Descobrindo o que é Amar
18 A Família Pignatelli – Capítulo 18
— Meninos vocês tão ai?– De repente uma voz surgiu da área da piscina. E aquela voz eu conhecia, era a Fernanda!
Por causa do susto, eu e o Gabriel nos afastamos na mesma hora. A gente se olhou com uma cara de quem não sabia o que fazer – pegos desprevenidos.
— Tamo sim Nandinha. – o Gabriel respondeu.
Ela então entrou no banheiro, mas para nossa sorte seu olhar não demonstrava nenhuma suspeita. Estava como sempre: agitada e sapeca, com aqueles seus cabelos ruivos.
— Que demora de vocês em! Aff, já terminou o intervalo e vocês aqui fugindo da aula né?!
— É que o armário tava emperrado e eu só consegui abrir agora. Mas achei já, olha aqui minha touca perdida! – Ele sorriu e levantou a mão com a touca. Eu nem tinha o visto pegar de volta do banco. Acho que só eu mesmo que fiquei totalmente sem reação.
— Sorte de vocês me terem viu?! Iam ficar perdidinhos. O coordenador levou a turma toda para a sala de multimídia. Ele quer passar um documentário sobre a construção de nossa cidade. Quando vocês lembrassem que ainda existe sala de aula e decidissem voltar, já num ia ter mais ninguém lá kkkkkk. – a Fernanda explicou o motivo de sua busca por nós.
— Filme! Pra mim tá ótimo! Amanhã já é feriado, vou começar ele mais cedo mesmo! Já vou sentar no fundo e tirar meu cochilo.
— Ah nem Gabriel, vamos sentar lá na frente, o documentário é bom! Vai mostrar a nobre família Pignatelli, pessoas de sangue azul que fundaram a cidade! – Fernanda falou isso de um jeito engraçado, meio cômico.
— Haha, muito engraçada! – O Gabriel respondeu.
—Não estou entendendo nada! – Quando ela entrou eu queria estar invisível, por causa da vergonha, pois bem, parecia que meu desejo tinha se realizado, porque os dois estavam conversando como se eu não estivesse ali.
— Vamos indo logo que no caminho te explico. – Gabriel me disse.
Passamos pela coordenação do esporte, devolvemos a chave da piscina e seguimos rumo à sala de multimídia. Gabriel me explicou que a família da Fernanda era conhecida na cidade porque seus antepassados, de não sei quantos anos atrás, tinham sido os donos dos canaviais da região. Eles foram fazendeiros ricos e ajudaram na construção da cidade.
— Mas eu falei brincando Daniel, em minha opinião isso é uma besteira. A cidade já se expandiu há muito tempo por questões de crescimento normal, mas a minha família e muitas outras daqui gostam de viver de aparências, status. Eu odeio isso! Já perdi várias coisas na vida por causa dessa merda! – Nanda pareceu se exaltar enquanto termina de falar.
— Como assim perdeu várias coisas? – eu perguntei a ela.
— Amigos, namorados. De acordo com minha avó, eles nunca são bons o suficiente para mim ou são má influência! O tempo passa, o dinheiro acaba, mas minha família tem essas idiotices, coisa de gente antiga preconceituosa.
— Cofusão mesmo foi quando ela fez a tatuagem. – Gabriel falou.
— Que tatuagem? – eu perguntei.
— Essa. – a Fernanda falou enquanto levantava a camisa e mostrava um símbolo ou escrita que eu não entendia: 翼 ; eu não tinha visto essa tatuagem na parte lateral de sua costela, porque na natação ela usou maiô.
— O que significa? – eu perguntei curioso.
— Ah, isso é uma longa história e nós estamos atrasados de mais para ela. – senti que a Fernanda não quis responder minha pergunta e mudou de assunto. O Gabriel fez um olhar diferente, como se aquilo representasse algo mais complexo. Aos poucos esqueci sobre a tatuagem e votei a pensar sobre o que ela me falou de sua família.
Fiquei pensando sobre isso. Estes preconceitos bestas. Será que se a Fernanda soubesse o que eu e o Gabriel estávamos fazendo no banheiro da piscina, ela agiria como Fernanda Pignatelli, e nos cortaria do seu laço de amizade?
Entramos na sala de multimídia já recebendo uma bronca pelo atraso. Era um espaço muito grande, cheio de cadeiras e as luzes estavam apagadas. A Fernanda foi ficar na frente com o resto do pessoal, mas o Gabriel me puxou e fomos sentar no fundo da sala.
— Ei, vamos ficar quietos, certo Gabriel? Aqui alguém pode ver!
— Ta bom, eu sei, eu sei! Mas foi muito... muito bom. Seu cheiro não saiu do meu nariz ainda, por mim eu tava lá até agora. – Ele ficava muito fofo falando isso, ele realmente tava feliz com o que aconteceu.
Não posso mentir para mim mesmo. Se eu disser que não foi bom, eu estaria mentindo. Eu mandei ele se comportar ali na sala de multimídia, mas a verdade é que eu estava quase dando continuidade aonde paramos no banheiro. Eu sentia que dentro de minha cueca meu pau ainda estava melado. E voltar a sentir o cheiro dele estava me instigando de novo. Eu ainda não tinha retribuído a sua provocação de passar seu volume em minha mão.
Abaixei minha cabeça para ele não poder ver meu rosto e falei com uma voz baixa e tímida:
— Ei Biel, eu queria ainda está lá também. Queria te conhecer um pouco mais... Pena que quando a aula acabar a gente só vai se encontrar segunda-feira!
— Quem te disse isso? Você acha mesmo que eu vou aguentar ficar o feriadão todo sem ti ver? Sem contar que você ainda não quis me beijar... e eu to aguardando o momento em que você vai deixar. Pois, amanhã mesmo 16h no cinema viu, e não se atrase!
Ele começou a passar sua mão em minha perna e encostou sua cabeça na parede. Em retribuição ao carinho, comecei a lhe fazer um cafuné. Olhei para seu rosto – lindo e encantador. Ele estava de olhos fechados. Encostei minha cabeça em seu ombro e ficamos assim juntinhos e calmos por um bom tempo no escuro da sala.
Já estava perto do documentário acabar, e nossos carinhos começaram a ficar mais intensos. A mão do Gabriel de vez em quando subia mais do que devia e acabava acariciando meu pau por cima da calça. Chegou a hora em que ela não desceu mais. Seus dedos começaram a fazer pressão e a apertar meu pau. Meu cafuné já não estava mais tão carinhoso como no início, minha respiração tinha ficado forte e minhas mãos já começavam a apertar seus cabelos, descendo até seu pescoço.
— Posso abrir o zíper? – Ele sussurrou em meu ouvido.
— Pode. – Falei timidamente.
Quando ele já estava abrindo, começamos a ouvir um barulho de pessoas se levantando. O filme tinha acabado e voltamos a ficar quietos. As luzes ascenderam e todos começaram a ir embora. Despedi-me dos colegas e fomos até a saída do colégio. Dei um abraço na Fernanda e no Gabriel. E fui para casa.
No carro eu ainda estava pensativo, relembrando meu dia “interessante”. Putz, o que foi isso que aconteceu hoje em? Que dia cheio! Lembrei-me da hora em que ele quase abria o zíper do meu jeans e pensei no dia seguinte, nosso cinema!
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