Desconcerto
1 Desconcerto
Vinha caminhando rapidamente pelas ruas, como se nunca estivesse ali antes. Pelo menos não à noite.A pequena e escura via do Le Rose parecia uma cena de filme de terror. A pouca iluminação culminava em uma escuridão quase que blindada de visão. Do lugar sons pequenos e distantes formavam a trilha da sua andança até sua casa. Com o suor que descia de seu rosto, era tempo de calor por lá.
Takashi começou a correr ao escutar passos que seguiam suas costas. Mas ao chegar a um beco sem saída, sem muito que fazer, fora obrigado a virar e ficar cara a cara com seu perseguidor. Ao ver metade de seu rosto, deixou cair a pasta azul que carregara na mão.
- Por favor. Eu não tenho dinheiro! – disse Takashi trêmulo.
A faceta escondida se mexeu em um sorriso.
- Eu não quero lhe roubar...
- Ah não?
- Não. Você parece perdido. – falou o misterioso rapaz.
- Sim. Estou. – disse Takashi apanhando a pasta.
- Quer ajuda?
- Bem...
- Ah claro que não... Porque confiar em um estranho. – o interrompeu.
- Eu não ia dizer isso. Só quero achar o caminho de casa.
- Mas como você não sabe onde é sua própria casa?
- Eu... Não sei.
O rapaz se aproximou mais e seu rosto ficou mais aparente. Depois ele simplesmente abriu a boca e começou a cantar.
- Noite fechada, noite bonita, mais que graça, quem acreditaria? Um cara sem lar, sem saber como chegar lá...
E dançando em sua volta, o misterioso continuou a cantar. Takashi não acreditava no que estava acontecendo. Era surreal demais aquilo tudo.
E quando o silêncio finalmente voltou. Takashi começou a rir.
- Desculpe... Hahaha... Isso foi inédito.
- Como ousa rir de um artista? – perguntou irritado o rapaz.
- Louco... – falou baixinho ele.
- Louco eu? Escutei o que disse. Então procure sua casa sozinho!
- Espere... Eu não queria ofender. Qual o seu nome?
- Eu não sei. – disse o estranho.
- Não sabe! Mas é o seu nome!
- E o que me diz da sua casa! Também não sabe onde ela fica!
Aquele papo maluco estava deixando Takashi irritado, foi então que lhe surgiu a idéia.
- Vamos fazer o seguinte. Você descobre onde fica minha casa e eu o seu nome.
- Eu acho que... Hum... Pode ser.
Os dois começaram a se olhar e Takashi sentiu algo estranho. Como se aquela loucura estivesse escrita. Takashi começou a andar na direção contrária enquanto o estranho o seguia. E em poucos instantes se viu na porta de sua casa.
Foi então que se dera conta que na verdade sempre soubera disso. Sua mente havia ficado confusa com a presença do estranho. Depois de se “encontrar” de novo, despediu-se e entrou em casa.
- Espera.
- O que foi?
- Havia me prometido que me diria meu nome!
- Mas... Eu já sabia onde minha casa ficava.
- Hum... Está bem. – disse o estranho indo embora.
Ao entrar na casa, Takashi tirou os sapatos, vestiu algo confortável e deitou-se em sua poltrona. Depois ao olhar pela janela, pode ver que não havia ninguém do lado de fora.
Mas... Como ele chegara em casa tão rápido? Seria um sonho?
Isso nem ele soube responder. Mas no outro dia acordou no seu sofá com o sol em seu rosto e seguiu para mais um dia de trabalho. O velho manicômio a algumas quadras dali.
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