena na sua cama. Foi aqui que tudo começou, quando ele decidiu irritá-la e assusta-la para que ela fosse embora. Mas não haveria dado certo. Também foi aqui que teve a sua primeira conversa seria com ela, quando descobriu o seu verdadeiro eu e foi aqui que a beijou a primeira vez, tudo o que conseguiu evoluir com ela foi passado aqui. Decidiu avançar e andou até á cama. Levantou com cuidado o lençol e deitou-se ao seu lado, sem fazer barulho, para ela não notar. Sabia que os sentidos dela ainda não estavam apurados. Sabia que ela não tinha-se apercebido da sua presença. Tapou-se, cauteloso e ficou segundos a olhar para o seu cabelo e as suas costas, tentando tomar coragem para a abraçar, sabia que só precisava de estar com ela a noite toda, tinha os nervos á flor da pele, e o sangue fervia ainda, ainda não tinha voltado a si e sabia que era pisar o risco, estar ali e ela estar tão vulnerável. Respirou fundo e moveu-se para junto dela, enrolando as mãos á volta do seu estômago, fazendo-a acordar.
"O que estás a fazer?!" disse Jéssica, com o coração a latejar de susto. Tentou afastar os braços dele, empurrando-os com as suas mãos mas ele puxou-a para junto dele e apertou-a de maneira a ela não fugir.
"Só esta noite, deixa-me ficar assim..." pediu ele. Ela esperneou um pouco tentando se levantar mas ele não deixou.
"Solta-me! vai para o teu quarto..." disse ela, acalmando-se um pouco. Á medida que lutava para o afastar ia-se cansando, fazendo menos força até desistir e pousar os seus braços nos dele.
"Pequena, eu prometo que não abuso... só quero ficar assim, junto a ti hoje... prometi a mim mesmo que hoje não brigava contigo... eu vi-te quase a morrer, eu pensei que nunca mais te via e isso deixou-me bravo, bem bravo. Ainda estou mas hoje não irei discutir... só hoje, peço-te para dormir aqui." Disse ele, envolvendo os braços dela nos dele, acarinhando-a e encostando a sua cara no ombro, lado a lado da sua, sentia a sua respiração no seu pescoço e os seus lábios colados a ele, sentiu-se a corar e a fraquejar.
"Só hoje... mas tens que me deixar ficar virada para ti, por precaução." Disse ela, cautelosa. Ele riu-se e soltou-a. Ela virou-se e olhou para ele, fixamente, ainda vermelha. Ele meteu os braços á volta dos seus, que estavam encolhidos no seu peito. E puxou-a um pouco para ele, enrolando os seus braços nas costas dela. Fazendo-a ainda mais vermelha. Sentiu o seu pé junto do dela, entrelaçados. Ele esticou a cara para ela e ela moveu a sua para mais longe. "Calma, eu disse que me comportava..." disse ele, inclinando-se mais e beijando a sua testa. Ficando imóvel depois do beijo, com os lábios encostados á sua testa. Ela sentiu-se quente e confortável, ao contrario daquilo que estava á espera, pensando que iria ficar embaraçada com a situação. Ele sentia a respiração dela no seu peito e arrepiou-se de agrado, sorrindo. Ela aninhou-se mais a ele, sentindo a barba dele de três dias na sua testa. Ela gostava de barba por isso não se importava com isso.
"Ás vezes tenho tanto medo daquilo que não consigo perceber..." disse ela, pensativa.
"Eu sei, eu também..." disse ele, concordando com ela. A relação deles era diferente, não conseguiam compreendê-la de todo e isso assustava-os. Eles ficavam irritados um com o outro, magoados ou com raiva mas, mesmo assim, não conseguiam ficar longe.
"Percebes mesmo?" perguntou ela, surpresa.
"A nossa relação também me assusta... há muita coisa que não compreendo, outras que me custa aceitar... eu nunca chorei por ninguém, nem quando os meus pais morreram, eu nunca dei tanta atenção a alguém quanto a que te dou a ti e muito menos me interessei por algo que me pode fazer tão mal e ao mesmo tempo tão bem... por isso compreendo." Disse ele, serio.
"Choraste quando me viste inanimada?" perguntou ela, sorrindo.
"Sim... não te rias, naquele momento entrei em desespero. Foi o pior momento da minha vida... eu não ligava a nada... até te conhecer... trouxeste tanta coisa junto contigo que me assusta... tanto sentimento, tanta experiência diferente..." disse ele, dando um selinho na testa dela.
"Sim, acho que disseste tudo... tu irritas-me tanto..." disse ela, rindo. Ele sorriu-se e soltou uma gargalhada depois.
"A tua persistência e teimosia também me irrita... para não falar do teu orgulho... sabes eu não sou muito paciente, mas nunca me fazes cansar... cada a acção tua me apanhe desprevenido e ás vezes isso me assusta também... mas pronto quem é que se cansa de uma beldade destas..." disse ele, provocador.
"Alien pervertido!" disse ela, dando uma pequena pancadinha no seu peito. Ele riu-se e suspirou.
"Não te animes, ainda estou muito irritado contigo... amanha não vai ser assim."
"Ok, estou avisada, amanha logo lidaremos com isso..." disse ela, sorrindo. Fechou os olhos, sem deixar de sorrir. "Boa noite Jensen."
"Boa noite, pequena." Disse ele, sorrindo também.
De manha quando acordou já ele se tinha levantado. Ficou uns minutos a cheirar a almofada, inalando o seu perfume como se fosse uma droga. Depois finalmente se levantou e se vestiu. Desceu e viu o Jensen sentado a beber sangue, os seus olhos ficaram vermelhos e sentiu uma terrível sede. "E é por isso que não podes ir á escola nem ao trabalho. Até controlares isso... não vai ser difícil, dois ou três dias já se torna um habito e isso desaparece, contando que não sintas raiva de ninguém..." disse ele, atirando um pacote de sangue a ela. "Se for esse o caso poderá ficar com esses olhos vermelhos... o melhor é que sentes antes de acontecer e consegues esconder... depois tens ali uma omelete que fiz, sim sentirás fome na mesma. A nossa parte de bruxo precisa de energia, de alimento." Ela abriu o pacote e sugou-o todo num instante, fazendo os olhos voltarem ao seu tom normal. Depois foi buscar a omelete e comeu-a com vontade e com fome.
"E agua?" perguntou ela.
"A tua nova agua é o sangue... não precisas de agua porque o teu ADN foi modificado." Disse ele, serio.
"Já vi que vais levar a nossa conversa de ontem a serio..." disse ela, seria.
"Eu disse-te que estava puto contigo... tu não quiseste saber daquilo que eu queria... só o fizeste porque não me querias ver morrer... não pensaste que eu também não queria... por isso sim, estou puto!" disse ele, exaltado.
"Também agiste assim com o resto?" perguntou ela, um pouco irritada, deixando-o pior do que estava.
"Não... não lhes falo deste daquele dia, por isso tens sorte..." Levantou-se e dirigiu-se á porta. "Estarei no jardim... iremos falar mais sobre as diferenças de te tornares vampira." Disse ele, saindo da cozinha. Jéssica ficou nervosa, não queria estar assim com ele. Sabia que deveria ter conversado sobre o ritual com ele antes de o fazer, mas ele nunca iria deixá-la fazê-lo de boa vontade.
No fim de comer dirigiu-se ao jardim e puxou por um cigarro, do maço que ele deixou em cima da mesa, Jensen já estava a fumar um. Sentou-se junto dele e esperou em silêncio. Iria dar o espaço dele.
"Ser vampiro é mais intenso. Todas as tuas emoções estarão mais intensas, mais fortes. Ficas mais forte, mais rápida e mais instintiva..." disse ele levantando-se. De repente vira-se para trás e atira-lhe o maço dele, com força e rapidez, ela se desviou na cadeira e lançou a mão para o apanhar, tendo êxito. Tudo em questão de segundos, agindo de maneira sobrenatural. "Viste? Os teus instintos de predador são impulsos, como se tivesses aprendido a lutar e a esquivares-te á anos." Ele avançou para ela, correndo em super-velocidade, esticou o punho que ela parou com a mão e deu meia volta a ele, metendo o braço dele nas suas costas. Soltando logo de seguida. "Ok, já percebeste... tens os instintos mais apurado. Olfacto, visão e audição. Concentra-te agora e ouve o coelho a farejar que está na floresta, atrás de mim. Age como se estivesse a andar pela floresta até o encontrares. Ela fez como ele disse e na sua visão, percorreu as árvores á sua frente pelo caminho de terra, vindo-lhe o cheiro do orvalho sobre as plantas e por fim ouviu o ruído do coelho, conseguindo perceber de onde vinha o som, olhou na sua direcção e depois desviou o olhar para o Jensen, estupefacta pelo que estava a acontecer. "Mas tem um mal... os teus poderes ficam mais fortes mas mais incontroláveis, basta olhares á tua volta. Ela olhou para o chão e viu que tinha feito um circulo dourado que o Jensen que tinha feito daquela fez, sem ter noção do que fez. Regalou os olhos e ficou nervosa, fazendo explodir o círculo á sua volta. Caindo no chão com dores. Jensen correu para ela e ajudou-a a levantar. "Cada vez que te sentires nervosa ou irritada ou até mesmo entusiasmada podes libertar energia magica e machucar outros... e isso pode ser controlado, mas vai demorar mais, talvez uma semana ou duas... mas estou aqui para te ajudar..." Disse ele, secamente, sem um sorriso sequer, deixando a Jéssica um pouco em baixo.
"Ora se não é o casal maravilha..." disse uma voz familiar... os dois viraram-se, em posição de defesa.
"O que estás aqui a fazer?!" perguntou Jensen, dirigindo-se ameaçadoramente para ele, Daryl esticou a mão e paralisou-o.
"O que queres?" perguntou Jéssica, em alerta.
"Só te quero mostrar que nem tudo é o que parece... lembraste de eu dizer que tinha forma de voltar á vida? Pois tenho... tudo isto foi uma encenação para te fazer querer o ritual... a tua mãezinha planeou tudo." Disse ele, sorrindo maliciosamente.
"O quê?! Não acredito..." disse ela, pensativa. Que mãe quereria que a filha morresse?
"Deixa-te mostrar então..." disse Daryl, avançando rapidamente para Jéssica, sem que ela pudesse impedi-lo. Ouviu Jensen a gritar de longe e o Daryl a por as suas mãos na cabeça da Jéssica, depois disso só viu a sua mãe á sua frente.
"Daryl, isto tem que resultar... ela tem que fazer o ritual, eu expliquei-lhe como funciona, ela sabe como funciona. Agora é a tua vez... fá-la querer o ritual... tens que atacar o teu irmão, para ela perceber que ele está em perigo e não não desejar vê-lo mais assim... percebeste?" falava a mãe dela para o Daryl, da ponta da outra sala. Ele acenou que sim e ela voltou a falar. "Depois disso só a tenho que matar e o poder será todo meu." Disse ela, sorrindo maliciosamente.
"E não te importas que ela morra?" perguntou ele a ela.
"Já me acostumei com essa ideia... eu quero o poder dos anciãos, e o único jeito que conseguir agora á matá-la..." de seguida é expulsa da memoria dele. deixando-se cair no chão, chocada.
"Jéssica?! Estás bem?!" perguntava Jensen, mas Jéssica nem o ouviu. Não ligava a mais nada, nem ao sangue a sair do seu nariz.
"Porque me mostraste isto?" pergunta ela. "Porque hei-de acreditar que é real?" pergunta ela.
"Sabes bem que é a verdade. Não há maneira de fingir uma lembrança... eu quero vingança." Diz ele.
"Vingança?" pergunta ela.
"Ela trai-me... realmente ela tem uma cura para a mortalidade vampiresca mas isso não me interessa vindo de quem matou a pessoa que eu amei... quando eu descobri que ela testou o seu ritual na Inês, eu tentei matá-la. Mas ela é demasiado forte."
"A Inês? Mas essa não era..." começou ela, mas Daryl não deixou
"A namorada que o meu irmão roubou de mim? Sim era..."
"Eu não a roubei, ela escolheu-me." disse Jensen, mais calmo. "Como sabes que foi ela que a matou?"
"Ela sabia que tinha que ser uma bruxa de família anciã a dar o sangue, a fazer o ritual e aqui a Jéssica é anciã e ela precisava que eu tivesse ódio a ti, escondeu isso e eu dei-lhe o meu sangue, pensamos todos que podia ser de uma bruxa normal lembras-te? E tinha que ser misturado com sangue de um vampiro-bruxo e não de um puro, como ela tinha dito. E a mãe dela..." disse Daryl, mas Jéssica interrompeu-o.
"Ela sabia... ela tem isso no diário, foi ai que eu soube que tinha que ser o teu sangue. Ela sabia que eu ia sobreviver..." disse Jéssica ao Jensen, em choque. "Meu Deus..." disse Jéssica, olhando para o chão, remoendo tudo, com raiva. Meteu as mãos á cara e roçou-a com as mãos, desiludida. Olhou para as mãos e viu o seu sangue, não dando grande importância, limpou o resto. "Solta-o. Se ele fizer algo eu mesmo o paro." Disse ela. Ele fez o que ela mandou e ele correu para junto dela, ajudando-a a levantar-se.
"Porque não fez ela o ritual?" pergunta Jensen.
"Porque ela não é anciã, as deusas tiraram-lhe esse poder quando ela se tornou perigosa e ai entra a Jéssica... Se ela matar uma anciã com o feitiço certo ela herdará os poderes e ninguém o pode tirar. As deusas passaram o poder de anciã, de guardiã da magia, para a Jéssica, tirando-o da Julie." Disse Jensen, sentando-se em frente a eles, que se sentaram também.
"Exacto..." disse Jéssica.
"Para que ela quer tanto poder?" pergunta Jensen, olhando para a Jéssica, notando que ela estava em choque ainda.
"Isso não sei, mas que tal nos juntarmos e investigar? Acho que isto tem a haver com a nossa família." Disse Daryl. "Tréguas?" Jensen ia responder negativamente, mas Jéssica parou-o.
"Ok. Mas vais ter que me responder a uma pergunta e prometer outra..." disse ela.
"Jéssica não é boa ideia." Disse Jensen, relutante.
"É por causa dela que odeias o teu irmão? É por isso que te afastaste da tua família e sugas sangue das pessoas directamente?" Jensen regala os olhos, surpresa pela audácia dela. Daryl riu-se e depois ficou serio.
"Sim eu odeio-os por causa dela. Ela era tudo para mim... ela ensinou-me que a vida humana era preciosa mas ai ela morreu e eu desliguei completamente." Jéssica ouviu passos á porta de casa e virou-se para o Jensen.
"Jensen, vai dizer a verdade aos teus irmãos e não nos interrompas até eu dizer... eu fico bem." Disse ela.
"Tens a certeza?" perguntou ele. Ela acenou com a cabeça e ele foi para dentro. No fim de uns minutos estavam todos a espreitar pela janela da cozinha, para os dois.
"Tens ali uma família protectora." Disse ele, sorrindo.
"Tu também podias ter, se quisesses... sabes que eles não tiveram culpa da morte da Inês.." disse ela.
"Mas pelos vistos não aprenderam e iam deixando outra inocente morrer..." disse ele, irritado.
"Interessante, vindo de quem me tentou matar a primeira vez que me viu..." disse Jéssica, mantendo-se seria.
"Sim, achei que eras uma ameaça..." disse ele, enervado.
"Se não quiseres não sou. Nem eu, nem os teus Irmãos...eles não te querem matar... só não querem que pises o risco. Por isso eu ter feito o ritual, pelo mesmo motivo... Jensen não queria que eu fizesse o ritual, eu tive que o paralisar e ele mal fala com os Irmãos, por isso não metas todos no mesmo saco."
"Ele deve gostar mesmo de ti... eu não ia mesmo matar o Jensen naquela noite, eu só queria te pressionar a fazer o ritual mas fiquei admirado com o teu poder... eu não sou o monstro que pintam..."
"Então começa a mostrar o contrário, se não fazes com eles, ao menos comigo. Se queres que nos unimos, mostra que posso confiar em ti e que ai no fundo ainda á uma boa pessoa..."
"Eu posso-te mostrar isso tudo mas eu não sou uma boa pessoa..." disse ele, rindo-se sarcasticamente. Ela esticou o braço eu deu uma palmada suave no seu ombro, pousando a mão, fazendo Jensen arregalar os olhos, perplexo.
"Mas podes ser, basta quereres... pensa nisso.." disse Jéssica. Ele riu-se e abanou a cabeça.
"O que foi?" perguntou ela.
"Tu ou és muito doida ou muito corajosa... até gosto de ti miúda..." disse ele, sorrindo para ela, abertamente e sem falsidade. Fazendo o resto da família surpreso por não se lembrarem da última vez que o viram sorrir assim.
"Prometes que vais ser de confiança que não vais fazer mal a nenhum de nós?" perguntou ela. Ele afirmou abanando a cabeça. "Sabes que se não o fizeres..." disse ela, sendo interrompida pelo Daryl.
"Sim, vais atrás de mim e matas-me com as tuas próprias mãos..." disse ele, sorrindo.
"Exacto! Acho que nos vamos dar bem... eu estou disposta a esquecer tudo o que nos fizeste..." disse ela, deixando-o melancólico.
"Duvido que eles estejam tão abertos a isso..." disse ele.
"Eu acredito que vão estar... até não resolvemos esta situação tu ficas cá em casa."
"Estás maluca?! Eles nunca vão aceitar!" disse ele.
"Podes querer que não!" diz Jensen exaltado, saindo pela porta, seguido dos seus irmãos. Daryl sorriu ironicamente para Jéssica.
"Olhem, ele sofreu á sua maneira, vocês o fizeram perder alguém que ele amava e quase fizeram o mesmo ao Jensen. E tu, Jensen, devias o perceber melhor..." disse ela, fazendo uma pausa, observando as expressões e preocupação e de admiração de cada um deles. "Já que eu fiz o ritual, façam isso por mim, eu preciso de perceber como a minha mãe funciona e dentro das memorias dele eu vou buscar as peças do puzzle e eu não quero que ele fique á mercê dela, ela é forte e pode acabar com a única chance de a parar, se ele morrer, percebem?" Diego abanou a cabeça positivamente e Erica fez o mesmo. Ela aproximou-se de Jensen e meteu-lhe a mão no ombro, tentando acalmar a preocupação dele. "Eu vou ficar bem. E prometo fazer alguma coisa que peças se achares que estou mais protegida..."
"Inclusive deixares-me dormir no teu quarto? não penses que te vou deixar sozinha um segundo..." disse ele, serrando o punho, olhando para Daryl. Ela agarrou a sua mão o que o fez regalar os olhos e olhar fixamente para ela.
"Embora eu ache que queres isso para teu aproveito, eu vou permitir. Já sabes as regras, desde que cumpras tudo bem." Jensen petrificou de surpresa, tanto ele como os restantes, Daryl sorria malandro, imaginando coisas entre eles. Ela virou-se para ele e deu-lhe uma chapada no ombro.
"Não penses coisas perversas, já me basta ele." Disse ela olhando para o Jensen, que continuava com a mesma expressão. "Claro que tens que respeitar regras... não podes beber de ninguém enquanto estás aqui, temos sacos de sangue de doadores á tua disposição, não podes trazer ninguém aqui a casa a não ser que nos apresentes devidamente e que a gente concorde com essa visita e por ultimo não podes magoar ninguém aqui em casa que não te magoe primeiro. Entendeste?"
"Sim, querida. Entendi."
"E nada de querida! Meu nome é Jéssica. Podes me tratar por Jess." Disse ela, seria.
"Ok, não prometo que não me escape de vez em quando, força de habito. Então vou buscar algumas coisas minhas e já venho." Disse ele.
"Eu vou contigo. Para prever futuras surpresas." Disse Diego, avançando com ele. Ao saírem Daryl faz uma vénia ao Diego, gozando com ele, mostrando um sorriso provocador. "Contínuas o mesmo..." disse Diego, mostrando um pequeno sorriso.
"Bem e eu vou trabalhar. Até logo meninos." Disse Erica saindo pela porta. Jéssica dirigiu-se ao sofá e sentou-se. Jensen seguiu-a e ficou a olhar para ela, estudando-a.
Porque me sinto assim tão em baixo? Parece demasiado para carregar, tudo o que eu vi nas memorias do Daryl me faz sentir mal, pesada e sem alegria..."
"Eu percebo, Jess... esse é um dos contratempos de ser vampiro. A situação já é mal, tu, como vampira, sentes-te pior. Tens que aprender a lidar com isso..." disse Jensen, chegando junto dela, metendo o braço no ombro dela e puxando-a para junto dele.ela encostou a cabeça ao seu peito. Jensen rodeou as suas costas com os seus braços e Jéssica encolheu-se no seu tronco e deixou tudo sair, tudo o que estava guardado desde que viu a sua mãe. "Não gosto da maneira como penso agora, neste momento, às vezes gostava de desacelerar as coisas... às vezes penso que vou enlouquecer com tanta coisa. Sabes eu estou a tentar manter-me sã estou a aguentar tudo, mas é difícil..." diz ela, pensativa.
"Eu percebo-te, eu pensei no mesmo quando o meu pai apareceu, aquilo foi um choque para mim, como se o mundo fosse todo abaixo... eu senti-me tão pesado que achei que não era capaz de aguentar... se o vir agora eu vou voltar-me a sentir assim... e não quero me sentir tão pesado... não te sei responder porque tem que ser assim... só sei que não temos saída..." disse ele, tentando reconforta-la. "Eu sei que é difícil, pequena, eu sei..." diz ele, até ela adormecer ao colo dele.
Os seus irmãos chegam e Daryl senta-se no sofá em frente a eles. "Como ela está?" pergunta ele.
"O que isso te interessa?" pergunta Jensen, irritado, falando baixo, para não a acordar.
"Pode não parecer, mas eu fiquei preocupado com ela. Ela estava em choque e eu sei como é... sei que tu sabes também..."
"Como sabes disso?" pergunta ele, fazendo festas na cabeça da Jéssica, enquanto ela dormia.
"Eu sei que o pai te foi visitar, eu vi tudo..."
"Viste?"
"Sim, fiquei tão surpresa e irritado como tu... Como é que ele é capaz de mentir, de forjar a própria morte e nos abandonar? E depois volta, tentando recuperar o tempo perdido..." disse Daryl irritado.
"Ele falou contigo também?"
"Sim, uns dias antes e como desconfiei dele, segui-o. Mas não interessa... não quero falar desse homem... ela vai ficar bem, Jensen." Disse ele, serio.
"Eu sei..." disse ele, fazendo uma longa pausa. "Obrigada." Disse ele, por fim, olhando para ele.
"De nada" disse Daryl com um sorriso sincero. "É melhor a deitares, eu também vou andando."
"Sim, eu vou fazer isso."
"Ei, Jensen, eu não sou tao mau assim... eu não ia mesmo te matar..." disse Daryl antes de sair da sala, não esperando numa resposta do Jensen.
"Eu sei." Disse Jensen, fazendo Daryl parar. Daryl sorriu e subiu as escadas.
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