Descobrindo o que é Amar

21 Sexta-feira Inesquecível – Capítulo 21


A luz do shopping está me incomodando. Acabei de sair do cinema e minha pupila estava acostumada com o escuro. Meus ouvidos reclamam do barulho, porque até uns minutos atrás a única coisa que eu ouvia era o coração do Gabriel bater. Nem lembro mais do final do filme, ou se ele tinha cor. Entretanto eu me lembro da cor vermelha dos lábios avermelhados dele.

As pessoas andam normalmente pelo shopping, mas eu ainda to anestesiado, em uma fantasia irreal. Meio triste, porque minha vontade era de estar abraçadinho com o Gabriel, mas “não posso”, não devo...

— E ae Daniel, vamos lanchar? – ele me chamou de volta para a realidade.

— Vamos. – e seguimos em direção à praça de alimentação.

Voltar para a realidade não foi tão ruim como eu imaginei, os momentos com ele sempre eram divertidos. Pedimos hamburguês e batata frita numa loja de fastfood e fomos para as mesas mais ao fundo da praça de alimentação, mesmo assim tinham muitas pessoas ao redor. Elas conseguiam nos ver, mas não podiam nos escutar, já que shopping sempre é um barulho infernal de pessoas conversando.

— Acho que é melhor eu ir Gabriel, eu vou voltar de ônibus e não queria que ficasse muito tarde.

— De ônibus? Você mora aonde?

— Moro no... – expliquei a ele aonde eu morava.

— Então, eu te dou uma carona, essa hora é muito perigoso ir de ônibus.

— Você dirigi? – eu fiquei surpreso!

— kkkkk Não, não. Eu até sei dirigir, mas minha mãe não deixa, ela que vem buscar a gente.

O resto da noite foi bem legal. Realmente parecíamos um casalsinho de adolescentes no shopping. Não daqueles que ficam de mãos dadas, ou fazendo coisas melosas; mas aqueles que ficam rindo, brincando, enfim, se divertindo.

Enquanto eu fui comprar sorvete para a gente, ele entrou numa loja que vendia chocolates. Quando voltou estava com uma sacola da loja. Ele falou que eram umas trufas para a sua mãe e a sua irmã.

— Você tem irmã?! – eu perguntei alegremente surpreso.

— Tenho sim. Ela é mais nova que eu, 13 anos, xodozinho de minha mãe.

Ficamos conversando até que o celular dele tocou. Era sua mãe avisando que já tinha chegado. Seguimos para o estacionamento até o carro dela. Entrei meio com vergonha, a mãe dele estava no banco do motorista e a irmã estava no banco da frente, por isso ficamos os dois no banco de trás.

— Oi mãe, esse aqui é o Daniel, um amigo meu do colégio, vamos da uma carona a ele.

Fizemos aquelas apresentações básicas, a nome da mãe dele era Roberta e o de sua irmã era Laura. Durante o percurso ficamos conversando:

— Você é um menino estudioso Daniel? Esse meu filho desnaturado já começou a semana enrolando. Não sei o que aconteceu, mas quarta não quis ir pro colégio, depois ficou deitado o dia todo na cama abraçado com um coração de pelúcia da irmã dele.

— Ohh mãeee!! – o Gabriel reclamou e ficou todo vermelho.

Mães! Não importa se é a sua, ou a do outro, elas sempre fazem seus comentários embaraçadores. Mas, eu pessoalmente, amei ouvir isso hahahaha. Quer dizer então que o ele ficou o dia todo abraçando um coração?! Hummm!! E ainda mais eu que sei o motivo: pensando em mim! Fiquei bem feliz em saber – meus olhos brilharam!! Era outro lado do Sr. Gabriel que vive com a pose de galã, um lado emocional!

— Eu tento estudar todo dia sim Dona Roberta. – Gabriel nem conseguia olhar no meu rosto de tanta vergonha que ele ficou. E ele fica lindo com vergonha ou chateado, fazendo bico rsrs.

Ficamos conversando essas coisas. Sempre a Senhora Roberta me fazendo rir e constrangendo o Gabriel.

— E agora ele me fez comprar um vídeo game novo Daniel, você gosta dessas coisas também? – ela falou.

— Gosto sim.

— Porque não chama ele filho para ir jogar com você domingo? É o dia que vou sair com a Laurinha. – pelo que entendi, no domingo ia ser um dia só para mãe e filha, e o Gabriel ia ficar sozinho em casa.

— Quer ir? – ele me perguntou.

— Vá Daniel, é bom que meu filho não passa o domingo no computador. Vai ter um amiguinho para conversar. – Roberta falou.

— Ta bom, então. – eu teria vergonha de ficar na casa sozinho com ele, mas já que foi sua própria mãe que pediu, acabei aceitando na hora.

Chegamos à minha casa, me despedi e agradeci pela carona.

Quando eu estava fora do carro, o Biel me deu uma sacola da loja de chocolates pela janela, e sussurrou para eu abrir depois.

Entrei em casa, avisei a meus pais que tinha chegado e corri para o meu quarto. Pulei na cama e fiquei olhando para o teto. Nem parecia que o dia de hoje tinha acontecido, foi uma sexta feira incrível! Eu conseguia sentir o perfume dele em meu braço ainda. Peguei meu travesseiro e apertei com toda força contra meu corpo; em meu rosto tinha um sorriso involuntário enorme.

Seus olhos, seu cheiro, sua boca, seus lábios, seu beijo! Tudo nele me fazia sorrir, todas as lembranças maravilhosas desse dia inesquecível. Acho que fiquei uns 30min ali parado, sorrindo que nem um bobo, até que me lembrei da sacola de chocolate.

Coloquei minha mão dentro e puxei algo que eu não identifiquei pelo tato. Era um bombom com a embalagem em forma de lábios. Junto com ele tinha um bilhete escrito: “Só hoje descobri um beijo de verdade! Que esse chocolate mele seus lábios assim como você fez comigo. Melou-me de carinho, de sorrisos, de paixões... , e de outras formas que você me bateria se eu dissesse aqui! S2”

Nem quero saber de que outra forma eu o deixei melado! Rum! Eu aqui todo bobo pelo romance, mas ele precisa botar a pitada de safadeza, se não, não era ele né?!

O resto da noite foi normal. Antes de ir dormir desci para beber água e encontrei meu irmão na cozinha:

— Se mudaram uns vizinhos novos para aquela rua ali da esquina. Lá é bom porque tem piscina! – ele disse já demonstrando seu real interesse.

— Já ta pensando na piscina dos outros, Gustavo?! Kkkkk – eu ri com ele.

— Claro! Ta muito quente! Amanhã, sabadão, seria um bom dia para uma piscina!

Fiquei rindo com ele, e depois voltei para o meu quarto. Fiquei pensando em quem seriam esses novos vizinhos. Sou meio curioso às vezes.

Acabei caindo no sono. Por incrível que pareça, três sonhos foram constantes durante minha noite: meu beijo no cinema, meus desconhecidos novos vizinhos e o dia de domingo sozinho com o Gabriel. Talvez esses sonhos fossem um presságio sobre as surpresas que me aguardam!