Desculpe o transtorno, preciso falar do Neji
1 Capítulo único
Notas iniciais
Desculpe o transtorno, preciso falar do Neji
Conheci ele na academia. Essa frase pode parecer sexy se você imagina ele sem camisa se exercitando. Mas a academia em questão era aquela academia ninja em que todas(ou pelo menos grande parte) as crianças na Vila da Folha faziam para se tornarem ninjas. Ele fazia a academia. Eu fazia a academia. E até mesmo o Lee que não consegue usar ninjutsu fazia academia. Ele estava lá. Estudando. Nunca vou me esquecer da rodinha de meninas que se formava em volta dele admirando o gênio dos Hyuugas.
Quando todos estavam aprendendo Bushin e mal conseguiam fazer um, ele estava lá conseguindo fazer três. Quando estavam treinando transformações, ele já estava as combinando com os bushins há tempos. Quando todos ainda erravam mira com a shuriken, ele consegui acertar . Os olhos, sempre imensos e brancos, deixavam claro que ele fazia parte da elite. Foi paixão à primeira vista. Para todas as meninas, acho, mas diferente das outras, nunca me joguei para cima dele e por pouco não apanhei delas quando foi anunciado que estaríamos na mesma equipe.
Passamos algumas madrugadas treinando pela vila. De lá, migramos paras missões menores como resgatar gatos. Dessas para as de rank C, das de rank C para o exame Chunnin e de lá até sermos promovidos Chunnin, no meu caso, e Jonin, no caso dele.
Começamos a conversar quando fomos para a mesma equipe, mesmo que ele fosse bem arrogante às vezes. Passamos vergonha juntos por conta das doideiras do Lee e do Gai-sensei. Várias vezes. Fizemos todas as receitas recomendadas para ninjas em missões. Queimamos algumas pois nenhum de nós era bom com a comida. Escolhemos seguir alguns treinamentos sem noção do sensei apenas para nos integrarmos com a equipe. Passamos a não nos importar juntos com as vergonhas geradas pelo nosso companheiro de equipe e sensei. Fizemos uma dúzia de amigos novos. Fizemos mais de 50 missões em equipe —acabei de contar. Sofremos com os diversos climas enfrentados desde o frio extremo do País do Gelo até a areia fervente de Suna, rimos com as brincadeiras do Lee. Viajamos o mundo dividindo nossos sonhos. Dos dez pergaminhos que mais gosto, sete foi ele quem me deu a ideia do que selar. Os outros três foi ele mesmo que me ajudou a selá-los. Aprendi melhor o que era ninjutsu e também o que era genjutsu, pontos de chakra, taijutsu, shurikenjutsu e outras palavras que o Word tá sublinhando de vermelho porque o Word não teve a sorte de ter tido ele como companheiro de equipe.
Um dia, fomos para a Quarta Guerra Ninja. E não foi fácil. Tivemos um único beijo antes de deixar a vila em batalhões separados. Não namorávamos, mas naquele momento, sabíamos que era o certo a se fazer. E então, quando voltamos a lutar lado a lado, ele se foi. Chorei mais que quando soube que o Lee não poderia mais ser ninja ou teria que arriscar uma cirurgia. Mais que no enterro do Sandaime. Até hoje, não tem uma missão que eu vá em que alguém não diga, em algum momento: cadê ele? Parece que, para sempre, ele vai fazer falta. Se ao menos a gente tivesse tido um filho, eu penso. Levaria para sempre ele comigo, mas ainda éramos muito novos.
Essa semana, pela primeira vez, levei flores ao seu túmulo. Achei que fosse chorar tudo de novo. E o que me deu foi uma felicidade muito profunda de ter vivido um grande amor na vida. De ter tido a honra de ser a única menina a ter sido desejada por você. De ter sido a única a poder acompanhar seu treinamento de perto. De ter sido a única a ter te beijado. Neste momento, Neji, você me faz falta no mundo físico, mas sei que você estará me viajando até o dia em que eu possa te encontrar e ficarmos juntos de vez. Eu te amo.
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