Descobrindo o Amor (em revisão)

15 Capítulo 15 - Dias atrás.


Notas iniciais
Ei, como estão? Mais um capítulo quentinho saindo ;) Sei que demorei bastante, mas irei tentar ser mais assídua. Já estamos caminhando para os capítulos finais, se você chegou até aqui saiba que sou muito grata ♥ Obs: Fiz algumas, pequenas, alterações nós capítulos anteriores, nada que vá interferir na historia, mas que achei necessário. E isso, espero que gostem, boa leitura.

— Você não me disse aonde nós vamos. — Quis saber enquanto colocava o capacete, ele se aproximou para me ajudar. — Obrigada.

— Não seja curiosa, você vai ver. — Seguimos então para o lugar em que ele iria me levar.

Quando chegamos olhei ao redor, o lugar era lindo e não sabia por que, mas eu tinha a sensação de já ter ido lá, mesmo não lembrando quando. Era um jardim, bem florido por sinal, mais a frente eu podia ver um lago com alguns casais em o que parecia um minibarco, em formato de cisne.

— Que lugar é esse?

— Eu adoro vim aqui, sempre tiro ótimas fotografias. — Eu ainda olhava ao redor, realmente o lugar era lindo. — Ali mais a frente, tem o lago negro. — Olhei novamente para o lago.

— A gente vai naqueles minibarcos?

— Quer dizer, nós pedalinhos? — Fiz que sim, sorrindo segurou em minha mão me levando até um rapaz, onde ele alugou um dos pedalinhos de cisne.

Já no lago, eu não consegui parar de admirar a paisagem, o lago era enorme e vários outros casais estavam também, parei um pouco pensativa, o que nós éramos? Por que ele tinha me levado ali?

— Marcos?

— Hum?

— Por que me trouxe aqui? — Ele me encarou por alguns segundos antes de responder.

— Eu queria tirar algumas fotografias, e achei que seria legal ir a um lugar com alguém que curte o mesmo.

— Só por isso? — Ele franziu o cenho.

— Por que, não gostou do lugar?

— Gostei, é que... — Eu queria que fosse por algo a mais, mas eu não disse isso a ele, ao invés de dizer o que sentia eu disse. — Não é nada, deixa pra lá. — Ele concordou e eu me apressei em mudar de assunto. — Já conseguiu tirar as fotos?

— Algumas, quer ver? — Fiz que sim. E nossa, ele era bom, os ângulos ficaram perfeitos, franzi o cenho quando vi a última.

— Quando tirou essa?

— Quando a gente chegou. — Era uma foto minha, em que eu olhava o lugar com o olhar de admiração. Me olhou sorrindo com os olhos quando lhe olhei chocada, nem percebi que ele havia tirado a foto. — Com certeza essa é a minha favorita. — Sorri, me levantando tentei me inclinar para lhe dar um selinho, ele ficou rígido. — Você não deveria fazer isso. — Me alertou, mas não lhe dei atenção.

— E por que não? — O pedalinho balançou um pouco, me desequilibrei e teria caído no lago se ele não tivesse sido rápido e me segurado pelo braço.

— Você está bem? — Me olhou preocupado, apoiei as mãos sobre seu peito e tentado me equilibrar fiz que sim. — Por que fez isso?

— Não sei, eu... queria te beijar. — Sussurrei a última frase.

— O quê?

— Eu queria te beijar. — Repetir mais alto, desviando o olhar rapidamente, quando voltei a o olhar ele estava segurando com as mãos firmes sobre a lateral do pedalinho. — O que foi?

— Só para garantir que eu não vou fazer a loucura de se levantar e ir até você. — Sorri um pouco.

Ficamos um pouco mais no pedalinho, Marcos tirou algumas fotos. Alguns minutos depois seguíamos pela trilha, quando lhe perguntei.

— Tudo aqui é muito lindo, como conheceu esse lugar?

— Esse lugar é um dos poucos que me lembro. — Me encarou por um breve momento. — Meus pais costumavam me trazer aqui, minha mãe adorava um piquenique.

— Sinto muito pelos seus pais. — Me olhou com o cenho franzido, mas concordou depois como se desse conta de algo.

— Minha avó te contou. — Fiz que sim.

— Desculpa, eu estava curiosa e pedi pra ela falar mais, não quis invadir seu espaço. — Ele entrelaçou sua mão na minha, como quem diz que está tudo bem.

— Não invadiu, eu conheço minha avó, sei que ela gosta de uma boa história.

— Mais e então, o que mais a gente pode fazer por aqui? — Mudei de assunto encarando nossas mãos ainda entrelaçadas, acho que ele nem percebeu.

— Bom, eu já tirei as fotos que queria. — Me acarou por um breve momento. — Eu soube que aqui ao lado tem um parque, quer ir?

— Tipo de diversões?

— Mais ou menos isso.

— Tudo bem, só me empresta sua câmera antes. — Ele ficou sem entender, mas me entregou. Chamei uma moça que passava. — Pode tirar uma foto nossa? — Puxei ele para o meu lado agarrando seu braço, sorri pra a câmera. — Obrigada. — Agradeci a moça quando ela me entregou a câmera.

— Vocês formam um casal lindo. — Ela disse antes de ir.

— O que ela disse?

— Nada. — Desconversei, não queria que ele achasse que eu estava forçando algo. — Então, parque de diversões?

Seguimos então para o tal parque, não era tão longe, mas tivemos que ir de moto. Quando chegamos estávamos olhando a grade de programação.

— Então, arvorismo?

— Não acho uma boa ideia, do jeito que sou desastrada... — Parei de falar quando vi que ele estava concordando. — Por que você está concordando? — Lhe empurrei de leve, mas acabei sorrindo quando ele me puxou de volta me dando um beijo na bochecha. — Certo, deixa eu ver novamente. — Acho que tinha encontrado o que queria. — E que tal, o passeio de quadriciclo?

— Passeio de quadriciclo então, vamos? — O acompanhei para fazemos o cadastro para o passeio.

Demorei um pouco no início para pegar o jeito, mas o Marcos fui atrás me instruindo no caminho, fomos devagar no início. Estávamos em grupo então seguimos pela trilha, quando chegamos na parte das curvas eu já tinha pegado o jeito, quando chegamos no topo do morro descemos para dar uma pausa.

— O que está achando?

— Incrível. Olha essa vista. — Ele me acompanhou até a ponta do morro onde conseguíamos ver todo o morro lá embaixo. Percebi ele me olhando. — O que foi?

— Nada, é que adoro o jeito que você vê as coisas.

— Que jeito?

— Com simplicidade, sempre vendo a beleza nas coisas mais simples. — Sorri, não sabia que eu tinha esse olhar.

— Por isso tirou uma foto minha, naquela noite na festa? — Me referia a festa na praia, onde ele disse que tirou uma foto minha por não consegui se conter.

— Não. Naquela noite era diferente.

— Diferente como? O que viu em mim através da sua lente? — Me virei ficando na sua frente. — Por que se aproximou de mim Marcos?

— Naquela noite, eu estava tirando fotografias, como sempre. — Sorriu um pouco. — Mais aí eu te vi, e foi como se minha lente fosse atraída, por você. — Continuei sem dizer uma palavra, ele olhou nós meus olhos antes de continuar. — Intensidade, foi o que eu vi no início. Mas tinha algo a mais...

— O que?

— Não faço ideia, mas me atraiu até você. — Coloquei as mãos ao redor de seu pescoço.

— E o que vê agora? — Seus lábios se inclinaram em um quase sorriso, mas quando ele olhou nos meus olhos a seriedade tomou conta de sua feição.

— Vejo alguém incrível, que eu não faço ideia do porquê, não quer se aproximar muito das pessoas. E acaba não deixando que a vejam de verdade. — Me afastei um pouco, involuntariamente. — Você está fazendo agora.

— O quê?

— Não está deixando que eu te veja. — A verdade é que me incomodou um pouco, ele dizer tanto sobre mim, até mesmo coisas que eu não tinha percebido. Lentamente ele segurou em minha mão me trazendo novamente para perto. — Está tudo bem Helena, eu não pretendo me afastar. — O encarei ainda meio atômica, em como ele tinha percebido tão rápido algo que nem eu mesma tinha percebido. Sorrindo de lado depositou um beijo na minha testa. — Vamos voltar?

Fomos todo caminho de volta em silêncio enquanto ele pilotava. Quando chegamos até sua moto, ele se aproximou.

— Tudo bem?

— Sim, porque não estaria. — Não foi uma pergunta.

— Helena. — Me olhou um instante. — Eu não deviria ter falado tudo aquilo, se você... — Não deixei que ele terminasse, lhe dei um selinho.

— Está tudo bem Marcos, eu não estou chateada. — Sorri um pouco, eu realmente não estava. — E só que, tudo que me falou me deixou um pouco pensativa.

— Sobre o que exatamente?

— Não sei, eu nunca tinha parado para pensar em tudo que me falou. — Me olhou franzido um pouco o cenho. — Me fez ver que, sei lá, não quero mais afastar as pessoas.

— E essas pessoas, me inclui? — Segurei o riso, adorava como ele sempre deixava tudo mais leve.

— Com certeza lhe inclui. — Ficando na ponta dos pés depositei um selinho em seus lábios.

Seguimos então para minha casa. Quando desci da moto antes que eu me afastasse ele segurou em minha mão me trazendo pra perto novamente.

— O que foi? — Sorri um pouco.

— Vamos sair amanhã novamente, tem algo que quero te dizer. — Fiz que sim.

— Tudo bem. Te vejo amanhã. — Com nossas mãos ainda entrelaçadas me afastei lentamente de costas soltando suas mãos quando já estava distante o bastante, me virei indo em direção a porta, quando olhei para trás ele ainda estava lá, me esperando entrar. — Boa noite Marcos.

— Boa noite Helena. — Depois de nos despedimos eu fui direto para meu quarto.

— Posso entrar? – Minha mãe apareceu na porta.

— Claro.

— Como foi hoje? – Quis saber se sentando na cama ao meu lado.

— Foi ótimo. – Sorri.

— Sabe que faz tempos que não te vejo assim. – Completou quando percebeu que eu não entendi. – Tão sorridente. Devia chamá-lo para jantar com a gente.

— Vou chamar. – Era bom ver que minha mãe estava tentando se aproximar, ela sempre se manteve distante, era bom ter ela assim tão perto.

— Bom, eu vou dormir, amanhã o dia vai ser longo. Boa noite, filha. – Depositou um beijo na minha testa.

— Boa noite mãe.

Eu já estava me preparando para dormir quando escutei um barulho na janela do meu quarto, alguém estava jogando pedrinhas. Abri a janela.

— André! O que está fazendo?! – Gritei meio que sussurrando, não queria que minha mãe ouvisse.

— Eu preciso falar com você.

— Não podia ser amanhã?

— Não, pode descer aqui, por favor Helena. – Respirei fundo, fechando a porta e descendo tentando não fazer barulho.

— O que você quer? – Lhe questionei impaciente quando lhe vi.

— Eu sinto sua falta Helena. – O encarei sem dizer nada. – Não é possível que tenha esquecido de tudo que passamos juntos.

— E eu não esqueci. – Quando vi ele se aproximando, completei rapidamente. – Mas o que a gente tinha, acabou.

— Se o Marcos não tivesse chegado, nós ainda estaríamos juntos?

— Não tem a ver com ele. A gente já não estava bem a muito tempo e você sabe disso.

— Você não me respondeu.

— Não, se ele não tivesse chegado, nós não estaríamos juntos. – Franzi o cenho quando ele se aproximou aos poucos.

— Tudo não pode ter acabado de repente. – Ele segurou meu rosto aproximando seu rosto do meu, podia sentir sua respiração bem próxima, mas não me movi. – Sei que ainda sente algo, assim como eu.

— André!

— Não, Helena, só me deixa...- Ele me beijou, mas eu não o retribuo, só confirmando que o que eu sentia por ele já não existia mais. – Senti sua falta no meu aniversário. – Algum tempo atrás Débora e eu estávamos combinando em fazer uma festa surpresa para ele, mas com tudo que aconteceu e nosso termino, deixamos a ideia de lado.

— Eu preciso ir. – Disse olhando para casa, vendo se a conversa não tinha acordado minha mãe.

— Espera. Vem comigo. – Ele segurou minha mão quando me afastei.

— Ir com você?

— Sim. Eu vou sair com os caras, e a gente costumava ir juntos...

— André!

— Tudo bem, eu entendi que terminamos, mas será que poderia ir comigo. Como amigos. – O encarei por um tempo sem dizer nada. – Por favor, sei que tenho sido um idiota esses dias, mas sinto sua falta e me senti mal esses dias, pela forma que te tratei. – Eu não deveria, mas ele estava tentando se desculpar e... a verdade é que eu achei que poderíamos ser amigos, apesar de tudo.

— Certo, eu preciso avisar minha mãe antes. – Ele segurou minha mão novamente.

— Não dá tempo, já estamos atrasados. – Lhe encarei por um tempo, e deveria ter percebido sua expressão antes, mas não percebi. – Você pode lhe mandar uma mensagem.

— Tudo bem.

O acompanhei então até seu carro, já mandando mensagem para minha mãe, que ela não viu já que estava dormindo, mesmo sabendo que não iria ficar muito feliz em saber que sai às escondidas.

Quando chegamos olhei ao redor, eu lembrava daquele lugar.

— Espera, você vai correr? – Ele não disse nada. – Achei que tinha parado com isso.

— Não parei, só não te levei mais pra nenhuma.

— E por que me trouxe aqui? Eu não vou. – Me olhou de canto de olho.

— Helena, já estamos aqui, é claro que você vai. – Saiu do carro indo cumprimentar seus colegas, ele iria participar de um racha, e eu não iria participar daquilo, não novamente, desci do carro.

— Aonde vai? – Ele me alcançou.

— Eu não vou, André, me leva pra casa. – Disse irritada. Ele passou as mãos no cabelo, uma mania de quando ficava nervoso.

— Tudo bem, mas eu já me comprometi. Será que não poderia ir comigo só dessa vez, prometo te levar pra casa depois.

— Mas...

— Eu não posso te deixar aqui Helena, não conheço esses caras. – Olhei ao redor, realmente eu estava rodeada de desconhecidos, que me encaravam com olhares estranhos. O acompanhei até o carro.

— Não fica assim. – O encarrei ainda irritada, colocando o cinto virei o rosto. Meu celular tocou, mas não era minha mãe, era o Marcos. Ela tinha me mandado várias mensagens. – Quem é?

Não lhe respondi, todos começaram a acelerar os carros e eu guardei o celular porque não iria conseguir falar com todo aquele barulho.

— Helena, me desculpa, achei que iria curtir o passeio.

— Certo, só termina logo com isso. – Ele fez que sim, a corrida começou.

Eu acho que estava muito cega para não perceber como o André era, irresponsável, nunca se perguntando o que eu queria. Agora eu conseguia ver que nosso relacionamento nunca iria dar certo, nossos pensamentos eram muito diferentes.

— Aí, o que foi isso! – Gritei para que me ouvisse, quando um carro bateu em nossa traseira. Ele estava tão concentrado que não respondeu.

— Helena, se segura. – Gritou de volta, batendo a lateral no outro carro. Eu estava ficando nervosa, o outro carro parecia insistir em bater no nosso.

Quando ele se distanciou, olhei para trás vendo o carro vindo em nossa direção.

— André, o que está acontecendo? — Gritei, ele me olhou rapidamente.

— Eu não sei... – Tudo aconteceu bem rápido, o carro bateu novamente em nossa traseira, dessa vez com mais força. Fazendo com que nosso carro escorregasse na curva, fechei os olhos com força, quando os abrir novamente tudo parecia em câmera lenta. O carro capotou e eu via tudo rodando, vidro se estilhaçando diante dos meus olhos, minha garganta já estava seca de tanto gritar, tentei apoiar as mãos em algo, mas se não fosse o cinto com certeza eu teria sacado para fora do carro.

O carro parou, eu estava de cabeça para baixo e apesar de já está quase inconsciente, tentei me soltar do cinto, mas ele estava preso.

— Helena. – Escutei André me chamar, senti sua mão tentando me soltar e depois senti meu corpo ser arrastado para fora do carro. – Fica acordada...- Sua voz parecia distante, percebi que ele estava sangrando, levantei a mão para tocar seu rosto, ele pressionou sua mão sobre a minha quando fiquei sem forças. – Me desculpa... espera um pouco... eles estão chegando... – Dizia entrecortado, mas meus olhos já estavam pesando. – Helena, Helena...

Notas finais
Curiosidade: O lago negro que Marcos e Helena foram realmente existe, em Gramado.