Desde 1971. (1971)
1 Capítulo 1 - O trem
O primeiro ano
1 de setembro de 1971
‘’Mãe, eu já disse que vou ficar bem! Para de me envergonhar!’’ Dizia um menino com óculos torto envolto aos braços carinhosos de uma mãe com um pesar de deixar seu único filho ir para longe de sua proteção.
‘’Vamos, Euphemia, solte o garoto… Você sabe que Hogwarts é o lar de todos nós e não poderia ser mais seguro e aconchegante do que o que aguardamos para a vida de James.’’
‘’Diz isso porque você conseguia se defender em Hogwarts, Fleamont! Era popular e ninguém mexia com você, imagine o que irão fazer ao meu Jamesy!’’ Euphemia Potter era uma mãe carinhosa e que se importava com sua família, foram ensinados e passaram assim ao seu filho o respeito, e a lealdade aqueles que são seus amigos e precisam de ajuda. Mas para James, Euphemia era carinhosa até demais, principalmente agora onde o menino entrava na adolescência e sentia-se envergonhado a tudo o que lhe acontecia.
Em volta deles a plataforma 9¾ se enchia de meninos e meninas de 11 anos até seus 18 anos, com as mais diversas roupas, malas e gaiolas de animais; o trem ia se aquecendo para a viagem até a famosa escola de magia e bruxaria, Hogwarts, onde encontrariam os mais diversos professores e o famoso diretor Albus Dumbledore que derrotou Grindelwald. Algumas crianças choravam por saudade das mães, enquanto alguns veteranos riam da situação das janelas de suas cabines.
James Potter analisava tudo com muita cautela. Amava seus pais, demais da conta, com eles aprendeu a ser corajoso, a ser leal e amar cada igual seu e aceitá-los com tudo o que se está disposta, mas tudo isso, na verdade, vinha junto de James, que tinha um carisma e amabilidade naturais, e com isso a certeza de sua casa na escola: Grifinória.
Seus olhos acompanharam uma menina ruiva e com algumas sardas no rosto, ela andava enquanto dava pequenos pulinhos, acompanhada por um casal de adultos e uma menina que parecia desconfiada de tudo.
Ela cumprimenta um garoto com nariz esticado e cabelos pretos — e brilhantes? — que parece desajeitado e confuso se acena, sorri, ignora ou simplesmente dá de ombros pelo ato da garota.
Ela para.
Seus olhos continuam nela, vendo seu cabelo vermelho e imaginando como seria o cheiro dele.
Sente seu rosto ficar quente e não entende a situação.
Ela vira e olha diretamente para ele.
Ele trava.
Seus olhares se encontram e ele só consegue sorrir e acenar.
Ela se assusta com a súbita atitude, semicerra os olhos e vira bruscamente para frente.
O que será que aconteceu?
‘’Gostou dela, hein, James?’’ Fleamont, que não era um homem nem alto e nem baixo e sim em uma estatura média com um cabelo castanho como do filho e um suéter com um pingente da Grifinória, disse com uma voz de desafio que o menor conhecia bem.
‘’Que nada, pai! Não me preocupo com essas coisas, achei reconhecer mas me enganei, só isso.’’ Mentira. Estava com o coração acelerado, na verdade, e não sabia o que fazer, principalmente quando seu pai o olha mais de perto como se visse seus pensamentos. Relaxou quando o mais velho riu.
O apito do trem soa e James fica ansioso novamente, seus pais na mesma situação. Os três levam as coisas até a porta e ao cargueiro, dão um longo abraço e se despedem. Os pais o desejam boa sorte, mas sabem que seu pequeno e desastrado filho não precisa disso, James cativa a qualquer um que queira diversão e risadas.
Logo atrás dos Potter temos a visão de uma família… peculiar. A curiosa e famosa família Black, conhecida como uma das famílias de sangue-puro e da dinastia bruxa; os Black são famosos por sua busca pela pureza das gerações e sua grande linha de ancestralidade, não aceitando os ditos ‘trouxas’ — pessoas que não nascem em famílias bruxas — ou mestiços. O casal, Orion e Walburga Black, traziam seu filho mais velho, Sirius Black, para o ingresso em seu primeiro ano de estudos de magia.
‘’Lembre-se, a sonserina irá lhe ensinar os bons ensinamentos de nosso sangue e raça, e como a superioridade e ambição nos move e nos transforma em quem somos neste mundo. Aceite isso, Sirius, é uma tradição de nossa família, e você verá que tudo se irá se encaixar, não essa preocupação com os sangue ruins e mestiços imundos!’’ O adulto expressa tudo isso olhando de seu filho a todos em volta, com austeridade e frieza no olhar.
Sirius estava acostumado com isso, sabe? Essa forma de falar, essa mania de superioridade, e o nojo estampado sempre que se viam em meio a pessoas diferentes de bruxos puros, ou a menção sobre. Por muito tempo tentou aceitar que isso era verdade, que ele era melhor, e que os outros simplesmente não prestavam… Mas algo não se encaixou nessa matemática toda. Os livros que leu, as diferenças de vidas. Não era o maior entendedor ou defensor dos trouxas, mas sabia que eles tinham muito a oferecer, e não queria deixar por isso.
‘’Sei, pai. A sonserina é perfeita aos Black.’’
‘’Não responda seu pai nesse tom, menino!’’ Walburga diz entre os dentes, mal esperando para sair de lá, em meio a tanta… escória. ‘’A sonserina é nossa casa e onde pertencemos! Aceite-a e volte como um verdadeiro Black tem de ser!’’
Tanto faz, pensou Sirius. Iria aproveitar a liberdade, a distância de seus pais, primos e tios sufocantes — nem de todos os primos, pois alguns estavam indo para a escola consigo — mas daria um jeito! Não queria a sonserina. De todas que leu e conheceu, escolheu, em sua mente, a Grifinória, e tentaria uma forma de subornar o famoso chapéu seletor para que o seu desejo fosse cumprido.
Colocando as malas e entrando no trem, vira-se uma última vez, mas seus pais já se foram. Respira aliviado e se vê — pela primeira vez — finalmente solto e sem correntes que podem o prender.
Sirius poderia ser considerado um menino bonito — bastante, por assim dizer. Sempre encantava com um brilho diferente em seus olhos, e um sorriso que era irresístivel quando queria algo. Seu cabelo era escuro e caia em seus ombros, e seus olhos tinham cores escuras da mesma forma, honrando o seu sobrenome. Tinha alguns machucados pois não se controlava e sempre escalava, ou provocava algum primo seu, o que o fazia sentir-se mais forte e corajoso a todo o resto.
Todos os compartimentos estão cheios, e quando estava prestes a desistir e se colocar de intruso em uma cabine cheia de garotas mais velhas, vê um garoto com cabelos castanhos claros, um pouco mais alto que ele, sentado com as pernas dobradas em cima do assento e comendo algo que parecia como — chocolate? Estava interessado nesse último detalhe.
Quando está pronto para colocar a mão no puxador para se infiltrar pelo ambiente, uma outra mão surge da direção oposta e alcança primeiro.
Como ousa!
‘’Com licença? Não viu que eu estava para abrir a porta? É o que, cego?’’ O garoto a sua frente tinha os óculos grandes, e um cabelo incrivelmente bagunçado como se um feitiço permanente tivesse sido lançado e nunca mais poderia permanecer em uma mesma posição ou forma. Os seus olhos eram simpáticos e ingênuos, mas não daria o braço a torcer.
‘’Sinto muito! Ficou tanto tempo olhando para dentro petrificado que pensei que ou estava com vergonha, ou tinha um Petrificus Totalus lançado em você… qual fossem as opções eu poderia te ajudar. Ou você está com vergonha de falar com a menina dentro da cabine e eu te daria um empurrão, ou desfaria o feitiço — ou tentaria, já que nunca fiz isso -, mas é sempre bom ajudar um amigo.’’
Amigo?
Será que Sirius ouviu bem? Esse menino confuso e bagunçado o chamou de amigo em 2 minutos que estamos conversando?
‘’Tudo bem.. err… é um menino que está lá dentro também, e é o único vagão vazio e, bônus, ele tem chocolate.’’ Disse abrindo um grande sorriso e recebendo outro em troca. Talvez realmente uma amizade estivesse ali.
‘’Vamos entrar, então? Primeiro os mais sensíveis.’’ Disse o de óculos. ‘’Inclusive, me chamo James Potter.’’
‘’Sou Sirius Black!’’
‘’Black como… A família Black, a mansão Black, os ricos Black? Esses B-L-A-C-K?’’ O de cabelo comprido riu.
‘’Sim, Potter, como Esses Black. Relaxe que não irei lhe cortar e comer seu fígado — apesar do que as lendas e alguns parentes meus fazem, eu prefiro outros animais.’’ Os dois riram e entraram no ambiente.
Tudo estava calmo até então, pois Remus aprendeu em um livro que tinha na estante de sua mãe como controlar a respiração em casos de medo e terror — que era pelo o que passava agora.
Nunca havia ficado longe de seus pais, e principalmente por ser o que é. As cicatrizes já haviam puxado sussurros, já que o garoto consegue ouvi-los melhor do que um humano normal conseguiria, e Remus se via a ponto de explodir em lágrimas ao pensar em todo final do mês passar tudo longe de casa.
Estava controlando seu expira e inspira — técnica e frase do livro trouxa que trouxe consigo — e comendo chocolates, quando vê dois garotos de sua idade — supondo isso — conversarem. Pensou que iniciaria uma briga, mas acabou em risadas. Iriam entrar na cabine.
Expira e inspira. Começou compassado mas perdeu a noção e misturou conforme iam formando as palavras.
Expinspirira.
Tremendo, tudo isso durou mais de 10 minutos em sua cabeça, enquanto na verdade durou menos de 1 minuto.
Os meninos entraram. O cumprimentaram. E o ficaram olhando perguntando se estava bem.
O que fazer? Não tinha costume de ter contato com outras pessoas, nem que as pessoas chegassem perto dele, por conta dos machucados e dos rumores de maldições que acontecem na vila em que mora.
‘’Acho que este sim está petrificado.’’ Ouve ao longe o de cabelos pretos e compridos dizer, enquanto o mesmo começava a amarrar para trás os fios de sua cabeça.
‘’Fique quieto, Sirius! Acho que ele não está bem! Ei, tudo bem? Sou James Potter, e esse Sirius Black… está tudo bem, somos novos também aqui, sabe? Não conhecemos nada. Pode falar conosco, não mordemos ou batemos em ninguém, a menos que sejam sonserinos.’’ Este solta uma risada alta e atrai o amigo junto. Remus sente seu corpo relaxar. Recobra os sentidos e olha o chocolate em seu colo, e se lembra de ter ouvido o — Sirius? — falar que tinha interesse neles.
‘’Você veio atrás do ambiente livre e de meus chocolates, hum?’’ É a primeira coisa que o mais alto diz que não seja direcionada aos seus pais. Continuaria a conversa, mesmo com a cara de surpresa do invocado e do sorriso se formando no garoto ao lado. ‘’Sou Remus Lupin, prazer, tenho 11 anos e espero ser da Grifinória. Sou mestiço, meu pai é bruxo e minha mãe trouxa.’’
Não sabia bem o porque fornecera tantas informações, quando estava nervoso tudo acontecia muito rápido.
‘’Lupin como lobo, certo? Gostei, lobo. Seu pai não é famoso por conhecer artifícios contra monstros das trevas?’’ James perguntou entusiasmado, nem percebendo o tremor que causou no maior.
‘’Sim, ele é! Inteligente como só ele pode ser!’’ Tentou sorrir amigavelmente e ofereceu os chocolates aos garotos, coisa que nunca havia feito antes. Sentiu-se confortável, aos poucos.
‘’Então, você também quer ser da Grifinória, lobinho? Vai me fazer companhia nesses sete anos de nossas vidas?’’ Sirius pergunta já com o cabelo amarrado e dando um largo sorriso.
‘’Er… três. Seremos parceiros de tudo a partir de hoje, aparentemente!’’ O menino de óculos era animado. Ele incentivava a conversa e iluminava o ambiente com seu carinho nos olhos, ela legítimo, percebeu Remus.
‘’Os Black não são da sonserina? Desculpe a pergunta.’’ Remus fala apreensivo.
‘’Algum dia a tradição tem que mudar, não? Mesmo que, não sei, isso conte com um suborno ao chapéu seletor, aquele velho pano pode querer uma lavagem nova…’’ E a cabine se rompeu em risada.
E enquanto isso o trem rodava lentamente, o sol se pondo aos poucos, para quando os alunos chegassem à escola, a lua pairasse no céu estrelado da Grã-Bretanha, e refletisse as novas aventuras e vidas que se cruzariam nesse novo ano.
Tudo pode acontecer, e, os três ali dentro, imergindo em conversas e risadas, sentiam isso em seus corações também.
Só teriam de esperar.
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