Desconhecido
11 Capítulo 10 - Guarde Um Segredo
Francine e Vanessa continuam a viagem, totalmente entediadas, mas logo abrem um sorriso ao ver uma placa. Boston 10 km. Depois de quase 4 horas de viagem, elas finalmente estavam chegando ao local onde Francine descobriria o que precisava saber sobre o assassino da sua família. Depois de alguns minutos seguindo a interestadual, finalmente conseguiram ver de longe, a bela cidade, brilhando como uma estrela, com seus arranha-céus que parecem ser infinitos e o barulho dos motores dos carros a todo vapor, já era mais de onze horas, mas a cidade ainda parecia estar bem acordada.
Elas andaram pela cidade por alguns minutos, admirando-a e procurando onde ficar, até que encontraram.
- Veja, um motel! – Vanessa disse entusiasmada, enquanto apontava para um hotelzinho no – Vamos fica ali.
- Vamos, estou exausta.
Ela faz um desvio e entra no humilde estabelecimento, ao estacionar, as duas saem do carro com suas mochilas nas costas e entram na recepção. Uma simpática velhinha interrompe sua novela e as atende.
- O que desejam? – Ela pergunta.
- Queremos um quarto – Vanessa responde.
- Mas é claro, é isso que estão fazendo aqui, rsrs – A bem-humorada velhinha brinca, então pega uma chave dourada com um chaveiro vermelho pendurado com um número oito.
Francine vai até a janela do estabelecimento e vê os quartos, todos pintados com um mesmo vermelho-sangue e iluminados por algumas luzes na parede ao lado da porta. Depois ela olha uma garotinha, saindo da loja de conveniência do posto ao lado cheia de doces nas mãos, o pai dá um beijo na filha e ela entra no carro. Francine sorri. Aquela garota sabe a sorte de ter um pai amoroso, assim como ela sabia.
- Vamos! – Vanessa a assusta.
- Ai que susto! – Ela diz, colocando a mão sobre o peito – Vamos.
As duas saem da recepção e esbarram com uma mulher loira carregando um bebê e seu marido carregando as malas. Vanessa segura a porta para a mulher entrar.
- Obrigada – Ela diz, sorrindo, então entra.
Francine e Vanessa se dirigem até o quarto de número oito, ela abre o humilde quarto e elas entram e jogam suas mochilas na cama, enquanto analisam o quarto, tem um papel de parede floral, com duas camas de solteiro separadas por um abajur cor de carne, em cima de uma mesinha.
- Preciso tomar um banho – Vanessa diz, e vai até o banheiro, levando uma roupa limpa com ela.
Francine se deita um pouco na cama, pensando se fez a coisa certa em ir até Boston, pensando em como estão seus amigos e sua avó. Elas precisam ser rápidas, quanto maior for o tempo que ela passar longe, maior será o perigo que eles correrão. Depois de alguns minutos Vanessa sai do banheiro.
- Sua vez – Ela diz, enquanto pega uma escova dentro da mochila e começa a penteá-los.
Francine entra no banheiro, analisando-o.
- Não tenha medo, princesa, não tem nenhum monstro ai dentro – Vanessa brinca e Francine dá um leve sorriso. Logo após entra e tranca a porta. Despe-se lentamente e liga o chuveiro. Água gelada. Enquanto isso, Vanessa se preparava para dormir, se remexeu pra lá e pra cá até achar uma posição confortável, e quando achou, lentamente fechou os olhos e caiu no sono.
- Não foi tão ruim – Francine brinca, mas percebe que sua amiga não está ouvindo – Ah, dormiu, e é o que eu vou fazer também, amanhã será um longo dia – Ela conversa sozinha, então se deita, desliga o abajur e também dorme.
Quinta à noite. Os policiais estavam preocupados, com a explosão vinda do leste que ouviram há alguns minutos, não parecia uma explosão de uma mísera bombinha de adolescentes, era algo grande.
- Vamos saber o que foi! – Um dos policiais diz, pegando a pistola e guardando em um compartimento perto do bolso – Se forem aqueles moleques denovo, vou falar com os pais de todos eles.
Três policiais saem em disparada, entram em uma viatura e correm para o leste, de onde julgam ter vindo a explosão. Preferem não ligar as sirenes para não acordar as pessoas, mas é impossível alguém ainda estar dormindo com um barulho tão alto que foi o da explosão. Eles viram a terceira esquina e percebem fumaça no céu, a julgar pelo ângulo e o cheiro, parece estar vindo de perto. Quando viram a última esquina, se deparam com o fogo, um carro em chamas no estacionamento do supermercado. Eles descem correndo do carro e andam até o local, encontrando no chão, um garoto se levantando. Ele está todo machucado um pouco queimado na região do abdômen. Ao ver os policiais chegando, Frank esconde sua pistola na parte de trás da calça.
- Garoto! O que aconteceu? Você está bem? – Um dos policiais pergunta.
- Um pouco – Ele se esforça para dizer.
- Tinha alguém naquele carro? – O policial volta a perguntar.
- Tem um corpo aqui! – Outro policial responde mais rápido.
- Leve-o até o hospital! – Ele ordena e o outro policial leva Frank até a viatura, então acelera e vai embora.
Layla acorda aos poucos, assustada com as sirenes.
- Oh meu deus, o que aconteceu? – Ela pergunta para si mesma e então sai do quarto, descendo as escadas e olhando pela janela, a viatura passar como uma bala.
- O que aconteceu? – Jensen pergunta, esfregando os olhos.
- Não sei – Ela responde, com um pouco de preocupação.
- Volte a dormir, amanhã descobrimos – Ele sugere e ela aceita, subindo as escadas logo em seguida.
Jensen volta a dormir, e Layla permanece acordada por alguns minutos, preocupada com o que pode ter acontecido e então volta a dormir.
No dia seguinte, Layla é a primeira a acordar, desce as escadas e bebe um pouco de água, sentando no sofá logo em seguida. Ela volta a pensar no que aconteceu ontem, então é surpreendida por Chelsea.
- Bom dia – Ela diz.
- Bom dia – E Layla responde.
- O que aconteceu? – Ela percebe a preocupação estampada no rosto da prima.
- Um carro de polícia passou por aqui correndo ontem, por volta da meia-noite. Eu estou preocupada.
- Não precisa, acho que foi só os adolescentes se dando mal por soltar bombas.
- Você também ouviu?
- O que? A bomba? Sim, um pouco antes da meia-noite, devem ter sido eles.
- Não, eles não soltariam apenas uma.
- Ah, esquece isso.
- Bom dia garotas – Jensen diz, descendo as escadas.
- Bom dia – Chelsea e Layla respondem.
- Dormiram bem? – Ele pergunta.
- Como um anjinho – Chelsea responde, mas Layla fica em silêncio.
- Ainda preocupada?
Ela não responde nada, apenas olha para ele, exalando medo nos seus olhos.
- Nós vamos ficar bem, aquilo não foi nada – Chelsea diz, abraçando-a.
- Não sei...
Francine acorda com a claridade do dia atravessando de leve, as finas cortinas do quarto. Ela olha no celular, já são quase oito horas.
- Vanessa, acorde – Ela levanta da cama e diz no ouvido da amiga, cutucando-a logo em seguida.
- Ai, que horas são? – Ela pergunta, quase dormindo novamente.
- São oito horas, precisamos ir!
Francine vai até o banheiro, onde escova os dentes. Depois de prontas, as garotas saem do quarto e se dirigem até a recepção, onde encontram a doce velhinha novamente, desta vez, ela está lendo uma revista.
- Bom dia garotas, dormiram bem? – Ela pergunta, com uma simpatia contagiante.
- Muito – Francine responde, achando-a engraçada.
- Aqui está a chave – Vanessa entrega.
- Ah, mas já vão embora?
- Sim, estamos aqui para resolver uns problemas – Vanessa responde.
- Ah, então tá, voltem sempre – Ela se despede e as duas vão embora com suas mochilas nas costas.
Vanessa destrava o carro e elas entram.
- Para onde vamos agora? – Ela pergunta.
- Para a penitenciária federal de Boston – Ela responde, mostrando o local no GPS do celular.
Vanessa dá partida no carro e elas vão embora.
Tédio. A palavra que define a manhã de Jensen, Layla e Chelsea.
- Porque não podemos ir à escola? – Ela pergunta.
- Porque estaríamos colocando os outros em perigo – Jensen fala, observando o movimento na rua pela janela – Somos alvos fáceis lá. E pelo menos aqui, temos como se defender.
Um telefone toca.
- É o meu! – Layla diz, quando o pega em cima da mesinha da sala e atende.
Jensen percebe quando o sorriso no rosto de Layla ao falar com a pessoa desaparece de repente.
- Oh meu deus! Estamos indo agora! – Ela diz, enquanto pega sua bolsa na estante da sala – Tchau!
- O que aconteceu? – Chelsea pergunta, preocupada.
- O Frank tá no hospital – Layla responde.
- Mas por quê? – Jensen pergunta.
- Eu não sei, a mãe dele só pediu pra gente ir no Saint Barbara.
- Então vamos lá, vou ligar para um táxi – Diz Jensen, enquanto eles saem de casa e ele tranca a porta.
- Não precisa, tem um ali – Chelsea diz, acenando para o motorista.
Ele para, eles entram e informam o destino da corrida. Ao chegar, eles descem o táxi e Jensen paga o motorista, e logo em seguida, eles entram. Ao chegar ao quarto, encontram Frank deitado numa cama com a barriga extremamente ferida. Layla corre até ele.
- O que aconteceu? – Ela pergunta.
Se segurando para não cair em lágrimas, ele abaixa a cabeça.
- Dana – Ele tenta falar, mas as lágrimas o impedem de terminar a frase.
- O que aconteceu? – Jensen começa a ficar mais preocupado.
- Ela morreu – Ele finalmente desaba em lágrimas, enquanto os outros ficam chocados com a notícia.
- Oh meu deus – Chelsea diz.
Layla não consegue dizer nada, apenas fixa seus olhos lacrimejantes na ferida de Frank e logo após coloca a mão no rosto, começando a chorar logo em seguida.
- Não pode ser verdade – Jensen diz, tentando não acreditar no que acabara de ouvir.
- Mas é – Frank continua.
- Desgraçado! – Jensen grita, chutando uma mesa com algumas ferramentas médicas.
- Calma Jensen! – Chelsea tenta acalmá-lo segurando em seus ombros, enquanto Layla continua a chorar sentada em uma cadeira ao lado de Frank.
- Mas o que aconteceu? – Chelsea pergunta.
- Ele armou uma cilada, colocou uma bomba no carro dela, e quando eu cheguei perto, explodiu – Ele fala, enquanto seus olhos brilhantes pelas lágrimas se fixavam no rosto dela.
- Porque ele está fazendo isso!? – Layla grita – Por que!?
- Layla por favor, acalme-se – Frank pede, mas não consegue sucesso.
- Eu não posso me acalmar enquanto esse desgraçado estiver por ai! – Ela grita – Precisamos chamar a polícia.
- Não! Isso colocaria mais pessoas em perigos, eu já sei o que vamos fazer – Jensen diz.
- Esse plano já foi longe demais, está ficando perigoso, vamos chamar a policia – Chelsea sugere.
- Não, ele tem razão, eu já tenho uma ideia, eu vou enfrenta-lo, assim que eu sair daqui, eu vou mata-lo sozinho! – Frank fica furioso.
- Nós vamos mata-lo – Jensen diz.
- Não! – Layla diz.
- É preciso, mas não se preocupe, ficaremos bem, mas precisamos saber onde ele está.
Todos ficam em silêncio por um momento e Layla volta a chorar, ainda não consegue aceitar a morte de Dana e apesar de estar furiosa, não pode deixar Frank e Jensen se arriscarem assim.
Francine e Vanessa chegam ao local desejado, um grande presídio de segurança máxima.
- Teria que ser muito perigoso e ágil pra fugir daqui – Vanessa diz, enquanto analisa o local.
- É, algo nessa história não me cheira bem – Francine diz, descendo do carro.
- O que vamos fazer?
- Pedir informações.
Francine começa a caminhar até a entrada, e Vanessa a acompanha. Ao chegar lá, dão de cara com alguns guardas na entrada. Francine pensa no que falar se eles perguntarem o que elas foram fazer lá. Droga, droga, droga, o que eu digo?
- O que desejam? – Um deles pergunta.
- Eu vim visitar meu primo – Ela responde, forçando uma cara tristeza.
Para a surpresa das duas, nenhum deles pergunta nada.
- Sigam até a recepção, bem ali – O mesmo guarda, diz, apontando para uma porta grande, a entrada da penitenciária.
- Que droga de segurança, hein – Vanessa sussurra, enquanto elas caminham pela pequena estrada que leva ao prédio.
Francine dá um leve sorrisinho e então elas chegam à recepção. Uma mulher ruiva de aparentemente uns 35 anos as atende.
- O que desejam? – Ela simpaticamente pergunta.
- Preciso de algumas informações, é muito importante – Francine responde.
- E o que é tão importante para uma jovem como você?
- Eu preciso saber sobre um homem, que esteve aqui há alguns anos. Matthew Hichbury.
- Infelizmente, não posso oferecer essas informações a vocês, são as regras sabe? – Ela diz, tentando ser o menos rude possível.
- Bem, nós precisamos muito muito muito saber – Vanessa coloca sobre o balcão um anel com uma grande pedra no centro, e a mulher a encara com um olhar sério – Vale mil dólares – Ela continua.
- Vou fazer isso porque acredito na sua amiga – Ela diz, olhando com raiva para Vanessa e pegando o anel do balcão.
- Venham comigo – Ela diz, verificando se não há ninguém as observando e depois entra em uma porta atrás do balcão.
Elas seguem por um corredor e finalmente chegam a uma porta com uma placa vermelha. Proibida a Entrada de Visitantes. A mulher olha para os lados para verificar novamente se alguém as observa e saca uma velha chave do bolso e abre a sala. Lá dentro, Francine e Vanessa se surpreendem com a quantidade de estantes com caixas que há no local.
- Porque querem saber sobre Matthew Hichbury? – A mulher pergunta, enquanto anda por uma das fileiras entre as estantes.
- Sou uma parente distante – Francine responde – Espera, você o conhece?
- Não, mas conheço a ex-namorada dele, pobre coitada.
Francine e Vanessa se entreolham.
- Natasha Cloverfield? – Francine pergunta.
- Sim, ela mesma – A mulher responde.
- Por que você disse pobre coitada?
- Bem, ela amava o namorado, estavam noivos e iam se casar no ano em que os crimes aconteceram.
- Que Pena!
- Harvin, Hall, Heaps, Hichbury… Aqui! – Ela diz, quando acha o nome do sujeito dentre os arquivos. Ela puxa a pasta com as informações sobre ele e abre. – Tá aqui, Matthew Allen Hichbury. Condenado à morte em 13 de agosto de 2007.
- Mas ele foi realmente morto? – Ela pergunta.
- Sim – A mulher responde, mostrando para Francine, as fotos da execução – Foi executado uma semana após ser condenado.
Francine estremeceu por dentro, como assim ele estava morto? Se não é ele quem está matando, quem é? Vanessa e ela se entreolham por alguns segundos.
- Oh meu deus – Vanessa sussurra para si mesma.
- Você disse que era amiga da Natasha, você sabe onde ela mora atualmente? – Francine pergunta.
- Ah sim, mora no centro da cidade – A mulher responde.
- Você pode me dar o endereço dela?
- Por quê?
- Eu preciso saber mais sobre Matthew, e ela é a pessoa certa para me contar.
A mulher olha para ela, desconfiada.
- Por favor! – Francine implora.
Depois de alguns segundos encarando-as, a mulher saca uma caneta do bolso e anota na mão dela, um endereço. Rua Newton, 18, Apt. 27.
- Se aprontarem alguma, eu pego vocês – Ela ameaça, olhando nos olhos de Vanessa.
- Obrigada – Francine agradece e as duas vão embora.
Enquanto caminham a pequena estrada até o portão principal, elas conversam.
- O que está acontecendo? – Francine pergunta – Se ele está morto, quem está nos ameaçando?
- Eu não sei, mas é melhor descobrirmos rápido – Vanessa responde.
- Vamos – Francine diz, enquanto olha o endereço dado pela recepcionista.
As duas saem pelo grande portão de ferro da entrada principal e um dos guardas encara as duas de maneira intimidadora. Vamos embora logo, Francine pensa. As duas entram no carro e Vanessa liga o carro.
- Onde é essa Rua Newton? – Ela pergunta.
- Bem, estamos aqui, e a Rua Newton é aqui – Francine diz, enquanto se concentra no GPS – Vamos pegar a rodovia – Ela diz, apontando para a grande pista ao leste delas.
Vanessa acelera o carro e elas vão embora da penitenciária. Francine não para de pensar no que ouviu. O assassino da sua família já estava morto, mas alguém estava perseguindo ela e seus amigos, e ela não tinha ideia de quem poderia ser.
- Entra aqui! – Ela grita, quando percebe que quase iam passar direto pela entrada. Ela confere no GPS e então confirma – É por aqui!
Vanessa entra no desvio e elas descem do viaduto. Após dirigirem por algum tempo, elas finalmente acham. Rua Newton, sinalizava a placa verde. Elas estacionam o carro e descem, e logo em seguida, analisam os prédios. Francine finalmente o acha, olha na sua mão suada o endereço e confirma.
- É ali! – Francine aponta para um grande prédio vermelho à frente delas.
- Finalmente... Vamos! – Vanessa diz, puxando a mão de Francine, olhando para os lados e atravessando a rua.
Elas dão uma olhada no prédio, Francine respira fundo e elas entram. Na recepção, não encontram ninguém. Quando se preparam para chamar alguém, um homem de idade sai de dentro de uma sala atrás do balcão.
- Oi moças, o que desejam? – Ele pergunta.
- Nós queremos falar com uma pessoa – Francine responde – Natasha Cloverfield.
- E quem é você?
- Florence Cloverfield – Ela responde, o nome da sua cantora preferida foi o primeiro que veio na sua cabeça – Sou prima dela.
- Espere um segundo, vou avisá-la.
- Não precisa! Eu quero fazer uma surpresa, cheguei de viagem um dia antes do que ela espera e quero surpreendê-la! Por favor.
Ele olha um pouco para elas, desconfiado, mas depois alguns segundos as encarando, ele permite que elas subam.
- Apartamento 27! – Ele grita – Fica no terceiro andar.
- Obrigada! – Ela responde – Enquanto as duas entram numa sala com uma placa na porta. Escadas.
Após subirem dois andares, elas percebem uma placa que indica o terceiro andar e então entram na porta. Se deparam com um corredor bem iluminado, e logo começam a procurar o apartamento. Elas seguem pelo corredor, verificando os números das portas dos apartamentos. 24... 25... 26... E finalmente, 27. Elas param diante da porta de madeira brilhante com o número 27 cravado na parte superior.
- É aqui! – Francine diz, confirmando ao olhar na sua mão.
Vanessa toca na campainha.
- O que vamos dizer? – Ela pergunta.
- Não pensei nisso ainda – Francine responde.
- Droga!
Uma mulher atende a porta. É loira e bela, devia ter uns 40 anos.
- Você é Natasha Cloverfield? – Francine pergunta.
- Sou sim – Ela responde, e tira o sorriso do rosto – O que aconteceu?
- Olha, isso vai parecer estranho, mas eu preciso falar com você.
- Sobre o que? – Ela parece preocupada.
- Sobre Matthew Hichbury – Francine responde.
Automaticamente ela coloca no rosto uma expressão de raiva.
- Desculpe, eu não posso te ajudar! – Ela tenta fechar a porta, mas Vanessa coloca o pé, impedindo.
- Olha, por favor, é muito importante!
- E-e-eu não posso, ajudar, sinto muito – Ela gagueja e fecha a porta.
- Droga! – Francine diz.
- E agora, o que fazemos?
- Bem, vamos embora, não há mais o que fazer, alguém está nos perseguindo e nós ao menos sabemos quem ele é! – Ela diz, e depois chuta um carrinho com produtos de limpeza no corredor.
Quando se preparam para descer as escadas, elas ouvem um som, uma porta se destrancando. Elas olham para trás e lá está Natasha, parada no corredor.
- Esperem! – Ela diz – Vamos entrar.
Francine e Vanessa voltam e as três entram no apartamento, é arrumado e espaçoso.
- Sentem-se por favor – Ela diz, indicando um dos sofás, sentando-se no outro logo em seguida.
- Obrigada – Francine responde.
- Eu ouvi vocês dizerem que alguém estava perseguindo vocês, e vocês acham que é o Matthew?
- Sim, quer dizer, não, acabamos de descobrir que ele está morto.
- É verdade, mas porque ele estaria fazendo isso?
Francine olha para Vanessa e decide contar a verdade.
- Bem, eu sou a única sobrevivente da chacina que ele cometeu – Francine começa.
- Oh meu deus – Natasha cobre a boca com a mão.
- E agora alguém está me perseguindo, no começo eu achava que poderia ser ele, mas ele está morto, então acho que você pode me ajudar. Preciso saber sobre as pessoas próximas dele, alguém da família talvez...
- Bem, só ele morava aqui, toda a família é da Inglaterra.
- Ele tinha algum amigo próximo?
- Espera um pouco, na verdade, ele tem um filho!
Francine olha para Vanessa.
- Um filho? – Francine pergunta – Com você?
- Não, não – Ela sorri – Quando nos conhecemos, o filho dele já era um adolescente. Nós não chegamos a ter um filho, estávamos planejando, até que tudo aquilo aconteceu – Ela abaixa a cabeça.
- Ah, desculpa.
- Não precisa se desculpar – Ela sorri – E sabe de uma coisa? Eu sei onde o filho dele mora!
Ela se levanta e pega um bloco de notas e uma caneta dentro de uma gaveta do móvel onde ficava a TV.
- Eu não sei se ele ainda mora lá, não tenho falado com ele desde aquele dia – Ela diz, referindo-se ao dia da execução de Matthew e logo após, anota o endereço em um papel, e logo após entrega o papel à Francine. Rua Rudolph, 23.
- Obrigada – Francine guarda o papel no bolso – Qual é o nome dele?
- Phillip.
- Muito obrigada novamente! Desculpa ter te atrapalhado, e principalmente ter te assustado – Ela sorri.
- Não precisa se desculpar – Ela sorri de volta.
Francine e Vanessa levantam-se e se dirigem até a porta.
- Boa sorte – Ela deseja, antes de fechar a porta.
- Obrigada – Francine responde.
No carro, elas conversam.
- Bom, já temos algumas pistas, vamos falar com esse tal de Phillip – Vanessa diz, e depois liga o carro e elas vão embora.
Rua Rudolph, a placa verde pendurada num poste na esquina avisa que elas chegaram.
- Vamos logo! – Francine diz, saindo do carro depois que Vanessa o estaciona.
- Vamos, é ali! – Vanessa aponta para um pequeno prédio amarelo.
Antes de entrarem, elas veem um garoto saindo de skate de dentro do prédio.
- Ei garoto! – Francine aborda o menino – Você conhece alguém chamado Phillip?
- Phillip Hichbury – Vanessa completa.
- Ah, conheço sim, até acho ele meio perturbado, rs – Ele responde.
- E qual o número do apartamento dele?
- Ele não mora mais aqui, se mudou há mais ou menos um mês
- Tá, valeu! – Vanessa diz e elas se dirigem à portaria do prédio, enquanto o garoto sai andando pela rua no seu skate.
- Um mês. Foi quando foi morar na casa da minha avó, tudo faz sentido.
- Pode ser, mas é improvável, ele deve ser apenas um garotinho
- Não, Natasha disse que quando ela conheceu Matthew, o filho já era um adolescente, então ele deve ter uns 20 ou 25 anos, dependendo de quando ela conheceu Matthew.
Elas entram na portaria e encontram um homem sentando em uma cadeira giratória, assistindo a um jornal de notícias.
- Com licença senhor, precisamos de uma informação, você pode nos ajudar? – Francine diz.
- Mas é claro, o que quiserem – Ele simpaticamente responde.
- Nós queremos saber se você conhece Phillip Hichbury, ele morou aqui, se mudou há um mês eu acho.
- Ah, claro, Hichbury, era um homem meio reservado.
- Você sabe me dizer para onde ele foi?
- Na verdade, sei sim – O homem começa – Ele foi morar em Nova Iorque, no Bronx.
Francine estremece, e sente um mal estar tomando do seu corpo, é o bairro onde ela mora.
- Oh meu deus – Ela diz, enquanto Vanessa fica em choque.
- Precisamos ir agora, obrigada tá – Vanessa finalmente fala alguma coisa e segura a mão da amiga – Vamos embora.
As duas seguem correndo e entram no carro, Vanessa liga e elas vão embora, rumo à Nova Iorque.
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