Descobrindo o que é Amar

29 A Realidade de um Sonho Estranho – Capítulo 29


Agora eu estou namorando. Estranho! Ou melhor, inesperado; mas é bom. Estou feliz de estar em um namoro com o Gabriel. É uma etapa bem importante em nosso relacionamento. Acho que agora é curtir e aproveitar esse momento especial!

O final do domingo com ele foi bem legal, tomamos todo o pote de sorvete e demos alguns beijinhos gelados.

Como já estava quase escurecendo, demorou pouco e minha mãe foi me buscar.

Quando cheguei em casa, jantei com minha família e fui direto para o quarto. Não tomei, nem ia tomar banho naquela noite. Eu queria preservar tudo que aconteceu naquele dia, inclusive o perfume dele em minhas roupas, em minha pele.

Passei meus dedos sobre minha boca e tentei relembrar alguns beijos.

Meus olhos viam algo que não estava acontecendo no presente, e mesmo estando abertos, a imagem que meu cérebro formava era do passado. É uma sensação esquisita: às vezes parece um sonho, às vezes parece realidade, ou melhor, vou definir como um sonho real. Todas as vezes que fechava os olhos e reabria-os, me vinha àquela sensação de quando você acaba de acordar de um sonho e ainda tem a dúvida se tudo aconteceu de verdade realmente.

Trocamos algumas mensagens que sempre tinham no final: te amo meu namorado. Para quem não está na situação, realmente parece algo retardado, mas na hora foi muito fofo ficar digitando “meu namorado” e “te amo” em todas as sms.

Acabei pegando no sono. Acho que dormi sorrindo nesse dia.

No outro dia...

Acordei bem disposto na segunda feira. Tomei meu banho, me arrumei e fui tomar meu café.

— Daniel, quero ti pedir uma coisa. – me disse o Gustavo enquanto comíamos.

— O que? – eu respondi já desconfiado.

— É que todo mundo lá na sala ta comentando de uma guria de sua turma, queria saber se você conhece. – ele explicou.

— Sabe o nome dela? – eu disse.

— Acho que é Júlia, ela é uma loirinha. – ele falou.

— To assustado! – eu falei.

— Por quê? – ele perguntou fazendo uma cara esquisita.

— Você ainda não usou as palavras: nega, gostosa e peitos. – tirei onda com ele.

— Deixa de ser idiota Daniel. Responde logo, você a conhece? – ele perguntou de novo, demonstrando interesse de mais para o meu gosto.

— Conheço sim. – eu respondi, me fingindo não perceber o interesse dele.

— Você pode me apresentar? – ele pediu desconfiado.

— Pra que você quer conhecer ela, guri? Ela é mais velha que você! E é muito chatinha. – na realidade eu não queria meu irmão de chamego com a ex do meu namorado.

Ficamos calados no resto do café da manhã. Foi meio estranho o jeito que o Gustavo falou da Júlia, eu imaginava que ele falaria: “– Tem uma nega gostosa na sua sala, loirinha, bundinha grande. Quero que você bote na minha mão.”.

Terminamos de comer e fomos para o colégio. Cheguei na sala e fui logo recepcionado pela Fernanda. Ela me deu um forte abraço e me levou para uns lugares que ela tinha guardado para eu sentar.

Ela estava sorridente de mais, meio esquisito.

Já era a segunda pessoa que estava diferente nesse início de dia. Será que eu estava sonhando ainda? Geralmente é em sonhos que essas coisas acontecem. Mas estava real de mais para ser sonho. Real e esquisito.

— Porque você está olhando para mim com essa cara, Fernanda? – eu falei meio desconfiado.

— Que cara? – ela falou, sorrindo ainda mais.

— Sei lá! Você ta sorrindo e me encarando. – eu falei assustado.
Ela me olhou com uma cara de quem queria falar algo. Segurou em minhas mãos, chegou bem perto do meu ouvido e sussurrou:

— To feliz de você agora ser meu “cunhado”.

Meus olhos se arregalaram! Como assim cunhado?! Do que ela estava falando? Cunhados não são irmãos da pessoa que você tem um relacionamento?! ... Não acredito! Será que ela ta falando do meu relacionamento com o Gabriel? Impossível! Como ela ia saber?

— Cunhado?! – eu perguntei a ela meio assustado. Percebi que falei alto de mais e olhei em volta para ver se alguém tinha escutado. E sim, alguém tinha escutado. Entretanto, não teria problema, porque essa pessoa não ia sobreviver por muito tempo, eu iria matar ela logo logo.

Ele tinha acabado de chegar, estava com a mochila nas costas ainda: o Gabriel. Ele ouviu quando perguntei a ela sobre cunhado. Não sei definir quem fez a cara mais estranha naquele dia: eu, Gabriel ou Fernanda. Ela agora fazia uma cara de quem falou de mais e foi descoberta. O Gabriel fazia uma cara de quem estava em apuros, confirmando minha teoria dele ter contando. Seu pensamento estava correto, ele estava certo, meu rosto provava isso. Eu não sabia se olhava para a Fernanda ou para ele. Meu olhar era de raiva. Quem deu autorização para ele contar?

— Calma Daniel, eu posso explicar. – ele disse tentando acalmar a raiva em meus olhos.

— Desculpa Gabriel, é que eu fiquei tão feliz... – a Fernanda falou meio desconfiada e se sentindo culpada pela situação.

Eu não sei o que deu em mim, mas sai andando e deixei os dois ali. Eu sentia uma mistura de raiva e medo. Eu mal comecei esse relacionamento secreto, e já tinham pessoas sabendo. Esse não tinha sido o combinado com o Gabriel. Aff, meu relacionamento mal tinha começado e eu já estava pensando em terminar.