Desejo - Hiatus
45 Morrer ou Não Morrer: Eis a Questão!
Notas iniciais
PVO Renesmee
Abri meus olhos depois de um tempo que não soube dizer quanto. As dores estavam ainda mais fortes, as contrações eram quase insuportáveis, e eu estava completamente machucada, desde arranhões em meu rosto e pescoço a uma ferida em minha testa, um verdadeiro rombo que sangrava. Sabia que estava machucada gravemente na perna esquerda, mas não conseguia identificar onde, pois o sangue que caia de meu ventre se confundia com o restante.
O estado de Nate era mais do que deplorável, uma de suas pernas estava quase se desgrudando de seu corpo, sua cabeça sangrava muito, se ele conseguisse sobreviver apostava que ficaria com muitas sequelas.
A batida tinha atingido seu lado do carro, na verdade eu podia apostar que ele havia feito de proposito, não havia como evitar o impacto, eu iria ser a primeira a ser atingida, e acho que ele percebeu isso e virou o carro, se sacrificando para dar um milésimo de chance para mim.
Pessoas estavam perto, eu podia sentir o cheiro do sangue delas, suas vozes desesperadas por conta da tragédia, ouvi sirenes de ambulância se aproximando, eu tinha no máximo cinco minutos para que elas chegassem até onde eu estava.
O lado do carro onde eu estava havia caído apontado para a floresta, apostava como ninguém tinha me visto.
Quatro minutos
Eu precisava me levantar, mas estava presa e tudo ficava mais difícil por conta da dor em meu ventre. Não, ele não podia nascer agora, eu não ia conseguir dar a luz, íamos acabar morrendo os dois.
Minha perna machucada estava presa nas engrenagens do carro, forcei-a para sair, mas só o que senti foi minha pele sendo rasgada. Gritei.
Três minutos.
“Vamos lá Renesmee.” Fiz minha mente trabalhar. Não havia jeito de sair dali sem que minha perna ficasse ainda mais machucada. Seria um sacrifício que eu teria de fazer.
Puxei minha perna sem dar tempo para descanso, se fizesse isso iria acabar desistindo. Devo admitir que ouvir o som de sua própria pele rasgando, sentir seu sangue escorrendo e continuar puxando não foi nada bom, mas consegui.
Gritei com mais uma contração, se as mulheres diziam que dar a luz era uma dor insuportável, imagine só dar a luz nesse estado.
A porta já estava deteriorada, então não tive nenhum esforço para empurrá-la. Sai do carro pensando em correr, o intervalo das contrações estava ficando cada vez menor, mas talvez desse tempo pelo menos de entrar na floresta, mas assim que me pus de pé senti minha pele rasgando mais e caí em um grito.
Dois minutos.
Ouvi pessoas se aproximando, certamente para ver quem havia gritado, afinal, seria uma surpresa alguém sobreviver de um acidente desse porte.
Mordi minha própria mão para não gritar mais.
Arranquei um bom pedaço de pano de minha roupa e amarrei em meu tornozelo, pelo menos as aulas de primeiros socorros com vovô Carlisle haviam servido para algo.
Comecei a me arrastar, usando somente as mãos para me locomover, se usasse ainda mais minha perna iria acabar ficando sem ela. Sentia os filetes de troncos perfurando minhas mãos.
Assim que cheguei a uma distancia de menos de cinco metros veio outra contração, dessa vez mais forte. Fiz um esforço quase sobre humano para não gritar, a latência em minha perna não ajudava em nada.
Continuei meu caminho, não fazia idéia de onde estava indo, certamente em outra ocasião eu teria um perfeito senso de direção, afinal depois que saí de Forks, foi aqui onde morei e cacei, mas não nesse caso, minha mente estava embaralhada, minha visão estava turva, e a única coisa que me movia era a descarga de adrenalina que estava sendo mandada para minha corrente sanguínea, eu só precisava chegar a um local seguro para ter meu filho e certamente um hospital cheio de humanos não era o caso.
Esforcei minhas mãos, querendo que meu lado vampírico trabalhasse, e felizmente aumentei a velocidade, não tanto, mas mesmo assim foi algo significativo.
Um minuto.
Outra contração, mas não parei. Gritei, não estava mais aguentando. Se alguém ouvisse foda-se.
A distância que eu estava não era nem de longe totalmente segura, eu estava distante deles, e eu sabia que seus olhos não seriam capazes de me achar com tanta facilidade, mas certamente meu pai me recriminaria se pudesse pela escolha de um local tão aberto. Mas eu não tinha mais nada. Deixei-me apoiar a cabeça em uma árvore, tentando ficar escondida.
“Certo Renesmee, agora você precisa colocar seu filho no mundo.” Assenti para mim mesma. Eu já estava começando a delirar, minha temperatura tinha caído, uma coisa totalmente anormal e eu estava fraca.
Gemendo de dor a todo instante fiz meu primeiro impulso, mas tudo que senti foi dor.
Eu tinha de parar, não ia conseguir. O que será que estimulava as mulheres a continuar mesmo sabendo que a dor só vai aumentar?
“Só de ter ver seu rostinho lindo, mesmo que embaçado, já fez todo o sacrifício valer a pena.” Lembrei-me do que minha mãe me dizia.
Isso, esse seria meu estimulo, eu iria ver o rostinho de meu bebê.
Quase não ouvia mais meus gemidos de dor enquanto empurrava o bebê, será que ele estava emperrado? Porque não saia logo?
Ouvi uivos cortantes na floresta. Eu reconheceria aquele uivo em qualquer lugar. Meu Jacob. Ele estava sofrendo.
Somente alguns segundos se passaram até que eu ouvisse o som de algo pesado se chocando contra o solo a toda a velocidade e devo admitir, eu ficaria assustada se não soubesse exatamente quem era.
Jacob nada falou, e eu também não fiz questão de me pronunciar, estava muito ocupada colocando força para que meu bebê saísse e aquela dor, enfim cessasse.
Jacob me levantou e na hora senti mais dor ainda, aquela posição não era nenhum pouco confortável para meu ventre e nem para minha perna. Mais uma contração.
Enquanto ele corria, murmurava algumas palavras que eu não conseguia identificar, pois a dor já estava a um ponto insuportável e eu estava com muito frio, como se meus órgãos aos poucos parassem de funcionar.
Nem vi quando chegamos, só reparei quando finalmente a maldita caminhada havia acabado e eu havia sido colocada em algo macio. Finalmente. Pensei.
Esperei sentir o habitual cheiro dos oitos vampiros me cercando, mas nada, não ouvi nem senti nada. Por Deus. Iriam deixar meu bebê morrer sem fazer nada?
Fechei os olhos buscando aguentar a dor quando outra contração veio ainda mais forte. Eu não iria aguentar por muito tempo.
Jacob falou algo e tentei me concentrar para ouvir, mas quando consegui ele já tinha terminado de falar.
Mesmo com a dor quase anestesiando meus sentidos pude sentir quando ele separou minhas pernas, quase gritei de dor, ao que parecia ele não havia percebido o ferimento em minha perna. Droga, se ele puxasse mais um pouco talvez eu não aguentasse mais.
— Está doendo. – Foi a única coisa que consegui falar. Palavras pequenas quando na verdade eu queria dizer: “Jacob Black, se você não soltar minhas pernas agora vou te dar um chute no meio das suas fuças!” Como diziam aquelas mulheres dos filmes de comédia que eu assistia, que colocavam toda sua raiva nos maridos quando estavam dando a luz, dizendo que a culpa era toda deles.
Devo admitir que aquilo para mim não estava sendo nada confortador e podia apostar que para Jacob também não, afinal, não deveria ser muito legal ver o meio de minhas pernas naquele estado. Eu quase via um gráfico ao lado de seu rosto, mostrando o nível de tesão que ele sentia por mim diminuindo gradativamente enquanto ele me observava.
— Eu sei meu anjo, mas nós temos que colocar a nossa princesa no mundo. – Ele sorriu daquele modo que com certeza em outra situação teria me feito suspirar como a adolescente apaixonada que eu era.
— E se eu morrer? – Perguntei. Foi uma pergunta besta, eu sei, mas vamos dar um desconto né? Eu estava sentindo uma dor do caralho e precisava que ele me dissesse que tudo ia ficar bem.
— Vou logo atrás de você. – Ele respondeu. Não foi a resposta que eu queria que ele desse, mas aquilo naquela hora me bastou como estimulo para empurrar.
Logo estávamos na contagem, ele contava até três e eu empurrava, ele contava e eu empurrava... Ele murmurava palavras de incentivo que eu não conseguia ouvir.
Foram somente alguns minutos, mas que mais me pareceram horas e finalmente pude ouvir um barulho agudo, um choro de bebê.
— É uma menina meu anjo! Uma menina! – Pude ouvir Jacob gritar emocionado, enquanto eu olhava para ele.
Uma menina. Ele havia ganhado no fim das contas. Eu queria tanto ver seu rostinho, olhar minha pequena princesinha, como Jacob a chamava, queria dizer que a amava, mas a única coisa que pude distinguir foram vultos, enquanto Jake gritava de felicidade com alguma coisa pequena em seus braços.
Fechei meus olhos. Meu trabalho por aqui havia acabado. Jacob cuidaria de nossa princesa, ele não iria deixa-la, não seria capaz de aprontar essa comigo, ele tinha que dar todo o amor do mundo para ela, ser pai e mãe, educar e ensinar como viver em nosso mundo. Ele seria capaz, sim, eu sabia que seria. A única coisa pela qual eu me lamentava era não poder ter visto o rosto de minha princesinha, morrer com um ponto de interrogação na mente não era nada legal.
Se eu havia aprendido um coisa nas aulas de biologia com meu avô é que não importa a gravidade do ferimento, mas o cérebro acaba mandando anestesiar o corpo. È mais rápido nos ferimentos leves, como queimaduras, é como vap-vup, anestesia em questão de segundos, e demora mais em ferimentos maiores, exatamente como estava acontecendo comigo, meu corpo estava recebendo sua dose de calmaria.
Minha garganta doía mais do que qualquer parte de meu corpo, nada se comparava aquela dor. Há quanto tempo que não caçava? Hum, acho que desde antes de minha primeira vez, uns dez meses. Nossa, dez meses? Eu queria exigir que me trouxessem uma bolsa de sangue já, não podia morrer na seca, mas não consegui.
Se fosse humana eu já estaria morta com certeza, mas acho que por ser meia vampira não morri de imediato, aos poucos eu fui perdendo os sentidos.
Pude identificar os gritos, primeiro de Jacob, completamente afoito, dizendo para que eu não fosse, depois de vovô, papai... Algo passando por minha pele, mas ela já estava dormente demais para que eu conseguisse identificar o que era... Mais gritos.
Meu coração deu um solavanco. Eu não podia ir agora, eu tinha que ajudar a pessoa que mais me ajudou, sem ele eu jamais teria conseguido.
Juntando minhas forças finais consegui murmurar algo.
— Salvem... – Tentei, mas alguém fez o favor de me interromper, me mandando calar a boca. Faça-me o favor né? Eu tô quase morrendo e alguém me manda calar a boca? È muita falta de respeito! O ignorei. – Salve ele mamãe. – Tentei abrir meus olhos uma única vez, não tinha mais forças para falar, minha garganta queimava muito. Foquei nos olhos de minha mãe uma ultima vez e os fechei dessa vez para sempre.
Mais alguns gritos e murmurinhos. Quando finalmente alguém atendeu as minhas preces e não me deixar morrer com sede. O sangue estava muito perto, eu podia apostar que bastava fazer um biquinho e ele cairia em minha boca. Estava a ponto de fazê-lo, mas assim que identifiquei o cheiro paralisei. Opa, sangue errado, dali eu não podia tomar.
Nunca neguei, o sangue de Jacob era incomparável para mim, não pelo gosto, devo dizer, mas por poder tomar direto da fonte, sangue humano cedido de boa vontade. Mas eu não podia, não naquele instante, minha garganta estava seca demais, eu não iria parar.
Sabe quando dizem que é um túnel que no final tem uma luz branca? Pois pra mim foi completamente diferente.
Eu estava em uma campina, na campina onde meus pais costumavam ir, onde houve a batalha com os Volturi, onde eu brincava quando era criança, estava na primavera, minha estação favorita, o campo estava coberto por um tapete de flores. Com dois caminhos, duas pequenas trilhas, uma escolha a ser feita.
Em um dos caminhos Jacob se encontrava vestido todo de branco. Com uma blusa de moletom branca e calça de pijama, um verdadeiro anjo, em torno dele pairava uma luz branca muito bonita, seu sorriso carinhoso e seu olhar sincero me estimulavam a ir até ele. Ele estava mais do que maravilhoso, estava divino.
— Vem comigo, anjo.- Ele me estendeu a mão.
Estava a ponto de me juntar com esse Jacob quando olhei para a outra direção, nele um Jacob completamente diferente estava parado, a cena era mais do que obscena de se ver, ele vestia somente uma cueca boxe vermelha, com o tronco nu e totalmente trabalhado naqueles gominhos deliciosos. Ele não fazia nenhum gesto obsceno ou nada do gênero, mas só pelo fato dele estar daquele jeito já me fazia delirar.
Em seus lábios havia um sorriso safado do jeito que me deixava tonta só de olhar, mas em seus olhos tinha aquele olhar que eu sabia que era com aquele que eu devia ir, seu costumeiro, mas nem por isso enjoativo, olhar venerativo. O que me fazia sentir a mulher mais perfeita do mundo, o que não me julgava nem quando eu o fazia, o que me protegia de tudo e de todos, o que me dava razão mesmo quando eu não tinha. Ele não precisava falar nada, eu sabia que aquele era meu Jacob.
Sem hesitar segurei sua mão e ele apertou-me firmemente contra seu corpo, como se me protegendo de algo que não existia.
Logo a escuridão se apossou de mim e eu pensei. Está terminado. Mas como se Deus estivesse contra mim ouvi os malditos gritos de novo.
- Eu vou logo depois de você. – Jacob murmurou. Será possível que nem morrer em paz a pessoa pode? Ainda vem um pra ficar atazanando seu juízo?
Sabendo que aquela tinha sido minha decisão, cravei meus dentes na pele quente de Jacob. Seu sangue descendo por minha garganta fora como néctar para os deuses. Ninguém mais pode ter visto, mas eu senti quando seus dentes se repuxaram em um singelo sorriso, ele estava feliz por eu ter escolhido ficar e eu também.
Eu não queria largar sua carne, estava bom demais do jeito que estava, mas logo senti seu corpo ficando mole. Não! De jeito nenhum eu havia sobrevivido para ele acabar morrendo!
Tirei meus caninos imediatamente de sua pele. Minha sede ainda era muita, mas comparada a antes ela era bem menor. Senti o cheiro de sangue se aproximando novamente de minhas narinas e quase instintivamente me alimentei de novo. Só que não. Controlei-me o máximo que pude e tentei me concentrar no cansaço que sentia. Dando certo, ouvi alguma coisa sendo dita antes de dormir profundamente.
OoOoO
Eu não sentia meu corpo, era como se ele estivesse novamente anestesiado, a única coisa que eu era capaz de sentir era uma pequena pressão em minha mão esquerda.
- Jacob, sabe que não precisa ficar aí o tempo todo, você precisa dormir, quando ela acordar te chamamos. – Tia Alice falou.
- Estou bem assim nanica. – Jake falou com a voz arrastada, era nítido seu cansaço.
Tia Alice suspirou, estava claro que aquela não era a primeira vez que ela tentava persuadir Jacob.
- Deixe o cachorro Alice, se ele quer que a primeira coisa que Nessie veja quando acordar seja essa cara amassada dele tudo bem. Só temos que ter cuidado para ela não ter um ataque cardíaco com o susto que vai levar. – Não precisava nem forçar minha mente para saber quem falava, tia Rose. Estava tão feliz por estar de volta que dessa vez não ia nem brigar com ela por conta do xingamento proferido a Jacob.
Minhas pálpebras estavam pesadas, tentei abri-las sem sucesso. Tentei mexer meus dedos, mas a pressão que algo fazia me impediu de concretizar o ato.
- Por que está sorrindo Edward? – Alice perguntou perguntou. Papai estava por perto? Ah, então ele ia me ajudar.
Ele não se pronunciou e aquilo começou a me estressar e, sendo assim o bipe logo surgiu ensurdecedor.
- Ela está... ? – Jake perguntou em vazio. – Pequena... – Sua voz estava risonha e a pressão em minha mão se fez mais presente.
Num verdadeiro impulso consegui abrir meus olhos, e como se fosse automaticamente, meus olhos se conectaram aos de Jacob, sem dar espaço para mais ninguém em nossa bolha particular.
Já era noite, então não tive de me acostumar a nenhum tipo de claridade, somente um pequeno abajur ligado no ponto mínimo para não irritar minha visão. Ter um leitor de mentes na família tinha lá suas vantagens.
Tia Rose tinha razão, Jacob estava péssimo, cara amassada era pouco para descrever seu estado. Seus olhos que me olhavam com seu habitual olhar venerativo, tinham olheiras profundas e escuras, lábios que continham um sorriso doce de boas vindas estavam rachados e secos, além de uma cara de abatido e nariz altamente vermelho, o que indicava que ele andou chorando.
Com um pouco de esforço desviei meu olhar de seu rosto encantador e procurei saber o que ela aquela pressão em minha mão. Eram as mãos de Jacob, que estava segurando a minha mão perto de seu rosto, onde, pela pequena quantidade de saliva que somente meus olhos vampíricos podiam captar, pude perceber que ele beijava de tempos em tempos.
Minha perna esquerda estava totalmente engessada, minha cabeça estava enfaixada, meus arranhões estavam cheios de remédio, em meu pulso havia uma agulha de titânio despejando anestésico em minha corrente sanguínea. Eu não podia ver, mas tinha certeza que lá em baixo, se é que me entendem, estava completamente costurado.
Tentei me mexer, mas não consegui. Olhei para Jacob em busca de socorro, mas ele estava com uma cara tão abobalhada olhando para mim que duvido que ele tenha percebido meu olhar de confusão, então redirecionei meu olhar, vasculhando pela sala alguém que pudesse me ajudar.
Corri meus olhos pela sala, mas a única pessoa que encontrei ali fora papai. Ué? Onde estava o restante da família?
- Não consegue se mexer por conta dos sedativos, Renesmee, só fomos perceber o corte na sua perna depois, então tivemos de aplicar uma dosagem mais alta para que não sentisse dor. Não se preocupe, o efeito logo vai passar. – Ele respondeu somente isso. Será que ele não havia ouvido o que eu perguntei?
Ouvi murmúrios do lado de baixo e um chorinho de neném.
Num gesto automático minha mão livre pousou em meu ventre, agora totalmente liso, sentia falta de ter o meu bebê me preenchendo.
Jacob colocou uma de suas mãos sobre as minhas, num gesto confortador sem dizer uma palavra. Nossa relação era assim, não precisávamos de palavras para entender o que o outro pensava.
Depois de uns cinco segundos de silêncio resolvi me pronunciar, haviam muitas perguntas a serem feitas.
- Quanto tempo... Quanto tempo eu dormi? – Falei a primeira coisa que me veio a mente.
- Cinco dias. – Ele respondeu simplesmente enquanto minha boca se escancarava em um “O” mudo.
- Nosso bebê...
- É uma menina meu anjo. – Bastou isso como injeção de ânimo. — Uma menina linda, até agora ela está crescendo como uma criança normal, bebe sangue, mas prefere leite, é a sua cara, na verdade não sei qual é a mais linda. As duas são perfeitas. — Ele desatou a elogiá-la. — Não há como explicar, você precisa ver. – Ele apontou para a porta, por onde passavam duas vampiras, a imortal loira segurava uma criança carequinha no colo, enquanto a imortal baixinha de cabelos espetados avultava sobre elas, como se para garantir a segurança.
Minhas mãos criaram vida própria e sem mais nem menos estendi as mãos para aquele embrulhinho lilás, um presente para mim.
Papai tirou-a das mãos de Tia Rose e trouxe-a até mim. Aquele embrulhinho parecia tão frágil, tão fácil de quebrar. Eu nunca tinha pegado uma criança na vida então imediatamente tive medo de segurá-la e acabar deixando-a cair.
Lendo meus pensamentos, meu pai ajudou-me, colocando-a na posição certa em meus braços, que pareciam que tinham sido desenhados exatamente para aquela tarefa.
Como eu tinha visto, ela ainda não tinha nem um fiozinho de cabelo na cabeça o que a deixava mais fofa, seu corpinho todo redondinho e suas cochichas grossas me davam vontade de apertar, suas bochechas de Nonho me faziam querer distribuir milhões de beijos por aquela região.
Ela era a divisão perfeita de mim e Jacob. Minha pele cor de gelo, mesma boca, mesmo queixo e até um sinal de nascença que eu tinha no pescoço. Os detalhes puxados de Jacob eram de fácil percepção, os mesmos olhinhos puxados de indígena e podia apostar que os cabelos também seriam herança dele.
Ela, como se me reconhecendo, ela abriu os olhos, mais algo puxado de Jacob, seus olhos negros e profundos, e sorriu para mim com sua boquinha fofa e sem dentes o que me fez sorrir de volta, fazendo-a corar.
- Ela reconhece a mamãe. A mamãe é linda, não é bebê? – Jacob falou sorrindo de orelha a orelha. Brincando com nossa filha com aquela típica voz abobalhada que fazemos para bebês.
Não demorei muito em minha idolatrada à minha filha, pois logo ela fechou os olhos novamente, se aconchegando em meu peito para dormir.
E foi olhando aquele pequeno milagre que me lembrei de quem arriscou a vida para trazê-lo ao mundo.
- Onde está Nate? – Perguntei em sussurros para não acordá-la e pude perceber que Jacob tremeu violentamente com a menção daquele nome.
Notas finais
A fic tá acabando! Tristes? Eu tb, ainda faltam uns bons capítulos, mas ela já está na reta final. Comentem bastante, comentários como "Adorei" ou "Amei" não vão valer na contagem de reviews, pq vamos concordar né gente, ninguem merece responder uma coisa dessas! Ahajahsuhadush.
Bem gente, como vocês sabem, por a fic estar em hiatus eu não coloco limite de reviews e devo confessar, vocês estão saindo pior que encomenda (peguei pesado? kkkkkkk). Se eu não coloco limite vocês não se dão nem ao trabalho de comentar, então é o seguinte, já saquei como são as coisas com vocês, tem que fazer pressão! kkkkk. Então lá vai, QUANDO eu for postar, que NÃO sei quando é(deixando bem claro), ela só vai ser postada quando houver, no mínimo do mínimo de 910 reviews(e olha que estou sendo boazinha com o número) e pelo menos mais uma recomendaçao, pois como vocês sabem quero finalizar a fic com 20 recomendaçoes.
Ah, sobre This Is My Life, empaquei, tô no meio do capítulo e não consigo sair. Se alguém tiver alguma sugestão, fique a vontade.
Fale com o autor