Desde 1971. (1971)

9 Capítulo 8 - As cartas


16 de setembro de 1971

''Sirius, falo sério, temos que ser lembrados na história de Hogwarts.'' James falava empurrando o óculos para cima de seu nariz enquanto desviava de vários alunos pelo corredor. Os dois amigos haviam acordado atrasados para a aula e, infelizmente, era de transfiguração o que significava que perderiam pontos para grifinória e teriam de passar pelo menos 1 hora em detenção com a professora Mcgonagal — a qual os dois meninos tornavam-se cada dia mais conhecidos devido as suas brincadeiras e falatórios.

''James, estamos no primeiro ano... quer mesmo causar algo que nos deixe famosos e ao mesmo tempo nos garanta uma expulsão?'' Sirius falava enquanto tentava amarrar a gravata só com uma mão, por estar segurando os livros com a outra.

''É claro que não, deixaremos essa apenas para o último ano, mas... algo grande para marcar o primeiro ano, então?''

''Acho que Minerva nos mata se fizermos algo grande.''

''Acho que Minerva nos mata se ouvir a gente falando Minerva.'' James disse já a porta da sala e entrando na mesma aos risos com o amigo. Sala cheia mas sem professora, isso é algo bom, com toda a certeza, pensou James.

Os dois amigos foram para a primeira mesa da sala que estava vazia e com uma placa

''Destinada aos senhores Potter e Black — 1º ano.

professora Minerva Mcgonagal.''

Ambos se sentaram e viraram para procurar Remus e Peter que os olhavam com um sorriso grande no rosto e com os polegares levantados na outra fileira, algumas mesas atrás. Remus estava sentado com Lily, que no começo da semana havia pedido para sentar-se com ele em algumas aulas, pois Severo preferia passar um tempo com os colegas da sonserina, e Peter estava com Frank, que ria de James e Sirius.

A porta se abrira novamente e a professora Mcgonagal entrara na sala

''Bom dia, turma!'' A professora com vestes em mistura de verde escuro e preto, um chapéu pontudo e um óculos fino no nariz dizia enquanto caminhava até sua mesa na frente de toda a sala e retornava um sorriso aos alunos.

''Bom dia, professora!'' Todos disseram.

''Bom dia, professora Mcgonagal! A senhora está especialmente bela no dia de hoje, se me permite dizer, não é James?'' Sirius diz olhando para o amigo.

''Com toda a certeza! As estrelas teriam inveja do brilho que a senhora nos mostra, professora.'' James diz sorrindo ao lado de Sirius, ao longe, Remus revira os olhos e Lily dá uma risada — risada esta percebida por Severo Snape, que torce o nariz e endireita mais ainda sua costa para olhar para frente.

''Ora, mas que elogios gratificantes, meus caros senhores! O que me lembra, os dois tem meia hora de detenção — por agora — para cumprir comigo durante o horário livre de vocês de hoje, assim poderão apreciar por mais tempo o meu brilho.'' A professora os entrega uma folha e dá menção para passarem para os colegas de trás, fazendo o mesmo na outra fileira.

''Detenção?'' James diz baixo para Sirius que o olha tão confuso quanto.

''Isso, senhor Potter, detenção por atraso.'' A professora responde se encaminhando para a sua mesa.

''Mas quando chegamos a senhora já estava aqui!''

''Isso não quer dizer que não estavam atrasados... vi os senhores entrarem correndo, inclusive, arrume esta gravata, senhor Black.'' Minerva diz apontando para o garoto que ainda estava com a gravata em seu pescoço ''Tive de ajudar uma aluna lufana que havia caído no corredor, por isso me atrasei, mas vi o exato momento em que os dois entraram rindo na sala, atrasados! Portanto, detenção de meia-hora e se houverem mais reclamações, mais meia-hora.''

Sirius dá um chute na canela do amigo por baixo da mesa, já que este estava prestes a contestar a professora. Os dois concordam com a cabeça e conseguem sentir o riso de todos as suas costas, mas mais ainda o de Remus que enquanto ria, com certeza revirava os olhos para a cena — e com isso sabiam que haviam perdido suas sobremesas para o loiro, já que na noite passada apostaram que não chegariam atrasados e não receberiam uma detenção logo na primeira aula, após Remus aconselharem a dormirem cedo e não a ficarem jogando snaps explosivos com terceiranistas em um quarta-feira a noite.

''Rimas transguratórias''

''Alguém sabe o que isso quer dizer?'' A professora perguntava após destacar essas duas palavras em um quadro logo atrás da mesa da mesma. ''Senhorita Evans.''

''Obrigada, professora!'' A ruiva diz abaixando a mão ''As rimas transfiguratórias são frases que rimam e podem transformar um objeto em outra coisa.''

''10 pontos para a grifinória.''

James virou para trás no momento em que pode ver Lily e Remus batendo as mãos uma na outra com sorrisos grandes. Os dois combinavam de inverter quando responder, e tinham o trato de deixar outras pessoas responderem se forem da grifinória — haviam discutido se deixavam ou não chances para as outras casas e chegaram ao consenso de que isso só poderia acontecer até 10 vezes na semana.

A aula continuou de forma tranquila e, por conta da dificuldade de entendimento de rimas e como aplicá-las, as tarefas seriam continuadas nas próximas aulas.

''E para semana que vem, quero um pergaminho de rimas, seja quais forem, para treinarem e vermos se aprenderam os métodos vistos hoje em sala.'' A professora diz enquanto todos os alunos arrumam seus materiais e vão saindo rumo a estufa de herbologia.

''Mais uma tarefa? Eu não posso mais VIVER?'' James diz jogando os braços para cima ao chegar do lado de Remus que conversava com Alice.

''Pare de drama, Potter! É só vocês irem comigo a biblioteca pelo menos por 2 horas ao sábados ou nos horários livres e vocês se livram de tudo, assim como eu e Peter fizemos essa semana.'' Remus disse dando de ombros, tendo Peter concordando logo atrás de si.

''VOCÊS JÁ TERMINARAM TODOS?'' James olha inconformado de um para o outro.

''Bom, não todos, já que acabamos de receber mais um agora mesmo, mas... sim, todos.'' Peter diz orgulhoso.

James sente vontade de chorar. Era um garoto inteligente, sabia disso, mas era tão mais divertido rir com Sirius. O de cabelos pretos percebeu o desespero crescente no rosto do amigo e tentou tranquilizá-lo.

''Ei, James, sábado vamos para a biblioteca e fazemos tudo o que temos em nossa agenda ocupada e temos o final de semana livre, o que acha?'' Sirius diz colocando o braço em volta dos ombros do amigo.

''Acho ótimo! Combinado! Estou com fome... ''

''Eu também...Hm... Rem?'' Sirius chama a atenção do mais alto que dava risadas em sua frente.

''Sim?'' Remus se virou enxugando lágrimas de tanto rir.

''Você não teria algo para comermos, né?''

''Você está pedindo por MEUS chocolates, Black? Sabem que eu irei ficar com as sobremesas hoje, certo?'' Remus arqueou a sobrancelha sorrindo.

''Sabemos...''

''Aqui está.'' Remus disse após retirar uma barra de chocolate do bolso de dentro de sua capa. ''Querem trocar de duplas para a aula de hoje?''

A aula passou de forma rápida, se considerar a tremenda bagunça feita na estufa dado o susto de uma corvina por conta de minhocas em seu vaso de planta, que levou terra a ser espalhada em sua volta, consequentemente minhocas, e assim um explosão de terra por todo o local. Alguns alunos — como Sirius, James e Peter — apenas bateram em seus vasos por diversão. A professora Sprout tentava controlar as garotas que gritavam e Alice ficava cada minuto mais brava por perder sua aula preferida.

''ÓTIMO! ESTOU COM TERRA NO MEU CABELO E AINDA PERDI A MINHA AULA PREFERIDA POR CAUSA DE MINHOCAS! POR MERLIN, ACHEI QUE HOUVESSE ALGUMA CORAGEM NOS CORVINAIS, PELO MENOS!'' Alice dizia enquanto chacoalhava o cabelo, pisando o pé forte na grama ao lado de Lily e Marlene que se seguravam para não rir. ''E VOCÊS ESTÃO RINDO DE QUE? ACHAM QUE ESTÃO LIMPOS DE TERRA, SEUS PALERMAS? POIS NÃO ESTÃO!'' A garota se referia a Peter, Sirius e James a frente delas.

''Nã-não é de você, Alice, juramos.'' Peter dizia. Ela realmente conseguia ser assustadora, Frank tinha razão, o garoto pensava.

''Ora, Fortescue, você fica mais charmosa no tom de marrom, sabe?'' Sirius disse rindo mais.

''Escute, Black, eu tenho uma varinha e posso muito bem usá-la para te tirar de sua vassoura ou algo pior, me entendeu? Não experimente me provocar! O único motivo pelo qual não acabo com você aqui é por Remus, pois é amigo dele.''

Sirius ficara sem palavras por um grande período de tempo, tal como todos a sua volta, sobrando apenas para Remus gargalhar.

''Lice, não tem necessidade de ficar brava, aconteceu. Todos temos medo de algo e a menina também tinha... recuperaremos essa aula, a professora Sprout sempre dá um jeito, certo? Não se preocupe quanto a isso. E também não mate nenhum dos meus colegas de quarto, odiaria ter que me acostumar com novas pessoas nessa altura do campeonato.'' Remus dizia dando de ombros e entregando uma flor que pegara do chão para a amiga, que lhe mostrara a língua e encarara feio os três à sua frente.

''Olá, meus bruxos! Hoje é dia de QUADRIBOL!'' a professora recebeu palmas e sorrisos animados ''ou pelo menos, falar sobre ele... hoje veremos algumas técnicas e no que consiste o quadribol e na próxima aula, demonstrarei algumas dessas técnicas e vocês treinarão em suas vassouras da mesma forma, combinado?''

Com o sol do quase meio dia em suas cabeças e sentados na grama observando a professora explicar com grande animação sobre passes, bolas e troféus, Remus houve a barriga dos amigos roncarem.

''Estão mesmo com fome, han?''

''Muita! Será que 11:00 o almoço já está liberado?'' James disse jogando a cabeça para trás e colocando a mão na barriga. ''Pois são quase 11:00, não?''

''Faltam poucos minutos para a aula terminar mas, vocês têm a meia-hora de detenção, não se lembram?'' Remus perguntou olhando pro amigo de óculos.

''Droga! Nunca mais jogo por tanto tempo assim...''

''Nem você mesmo acredita nisso.'' Peter disse focado na professora.

''Me sinto ofendido!'' James fala com voz fina espontaneamente e com a mão no peito ''Mas sim, é verdade. Mas meu estômago ainda dóóóói.''

Após a dramática pausa do garoto, a professora anuncia a aula acabada e os amigos se levantam.

''Não querem ir com a gente? Prometemos que será divertido, Minerva é simplesmente muito legal...'' James perguntava para os outros dois piscando rapidamente.

''Não adianta fazer este olhar, amigo... vamos ficar por um tempo na sala comunal, vão até lá quando acabarem. SEM conseguirem mais meia-hora, ok?'' Remus olhava de Sirius para James que concordavam em silêncio, e que assustou até Peter por seu tom ríspido.

''Certo, Rem... até daqui a pouco... sentirei sua falta!'' Sirius disse fazendo bico e esticando a mão enquanto era puxado por James, que ria.

Os dois iam pelos corredores exteriores olhando para os mais diversos alunos, de todas as quatro casas. Viram corvinos conversarem e darem risadas; lufanos experimentando feijõezinhos de todos os sabores e gritarem com um sabor ruim; alguns grifinórios estavam parados no meio do pátio aberto comemorando, com palmas e gritos, para cada um que passava; alguns sonserinos estavam deitados na grama olhando o céu, e um grupo menor estava em um canto conversando e olhando para os lados. Sirius reconheceu o namorado de Narcisa, Lucio Malfoy, que já esteve presente em diversos jantares em sua casa e nas reuniões particulares do pai com outros adultos.

''Vocês tem uma grande oportunidade de vida aqui, garotos, digo sinceramente...'' Sirius lembra de ouvir a voz fria do jovem platinado que havia parado ao lado de Sirius e Regulus que lutavam com seus dedões no canto da sala, naquela época, o Black mais velho já havia sido apresentado como a vergonha para os pais pelo interesse por trouxas. ''Aproveitem por estarem do lado certo, aproveitem a grande vantagem que tem sobre todos os outros ai fora que ousam se dizer bruxos. O futuro vem ai, e vocês transformarão tudo.''

O adolescente, com 15 anos na época, tinha uma posição imponente e amedrontadora, esta que fez com que Regulus ficasse aterrorizado só pela sua menção por um longo tempo, pois ele jurava ter visto o loiro gritar e ser marcado em uma madrugada em que escapou do quarto. Sirius não o achava nada mais do que qualquer um que frequentava a sua casa — inclusive, sua prima Bellatriz, irmã de Andy e Narcisa, o dava mais medo do que Malfoy.

Como se sentindo seu olhar e pensamentos, o loiro levantou a cabeça e fixou no Black que passava e então Sirius viu: Snape. Estava lendo algo que Lucio e um colega mais alto havia lhe entregado, entretido. ''Isso com certeza não será bom...'' Sirius pensou sozinho. Havia coisas que era melhor não compartilhar com James, seria uma longa história.

Chegando a porta de Minerva Mcgonagal, os meninos batem a porta e recebem uma frase confirmando a entrada. A detenção é a mesma que ocorreram nos últimos dias: escrever algumas palavras, aproveitar para adiantar alguma tarefa ou pesquisa, e conversar. Os dois garotos eram os únicos na detenção pois a professora dividia por anos os castigos — primeiro ano; segundo e terceiro; quarto e quinta; sexto e sétimo — e aparentemente eles eram os único primeiranistas que viviam na detenção.

Alguns dias tiveram alguns outros alunos de outras casas e até mesmo da grifinória — um desses foi Peter — mas comumente ficavam apenas os dois.

''Ei.'' James chamou o amigo que estava com a cabeça deitada na mesa.

''Ei.'' Sirius diz em tom baixo.

''Porque você tem machucados?''

''O que?'' Sirius se levantou tentando transparecer calmo.

''Machucados. Aqui e aqui e aqui.'' James ia apontando nos lugares que havia visto algumas vezes por cima da roupa, enquanto Sirius estapeava sua mão.

''Você está delirando, Potter!'' o de cabelos pretos deita novamente na mesa.

''Qual é, Sirius, o que aconteceu?'' o de óculos acompanha o garoto deitando também.

''As coisas em casa são difíceis, sabe? Somos de uma máfia...''

''HAHA! Engraçado... Como vou te ajudar se não souber a verdade?''

''MAS É A VERDADE!'' Sirius disse mais alto. Era realmente a verdade.

''Sirius, quando quiser contar a verdade conte comigo, mas preciso que confie em mim, ok?'' James parecia preocupado e o Black concordou também preocupado com o amigo.

''Acabou, senhores!'' Levantaram as cabeças com o som da professora os liberando, arrumando as coisas e indo rápido até que ela retorna a voz ''Senhor Black, um minuto, por favor. Senhor Potter, espere do lado de fora.''

James lançou um olhar acolhedor e longo para o amigo, como que esperando confirmação se estava mesmo bem deixá-lo. Sirius apenas abanou a mão, o pedindo para sair, virando-se para a mulher mediana a sua frente.

''Senhor Black, não pude deixar de ouvir sua conversa com seu amigo.'' Ela andava até a parte de trás da mesa.

Oh Oh! Com certeza isso não era esperado.

''Aquela pegadinha boba? Relaxe, professora, colocarei juízo na cabeça de James.'' Ele disfarçava enquanto balançava a perna esquerda inconscientemente.

''Sirius... Sei de muitas histórias, boas e ruins, sobre diversas famílias existentes nesse mundo. Sei de uma sociedade difícil de se viver e conversar. Sei de ideias não tão realistas e bondosas. Sei de violência e amor. Aqui em Hogwarts a maior parte dessas pessoas podem ser consideradas mais minha família do que os que tem o meu sangue, e isso não torna nada errado, e não precisa ser para você. Se precisar conversar ou confiar em alguém é excelente que fale com seus amigos, mas que também fale com um adulto, como nós, professores. Lembre-se, Sirius, família nós escolhemos, e não temos que aguentar maltratos por conta de sangue, certo?'' Minerva olhava para o garoto de forma séria e ao mesmo tempo amorosa, sabia como falar com seus alunos e como os acolher quando necessário.

As palavras tinham acertado Sirius em cheio. Remus havia falado sobre família. James sempre fala. Peter o chamou de ''como quase irmão'' algum dia desses. Ouvir a professora falar daquela forma era especificamente mais difícil. Era impossível ela saber de algo, certo? Não tinha como.

''Obrigado, professora. Sempre que eu precisar te procurarei.'' O garoto se despediu e correu para fora com o amigo que o esperava com um sorriso, para correrem atrás de seus almoços.

''Snape passou por mim pouco antes de você aparecer.'' James dizia se equilibrando após tropeçar em uma pedra.

''O que ele queria?''

''Apenas andou mais devagar na minha frente, me olhou de cima a baixo e empinou aquele nariz grande, como se fosse algo bonito de se ver. Porque Lily insiste em andar com ele?''

''Não sei, James, eles eram amigos antes daqui, não? Ela é bem amorosa com os amigos.'' Sirius dava de ombros.

''Mas ela não é amorosa comigo...''

''Deixo a sua interpretação, então.'' Sirius disse correndo, pois previra o tapa que viria logo após.

Subindo correndo as escadas e falando a senha rapidamente, Sirius escapou do amigo usando Peter como escudo logo assim que o viu, este que havia assustado e dado um susto.

''James... esqueci de te entregar essa carta que veio no café da manhã.'' Lily erguia a mão com um envelope nela.

''ISSO!'' o garoto correu para pegá-la e deu um beijo na bochecha da garota, que ficara mais vermelha do que uma pimenta, como Remus adoraria falar por vários dias após o ocorrido.

Potter sentou-se em uma poltrona mais ao canto da sala para se concentrar. Havia esperado por dias a resposta, e mesmo que Remus demonstrasse uma considerável melhora, queria saber se poderia acontecer novamente, para estar pronto para ajudá-lo.

''Caro James,

Você não sabe o tamanho da minha felicidade ao receber uma carta de um amigo preocupado com o bem estar de Remus, logo ele que nunca foi muito sociável, se vê em meio a amigos tão amáveis e atenciosos.

Pode deixar que não comentarei nada sobre, sei como ele pode ser teimoso quando quer.

Sobre o mal estar, agradeço ter me comunicado, mas Remus tende a ficar assim em époa de grande ansiedade, quando for assim, lhe dê chocolate, é tudo o que indico, e a amizade de vocês é de extrema importância, pelo o que venho percebido e assim espero.

Um grande abraço em todos vocês e grande sorte nesse novo período da vida.

Hope.''

James se acalmara. Se a mãe de seu amigo acreditava ser normal, não tinha com o que se preocupar tanto, certo? A teoria de tortura pelos professores estava oficialmente acabada. Precisava contar para Sirius.

Passou o olho por todo o salão mas não o encontrou, deveria estar no quarto. Subindo as escadas e chegando próximo a porta do dormitório consegue ouvir sussurros e suspiros, ao abrir a porta, depara-se com um Sirius vulnerável sentado ao chão com várias cartas a sua volta e olhos marejados.

''O que está fazendo aqui?'' Sirius pergunta de forma fria. James nunca o vira assim antes.

''A mãe de Lupin me respondeu, ele só fica muito ansioso, aparentemente. Sem tortura de professores... você está bem?'' ele pergunta chegando mais perto e abaixando ao lado do amigo.

''Sim, não parece?''

''Sirius...''

''Cartas da minha adorável família. Eles não são legais, James. Não quero falar sobre, mas, eles não são legais.'' o garoto suspira e retorna a sua fala ''cartas com linhas e linhas me dizendo o quão vergonhoso eu sou, ou como eles têm sofrido com a minha ida para a grifinória e como tem ouvido do meu envolvimento com trouxas e mestiços.''

A cabeça de James girava.

''Eles realmente escreveram tudo isso?''

''Oh não, eles usam palavras bem piores para descrever o meu círculo social, eu só prefiro poupá-lo de tudo. Aparentemente meu irmão está bem e tão envergonhado de mim quanto eles.'' Sirius sentiu como uma faca estivesse sendo fincada no coração a cada palavra que lia sobre Regulus. Em uma delas pode ver a caligrafia do irmão mais novo expressando o quanto repudiava as atitudes de Sirius de distanciar da linhagem pura e da sonserina.

''Essa está fechada.'' James pegou uma carta com o símbolo da família Black junto de uma cobra ''Nunca vi a cobra.''

''Muito menos eu, o que pode significar que eles colocar uma bomba e irá me matar... você deveria correr.'' o de cabelo preto indica a porta.

''Não vou te deixar sozinho, Six.'' James senta ao lado do amigo

''Six?''

''Mais curto que Sirius.''

''Justo.''

Sirius começa a abrir a carta com o grandioso B da família bruxa puro-sangue antiga, todas as lembranças sobre ela causava efeitos inimagináveis ao garoto, e James percebia o quão mal o amigo estava, por isso não o deixaria sozinho em um momento como esse.

''Caro senhor Sirius Orion Black,

Venho por meio desta carta comunicá-lo perante o grande movimento que tem ocorrido na comunidade bruxa de tempos para cá, e que se mostrará uma verdadeira revolução tanto no mundo mágico quanto nos dos sangue-ruins. Há uma grande comoção, como deve saber, de bruxos que unem-se em prol de um bem maior e um conhecimento digno de respeito, liderado por Lorde Voldemort, o Lorde das Trevas, sua família e amigos tem sido fiéis e corajosos aos nossos serviços, e não temos como agradecê-los o suficiente. Até mesmo ao seu irmão mais novo, Regulus Black, que revelou-se um grande prodígio na arte das trevas.

Enviamos essa carta a você, senhor, para lhe mostrar o verdadeiro caminho. Em um mundo confuso e desconexo como o que nos encontramos durante longos anos, nossa filosofia e forma de viver vêm sido a luz que formenta nossos olhos e vontades de um mundo justo e limpo de toda a abominação que libertadores por anos propuseram.

Para nós, indifere sua casa de uma escola tão afundada em preceitos sujos, e sim o que conta é o seu coração verdadeiro. Seus pais são pais dedicados e preocupados, e clamam por seu apoio e volta, afinal, você é o herdeiro da casa Black. Não os decepcione, e mais importante, não decepcione a Lorde Voldemort, este que proverá o desenvolvimento mundial que todos nós aguardamos, e que manterá uma sociedade livre de todo o mal que a acalenta.

Aguardamos seu retorno, e seu interesse por nossas atividades e ensinamentos mais a fundo, como seu irmão tem tido. Nossos correspondentes estão presentes dentro da escola, Lúcio Malfoy e Eduard Crabbe são os mais conhecidos, além da liberdade de poder nos enviar correspondência quando sentir necessário.

Lembre-se da prosperidade em que o mundo desfrutará, e as vidas limpas que teremos com a liderança de nosso Lorde! As coisas ficarão mais difíceis para eles, porém mais fáceis e boas para nós.

Bellatriz Lestrange.''

''Bellatriz?'' Sirius se encontrava sem palavras e pensamentos, e assustado com a forma escrita por, aparentemente, sua prima.

''Essa carta... Sirius, o que ela é?'' James parecia tão horrorizado quanto.

''Acho que... estão buscando me recrutar para a guerra...''

''Para o lado deles? Mas, eles são ruins... porque sua família os ajuda? Arte das trevas? Seu irmão mais novo?'' Era isso o que ele temia. O olhar de assustado, as perguntas e a hesitação. Por isso não queria ser um Black na escola e nem com seus amigos.

''James, eu juro que não penso como eles. É por isso que sou chamado de vergonha entre diversas outras coisas, porque eu me recuso a acompanhá-los nesse mar de sombras em que eles se colocam. É por isso que evitei abrir as cartas por tanto tempo. Você tem que acreditar em mim.'' o garoto se esforçara ao máximo contra lágrimas durante todo esse tempo, mas se ver nessa situação, ter de se explicar que não pensava daquela forma para o garoto que mais o acolheu era doloroso.

E então, uma surpresa.

James abraça Sirius, que se vê sem reação.

''Acredito em você, Six. Sei que não é assim.''

E Sirius Black se vê afundado em um misto de gratidão, vergonha, raiva e tristeza. Não havia o que fazer para duas crianças de 11 anos com uma carta com um conteúdo de extrema importância além de lamentar o seu entendimento e chorar.

''Não conte para ninguém, muito menos para Peter e Remus!'' Sirius disse se separando do amigo e enxugando as lágrimas ''Prometa!'' eles estendeu a mão para James que a apertou.

''Prometo!''

Os dois mantiveram o olhar fixo por mais alguns segundos, conversando entre si por pensamentos difusos, até que a barriga de James emite um som e causa uma explosão de risadas pelo dormitório.

''Vamos descer?''

''Com certeza.'' os meninos recolheram os papéis, e Sirius os guardou novamente na gaveta.

Ao seguirem pela escada encontram Remus e Peter que estavam indo chamá-lo. Passando pela lareira acesa da sala comunal, Sirius vê uma saída para as desagradáveis palavras ainda em seu quarto.

Mais tarde naquele dia, se procurassem pelos quatro amigo, os encontrariam de pijama, em pé em frente a lareira com sua chama alta esquentando os seus corpos, o garoto de cabelo preto jogando carta por carta no fogo, o de óculos com uma mão em seu ombro em demonstração de apoio, e o silêncio apoiador dos outros dois, que mesmo sem saber o que estava acontecendo, estavam ali por ele.

''O que exatamente estamos fazendo?'' Peter sussurra para James.

''Nos livrando de péssimas palavras e pessoas péssimas.'' James responde, recebendo um sinal de concordância do menor.

''São fantasmas que não me atormentarão mais, Pete.'' Sirius confirma.

Mais alguns minutos em silêncio se passam. O calor cresce e as chamas engolem cada material ali depositado, gostando de apagar cada memória ruim que tenha vindo com as correspondências. O que era para ser considerado um pesadelo, o trouxe felicidade e conforto, pois nunca se viu mais confortável com suas dores do que mais cedo com seu amigo — e agora tinha certeza — irmão. Sirius se sentia como uma grande ferida em período de cura, e como se tudo fosse valer a pena.

''Sabia que apelidei Sirius de Six?'' James quebrou o silêncio, ainda olhando para o fogo.

''Qual o sentido desse apelido?'' Remus questionou virando o rosto para ele.

''E desde quando precisa fazer sentido? Se eu quiser te chamo de fedido.''

''Realmente não faz sentido, pois sou um menino extremamente cheiroso.'' Remus arqueou as sobrancelhas.

''Foi exatamente isso o que Mary deve ter dito para as amigas.'' Peter soltou com um sorriso travesso, arrancando um risada de James e um tom de ofensa de Remus.

''O que isso quer dizer?''

Sirius, por sua vez, aproveitou o barulho dos amigos ao da chama. Era, finalmente, bom estar em família.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.