Descobrindo o Amor (em revisão)
6 Capítulo 6 - Dias atrás.
Notas iniciais
— Amiga, como assim, você tem certeza disso? – Débora, dizia sentada em uma mesa na cafeteria de minha mãe, depois de eu ter explicado como tinha sido minha conversa com André. – Vocês se falaram depois disso?
— Ainda não. Mas acho até melhor, não quero falar nenhuma besteira que vá me arrependa depois. – Ela só concordou.
— E o que vai fazer, não está pensando em terminar, ou está?
— Não, quer dizer. – Suspirei. – Não sei, depende do que eu descobrir. – De canto se olho vi minha mãe saindo da cozinha. – A chefa chegou, deixa eu ir antes que ela reclame, vai querer o de sempre?
— Sim, por favor. – Voltei então pra cozinha, quem sabe ajudar em algo me distrair-se um pouco.
— Posso ajudar em algo? – Perguntei chegando ao lado da minha mãe, olhando por sobre seu ombro, tentando ver o que ela fazia, ela me olhou sem dizer nada. – O quê?
— Não é nada, é que a última vez que me olhou assim, era uma criança. – Não sei de que jeito a olhei, mas ela parecia perdida em pensamentos. – Deixa eu ver, você pode me ajudar com a calda. – Comecei então a mexer a calda de chocolate, quando ela quebrou o silêncio.
— Helena, está tudo bem? – A olhei de lado.
— Sim, er... por quê?
— Não sei, você parece meio distante hoje. Como está o namoro? – Parei de mexer a calda e lhe encarei, como ela sabia? – Sabe que pode me contar tudo, não é? – Só concordei e voltei ao que fazia. Depois de um tempo pensei que não seria má ideia, talvez ela pudesse me ajudar a entender tudo.
— Mãe... – Ela me olhou com expectativa, e eu estava pronta para contar tudo, mas alguém colocou a cabeça no vão da porta me chamando.
— Oi Bia, o que foi?
— Tem um rapaz te chamando no balcão. – Levantei a sobrancelha para que ela dissesse quem era. – André, disse que estava ocupada, mas ele insiste... – Suspirei, uma hora teria que falar com ele mesmo, que fosse agora então, olhei para minha mãe.
— Vai lá, a gente se fala depois. – Concordei saindo da cozinha.
— O que faz aqui? – Ele estava de costas olhando pela janela, quando me ouviu se virou.
— Você não atendia meus telefonemas, nem respondia minhas mensagens. – Só o encarei esperando que continuasse, ele sabia o motivo de eu estar o evitando. – A gente precisa conversar. Podemos? – Apontou pra uma mesa, lhe acompanhei. – O que está acontecendo Helena?
— Me diz você, quem estava no seu carro naquele dia na escola? – Ele me olhou sério. – Não minta, eu ouvi.
— Então é isso, ciúmes? – Riu em seco.
— Porque, era o que queria me causar? – Continuei séria, ele passou a mão entre o cabelo, o que sempre fazia quando estava nervoso.
— Helena, não sei se você percebeu, mas o Bruno não tinha vindo a aula. – Deu uma pausa acho que prevendo minha reação. – E a Carla estava sem carona, então lhe ofereci uma. – Mordi o lábio inferior para não falar besteira.
— E por que só está me contando isso agora? — Eu poderia até estar exagerando, mas ele sabia como ela era e que não perdia uma oportunidade para dar em cima dele, e o pior ele sabia como eu iria me sentir e achou que mentir seria a melhor escolha, era a mentira que me magoava.
— Não achei que fosse algo de mais, qual é Helena, ela é namorada do meu amigo, o que acha que iria acontecer? – Me olhou exasperado.
— Ex, ela é ex namorada do seu amigo, não tenta me fazer de idiota André. – Débora já tinha me contado tudo, eles tinham terminado, e provavelmente esse era o motivo dele não ter ido à escola, ele tentar esconder isso só mostrava que novamente, estava mentindo. – Olha, sério, vai pra casa, eu tenho que voltar, a gente se fala depois. – Me levantei, ele segurou meu braço.
— Espera, o que quer dizer? – O olhei por um tempo, tirei sua mão do meu braço, ele franziu o cenho.
— Eu quero dizer o que eu disse, tenho que voltar a trabalhar. – Sem olhar pra trás caminhei para o balcão, me apoiando nele. Quando escutei a porta bater, fechei os olhos com força, desejando que aquilo não estivesse acontecendo.
— Você por aqui? – Me virei com o susto. – Não sabia que trabalhava aqui.
— Marcos? — Nem tinha o visto chegar, será que ele tinha visto tudo, não arrisquei perguntar.
— Tá tudo bem? – Me olhou meio engraçado, fiquei o olhando com cara de interrogação. – Eu perguntei, o que você indicaria, sou novo aqui sabe.
— Há, desculpa. Deixa-me ver, acho que iria gostar do lanche do dia, Café com Cookies de chocolate.
— Certo, então um lanche do dia, por favor. – Dei um meio sorriso e fui passar seu pedido, alguns minutos depois voltei.
— E aí, o que achou? – Me sentei na cadeira oposta à sua.
— Olha, adorei, pode dar os parabéns ao chefe, estavam ótimos.
— Sério? Minha mãe iria adorar ouvir isso. – Sorri de lado.
— Sua mãe? – Me olhou sem entender, me oferecendo um pedaço.
— Não obrigada, e sim minha mãe, ela é a dona. – Ele apoiou sua câmera sobre a mesa, se acomodando melhor. – Ainda tirando fotografias de estranhos? – Tentei brincar sobre o dia que ele tirou uma foto minha sem minha permissão.
— Algumas, tirei uma sua ainda a pouco, quando estava naquela mesa. – Apontou a mesa ao lado, a que eu tinha acabado de atender. – É brincadeira. – Sorriu, o olhei boca e aberta, e acho que olhei demais pra sua câmera, porque ele continuou. – Sabe, eu vou daqui a pouco a praça, tentar tirar umas fotos legais. Quer ir? – Eu deveria dizer que não, tinha muito trabalho a fazer, mas fiquei tentada a ir, meu pai era fotógrafo e me ensinou tudo que sei, nem era muito, mas tinha um apego emocional ali.
Quando fui pedir minha mãe para me liberar mais cedo, achei que iria negar, mas ela só disse um simples “Pode ir, eu cuido de tudo por aqui" provavelmente tinha ficado com pena de mim, ela nunca diria isso, sai antes que ela mudasse de ideias. Quando chegamos ao parque percebi que eu precisava estar ali, respirar um pouco.
— Vai ficar só aí sentada, vem cá. – Ele gritou próximo ao lago, me levantei me aproximando. – O que acha dessa? – Me mostrou a foto que tinha tirado de um casal conversando distraído.
— Ficou ótimo. – Falei admirada.
— Obrigado. Eu acho legal como as pessoas conseguem passar emoções através de fotografias. – Tirei o olhar da câmera para lhe encarar. – É sério, olha essa. – Me mostrou a foto de um casal conversando sério, pareciam brigar. – E agora, essa. – O mesmo casal, agora com expressões diferentes, claramente tinha feito as pazes. – O olhei admirada.
— Você conseguiu capturar tudo isso, em duas fotos? – Ele ficou um pouco desconsertado. – Ficaram incríveis.
— Obrigado, gosto como fotografias contam histórias. Mas e aí, como começou a gostar de fotografia? – Olhei pra um ponto fixo a minha frente. – Desculpa, só quis puxar assunto. – Balancei a cabeça em negativo.
— Não, tudo bem. Eu era bem pequena, não lembro ao certo. – Meu olhar ficou mais distante, mas pude sentir um meio sorriso surgindo em meus lábios antes de continuar. – Meu pai me levava aos lugares, para sabe, tirar fotografias, eu adorava. – Olhei para ele rapidamente antes de voltar a olhar o ponto fixo a minha frente. – Ataque cardíaco.
— Sinto muito. – Só concordei com a cabeça sem dizer nada, fazia tempos que eu não falava sobre ele, minha mãe não falava quase nada. – Faz tempo?
— Eu tinha dez anos. – Depois de um tempo tentei mudar de assunto. – Mas e você, por que gosta de tirar fotos dos outro e não gosta que tirem suas? – Estreitei os olhos em sua direção.
— Não sei, só acho que não tenho muito a contar. – O olhei.
— Sempre temos algo a contar. – Ele ficou me encarando sem dizer nada, fiquei um pouco constrangida. – Olha só aquele casal, qual será a história deles?
— Helena, são só dois pombos. – Tentou segurar o sorriso, mas no fim acabamos rindo.
Estávamos conversando agora no banco, enquanto tomávamos sorvete.
— Valeu por hoje. – Disse batendo o ombro de leve no seu.
— Mas eu não fiz nada. – Lhe encarei por um momento. – O quê?
— Você viu tudo não foi, o André e eu. – Ele olhou para a frente. – Eu sabia, por que não falou nada?
— Não quis te deixar constrangida, e achei que seria bom descontrair um pouco, deu certo não deu? – O olhei por um tempo antes de dizer.
— Sim, obrigada, se eu ficasse lá iria pirar. – Voltei a atenção para o sorvete. – Acho que já está na hora de voltar. – Me levantei.
— Eu te levo. – Se levantou junto. – Assim você pode me contar mais sobre essa sua certeza de que aqueles pombos eram um casal. – Sorri.
— Mas eles eram...
Quando voltei a cafeteria já estavam se preparando para fechar, Bia me olhou sorrindo.
— O que foi Beatrice?
— Quem era aquele garoto que voltou com você? – Estreitei os olhos tentando ficar séria.
— Um amigo da escola. – Se é que éramos amigos agora. – Para de me olhar assim. – Joguei um pano nela, ainda rindo.
— Te olhei normal e você que está ficando vermelha.
— Ele é só um amigo, eu tenho namorado garota. – Tentei rir, mas acabei ficando séria demais, percebendo minha mudança de humor ela mudou de assunto, mas eu continuei pensando que teria que terminar a conversa que tinha começado naquela tarde. Só não sabia se estava pronta para o que aconteceria depois.
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