Desconhecido

10 Capítulo 9 - Maldição


Francine está deitada, sobre a cama, conversando com Vanessa sobre os acontecimentos recentes, até que decide, diante das circunstâncias, pesquisar sobre o seu passado, sobre a tragédia que marcou a sua vida. Ela pega o notebook e se conecta.

- O que vai fazer? – Vanessa pergunta.

- Uma coisa que já deveria ter feito há muito tempo – Ela responde e Vanessa faz uma cara de quem não está entendendo.

- Pesquisar sobre a minha família!

- Ah, tá, mas por quê?

- Eu preciso saber o que aconteceu de verdade.

Lorna passa pela porta aberta do quarto de Francine vestida com uma roupa social.

- Oh, ainda está ai, não vai pra escola hoje? – Lorna pergunta.

- Não, eles estão investigando o que aconteceu lá. – Ela responde, enquanto digita ‘Família assassinada em Dallas’.

- O que aconteceu lá? – Lorna se senta na beira da cama.

- Encontraram o laboratório de química destruído e cheio de sangue – Francine responde.

- E você acha que foi ele?

- Sim, infelizmente, e eu avisei a polícia, eles disseram que iriam investigar e descobrir se foi ele mesmo.

- Oh meu deus.

Lorna percebe a pesquisa de Francine e fica preocupada.

- Porque está pesquisando sobre isso? – Ela pergunta.

- Só quero saber o que aconteceu depois – Francine responde.

- Você não deveria

- Deveria sim, vó, ele voltou e agora está atrás de mim.

- Se é isso que você quer... – Ela abaixa a cabeça. – Bem, preciso sair agora, vocês vão ficar bem?

- Vamos – Vanessa responde.

Lorna vai embora.

- Aqui! – Francine diz, quando acha uma notícia no site de uma emissora jornalística.

- O que? – Vanessa pergunta.

- Achei algo aqui.

Ela abre o link e se depara com o título da notícia, “Massacre no Texas, família é assassinada em Dallas”.

Os olhos de Francine começam a lacrimejar ao ver a foto de sua mãe e seu pai estampados ali, mas continua lendo quando um nome que ela ainda não conhecia chama atenção no texto.

“... O assassino, Matthew Hichbury, foi condenado à morte pelo crime e está sendo encaminhado para a penitenciária federal de Boston, Massachussetts, onde morava com a namorada, Natasha Cloverfield...”.

Matthew Hichbury. Francine sentia uma vontade enorme de ir até lá encontrá-lo e fazer justiça com as próprias mãos, até porque, aparentemente, ele foi condenado à morte, mas não foi executado, caso contrário, como estaria matando essas pessoas inocentes?

- Preciso saber mais sobre esse homem – Francine diz.

- Como? – Vanessa pergunta.

- Nós vamos a Massachussetts – Ela responde, olhando para o céu, pela janela.

- Você tem certeza?

- Nunca tive tanta certeza na minha vida, nós vamos descobrir quem ele é.

- Já que você insiste, nós vamos. – Vanessa se levanta da cama e pega uma bolsa grande de Francine dentro do guarda-roupas – Mas precisamos saber se sua avó vai deixar.

- Isso não será um problema.

- Mas então, o que vamos fazer lá? Ele está aqui na cidade.

- Nós vamos descobrir quem ele é e porque ele matou minha família.

- Mas como?

- Vamos falar com Natasha Cloverfield – Ela diz, olhando para o nome sublinhado da garota na tela do computador.

Francine desce as escadas e vai até a casa de Jensen, no outro lado da rua. Ela toca a campainha.

- Oi Francine! – Jensen diz, ao abrir a porta. – E Vanessa!

- Olha, eu preciso pedir um favor.

- Claro, pode pedir!

- Eu queria que a Layla e a Chelsea viessem dormir aqui com você por alguns dias.

- Por quê?

- Bem, Vanessa e eu vamos viajar e é muito perigoso que vocês fiquem sozinhos.

- Tá, pode ser, mas os pais da Layla não iriam deixar.

- Eu dou um jeito. Vamos comigo na casa dela.

- Tá, deixa eu trancar as portas. – Ele diz, enquanto desliga a TV, pega a chave e fecha a porta da frente – Vamos!

- Mas espera, vocês vão pra onde? – Jensen continua.

- Vamos atrás de mais informações sobre o que estamos enfrentando.

Os três entram no carro de Vanessa e vão até a casa de Layla. A campainha toca e Chelsea atende a porta.

- Oi garotos – Ela diz, dando um leve e doloroso sorriso. – Entrem.

- Oi, você está bem? – Vanessa pergunta – Francine me contou do acidente.

- É, eu também soube, sinto muito.

- Obrigada gente, eu estou bem – Ela sorri de verdade.

Elas sentam no sofá da sala, não tem ninguém em casa, os pais de Layla estão trabalhando durante a manhã. Layla desce as escadas.

- Oi Fran, oi Vanessa, oi Jensen – Ela fala, com uma voz fraca.

- Oi, preciso falar uma coisa – Francine diz, sem rodeios.

- Tá, pode falar.

- Vanessa e eu vamos viajar e eu queria pedir que vocês fossem dormir na casa do Jensen até eu voltar.

- Não sei se meu pai vai deixar – Ela diz.

- Você diz que vai dormir na minha casa.

- Se estivermos juntos, estaremos mais seguros – Jensen interrompe.

- Tá, pode ser, mas vocês vão viajar pra onde? – Layla pergunta pra Francine.

- Vamos pra Boston, o assassino da minha família foi condenado à morte lá.

- Como assim ele foi condenado à morte? Então porque está aqui? – Chelsea pergunta.

- É isso que vamos descobrir.

O celular de Francine toca, é sua avó. Ela atende o telefone enquanto Vanessa, Jensen, Chelsea e Layla tiram suas dúvidas sobre essa viagem.

- Onde está? – Lorna pergunta.

- Na casa da Layla, você já chegou? – Francine responde.

- Sim, o cliente não apareceu então eu voltei.

- Tá, já estamos indo.

- Não precisa.

- Precisa, Vanessa e eu temos uma coisa pra falar.

- Então tá.

Francine desliga o telefone e o guarda no bolso.

- Temos que ir – Francine diz – E então, vocês podem ir?

- Sim, mas quando? – Chelsea pergunta.

- Hoje mesmo se possível – Jensen responde.

- Tá, vamos falar com meus pais e eu vou à sua casa mais tarde – Layla confirma pra Jensen.

- Tá, precisamos ir agora, tchau – Francine diz e junto com Jensen, segue Vanessa até o carro.

- Tchau – Chelsea e Layla dizem ao mesmo tempo.

Eles param em frente à casa de Francine.

- Não se preocupe, eu vou cuidar delas – Jensen promete.

- Tá, obrigada por tudo – Francine agradece.

- Tchau – Jensen se despede e vai embora.

- Preciso ligar pra o Frank, pro Chuck e pra Dana.

Elas entram e encontram sua avó, sentada no sofá, assistindo, a expressão no seu rosto é de medo.

- Vó, chegamos.

- O que vocês queriam me falar? – Lorna pergunta.

- Ah, sim – Francine diz – Bem, eu e Vanessa decidimos viajar até Boston.

- Mas pra quê?

- O assassino foi condenado à morte lá, mas de alguma maneira, ele conseguiu fugir e agora está aqui.

- Isso é loucura! – Ela diz.

- Não é, eu preciso saber o que aconteceu ou mais pessoas vão morrer!

- Olha, pense bem sobre isso, é perigoso, e você pode acabar descobrindo coisas que não quer.

- Como assim? Você sabe algo que eu deveria saber?

- Não, é claro que não, só estou dizendo que é perigoso – Ela diz, abaixando a cabeça.

- Já está tudo pronto, nós iremos viajar nesta tarde, em algumas horas.

- Por favor, não vá! – Lorna pede.

- Não posso – Francine começa a chorar e sobe para o seu quarto. Vanessa vai atrás dela.

Elas chegam ao quarto e Francine se joga na cama.

- Por quê? Porque ele voltou? Porque está atrás de mim, não já conseguiu o que queria?! – Ela grita, exaltada.

- Fran, se acalme, você está fazendo a coisa certa – Vanessa tenta acalmá-la.

- Será? – Ela pergunta.

- É claro que sim. Olha só, nós vamos até Boston e vamos descobrir o que aconteceu com ele, e depois, vamos acabar com isso de uma vez por todas.

Francine olha para Vanessa e sorri.

- Não sei o que seria de mim sem você – Francine diz, enxugando as lágrimas.

- Nem eu – Ela brinca.

- Vá tomar um banho e se aprontar, vamos sair em meia hora.

- Tá.

Ela vai para o banheiro e fecha a porta, então se olha no espelho pela primeira vez em semanas, diferente de quando era criança, quando era vaidosa e cuidadosa. Agora, ela percebia profundas olheiras por noites em claro e também percebeu o quanto estava derrubada. Ela vai tomar um banho. Ao sair do banheiro, ela veste uma roupa limpa e Vanessa vai tomar o seu banho.

Meia hora depois, elas descem as escadas com uma mochila nas costas de cada uma. Lorna está sentada no sofá, chorando.

- Nós já vamos – Francine diz, com uma voz fraca, ela não queria magoar sua avó.

Lorna olha as duas e corre para um abraço em Francine, e depois surpreende Vanessa com um abraço.

- Cuidem-se! – Ela diz.

- Pode deixar, nós vamos – Vanessa responde.

- Não se preocupe vó, estaremos de volta na sexta – Ela sorri, se segurando para não chorar ali mesmo – Aqueles dois policiais irão ficar d e olho em você tá? – Ela diz, apontando para os dois policiais dentro do carro que percebem e acenam para ela.

- Tchau – Lorna diz, antes de Francine e Vanessa entrarem no carro e irem embora, rumo à Massachussetts.

Está anoitecendo, a mãe de Layla chega em casa e se depara com a filha sentada no sofá, com uma mala na mão, e a sobrinha, em pé, andando de um lado pro outro.

- Olá garotas – Ela diz.

- Finalmente você chegou! – Layla diz, levantando-se.

- O que aconteceu?

- Ah, nada, é que eu queria te avisar que Chelsea e eu vamos dormir na casa da Francine hoje.

- Ah, tá bom, mas porque as malas?

- Vamos passar alguns dias lá, ela viajou e pediu pra que a gente ficasse com a avó dela.

- Então tá, mas tenham cuidado.

- Ok – Chelsea confirma – Já vamos.

- Tá, tchau tchau – Ela diz, começando a ficar desconfiada – Está tudo bem?

- Tá sim – Layla diz, forçando um sorriso – Tchau mãe.

- Tchau – Ela diz, beijando a testa de Layla.

Chelsea e Layla saem carregando, desajeitadamente, as malas.

Francine liga o rádio do carro, está passando uma seleção de músicas de rock.

- Obrigado por tudo – Francine diz.

- Ah, só estou fazendo minha obrigação – Vanessa responde, e ambas soltam um sorriso.

Francine abre o vidro do carro e aproveita o ar fresco de Nova Iorque.

- O que exatamente vamos fazer lá? – Vanessa pergunta.

- Vamos conversar com Natasha Cloverfield, ela deve ter as informações que precisamos. – Francine responde.

- Como vamos descobrir onde ela mora? E se ainda está viva?

- Deixa comigo, eu já tenho uma ideia.

Vanessa olha para ela, desconfiada e com medo do que Francine esteja aprontando.

O som da campainha interrompe o filme de terror que Jensen estava assistindo. Ele vai abrir a porta.

- Oi garotas! – Ele diz, quando encontra Chelsea a Layla na porta.

- Olá! – Layla diz, aparentemente feliz pela primeira vez no dia.

- Oi Jensen – Por último, Chelsea cumprimenta.

- Entrem!

Elas entram na casa.

- Vamos lá em cima, vou mostrar onde vocês ficarão – Jensen faz um sinal com a mão para elas o seguirem.

Eles percorrem um corredor até chegar a um quarto totalmente arrumado e perfumado.

- Vocês ficarão aqui e eu vou dormir na sala – Jensen diz.

- Não Jensen, a gente dorme lá – Layla responde.

- Nem pense nisso! Vocês são minhas convidadas – Ele diz sorrindo.

- Já que insiste, rs – Ela responde, virando-se para analisar o quarto, era grande, perfumado e bem decorado, não parecia ser o quarto dele. – Esse é o seu quarto? – Ela pergunta, boquiaberta.

- É, não achou que eu era bagunçado né? – Ele responde, sorrindo. – Quando se mora sozinho, é preciso se virar!

As garotas colocam suas malas no chão e descem para a sala.

- Você é bem organizadinho, se a Francine não estivesse no jogo eu te pegaria – Chelsea brinca.

- Ah, o que? Não – Ele responde, envergonhado – Nós não temos nada.

- Você é tão sutil – Layla diz, enquanto senta no sofá.

- Enfim, hoje nós vamos ter pizza para o jantar, infelizmente, não tive tempo de preparar nada para o jantar.

Já são quase sete horas, Francine e Vanessa estão no carro, ouvindo música e conversando sobre garotos. Quando de repente, o assunto acaba e elas ficam em silêncio. Francine muda de assunto.

- Sei que não gosta de falar sobre isso, mas, porque você foi parar naquele sanatório – Ela pergunta. Vanessa nunca quis falar sobre isso, embora um dia tivesse dito que foi por causa de problemas envolvendo seu namorado. Francine sempre respeitou a decisão da amiga de não falar sobre isso, mas ela queria saber o porquê daquilo e a essa altura, nada mais poderia ser constrangedor. Vanessa ficou em silêncio e respirou fundo.

- Bem, há quatro anos, eu tinha um namorado, o nome dele era Matt, houve um incêndio em uma cabana onde eu e alguns amigos meus estavam, ele não conseguiu sobreviver – Ela abaixou a cabeça.

- Isso não é motivo para internar alguém – Francine diz.

- Bem, eu jurei que tinha visto alguma coisa, um homem, com uma garrafa de álcool e um isqueiro no lado de fora da cabana, a área foi revistada algumas vezes e a cabana também, mas nada foi achado, nenhum isqueiro, nenhuma garrafa e nenhum homem, eles acharam que eu era louca e então fui mandada pra lá. Eu devia estar louca mesmo – Ela diz, quando começou a lacrimejar.

Francine estava sem palavras, mas conseguiu se esforçar em consolar a amiga.

- Oh meu deus, eu sinto muito – Foi só o que ela conseguiu dizer.

- Obrigada – Ela enxugou as lágrimas – É por isso que eu não posso te deixar lutar sozinha, eu não aguentaria perder mais alguém.

- Você não vai perder ninguém tá? Nós vamos acabar com isso.

Vanessa levanta a cabeça e continua a dirigir, enquanto Francine encosta no vidro e tenta descansar um pouco.

A campainha da casa de Jensen toca, a pizza chegou. Layla vai abrir a porta e o garoto está lá, parado, com uma caixa de pizza na mão. Layla pega o dinheiro do bolso e entrega ao rapaz, que recebe e coloca a pizza nas mãos de Layla.

- Obrigado – Ele diz.

- Por nada — Layla responde, e fecha a porta, quando o garoto vai embora.

Ela joga a caixa de pizza sobre a mesinha no centro da sala e cada um pega um pedaço. Após terminarem de comer, o filme também termina e Chelsea se levanta do sofá.

- Preciso de uma toalha Jensen – Ela diz.

- Eu vou pegar pra você – Ele se levanta e sobe as escadas.

- Será que a Fran já chegou? – Layla pergunta.

- Acho que não, é uma viagem longa – Chelsea responde.

- Tá aqui! Uma pra você e uma pra você! – Jensen diz, jogando uma toalha para cada uma.

- Valeu! – Chelsea diz – Preciso tomar um banho.

- A porta no fim do corredor!

Chelsea vai em direção ao banheiro, tomar seu banho, deixando Jensen e Layla sozinhos na sala.

- E aí, como será que a Francine vai se sair? – Jensen pergunta, ficando sério.

- Eu não sei, não sei o que ela vai descobrir, mas vamos colocar nas mãos dela agora – Layla responde – Depois poderemos resolver isso.

- Ela vai conseguir, e em poucos dias nós vamos acabar com isso tudo tá?

- Tá.

A campainha toca novamente. Quem será? Layla pensa. Jensen vai atender a porta. Frank, Dana e Chuck.

- Oi – Jensen diz, que bom que vieram.

- Olá Jensen – Dana diz e logo depois Chuck e Frank cumprimentam.

- Entrem, por favor.

- Oi garotos! Que bom ver vocês! – Layla diz, abraçando cada um deles.

- Que bom que você está bem! – Frank diz.

- Porque nos chamou aqui? – Chuck pergunta.

- Eu chamei vocês aqui pra lhes alertar sobre o perigo que estamos correndo – Jensen começa – Tem alguém tentando nos matar aqui, e precisamos ter muito cuidado por onde andamos, evitem andar em lugares escuros, ou então sozinhos, pode ser muito perigoso!

- Eu sei, depois do que aconteceu comigo – Frank passa a mão na perna – Eu comecei a andar sempre com uma arma – Ele levanta a camisa e mostra uma pistola.

- Nossa! você não pode andar com isso! – Layla diz.

- Diante das circunstâncias, é preciso – Ele explica.

- O Frank tem razão Layla, estamos correndo perigo, e se ele quer nos matar, nós também queremos.

Ela faz um gesto de desgosto, mas aceita a ideia.

- Onde está o Jensen, ele não está com vocês? – Chuck pergunta.

- Está lá em cima, no banheiro – Chelsea responde.

- Nós precisamos de ajuda, não vamos conseguir acabar com ele sozinho – Dana sugere.

- Não podemos, temos que atrair o desgraçado até nós, se avisarmos à polícia, eles mandarão policiais pra ficar de olho na gente, e todos nós sabemos que a policia não faz nada que se aproveite – Jensen reclama.

Chelsea desce as escadas, e encontra a todos sentados no sofá, conversando preocupados.

- Oi galera! – Ela diz, enquanto penteia os cabelos.

- Oi Chelsea – Chuck diz, seguido de Dana e Frank.

- Qual o motivo da reunião? – Ela pergunta.

- Nossa segurança – Frank responde.

- Eu preciso ir gente, tchau – Dana diz, levantando-se do sofá e se dirigindo até a porta.

- Tchau, mas tenha cuidado tá? – Frank diz.

- Pode deixar! – Ela diz e vai embora.

A rua não está tão vazio, algumas pessoas ainda estão trafegando por ali. Dana anda até seu carro e pega a chave, ao apertar o botão para destravar o carro, ela não obtém resposta, aperta denovo, e denovo, e denovo e denovo, até que sem querer, aperta no botão de travar e o carro responde. Estava aberto.

- Droga! – Ela diz, desconfiada, então destrava o carro e o abre, revista o porta-luvas para verificar se não foi roubada, mas está tudo lá. Sorri, achando e pensando em como foi idiota. Você só esqueceu o carro aberto Dana. Estou muito preocupada, preciso relaxar. Talvez tenha esquecido de travar o carro antes de sair mesmo. Ela entra e fecha a porta, dando partida logo em seguida, mas antes que pudesse acelerar, é atingida por um pedaço de ferro nas têmporas e desmaia.

- Já é tarde, preciso ir – Frank diz para Jensen, Chelsea e Layla. Chuck já havia ido embora – Vocês vão ficar bem?

- Vamos sim – Layla diz – Pode ir.

- Boa noite – Chelsea diz.

- Tchau Frank – Jensen faz um sinal de despedida com a mão.

Frank vai embora, andando pela rua vazia, já que seu carro está na oficina, a noite está fria, então ele coloca as mãos no bolso do casaco e continua a andar. Olha para trás algumas vezes, achando estar sendo observado. Frank anda alguns metros até chegar ao estacionamento de um grande supermercado, por onde ele passa todos os dias para chegar ao ponto do ônibus, ele olha para frente do grande prédio e continua a andar, até perceber um único carro no final do estacionamento. Um Mustang. O carro de Dana. Ele acha estranho, O que a Dana estaria fazendo aqui? Então decide ir perguntar, ao se aproximar do carro, consegue ver Dana lá dentro, com a cabeça baixa, então ele bate no vidro algumas vezes até ela acordar. Está com um corte enorme na testa e com uma fita acinzentada cobrindo sua boca e suas mãos amarrada a algum lugar atrás do banco da frente. Ele tenta abrir a porta.

- Oh meu deus, Dana! – Ele grita, enquanto desesperado, tenta abrir a porta. – Eu vou quebrar o vidro!

Ele tira a camisa e enrola na mão, quebrando o vidro do carro logo em seguida.

- Está tudo bem, eu estou aqui – Ele diz, e logo após tira a fita da boca dela, mas se surpreende ao ouvir, ao invés de um agradecimento, um grito desesperado.

- É uma armadilha! É uma armadilha! – Ela grita, chorando histericamente, até que Frank percebe um homem de máscara os observando de longe, ele aperta um simples botão e em frações de segundos, tudo vai pelos ares, Frank é arremessado pra longe com a força da explosão do carro e cai no chão do estacionamento, totalmente machucado, ele só tem tempo de ver o que sobrou do carro em chamas e algo que seu cérebro entendeu como o que sobrou do corpo da sua amiga, fragmentos horríveis e irreconhecíveis da pessoa que há algumas horas, estava sentada em um sofá, conversando com ele sobre o perigo que eles estavam correndo, agora – ironica e infelizmente – ela não sofria mais nenhum perigo, pois estava morta, em fragmentos carbonizados, bem na sua frente. Antes que pudesse se torturar porque não pôde fazer nada, ele é acertado por um enorme pedaço de ferro ensanguentado.