Descobrindo O Verdadeiro Amor.
4 Capítulo 4 - Como Uma Dama.
Notas iniciais
Meu netbook resolveu se rebelar contra mim e parou de funcionar. Tive que reescrever todo o capítulo de novo e não ficou melhor do que o primeiro. Triste.
Mesmo assim, espero que gostem.
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Agradeço aos reviews de:
> ElizabethTurner (Uma curiosidade minha, você é portuguesa?)
> Sweet Potter (Temos algo em comum: desejar que alguém diga que ele pode não ser pouca merda, mas que ele também não é tudo isso xD. Vamos ver se Isabelle lhe dá um pouco de humildade.)
> Allison (Eu gosto de pessoas bipolares... fazer o quê?)
> Marcela-neko (Legal te ver aqui! ^ ^)
> juliabertelli
> thamyly23
> Lady_Layla
...
Beijos a todas,
EUQOPÉ-ELLE3
Capítulo Quatro – Como Uma Dama.
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Por que será que, de súbito, Alexander sentiu o cheiro forte das tintas sufocá-lo? Era somente o cheiro delas, ou era a excitação e felicidade que explodiam dentro de si que impediam seus pulmões de funcionarem devidamente?
Otella? De volta? Otella estava em Londres?
Era óbvio que ela estava ali para dizer-lhe que todos os boatos de que ela havia se casado com o Duque de Bristol eram mentiras e que ela apenas fugiu no dia do casamento de ambos por estar com medo de, de repente, a filha de um barão se tornar uma das Duquesas mais ricas e invejadas da Inglaterra.
“Depois de seis meses me ignorando ela voltaria?” questionou uma vozinha no fundo de sua cabeça, mas a esperança de ter Otella de volta para ele era algo imensurável. Algo que deveria ir além de qualquer suspeita, mágoas ou arrependimento, não é? Não era assim que o amor funcionava?
- Alex... Acalme-se, ainda não lhe dei a má notícia – alertou-lhe Aloysia, sentando-o na velha e confortável poltrona vermelha de veludo.
- Otella está de volta! — exclamou exaltado, levantando-se da poltrona em um pulo. — Por céus... Que mal notícia haveria de ter?!
Lady Walt se sentiu ultrajada pela infantilidade do homem.
Por que tanto ânimo? A mulher alvo de todo o seu rancor, e que desencadeou a revolta que o duque sentia das mulheres, havia voltado e ele ficava mais feliz do que ela esperava. Ela esperava que, quando ele falasse de Otella Harry Webber, ele fosse falar com raiva, ao invés daquela tremenda felicidade.
- Alex, ela não vai voltar para você – disse Aloysia calmamente, como se falasse com um débil mental. — Alex, ela se casou com Marx Birdwell, o Duque de Bristol, e está esperando um filho dele.
O homem olhou para a sua amiga, desta vez, ela percebeu, o seu coração havia se quebrado de vez e ele ficou chocado. Ele piscou, como se estivesse demorando um pouco para compreender e ela logo percebeu suas pupilas ficando avermelhadas, assim como os glóbulos de seus olhos. Mas ela sabia que ele não ia derramar nenhuma lágrima. Não na presença dela.
Ele caiu frouxo na poltrona e Aloysia se surpreendeu quando viu que ele realmente esperava que a mulher voltasse para ele. Por Deus! Seria o grosso Duque de Knightley esquecer tudo o que sua noiva lhe fez – e esquecer até do próprio orgulho! — para aceitá-la de volta?!
- Como você sabe disso? — perguntou.
Provavelmente ele pensava que, se fosse apenas um boato corriqueiro, era só não dar atenção que poderia ser mentira. Mas, para o seu azar, ela confirmou que não era apenas um boato.
- Isabelle e eu a encontramos na loja de tecidos. Encomendando vestidos e ouvimos da própria boca dela – respondeu Aloysia.
Por um lado, ela ficou feliz, mas por outro, muito triste.
Alex enfim estava livre. Ele poderia parar de correr atrás dos rabos de saias e prostitutas enquanto esperava que Otella voltasse para ele depois de um surto de arrependimento de coisas passadas, no entanto, ver o amor de sua vida destruído, não fazia bem à ninguém.
- Deixe-me Aloysia – pediu baixinho.
A mulher apenas concordou com a cabeça, fez uma vênia e se retirou. Sabia que se demorasse muito, ele acabaria descontando suas raivas e frustrações em cima da primeira coitada que cruzasse o seu caminho, como ele sempre ficava depois de falar no amor de sua vida.
Pena que era uma mulher que não prestava, mas talvez ele merecesse sofrer tudo aquilo.
- Vagabunda! — ele exclamou dando um soco no braço da cadeira.
Alexander tinha que apagar, de vez, quaisquer lembranças daquela figura detestável de sua mente. Começando por extinguir os detestáveis quadros que pintara de seu rosto angelical. Ela não quisera o seu amor, então ao menos receberia o seu ódio.
...
Isabelle estava emersa em um mar de reflexão. Imagens perturbadoras de seus últimos meses na casa de seu tio relampejaram perturbadoras em sua mente e mais do que nunca ela lutou para que o ódio voltasse para algum lugar do qual havia vindo. Ela lutava muito para não sentir rancor de alguém e gostaria de continuar assim.
“Não posso pensar em vingança” disse a si mesma, com nervosismo. “Dar uma lição em alguém seria considerado uma vingança? Minha prima bem que merecia...”.
Lembrou-se de quando ela mal chegara à Inglaterra e eles se mostraram receptivos.
Ela era tão bonita! Que Isabelle teve que se segurar para não se encolher diante daquela beleza divina. E a francesa não estava tão longe dela. Eram belezas diferentes. Uma era loira, de curvas voluptuosas, um pouco alta, de olhos azuis primaveris e sorriso provocante. Enquanto a outra era uma morena de cabelos bem cacheados, pele alva, olhos azuis glaciais e sorriso inocente... No entanto, para Otella, aquilo significava uma ameaça.
Talvez por isso ela se ocupasse tanto em denegrir a prima perante os empregados.
Mesmo que ela não admitisse, Isabelle sabia que havia sido ela quem entrara em seu quarto e rasgara todos os seus vestidos da última moda francesa. Também sabia que ela gostava de quando o seu pai batia nela, e nada fazia contra isso, porque gostava que a prima ficasse bem marcada. Assim, o único homem que olhasse para ela seria com pena ou nojo.
Sem roupas, e vivendo com marcas no rosto e no corpo, não ser apresentada devidamente à sociedade Londrina tornou-se algo inquestionável. Era estranho porque, seus pais haviam lhe mandado para lá na esperança de tirar sua filha do caos presente na França e para que ela encontrasse um bom marido por aqui.
No entanto, seu tio não fez o que lhe fora proposto.
Se dependesse dele, aquela moça, jamais se casaria com ninguém. A vida dela seria um inferno. Dito e feito. Isabelle conheceu o inferno bem de perto.
Ela desceu as escadas a tempo de ver Aloysia despedindo-se de Bobley e indo embora. Parecendo nervosa.
- Bobley, onde fica o escritório do seu patrão? – perguntou ao criado.
O velho homem olhou para Isabelle, primeiro parecendo preocupado, mas logo o seu rosto se iluminou como uma luz quando um pensamento lhe ocorreu. Ignorando o pedido de senhorita Aloysia Walt, ele guiou Isabelle até o escritório e se afastou.
Quando ela bateu e não escutou resposta, abriu a porta devagar e entrou.
“Boa sorte” desejou-lhe mentalmente.
“Ele realmente deve ser alguém bem rico” Isabelle cogitou quando entrou no escritório.
Era uma bela sala escura. Suas paredes eram vermelhas, o piso era de madeira nobre, havia uma escrivaninha bem organizada com uma cadeira logo atrás e duas na frente. Havia uma estante com muitos livros, vários deles Isabelle tinha vontade de ler – era uma traça de livro -, e um sofá no canto. Mas o que lhe chamou atenção foi a porta entreaberta em um canto quase invisível.
- Monsieur... – Isabelle chamou-o se aproximando da porta.
Um forte cheiro de tinta invadiu o seu nariz e ela teve cuidado em abrir um pouco mais, com cuidado. Não queria ser acusada de invadir um dos quartos dele e ser castigada depois.
Era uma sala relativamente pequena se comparada às outras salas da casa e abafada. Um pouco escura. Havia uma escrivaninha de um lado, um sofá e uma poltrona, um cavalete, muitos quadros, alguns usados, outros apenas com esboços, e outros ainda em branco. Esperando para serem pintados.
Ele estava arfante sentado na poltrona. De cabeça baixa, com um braço apoiado no joelho e uma mão bagunçando nervosamente os seus cabelos. Parecia perturbado. Bem, Isabelle também ficaria se houvesse aquela cena ao seu redor. Havia cinco quadros que estavam com o rosto de uma mulher manchado, propositalmente, de tinta. Como se ele houvesse pegado uma lata e jogado na cara dela. O que realmente pareceu ter sido feito.
Ela achou que aquele não era o melhor momento para conversar com ele e se preparou para sair, mas o ouviu dizer com a voz grave:
- Aloysia? Eu não te mandei me deixar?
Isabelle ficou em dúvida se ia embora ou respondia. Mas resolveu encará-lo.
- Não é Lady Aloysia, monsieur – respondeu a francesa.
Ele ergueu o olhar. Seus olhos estavam vermelhos, o que o fez parecer ainda mais bestial do que quando ele lhe roubou a sua pureza, e a encarou pelas frestas de seus cabelos cor de cobre.
- O que você quer aqui? – perguntou.
- Monsieur mandou que Bobley dissesse que queria me ver – ela respondeu como se fosse óbvio. Mas então ela perguntou: — Tudo bem com o senhor?
Ele pareceu refletir por um tempo.
Alexander sabia que ele não estava bem. Por culpa de Otella... De Otella e de todas as mulheres. Vagabundas. Não havia uma mulher no mundo que fosse verdadeiramente honrada? Quantas mulheres havia nos bailes que não haviam se casado com um homem por seu título ou por seu dinheiro? Elas eram um mal da humanidade.
- Diga-me uma coisa, você realmente se importa? Sei que me odeias... Ainda mais depois do que eu fiz com você – ele respondeu com amargor.
- Tento não pensar em ódio, monsieur. Meu pai é um homem muito religioso e me ensinou que não devemos guardar rancor ou ódio das pessoas, pois são sentimentos que apenas nos levará até nossa autodestruição. Acredite, se eu quisesse, já teria tornado a sua vida um inferno desde que acordei esta manhã com vossa respeitável cabeça em cima do meu corpo.
Ela disse a última frase com um sarcasmo assentuado, fazendo com que ele soltasse uma risada que soou debilitada. Ela tinha razão. Há um ditado que diz "Até o mais forte dorme".
- E isso tem algo haver com o fato de uma hora milady não passar de uma jovem ingênua e delicada, para que no minuto seguinte se transforme em uma jovem de sangue frio e exímia assassina? – perguntou.
- Bem... Creio que depois de passar meses sendo torturada, eu tenha adquirido uma força extintiva que me faça ser fria e cruel com as pessoas... Talvez algo que... Eu tenha adquirido com o meu tio – ela respondeu com repulsa de si mesma. – Mas você não é diferente. Ora eu realmente acredito que você se importa comigo, e ora penso que não passo de uma prostituta para você.
Ele concordou com a cabeça.
- Tento odiar as mulheres. Mas há uma esperança em mim, que tenta não odiar algumas delas. Algo que diz que um dia vai aparecer uma que é diferente de todas as outras – ele respondeu. – Tento te odiar, mas essa esperança não me deixa ser totalmente cruel com você.
Isabelle não disse nada, mas já tinha cogitado que ele era capaz de ser mais do que cruel com ela se ele quisesse. Ela apenas o “perdoava” por ter roubado o que havia de sagrado para ela, porque, um, ela precisava da proteção daquele homem rico, dois, porque tentava não guardar raiva das pessoas e, três, porque sabia que sua primeira vez poderia ter sido bem pior.
- Por que você odeia as mulheres? – perguntou com uma curiosidade que a constrangeu. – Principalmente sendo que você nasceu de uma.
- Minha mãe era uma vadia que dormiu com o mordomo – ele disse com rancor. – Mas não é por causa dela que sinto essa revolta com o sexo feminino e eu, sinceramente, não quero falar sobre isso. Quero falar sobre você.
- Sobre mim? – perguntou surpresa.
- Sim. Vamos sair daqui. O cheiro desta sala está me dando dor de cabeça.
Ele a arrastou para fora de sua saleta e a trancou com chave.
- Falando nisso, eu não fazia ideia que monsieur pintava – ela comentou.
- Só o faço quando estou entediado – ele respondeu. – Não tinha como você saber, mora aqui comigo somente há um dia, há muita coisa sobre mim que você não sabe.
E esta última frase soou misteriosa para ela.
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