Desejo Infame

4 Pequena Notável


Notas iniciais
Esse Capítulo marca o primeiro encontro das duas garotas, espero que gostem

Thalita havia corrido até uma rua próxima ao bar em que trabalhava, lá havia uma praça com mendigos dormindo embaixo dos bancos e uma fonte seca, havia algumas arvores sem folhas, um local tão cinza e morto quanto a própria cidade, lá ela sentou encolhida encima da maior arvore com galhos secos, as marcas ainda ardiam, seu rosto, braços e tórax estavam vermelhos , seus olhos estavam inchados de tanto chorar, não pela dor, e sim por ódio, pois seu próprio pai, sangue de seu sangue, era seu pior pesadelo, talvez fosse a hora certa de partir, mesmo não tendo dinheiro o suficiente, ela não aguentaria passar mais um minuto naquela casa.

O silencio da pracinha foi quebrado por barulhos de saltos e gritinhos agudos, ela viu correndo ali perto uma pequena garota, de cabelos bem cortados e loiros, vestindo uma minissaia jeans e uma blusa branca decotada quase transparente, ela fugia de um cara alto de cabelos castanhos segurando um canivete, Thalita pulou da arvore e pegou uma pedra, correu até o cara e a jogou, acertando na cabeça dele

— Ei idiota, porque não vai procurar um homem pra brigar? – o cara se virou furioso com a mão no local atingido, Thalita pegou outra pedra no chão e o olhou nos olhos, o rapaz olhou para os lados e viu que os mendigos estavam começando a acordar com a confusão, então deixou para lá e saiu correndo, a garotinha loira se aproximou segurando sua bolsinha com força, ela parecia assustada, seus olhos grandes e azuis estavam cheios de lagrimas, era uma menina linda com uma camada grossa de maquiagem na cara

— O-obrigada eu pensei que ele iria me alcançar– disse começando a sorrir

— Tudo bem, nós mulheres devemos nos proteger certo? – respondeu Thalita sorrindo vitoriosa

— Claro, apesar de uma pessoa ajudar a outra seja algo precário hoje em dia – disse a garota sorrindo colocando parte do cabelo pra trás da orelha

— Bem, prazer, meu nome é Thalita – disse a garota mais alta do cabelo repicado estendendo a mão

— Samanta – disse a pequena loira ignorando a mão de Thalita e a abraçou, Thalita ficou envergonhada, pois em geral ninguém se aproximava dela daquele jeito, Samanta se afastou e olhou bem para suas marcas

— O que aconteceu? Briga de rua?- perguntou arregalando seus olhos

— Er... Sim... – disse Thalita um pouco insegura

— Cara, você é mesmo durona, quero ser assim quando eu crescer – Samanta soltou um sorriso e andou até um banco e sentou, ignorando o mendigo embaixo dele, Thalita fez o mesmo e sentou do seu lado, estava mesmo precisando de companhia

— Porque você estava fugindo?

— Cliente caloteiro, uma coisa eu aprendi, se não paga antes de comer, não irá pagar depois, ele não passa de um frouxo – Samanta pegou um batom na bolsa e passou nos lábios rapidamente, Thalita ficou chocada, nunca tinha visto uma prostituta, sempre criticou esse tipo de mulher, mas viu que é uma profissão tão difícil quanto várias outras

— Quer chiclete? – perguntou Thalita sem jeito

— Adoraria, tem de banana?

— É só o que tenho – disse Thalita mostrando o bolso cheio de chicletes, e entregou um para Samanta, ela sorriu agradecida e o colocou na boca

— Thalita né? De que gangue você é? – perguntou Samanta e logo depois fez uma bola com o chiclete, e quando estourou ela continuou:

— Sabe, eu não me aproximo das sanguessugas, eu peguei o líder da bala rápida, e não era só a bala que era rápida – disse insatisfeita passando a mão encima de uma tatuagem no pulso, era uma teia de aranha vermelha, Thalita ficou espantada, a garota loira se envolvia em gangues, isso era assustador, ela conhecia as gangues só por trabalhar no bar, e sabia que as sanguessugas eram inimigos dos balas rápidas, e via o quanto aquilo era perigoso

— De nenhuma – falou seca

— Vindo de uma briga de rua, eu pensei que era, estou aliviada, brigou porque?

— Er... – as coisas estavam ficando complicadas

— Alguma piranha estava dando encima do seu homem?

— Não! – Thalita respondeu fazendo uma careta

— Então por quê?

— Bem... É que me pegaram roubando uma coisa... E então foi uma confusão, mas eu fugi – de certa forma Thalita não mentiu, apenas omitiu noventa por cento dos fatos, Samanta ficou de boquiaberta e a ficou olhando

— Você é louca, menina, você é incrível – disse Samanta e depois deu uma risada, Thalita sorriu sem graça

— Depois se quiser, eu te dou umas dicas de como não ser pega – continuou falando dando uma piscada, depois pegou um cigarro da bolsinha e um isqueiro, e o acendeu

— Se importa? – perguntou a loira dando uma tragada

— Não, fique a vontade – disse Thalita sorrindo

— Aceita um? Quero retribuir o chiclete

— Claro, porque não? – Thalita pegou um cigarro e Samanta acendeu para ela. Elas ficaram um tempo apenas tragando e observando a fumaça, era realmente relaxante, Thalita estava se sentindo muito melhor, até que um carro passou pela rua que a fez pular pra fora do banco, era o carro do seu pai, Samanta fechou sua bolsinha e se levantou

— Meu cliente, até mais querida, adorei te conhecer – Samanta a abraçou a lhe entregou seu cartão com telefone

— Vamos manter contato okay? – Samanta sorriu animada e foi em direção ao carro, rebolando, assim que se aproximou a porta e se abriu e ela entrou no carro, e então se foi, Thalita estava em transe, àquele era o carro do seu pai, porque uma puta estava entrando nele? Como assim um Cliente? , Thalita abaixou sua cabeça e voltou correndo para casa.

Notas finais
O que acharam? tem algo que não gostaram? podem falar =D