Descongelando um coração
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Elsa caminhava pelos corredores do castelo, quando viu Hans ajoelhado, esfregando o chão. Seu coração se acelerou e ela se escondeu atrás de uma porta, sem entender ao certo o motivo de seu nervosismo repentino. Envergonhada pelo movimento patético, Elsa voltou para o corredor e o cumprimentou. Ele levantou constrangido, quase tropeçando no próprio pé.
– Rainha Elsa, bom dia!
Ela sorriu ao ouvir seu nome.
– Vai bem?
– Sim, vou... e a senhora... você?
– Bem.
Um silêncio constrangedor se seguiu por alguns segundos.
– E sua irmã?
– Anna está bem, muito obrigada. Ela está muito feliz, já recebi diversas cartas suas. Agora ela me disse que vai para uma das Ilhas do Sul, a convite da duquesa, esposa do príncipe Gustave, para passar alguns dias e depois já estará de volta ao castelo.
– Nas Ilhas do Sul? Mas... – Hans sentiu ódio de seus irmãos por parecerem tão gentis à realeza de Arendelle, enquanto ele era o renegado.
– O Principe Hans, eu sei. Me preocupa um pouco saber disso, mas acho que Anna pode se cuidar sozinha. Qualquer coisa Kristoff irá protegê-la.
– Você não acha que o príncipe tentará alguma coisa... – ele queria testar o medo e ódio que Elsa sentia dele.
– Não, ele está exilado. E Hans pode ser egoísta, ambicioso e narcisista, mas não acho que fará alguma bobagem. Quem sabe ele não aprendeu sua lição?
– Então você o perdoou? – Hans sentiu um misto de surpresa e alegria que não soube explicar.
– Não o condeno por tentar me matar. Até o perdoei, de certa forma... – ele suspirou aliviado – Mas o que fez com Anna... Ela é uma garota ingênua e ele se aproveitou. Ele a enganou e... o resto foi minha culpa. Eu quase a matei e ele poderia tê-la salvado. Ele não a amava, eu sei, mas se ele não fosse tão egoísta, tão presunçoso ele teria a amado. Ela é a garota mais doce de todos os reinos... Mas acho que quem quase matou minha Anna fui eu, não ele.
– Não foi sua culpa. Nada daquilo foi – ele quis abraça-la – a culpa foi mi...
– Minha. Você sabe mais que ninguém o que eu posso fazer com meus poderes. Eu fiz você perder sua mãe – Elsa abaixou o rosto, tentando segurar uma lágrima que estava prestes a escapar.
– Não... não diga isso — ele levantou o queixo dela – Você é a pessoa mais encantadora que já conheci... você é esperta, bonita, forte e... frágil ao mesmo tempo.
Ele foi se aproximando sem perceber. O coração de Elsa batia forte demais no peito e as mãos da rainha começaram a congelar. Ela as encostou na parede, assustada, se afastando dele. Flocos de neve cairam sobre eles, mas nenhum dos dois percebeu a mudança de temperatura. Hans queria beijá-la, sentir seus lábios e segurou sua cintura com doçura, mas firme. Eles se aproximaram, os olhos fixos um no outro, sem coragem ou vontade de se afastarem.
– Elsa! – era uma garota ruivinha e atrapalhada os encarava, parada no meio do corredor, um tanto boquiaberta.
Os dois se surpreenderam. Hans se afastou rapidamente de Elsa, como se despertasse de uma espécie de transe e ela transformou sua fisionomia para esconder suas emoções, enquanto continha alguns flocos de neve que ainda flutuavam pela sala.
– Olá Anna! Eu não sabia que tinha chegado – Elsa encarava o chão.
– Acabei de chegar – Anna sorriu maliciosamente.
– Este é Victor, um amigo.
– Muito prazer – Anna reverenciou, sorrindo para sua irmã.
– E onde estão os outros, gostaria de vê-los.
– No salão, eu os deixei porque queria te fazer uma surpresa. Achei que você ia gostar, porque eu sei o quanto você se sente sozinha e eu senti muitas saudades de você...
– Acho melhor ir vê-los também, não é? Obrigada, Victor, pela conversa – Elsa segurou o braço da irmã e saiu, aflita.
Hans apenas reverenciou. Tocou de leve seus lábios, que ainda formigavam com o desejo de beijar Elsa. Suspirou irritado e voltou a esfregar o chão com raiva. Ele estava sendo seduzido, enfeitiçado, mas era seu fraco pelas mulheres falando mais alto de novo. Elsa tinha belas curvas, principalmente naquele lindo vestido azul, e sua fraqueza eram as mulheres bonitas. Porém, havia algo mais em Elsa, algo que superava a beleza e a atração.
– O que Elsa está fazendo comigo?
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