Desejo - A vontade de tomar algo ou alguém para si
1 Smush Smush
Notas iniciais
Essa fanfic não foi betada (Erros ortográficos corrigidos).
Ela possui insinuação de sexo (e o Cartman seduzindo, é difícil resistir).
Smush smush é sexo em Jersey.
Não havia nada que Kyle odiasse mais do que estereótipos, qualquer tentativa em diminuir um grupo usando umas poucas características — muitas vezes pejorativas — lhe causavam um profundo desgosto. E mesmo tendo decidido abolir de sua vida qualquer estereótipo, às vezes suas malditas raízes desvirtuassem seus caminhos.
E foi naquela tarde, entrando em seu quarto depois da escola, que encontrou mais uma vez um daqueles momentos que afloravam o seu lado mais estereotipado. Bastou abrir a porta para o cômodo e ter a visão de Eric Cartman ali dentro, usando uma ridícula e sexy lingerie feminina rosa junto de um casaco de coelhinho igualmente rosa, esperando-o deitado na cama.
Alguém deveria avisar urgentemente ao Eric que aquele casaco apertado mais parecia um cropped de tão pequeno que estava. Em algum momento ele teria de reconhecer que o tamanho dele não era "m" quando fosse comprar pela internet, mas pelo menos um "xxg". As meias rendadas também não ajudavam, sendo visível que elas não saiam se enrolando todas através daquelas coxas roliças graças a uma cinta-liga, cinta que estava tão apertada que não surpreenderia ninguém se ela cortasse o corpo gorducho ao meio. A calcinha, claro, estava.. ok. O que dizer sobre ela? Calcinhas daquele tipo tinham o papel de cobrir bem pouco e ela estava fazendo isso muito bem, além de estar toda enfiada naquelas nádegas largas, cumprindo perfeitamente seu propósito.
— Eric — começou Kyle, parado junto a porta enquanto o garoto levantava-se de sua cama, empolgando-se com sua presença ali.
— Espere! Mais um segundo! — Pediu o outro rapaz, indo rápido ao computador para ligar a música, rebolando de forma ousada quando a batida animada se iniciou, criando movimentos ousados para que o ruivo o assistisse.
Ficou em silêncio, não tendo resposta para o que via, permitindo que o Cartman iniciasse sua performance. Parte do seu subconsciente lhe avisava que aquele era o momento perfeito para zoá-lo ou questioná-lo sobre quais as intenções de invadir o seu quarto para fazer esse showzinho, mas outra parte sua, aquela maldita parte de Jersey, lhe dizia que precisava testemunhar o que lhe foi oferecido. E, por mais que odiasse estereótipos, todos sabiam que em Jersey, quando uma puta gorda te faz um show particular, você não expulsa a vadia, mas você pega naquela bunda e manda-a descer até o chão.
— Você gosta do que vê? Está excitado? — Perguntou Cartman, curvando o corpo para frente e balançando aquela bunda de forma hipnótica.
Aquele feitiço não funcionou, claro, olhando ao redor do próprio quarto, tentando contabilizar o estrago. Ele quebrou a tranca da janela para entrar, não é? Não que fosse surpresa, não era a primeira vez que via-o fazê-lo. Também haviam farelos de salgadinho em sua cama, aquele maldito andou comendo ali enquanto não estava, não é? Não duvidaria se ele estivesse ali o dia todo, isso explicava porque ele havia faltado a aula mais cedo.
E por fim, mesmo tendo resistido, deu novamente a atenção a Eric. Sabia que aquele balofo ficaria cansado depois de uns dois minutos dançando, então pouparia-o disso, entrando no quarto devidamente e fechando a porta, passando a tranca para evitar que Ike visse-os. Primeiro largou sua mochila no chão e depois tirou seu chapéu e casaco de inverno, voltando-se até a cama e sentando-se na beira dessa, assistindo ao espetáculo erótico que o presentearam.
Estava na cara que ele devia ter ficado ensaiando aquela dança a semana toda, a coreografia estava impecável e a forma travada que ele se abaixava indicava dor naqueles músculozinhos atrofiados pelo sedentarismo. Deixou um meio sorriso surgir ao vê-lo jogar-se no carpete, procurando faz poses felinas como as heroínas nas capas dos HQs.
— Está adora-rando, não é? — Sua voz falhou, ofegante pela dança. Esticou-se ao chão e levantou as pernas, abrindo-as e fechando-as como uma stripper de luxo. Entreter um cliente estava em seu sangue!
— É, foi maravilhoso — respondeu Kyle, em um tom apático, apesar do sorriso no canto dos seus lábios se manter desenhado ali, em um indicador positivo ao empenho que lhe era mostrado.
Enquanto o moreno se insinuava no chão, encontrou a mochila dele na cama, caçando em seu interior uma garrafa de refrigerante diet, ficando com essa em mãos para premiá-lo ao fim do show. Aguardou pacientemente que ele finalizasse toda aquela dança para esticar-lhe a garrafa, deixando-a tomá-la de suas mãos quase que em desespero, sedento pela bebida.
— Você não pode ficar matando aula desse jeito — avisou-o enquanto ele entornava metade do conteúdo da garrafa em poucos goles.
— Qual é, Kahl? — Errou o nome dele propositalmente, olhando para a sua plateia de um único homem. Tinha feito uma apresentação formidável e ele agia como uma velha chata, vigiando suas faltas na escola?
Desistiu da conversa, fechando a garrafa e largando-a no chão mesmo, indo sentar-se ao lado de sua companhia na cama. Sabia que ele havia gostado, aquele olhar lhe secando do começo ao fim era a maior prova disso. Cruzou uma das pernas, sorrindo maliciosamente para o parceiro. Não adiantava esconder, o desejo ardia naquele judeuzinho quase tanto quanto Sodoma e Gomorra arderam pelas mãos de Deus.
— Eu posso te deixar queimando, mas posso também apagar o seu fogo. Você só precisa admitir que estou certo, que você me quer. Sim? — Provocou-o, aproximando uma das mãos da perna do outro, tocando nela apenas com a ponta dos dedos para atiçá-lo ainda mais.
Kyle, porém, não era idiota, sabia bem que a frase que mais excitava aquele gorducho era um bom e velho "você tem razão", ainda mais porque ele usaria-a como argumento em futuras discussões. Mas não eram mais crianças, não podia deixá-lo vencer todas as vezes. E agora, já no segundo colegial, sabia exatamente como inverter as posições.
Segurou a mão atrevida que subia em sua calça enquanto sua mão livre agarrava naquele casaco felpudo, fazendo um único movimento rápido e forte para empurrá-lo de vez contra a cama, forçando-o a ficar deitado. O espanto por trás dos olhos azuis foi apenas o primeiro sinal de vitória, mas o seu golpe final veio pouco depois, afundando seus lábios no estômago redondo de Cartman e soprando com força contra aquelas flácidas bainhas.
— O-o que?! — A voz de Eric saiu alta, assustado com a primeira soprada. O som flatulento que esse fez foi só um bônus para desarmá-lo, mas logo veio um segundo e terceiro ataque. — Pa-pare!! Faz cosquinhas!! — Implorou, remexendo-se inutilmente.
Não estava pronto para ser rendido dessa forma! O barulho de pum o desconcentrava e era particularmente sensível quando tocado na barriguinha, arrepiando-se com qualquer toque na área. As sopradas quentes ainda faziam a região estremecer, dando uma indesejável sensação de cócegas.
O judeu não era nada piedoso, implorar pelo fim só atiçava-o ainda mais, continuando com as assopradas, fazendo apenas pausas curtas para tomar fôlego e assoprar mais uma nova vez. Não adiantava em nada o anglicano gritar e se debater, todas aquelas cosquinhas na barriga drenavam eficientemente todas as suas energias — que já eram poucas depois de tanta dança.
Aquele maldito predador só se deu por satisfeito quando Cartman perdeu a capacidade até mesmo de formar xingamentos, gargalhando alto, totalmente entregue. A felicidade do inimigo ganhou tom de gargalhada também, rindo alto pela efetividade em desarmar sua vítima com algumas poucas — mas bem aplicadas — sopradas, depositando um único beijo no local quando terminou, como um pedido de desculpas pela brincadeira.
O sorriso do algoz, que antes era sutil, estava realmente largo, projetando as bochechas sardentas para o lado e expondo todos os dentes com sincero bom humor. Não havia visão mais satisfatória para o ruivo do que ver aquele coelhinho rosa empanturado caído em sua cama, respirando com dificuldade depois da breve sessão de tortura.
— Seu maldito..! — Murmurou Eric, não crendo em sua própria derrota. — Você joga sujo, Broflovisk. — Era para ser um jogo de sedução e não um jogo de resistência.
— Foi você que esqueceu de ditar as regras, Cartman — respondeu-o, passando uma das pernas por cima do outro, aproveitando-se que ele ainda estava deitado indefeso em sua cama.
Se as bochechas de Cartman já não estivessem coradas de tanto rir, Kyle poderia jurar que viu-o ficar com vergonha quando montou em cima dele. Bem, em Jersey poderiam não haver cavalos, mas todo mundo que entrava na puberdade sabia cavalgar e o gorduchinho ali estava bem familiarizado de suas perícias. Não que elas invalidassem as suas habilidades em morder e afastar aquelas pernocas macias, tomando com ganância aquele traseiro largo. Afinal, mesmo de Jersey também era judeu.
Curvou-se, alcançando aqueles lábios antes que ele tentasse criar algum argumento para ter a última palavra daquela discussão. Beijar Cartman era sempre uma surpresa, carregando na boca uma confusão de sabores inimaginável.A mistura atual, de coca diet com brilho labial cereja, estava especialmente deliciosa. Precisava reconhecer o esforço que ele tinha quando decidia se enfeitar dessa forma, dando atenção até o último dos detalhes. Mordeu de leve aqueles lábios, roubando o restinho do sabor artificial de fruta que esses carregavam. Adorava cereja.
— Feliz aniversário, Kyle Broflovisk — desejou Eric ao ter seus lábios liberados.
As mãos roliças, claro, não estavam quietas, enfiando-se por dentro da camiseta do ruivo, subindo maliciosamente pelas costas, tocando bem as vértebras do garoto magrelo, sentindo cada osso e músculo escondido pelas roupas. Não que usar roupas dificultasse seu trabalho, já havia explorado tantas vezes aquele corpo que memorizou cada marca, cicatriz, pele ou ossinho a sua frente, depositando um beijo em especial a um grupo de sardinhas próximas ao queixo de Kyle, sardas que particularmente adorava.
— É só amanhã, Eric — retrucou, vendo a malícia estampada no rosto do garoto abaixo. — Ah..
O smush smush prometia.
Notas finais
Eu acho que eles ainda brigam, claro, mas no meu headcanon, quanto mais velho ficam, mais tolerantes devem se tornar (Diferente dos pais), pois é o que vimos acontecer com o Craig nas últimas temporadas.
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