Descobrindo O Verdadeiro Amor.
2 Capítulo 2 - Como um Bárbaro.
Notas iniciais
Muito obrigada. Sem você, não teria postado segundo capítulo.
...
Beijos,
EUQOPÉ-ELLE3
Capítulo Dois – Como Um Bárbaro.
.
Plaft.
O homem olhou para a mulher com incredulidade enquanto levava a mão para a parte esbofeteada no rosto. Uma mulher havia mesmo lhe batido? E o que mais o surpreendeu foi ver que, ao invés de ficar irado com o jeito ousado, isso apenas fez com que ele quisesse agarrá-la com mais ardor.
- Oh, mon dieu – ela disse parecendo assustada com sua própria atitude. – Oh... O que eu fiz? Pardon, monsieur. Pardon. Fiquei assustada.
“Se ela me bateu por eu ter lhe roubado um beijo, imagino o que fará quando eu lhe lembrar do motivo de tê-la comprado” pensou o homem com diversão.
Em geral, o duque nunca precisara usar a força para se deitar com uma bela mulher, mas não mediria esforços com aquela. Foram breves os instantes que fizeram com que ele ficasse paralisado diante dela. Sem reação alguma. Até que ele balbuciasse algo que nem ele entendeu e a agarrasse de novo.
Desta vez, ele se preocupou bem em segurar os braços de maneira que ela não fosse mais capaz de lhe dar um tapa na cara de novo. Viu que ela voltou a resistir, mas que os esforços eram quase nulos. E percebeu que ela estava em grandes contradições, pois seus braços lhe empurravam e lhe batiam no peito, mas seus lábios sediam aos seus encantos.
Empurrou-a contra a parede da carruagem e acariciou os lábios dela com os seus. Aos poucos, percebeu que ela parava de resistir e queria mexer os braços com outros propósitos. Sem que ela mesma percebesse, abraçou-o sobre os ombros e se deleitou daquele beijo.
Soltou um gemido baixo quando sentiu a língua dele acariciar a sua novamente e acabou levando a mão para o lenço em seu pescoço e o puxando para mais perto. “Como todas as outras...” ele pensou querendo rir.
Seus lábios deslizaram pelo pescoço dela com leves e delicados beijos sobre a pele cheirosa e ela virou a cabeça para o lado. Apertando os olhos com força e com o peito arfante.
- Mon Dieu, c’est un erreur – ela murmurou quase sem voz, para si mesma.
Mas ela sabia que não poderia resistir. Afinal, por algum motivo, sentira algo por ele desde que o vira entrar naquele lugar cheio de pecados. Vestido esplendidamente elegante, diferente dos outros que estavam ali. Seus cabelos como fios de cobres, seus olhos cinzentos, sua pele corada...
O que o seu pai ia dizer?
Quase imaginou sua voz falando com nojo: “Minha filha... Uma prostituta? Impossível. A partir de hoje, não tenho filha!”.
Voltou a empurrá-lo quando se lembrou de seu pai. Ela não podia fazer isso podia? Claro que as pessoas não precisavam saber sobre o que ela fazia com aquele homem, mesmo assim, a moça temia que a sociedade soubesse que logo ela fora vendida como uma prostituta para aquele homem de aspecto importante.
- O seu nome – pediu ele.
- O quê? – perguntou confusa.
- Eu ainda não sei o seu nome – explicou-lhe.
- Isabelle Marie Rêveur. Filha do sétimo Marquês de Bordeaux, primo de Louís XVI– respondeu ela quase com orgulho.
Ele parou e a observou.
Observou aqueles belos olhos azuis claros, aqueles sedosos e cacheados cabelos negros, aquela pele clara e perfumada... E aquele vestido vermelho escandaloso. “Pobrezinha, tão bonita e com a cabeça que não funciona.”
- Oh, claro que sim. E o que o Rei da França acha de ter uma prostituta como parente? – perguntou ele com sarcasmo.
- Não acredita? – perguntou ela, aparentemente ofendida.
- Nem um pouco, querida – respondeu.
Ela ficou sem ação.
Nunca antes sua palavra fora questionada ou posta a prova. Simplesmente o que ela dizia, era lei. Como assim ele se atrevia a duvidar da palavra dela? Justo um homem sem escrúpulos e nem morais até o ponto de se atrever a comprar uma mulher só para desvirtuá-la... E ele ainda questionava a verdade do que ela dizia.
Claro que a história dela era coisa de uma pessoa maluca, mas era a mais pura verdade. Mas aquele homem, que parecia ser descrente, não acreditaria no que ela lhe contasse. Não acreditaria que tudo aquilo era um plano friamente calculado arquitetado pelo tio e pela prima para se livrarem dela sem rastros.
— Por favor, acredite em mim – ela pediu com desespero. – Você precisa me ajudar.
Ele segurou suas mãos e, com um olhar malicioso, disse:
- Se você me ajudar, eu te ajudo também.
Ela ficou ofendida e lhe esbofeteou de novo. Nunca esperou que um ato tão vulgar aliviasse tanto a tensão que ela sentia por seu corpo. Mas ele não aceitou aquele tapa de bom agrado e segurou sua mão.
- No início foi até divertido, mas você está começando a me irritar.
- No início foi até assustador, mas você está começando a me dar nojo – ela retrucou.
Isabelle realmente não parecia nem um pouco com aquela garota que ficara encolhida no conto de sua carruagem. Ele cogitou que talvez fosse porque, por estar assustada e sem saída, enfim o animalzinho resolveu mostrar suas garras.
A carruagem parou e o empregado abriu a porta para ele.
Ela relutou, novamente, como uma mula, mas não era uma relutância tão forte que ele não conseguisse puxá-la. Pelo pulso a arrastou, mas desistiu ao ver a pele branca ir se marcando com a marca de sua mão. Então ele a segurou pela mão, mesmo que ela relutasse muito, não tinha como fugir.
- Por favor, monsieur – suplicou-lhe amedrontada de novo. – O senhor vai ver que não serei uma boa amante... Meu corpo está ferido, nunca fiz nada do tipo na vida e beijo tão bem quanto um peixe. S’il vous plaît laissez-moi partir!
Ele olhou para ela com diversão. Seu corpo estava ferido? Beija tão bem quanto um peixe? Certamente eram comentários engraçados.
- Acredite em mim, será melhor você ficar comigo do que naquele lugar atendendo à um monte de homens – ela comentou cruelmente.
Ela olhou para ele com nojo e raiva.
Ele a puxou para o vestíbulo, onde foi cumprimentado por uma empregada que olhou feio para a moça, pediu para que ela arrumasse outro quarto e a arrastou para o quarto dele. Ela relutou, gritou coisas em francês, se esperneou, mas nada adiantou. Parecia que ele tinha um bando de empregados surdos... Ou talvez estivessem acostumados.
Por Deus! Aquele homem compartilhava dos mesmos gostos do Marquês de Sade*?! Isabelle esperava que não, se não, estaria em sérios apuros. Pois disso, já bastava o seu tio...
Aquele era, sem dúvida, um dia infeliz.
Isabelle Marie Rêveur nem bem despertara em seu pequeno, abafado e empoeirado quarto quando fora posta para bancar a camareira e empregada escrava de sua prima, a bela Otella Webber. Justo naquele dia, Otella estava de mau humor, pois acabara de retornar da lua de mel e seu marido tivera que viajar.
A Rêveur estava em seu inferno astral e ela já havia percebido isso desde que pusera os pequeninos pés descalços no chão e vira aquela mariposa negra pousada na baixa viga de seu quarto, mas naquele dia, ela tivera certeza do que significava.
- Rápido sua preguiçosa! Sirva o chá! – mandou Otella com rispidez, ajeitando os belos cachos loiros e ajeitando o vestido.
Isabelle resmungou para si mesma e se preparou para servir o chá. Tudo o que a jovem Rêveur agradeceu naquele instante, era a falta de seu tio, que saíra para cavalgar. Se ele estivesse ali, era provável que já teria encontrado um motivo frívolo para surrá-la. Apanhar de Otella, simplesmente doía menos.
N entanto, como aquele realmente não era o seu dia, enquanto servia o chá à sua prima, seu tio chegou e um dos cachorros dele correu ao seu encontro. Esbarrou-se na francesa desajeitada e esta acabou derramando o líquido sobre o vestido caro da sua prima loira.
- Ah – ela deu um grito agudo. – Veja o que você fez! Esse vestido custa mais do que a sua vida, sua pirralha! Ora sua... Ratinha parda magrela!
Isabelle não comentou que era um absurdo ser chamada de “parda” já que a sua pele era mais branca do que a dela ou a do tio, mas por estar assustada e amedrontada, Isabelle nada disse além de pedir desculpas.
- Desculpe-me, Otella, foi um acidente.
- Lady Webber para você! – ela respondeu com grosseria, tentando inutilmente limpar o vestido. – Urgh, isso não vai sair nunca!
- Bom dia, querida – o malvado homem disse adentrando e franzindo o cenho, perguntou: — O que houve?
- “O que houve?” – repetiu com desdém. – A sua afilhada surtada derramou chá no meu vestido!
- Foi um acidente! – Isabelle apressou-se em dizer, mas sabia que ele não acreditaria ao menos que Otella dissesse a verdade, o que ela jamais faria.
- Não foi não! Ela estava com inveja porque eu me casei com o Duque de Bristol e derramou chá em mim de propósito.
Isabelle olhou para a prima com indignação, por conta da mentira. No entanto, para Arthur, seu tio, aquela era a única verdade que havia. E, para mostrar o quanto naquele dia Isabelle deveria ter voltado a dormir ou se asfixiado com o lençol velho, seu tio ainda estava com o chicote dos cavalos.
- Venha cá, Isabelle. Vou lhe ensinar um pouco sobre como se comportar diante de uma lady – disse-lhe o sádico.
E então Isabelle sabia que tinha que tentar sumir ou acabaria morta nas mãos dele. Não suportaria outra surra daquele homem. Não gostava de pensar no como ele se excitava quando a batia e que até lhe fitava com malícia, mas acabando por concluir que aquela “coisinha” não merecia o prazer que ele tinha a lhe oferecer.
Mas agora, Isabelle não tinha que se preocupar com o tio, mas sim, com aquele homem. Aquele que se aproximava a passos mansos e vagarosos até ela.
- S’il vous plaît, monsieur – pediu a donzela em tom de súplica.
O Duque de Knightley deveria ter levado aquele pedido em consideração. “Ela é diferente” murmurava uma voz distante em sua mente, mas, contra ela, imagens de todas as mulheres de sua vida sobressaíram. As mulheres o usavam e ele não iria permitir que aquela o fizesse também.
Ele avançou em sua direção e ela procurou um caminho para correr, mas antes que o fizesse, ele havia segurado com uma força diferente da que ele havia usado. Ela sentia que ele não queria apenas segurá-la, ele queria feri-la também.
- Monsieur – suplicou-lhe novamente, chorando.
- Vocês se acham muito espertas, não? – sussurrou-lhe ao ouvido. – Acham que podem manipular os homens com lágrimas e palavras certas... Mas, eu quero que saibas, Isabelle, que eu não me comovo com tão pouco.
Era mentira, pois quando ele a jogou na cama e viu aquele mar azul em orbes avermelhadas, transbordando as águas salgadas; o duque quase se comove com o seu desespero e a deixa ir. Mas sobrepondo àquilo veio um déja vu. E ele se lembrou do como as lágrimas de uma mulher poderia ser perigosas. Veio-lhe a raiva.
Face a face, Isabelle se recusou a encará-lo. Jogou o rosto para o lado e penso no quê poderia fazer para que ele desistisse daquela ideia louca. Poderia tê-la comprado como se ela fosse uma prostituta, mas ela não era. Ela não podia agir como tal. Então, pensou nas repulsivas marcas em suas costas.
Homem nenhum teria coragem ou estômago para dormir com uma mulher que estava machucada daquele jeito. Principalmente ele. Ele sentiria tanta repulsa que era bem capaz de deixá-la em paz. Ao menos que ele fosse como o Marquês de Sade e decidisse que, não somente era belo, quanto ele mesmo gostaria de fazer novas marcas nela...
O pensamento fez um arrepio percorrer por ela.
Ele se livrou da casaca justacorps** e logo se despiu. Viu-a desviar o olhar e quase riu da atuação dela. Como prostituta, era bem capaz dela fingir ser virgem. Assim como ela não teria nenhum grau parentesco com Luís XVI
Isabelle pensou no como ele realmente era um homem bonito e encorpado, mesmo que não gostasse de admirá-lo nu. Seus olhos eram prateados, com partículas liláses. Seus cabelos eram como fios de cobres e a pele era corada e saldável.
- O quê houve? Nunca viu o corpo de um homem antes? – perguntou rindo. Pegou o rosto pequeno e delicado em sua mão e a forçou a olhá-lo. – Acostume-se com o meu corpo, pois será o único para você.
Ele lhe roubou os lábios em um beijo faminto e selvagem. Isabelle socou-lhe o peito másculo e nu sem saber que seus leves socos só fazia o homem continuar. O duque deslizou seus lábios pelo pescoço branco dela e rasgou a frente daquele vestido – de péssimo gosto – vermelho, fazendo a dama se retrair em vergonha e timidez.
Ergueu o tronco dela em seus braços – deixando de prensá-la sobre sua cama – e levou os seios macios e perfeitos aos lábios. Isabelle não acreditou no que sentiu: prazerosos arrepios surgindo da ponta de seus seios e se espalhando pelos corpos.
Isso era errado!
Ela estava prestes a ser estuprada e ainda sentia prazer?
Isso havia ouvido as empregadas comentando sobre o quanto era condenável e vulgar certos sentimentos e atos de uma dama na cama. Até mesmo quando casada.
- Monsieur, pare! – pedia, mas não queria que se concretizasse.
Ele sugou a ponta rija do seio rosado para seus lábios e, ali, acariciou. Como um artista pincelando um quadro com delicadeza, a ponta de sua língua esbarrava com o mamilo. E, quando ele trocou o direito pelo esquerdo, ainda teve o agradável e excitante ar frio sobre a saliva quente.
“O que é isso?” perguntou-se ela, sem mais encontrar forças para lutar contra ele e contra o que ele queria fazer. E isso a envergonhou.
Ele a despiu por completo e, por um lado, ficou encantado com a beleza do corpo dela. Seus cabelos negros e cacheados vinham até abaixo da cintura fina, os seios eram medianos e encantadores, os quadris largos, as pernas longas e delgadas... A mulher tinha a perfeita proporção desenhada por Michelangelo.
O encantamento dissipou grande parte de seus sentimentos maléficos, que retornaram quando ele passou a odiar aquela beleza. Quantas vezes ela não teria seduzido um homem para brincar com ele?
Descontando sua raiva na pessoa errada, beijou-a com raiva e rancor. De modo que Isabelle acreditou que ele seria capaz de rasgar seus lábios E o duque levou sua mão à forma feminina em V que suas pernas se encontravam, estimulando-a em círculos. Poderia estar certo de provar a si mesmo que ela não era virgem, mas não ia machucá-la.
Ele percebeu, com o breve contato dos dedos habilidosos, a quão inesperadamente excitada e úmida ela estava. O que apenas reforçou a sua teoria de que ela não era virgem.
Isabelle corou e cerrou os olhos com força. Os tapas e socos que ela dera em seus ombros, tornaram-se carícias e um abraço, onde, perto de seu ouvido, soltava gemidos sôfregos que ela prendera na garganta. Isabelle queria mexer as pernas, mas tinha medo de fazer algo que o fizesse parar com aquela carícia circular no lugar íntimo.
No entanto, foi surpreendida quando ele cessou por vontade própria e se posicionou entre as pernas dela. Envolveu-as em torno do estreito e torneado quadris e decidiu que provaria a si mesmo que aquela mulher em seu leito era como todas as outras.
Tal qual um bárbaro saqueia os tesouros de uma vila, Alexander Knight saqueou o que Isabelle mais considerava precioso. E ainda ficou surpreso ao constatar que de fato ela era pura. Até aquele momento. O homem até chegou a paralisar de surpresa.
O grito de dor dela e o derramar de todas as lágrimas de sua alma, vieram de uma só vez quando ele lhe rompeu a barreira de sua castidade.
Ele quase não teve coragem de encará-la de volta e observar aquele rosto banhado em lágrimas enquanto tentava empurrá-lo de cima dela. Ela queria parar naquele instante, e se esconder onde a vergonha e humilhações não existissem. Onde ele não existisse.
Mas eles não podem parar.
Não depois de terem ido tão longe.
- Isabelle... – chamou-a segurando em seus braços. – Prometo que logo a dor passa...
- E você se importa? – questionou com a voz trêmula, mas cortante como uma lâmina.
Ele não respondeu, pois merecia aquilo.
- Desculpe-me, eu...
- Peso na consciência? – interrompeu-lhe com a voz ríspida. – No meio do ato? Não. Você não sente. Afinal, você pagou para isso. Satisfeito por desvirtuar uma jovem?
Ele ficou em silêncio, porque a resposta era “não”. Ele não ficara satisfeito.
Notas finais
** Modelo de casaco que é justo na cintura. Muito comum de antigamente.
MINHA INSPIRAÇÃO PARA O DUQUE DE KNIGHTLEY:
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