Desejo Contido.
1 Novas reações
Notas iniciais
O sol estava nascendo, a imensidão descolorida do céu se estendia sobre Touya, ele sentou-se na cama e inspirou profundamente o ar limpo, em seguida contemplou através da janela o dia a fora, não se sentia muito animado, o que era justificável, devido ao fato que acabara de se mudar para aquela casa. O garoto não gostava de mudanças, para ele rotina era algo a ser mantido, desde criança ele nunca fora o filho que todo pai deseja, não gostava de futebol, era tímido, não tinha muitos amigos, e passava a maior parte do tempo com um caderno, onde passava horas desenhando. Ele odiou a nova cidade desde que colocou os pés nela, era agitada, havia muito barulho, e pouco a se observar. O barulho dos carros ecoava nos ouvidos do garoto o que fazia odiar aquilo ainda mais. Batidas na porta ofuscaram os outros barulhos da rua, como um susurro Touya ouviu alguém dizer:
– Touyaaaaa!
– Boa tentativa, idiota! — respondeu ele indo em direção a porta revelando ao abrir, o intruso, bom nesse caso, a intrusa. Era a irmã mais nova de Touya, Lucy. Diferente do irmão, essa era espirituosa, tinha gênio forte, e senso de humor, quem dera ao pai poder ter um filho com aquela personalidade.
– Como descobriu que era eu? — indagou a garota.
– Você mudou de casa, não de voz. — respondeu ele descendo as escadas indo em direção a cozinha.
– Vamos, temos que tomar o café, eu tenho que te levar pra escola.
– Já vou — disse ela entre risinhos.
Touya ficou desentendido porém continuou seu caminho. Ele se deparou com o pai, carregava uma expressão de cansasso, como se não dormisse a três dias.
– Bom dia pai, você está bem? — perguntou Touya.
– Claro claro filho, essa cidade é barulhenta demais, dormir é quase uma missão impossível por aqui. — disse ele com uma expressão sonolenta.
Antes que Touya pudesse dizer alguma coisa ouviu-se uma voz da escada.
– Bom diaaaaaa! — disse Lucy que parecia estar escondendo alguma coisa.
– Porque fez todo esse barulho pra descer? — perguntou Touya.
– Não é verdade! Eu não tava fazendo barulho nenhum! — disse ela.
– Claro que tava, sabe, até parecia um cavalo trotando. — respondeu ele.
A garota ficou vermelha.
– EU NÃO SOU UM CAVALO! Mas, você desenhou um aqui nesse seu caderno... — disse a garota o provocando.
As pupilas de Touya dilataram, correu em direção a menina e pegou o caderno, porém sem sucesso, pois a garota o puxou de volta.
– Ei, me devolve, isso é meu, Lucy me devolve — ordenou ele.
Quando se deu conta o caderno estava na mão do pai, ele folheou o caderno e o devolveu para Touya.
– Cuide melhor das suas coisas, não pega bem para algum garoto de 17 anos perder algo para uma garota de 12.
– disse ele secamente deixando a casa.
Touya estava frustrado, sua irmã podia incendiar a cidade, mas o seu pai sempre iria arranjar algum motivo para colocar a culpa nele e livrar a garota. A mãe de Touya apoiava o garoto em qualquer situação, porém, ela morreu em um acidente de carro. Talvez o pai achasse que a culpa era de Touya ela ter morrido, isso o irritava, sempre quis ter alguém que se importasse com ele e o entendesse, esse alguém agora, encontrava-se morto. Após tomarem o café e terem se vestido os dois saíram. Touya durante o caminho procurou elementos para desenhar, mas nada chamava a atenção naquela cidade, só havia carros e barulho; Deixou a irmã na escola e continuou seu caminho. Não desvie o olhar, aja naturalmente pensava ele consigo mesmo. Ao chegar lá sentou em um banco vazio em um canto longe dos outros, observou aquilo e pegou seu caderno e um lápis e começou a criar um esboço daquelas pessoas e daquele espaço.
– É um lindo desenho — falou uma voz ao seu lado.
Touya se virou instântaneamente, e deu de cara com um garoto loiro, expressões calmas, olhos azuis e com um enorme sorriso. Ele sentiu que estava corado, ele podia simplesmente manter silêncio e se voltar para o desenho, mas algo o impediu.
– O-Obrigado — disse ele quase involuntáriamente.O garoto corou um pouco.
– Você é novo aqui? — perguntou o loiro.
Touya estava cada vez mais vermelho e quente, mas respondeu:
– S-S-Sim... — suspirou um pouco.
O loiro colocou a mão levemente na testa de Touya.
– Deixa eu sentir sua temperatura. — Você está doente ou algo assim? — perguntou ele.
A esta altura Touya já havia deixado o caderno cair, e sentia seus braços perdendo a força, fechou os olhos com força e recuou um pouco.
– N-Não, olhe o que você fez eu fazer, deixei meu caderno cair — disse ele meio confuso.
– Deixa que eu pego pra você — respondeu ele.
Foi imediato, as duas testas se chocaram, e o caderno foi segurado por um lado por Touya e pelo outro pelo desconhecido garoto.
– Aaai, afinal, qual seu nome? — perguntou Touya, com uma mão na testa atingida.
– Luke, e o seu é Touya certo? — indagou ele sorrindo.
– Isso mesmo, como sabe?- Eu percebi que estava escrito no seu caderno Touya, é um belo nome. Touya. — disse ele pensativo olhando para o caderno.
Touya pegou o caderno e o guardou, e em seguida olhou em volta. Estava atrasado para a primeira aula, saiu correndo seguindo os outros atrasados até que chegou até sua sala. Notou que o professor ainda não se encontrava lá, se sentou o mais rápido possível e olhou a sua esquerda e Luke estava ali. O garoto tentou se controlar, olhava para sua mesa, para o chão, para o teto, até quando o professor chegou a sala e começou a dar sua aula. Passado alguns minutos Luke cutucou Touya que por sinal estava desenhando, olhou para Luke, que por sua vez entregou-lhe um papel, Touya o abriu e leu o seguinte: "Posso ver esse caderno?" Touya amassou o papel de volta e o devolveu para Luke.
– Touya não é? — falou o professor de repente fitando o garoto — Bom, percebi que está meio desatento, ou será engano meu? Sobre o que eu estava falando mesmo? Ah sim, sobre desatentos, preste atenção no que falo ou será convidado a se retirar.
– Sim senhor — respondeu Touya deixando o caderno de lado.
Após o término da aula todos os alunos começaram a susurrar sobre o aluno novo, que era Touya naturalmente.
– Ei, novato, me deixa ver esse seu caderno aí. — disse uma garota com roupas estilo punk, com um olhar feroz, aumentado pelo fato de que ela usava um rímel de contorno extremo aos seus olhos. Touya tentou manter a calma, guardou o caderno e disse:
– Lamento, mas é algo particular...
– Hah! O novato ainda não conhece as regras — disse ela olhando em volta — Escuta aqui, se eu quero algo, eu tenho esse algo — continuou ela fitando o garoto.
Luke surgiu ali do nada, sua espressão era ameaçadora. — Kathe, deixa ele em paz — falou ele.
– Luke veio proteger o amiguinho? — zombou ela. — Vamos Touya, essa gente não merece nossa atenção — disse ele puxando o garoto pelo braço.
Mais tarde, após o término da última aula Touya guardou suas coisas e foi para saída, Luke estava lá, como em todo lugar que Touya ía, era algo parecido com uma perseguição, porém, de algum modo, Touya gostava disso.
– Onde você mora? — perguntou ele com uma certa curiosidade.
– Fica só a algumas quadras daqui, mas tenho que ir buscar minha irmã na escola dela. — respondeu ele — Você tem irmãos?
–Não, deve ser bom não é? — indagou ele — Ter alguém pra te entender e te apoiar.
Touya se assustou, tinha encontrado alguém com o mesmo desejo que ele, entender e apoiar.
– Na verdade não é tão bom quando se trata de uma pirralha de 12 anos, de qualquer forma, eu tenho que ir. — respondeu.
– Eu vou com você — disse Luke animado — Não tenho nada pra fazer em casa.
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