Descobrindo O Verdadeiro Amor.
10 Capítulo 10 - Como Minha Esposa.
Notas iniciais
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Agradeço aos reviews de:
> Rê Lovegood
> BelleCat
> AC
> Lady_Layla
> Sweet Potter
> Hina
> KaoriChan
> TheShadowHunter
> Allison
> sammy_ielpo
...
Beijos,
EUQOPÉ-ELLE3
Capítulo Dez – Como Minha Esposa.
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Uma semana depois.
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Isabelle olhou para a mesa posta e bufou.
Os empregados ficaram temerosos e tensos, pois haviam aprendido que o bufar de uma patroa não era um bom sinal, e começaram a se perguntar o que eles teriam de refazer para agradar à nova futura patroa.
- Algo não a agrada milady? – Bobley perguntou.
- Sim. Bem, monsieur Alexander e eu nos casaremos esta tarde, mas hoje eu ainda não tive nem notícias de onde sua honrosa pessoa se enfiou – a francesa reclamou. – E estou começando a me preocupar com o seu sumiço.
- Ora, querida, ele deve ter ido resolver algo na igreja ou ter ido exibir o seu ducado para George. Coisas de homens – sugeriu Eleonora ao seu lado. – Logo estarão de volta. E o que achaste do jantar?
Isabelle olhou para a grã-duquesa e sorriu. Duas noites antes, ela e o grão-duque vieram para o jantar de noivado e haviam se instalado na grande mansão que Alexander ostentava, assim como o irmão dele, Nicolai, e Aloysia. O que deixou o anfitrião com raiva porque não poderia tê-la em seus braços até o casamento. O pai dele não veio, provavelmente, o convite não chegara até ele.
- Oh, está ótimo. Meus parabéns. Sirvam assim hoje à noite e ficarei muito satisfeita.
Os criados suspiraram aliviados, e só então Isabelle percebeu o quão nervosos estavam e corou com isso. A francesa percebeu que as pessoas que trabalhavam para Alexander eram honradas e gostavam do que faziam. Mas depois do modo súbito com que ele a apresentara à todos, eles ficaram com medo dela.
- Esta é Isabelle Marie Rêveur, minha noiva, logo, a futura Duquesa de Knightley e futura patroa de vocês. Quem não gostar da minha escolha, sinta-se livre para pedir demissão – ele dissera de modo arrogante.
Claro que ninguém pediu demissão e não tardaram a atender aos caprichos dela. Demorou algum tempo para que os criados percebessem que ela não era a megera que eles esperavam, mas alguns ainda a temiam.
- Acho que já está na hora de você se arrumar – sugeriu Eleonora. – Mulheres demoram mais do que homens para ficarem prontas.
Isabelle suspirou e teve que concordar.
- Então, vamos Clarinda? – chamou a criada que sempre a acompanhava. – Se tiveres notícia de meu noivo, avise-o que estou muito brava.
Eleonora riu e concordou com a cabeça.
Isabelle seguiu com Clarinda e ia subir para o seu quarto quando Thomas, o filho da criada, se aproximou. Isabelle gostava muito do garotinho e parecia que ele gostava dela também.
- Aconteceu alguma coisa querido? – perguntou Clarinda ao filho, o pegando no colo.
Ele negou com a cabeça e estendeu um buquê com flores coloridas e cheirosas para a patroa. Isabelle sorriu.
- Oh, são para mim? Merci, mon ange – ela agradeceu beijando seus cabelos ruivos.
Clarinda ficou constrangida pelo filho, mas ficou aliviada pelo gesto da futura duquesa. A criada sabia que a patroa não era esnobe como as outras de Londres. Quando a acompanhava em uma volta por Knightley, bastava se afastar um pouco para que ela conversasse e brincasse com as crianças. Isabelle adorava crianças. Adorava saber que elas não tinham maldade.
- Veja, Knight, parece que a sua noiva tem admiradores – brincou George, aparecendo com Alexander no Hall de entrada.
O duque tinha um brilho de brincadeira nos olhos.
- Devo me sentir ameaçado? – perguntou com um meio sorriso.
- Bem, monsieur, quem não dá assistência, dá lugar à concorrência – ela disse com frieza. – Vamos Clarinda, pelo menos eu me lembro de que tenho que me arrumar para um casamento.
A criada pôs o filho no chão e riu, seguindo a sua patroa. Então a francesa tomou banho e começou a se arrumar com a ajuda de Clarinda. Seria mentira dizer que a criada não teve pena em apertar o espartilho, pois teve medo de puxar muito e fazer com que ela mal consiga respirar, mas Isabelle havia insistido.
Não era como se Isabelle amasse o espartilho, na verdade, odiava, mas gostava do suporte que eles davam aos seus seios. Moldavam o seu corpo e o deixavam bonito.
- Por que, com tantas cores, você vai se casar de branco? – perguntou Aloysia, analisando o vestido de casamento da sua rival no amor.
Isabelle sorriu. Nem havia visto quando ela entrou em seu quarto.
- Eu gosto de branco e papa dizia que branco ficava bem em minha pele – ela sorriu com nostalgia. Queria que os familiares estivessem em seu casamento.
- E onde está o seu pai? – perguntou Aloysia.
- Em Paris. Creio que a minha família não poderá chegar a tempo para o casamento – ela respondeu com uma nota de tristeza. – Nem sei se minha carta já chegou a eles.
Tanto que, quem conduziria Isabelle ao altar, seria Nicolai, o irmão mais novo de Alexander. O Grão-Duque havia se oferecido, mas Alexander recusou o pedido, afinal, ele já era o padrinho. Nicolai era um bom garoto, pelo o que Isabelle pôde perceber. Um homem justo e sincero. Companheiro. E pelo modo que Alexander o tratava, percebia-se que ele era o único familiar que Alexander queria por perto.
- Então porque você não deixa Alexander em paz e volta para a França? – perguntou com agressividade, surpreendendo até Clarinda que fazia o penteado de Isabelle. – É injusto que uma garota que não o ama se case com ele.
- E quem lhe disse que eu não o amo? – ela perguntou com frieza.
- E desde quando prostitutas amam? – retrucou. – Filha de um Marquês francês? Não, eu não acredito. Sei que ele te comprou para brincar com você, e ainda não sei o porquê desse interesse dele em se casar com você.
- Você não sabe o que está falando – Isabelle disse com calma, mas no fundo, sentia-se humilhada. – Je suis filha de Lorde Jean-Paul Rêveur, Marquis de Bordeaux, e se ele me comprou foi um engano. E você acha que uma mulher como eu aceitaria que ele me tocasse depois do que ele me fez sem que eu o amasse?
- Então você o ama? – ela perguntou.
Isabelle engoliu em seco e abaixou o olhar.
- Sim. Eu o amo – respondeu em tom baixo e constrangido.
Perguntou-se quem aquela dama achava que era para ficar perguntando dos sentimentos alheios. Ela se achava a dona ou a esposa de Alexander para ficar tirando satisfações das aventuras dele?
- Mesmo assim eu ainda não o entendo... Por que você e não eu? – Indagou revoltada.
- No dia em que você o compreender, faça um manual porque eu vou estar muito interessada em ler.
Aloysia bufou ao ver que Isabelle estava calma e nem se abalava com o que ela dizia.
- Se você não quiser, não precisa ir ao casamento. Eu não lhe culparia e nem estou te obrigando a comparecer por lá. Agora, por favor, se retire do meu quarto, você está me estressando.
Aloysia ficou revoltada e indignada com a petulância e o tom frio dela e foi-se embora do quarto. Clarinda ficou quieta, mas preocupada com o que ouvira e se preocupou com o penteado.
- Está bom assim milady? – perguntou fitando o reflexo de sua patroa.
Isabelle chorava e Clarinda se surpreendeu ao ver o como ela chorava. Em seu rosto, fazia-se um único franzido entre as sobrancelhas arqueadas enquanto as lágrimas derramavam sem soluços. Sem som algum.
- Milady? – chamou-a com uma pontada de pena.
A francesa despertou soltando três soluços.
- Hã? Oh, sim. Está ótimo – ela disse passando a mão pelo rosto molhando e suspirou para se acalmar. – Desculpe.
Clarinda olhou penalizada para a sua patroa, mas ficou com medo de dizer algo. Em geral, o conselho indevido – ou seja, sem ser pedido – de uma criada para alguém superior era considerado como uma insolência. Sem contar que moças da sociedade não gostavam de ser vistas chorando ou tristes.
“Pior ainda se no dia do próprio casamento” pensou a criada.
- Importa-se de colocar isso em mim? – Isabelle pediu passando-lhe um colar.
A empregada concordou com a cabeça e colocou o colar em sua patroa. Era bonito e havia sido comprado com o dinheiro de Alexander. Realmente, gastar o dinheiro dos outros era algo muito bom, mas isso era desconfortável para Isabelle.
- Acho que estou pronta então – ela disse respirando fundo e se levantou da penteadeira. – Acho melhor descer.
- Milady – Clarinda a chamou.
Isabelle olhou para criada e observou quando ela pegou um lenço largado sobre a penteadeira e limpou uma lágrima que fugiu das mãos da francesa. A futura duquesa agradeceu à ela com o olhar e saiu do quarto para descer as escadas.
Como Alexander não era o tipo de cara que suportava esperar por uma mulher se arrumar, ele já havia ido para a igreja com o Grão-Duque e com a grã-duquesa. O que deixou Isabelle menos tensa que agora ela só teria de ir com o calmo e quieto Nicolai.
- Fico muito feliz em ver que meu irmão irá se casar com uma mulher que não liga para dinheiro ou tradições – ele havia comentado na carruagem.
“Você não sabe nem da metade” pensou Isabelle.
- E o que o faz pensar que não ligo para o dinheiro ou tradição do seu irmão? – perguntou a francesa, para ficar menos nervosa.
- Porque o título dele é recente... Acho que um dos motivos para Otella tê-lo deixado e ido se casar com outro duque tem haver com as nove gerações em que aquele ducado pertencia à família dos Birdwell... Além de, é claro, seu estado de saúde debilitado. – Nicolai dizia olhando para a paisagem. – Mas acho que ela o deixou porque descobriu que Alexander é o filho bastardo da Baronesa de Humpfray.
Isabelle havia deixado aquilo passar, mas então a palavra “filho bastardo” chamou a atenção dela. Foi com confusão e incredulidade que ela fitou Nicolai sem compreender.
- Filho bastardo? – perguntou com um franzido na testa.
- É... Ele não lhe contou ainda? – perguntou ele surpreso. – Bem, ele deve ter tido vergonha de contar então. Bem, ele deve ter dito que odiava a mamãe porque ela era infiel ao nosso pai. De fato é verdade, tanto é... Que Alexander é o fruto de uma traição de nossa mãe... Com um empregado.
A francesa ficou chocada e levou a mão enluvada à boca.
- Ele não sabia até uns nove anos atrás... Quando ele descobriu. Foi embora e nem fez questão de pedir a herança do barão que, até então, era seu “pai”. Eu acho, milady, que ele ficou com raiva de transitar por uma sociedade que ele não merecia e resolveu fazer sua própria glória. Fazer por merecer. E em um caminho que muitos fracassam, ele conseguiu o que queria. Não me admiro, ele sempre foi muito ambicioso e engenhoso.
Isabelle percebeu que essa era a outra versão, provavelmente a verdadeira, de como ele conseguiu o seu “sucesso”. Bem, ele não havia dito à Isabelle que ele havia começado do zero, provavelmente temia que ela o rejeitasse e toda a sua vingança fosse por água a baixo. Mas, ao invés de afastá-la, ela sentiu uma imensa admiração por ele.
Como poderia um homem começar sua ascendência social do zero e chegar até ser um DUQUE. Ela entenderia se ele virasse um baronete, um barão ou, no máximo, um visconde, mas um Duque? Realmente tinha que ser muito engenhoso e ambicioso. Ou conhecer as “pessoas certas”, como o seu pai dizia.
- Isso combina, de certo modo, com o jeito perseverante dele – ela comentou sorrindo.
Nicolai concordou com a cabeça e sorriu.
A carruagem parou e ele a ajudou a descer. Por um instante, Isabelle ficou intimidada em saber que – caramba – iria se casar agora. Naquele momento. Ela sentiu até vertigem e teve que se apoiar em Nicolai por um breve momento.
- Tudo bem? – ele perguntou preocupado.
- É... Hm... Medo, eu acredito – ela respondeu com um pouco de medo.
Mas ela havia procurado aquilo e não iria fugir. Sem contar que, se ela fugisse, faria um mal tremendo para Alexander e tudo o que Isabelle menos queria naquele momento, era magoá-lo mais do que ele já estava magoado.
Por isso encarou a cerimônia, mesmo com um pouco de receio, e não se surpreendeu ao ver que Aloysia não havia ido. Na verdade, Isabelle nem se surpreenderia se ela já houvesse ido embora de lá o quanto antes. Seria desagradável soltar umas poucas e boas para a nova dona da casa.
O casamento foi rápido e o jantar foi agradável. Na verdade, divertido. O grão-duque e sua grã-duquesa eram boas companhias e Isabelle não entendia o porquê Alexander não o considerava seu amigo. Eles pareciam ser o tipo de pessoa que não eram hipócritas e que se valiam a pena ter como amigo.
No entanto, quando se trata de Isabelle, nada é perfeito.
Ela estava na sala azul conversando com a grã-duquesa enquanto Alexander havia ido para o escritório com Nicolai e George conversar sobre seus negócios, e um pouco mais sobre o que os homens falam, quando um criado entrou nervoso na sala onde ela estava com Eleonora.
- Vossa graça! Vossa graça! – ele a chamou, nervoso.
Isabelle estranhou aquela reação, em geral, todos os criados eram calmos e discretos na casa de Alexander. Ela acreditava que ele mandava que todos fossem assim já que ele odiava escândalos e estardalhaços.
- Algo de errado, Barkley? – perguntou a francesa assustada.
- Creio que sim, Milady. Há um cavalheiro muito nervoso querendo falar com o patrão – respondeu o empregado. – E ele parece muito furioso. Deixei-o esperando na sala de visitas.
Isabelle franziu o cenho e olhou para a grã-duquesa que parecia tão confusa quanto ela. Teve que pedir licença à Eleonora e disse ao criado que conversaria com o homem enquanto ele ia chamar Alexander. Sentia que aquilo não era algo muito bom.
Isabelle andou até a sala de visitas, que estava com as portas abertas e paralisou com a figura ameaçadora que estava ali. Sentiu um nó na garganta e os lábios secos. Era assim que se sentia, sempre que tinha que enfrentar Lorde Leopold Justus Webber, porque já sabia que acabaria levando uma surra de chicote.
Lorde Webber estava em pé diante da lareira, sinistro e ameaçador como sempre parecia aos olhos da francesa mesmo quando não estava bravo. Pela expressão do olhar e os lábios apertados ela sabia que ele estava furioso.
Sentiu o coração agitado e começou a tremer de medo.
E quando aqueles olhos negros e sagazes como os de um falcão pousaram sobre ela... Ela teve a visão do inferno.
- Ah, então você estava mesmo aqui, Isabelle – ele disse com incredulidade.
Isabelle respirou profundamente e pensou em fugir, mas não faria isso. Não agora que havia ido tão longe.
- Como você...
Ela nem completou a pergunta quando o viu erguer um convite de casamento que ela mesma havia assinado. Aquilo deveria ser obra de Alexander. Agora ela entendia o porquê ele havia analisado cada um dos convites com cuidado e pegado o que estava com a melhor caligrafia. Ela imaginou que ele ia mandar para George, não para seu tio!
- Sim... Eu estou aqui – ela disse tentando manter fria agora.
Ela havia procurado por aquilo.
- Você deve estar pensando que é muito esperta, não é? Casar, se é que se casou mesmo, com um homem que até então estava apaixonado por Otella e que é o amor da vida dela... Ora, essa é boa! Agora, lhe digo uma coisa, mocinha, não gosto que me façam de bobo! E já que o seu casamento não tem valor legal, vou levá-la de volta comigo e castigá-la por essa sua atitude desprezível para com sua família. De um jeito... Que você não irá se esquecer disso tão cedo!
Ela quase se deixa intimidar. Ela quase se joga aos pés dele e implora por misericórdia, mas se lembrou de que seu casamento tinha, sim, um valor legal. E também se lembrou de que agora ela era uma Duquesa. Jamais se humilharia perante alguém que não fosse do mesmo nível.
- Desculpe-me se o irritei tio... Mas não pretendo ir a lugar algum – ela disse com a voz suave e expressão apática.
- Eu não vou deixar que vocês desafiem a minha autoridade, nem vou permitir que uma sobrinha minha se porte como uma vagabunda qualquer que se deita com o primeiro homem que encontre! Vamos! Vá buscar suas coisas! A não ser que queira apanhar aqui mesmo! E isso é algo que você bem merece!
- É claro que o senhor diz isso agora... Afinal, gostaria que eu me deitasse com o senhor primeiro, não é?! – ela o desafiou, pela primeira vez, erguendo a voz. – Mas, eu acho melhor, tio, esperarmos por meu marido para saber o que ele vai achar disto tudo!
Sua resposta ousada enfureceu o lorde a tal ponto que ele a segurou pelo braço e, lhe sacudindo, gritou:
- Não descuta comigo! Vá agora pegar as suas coisas!
Ela viu que ele ergueu a mão para ela, mas a visão que tantas vezes a assustara à ponto de fazê-la se encolher, apenas fez com que ela eguesse o queixo e fizesse aquela mesma expressão ousada que ela fazia quando lutava por algo que acreditava. Quando descutia com Alexander por coisas frívolas.
Nesse momento, o duque, seu irmão e seu amigo, entraram na sala. Fazendo com que imediatamente o visconde abaixasse a mão e soltasse Isabelle, que já estava com o braço vermelho. Quando ela o viu, correu até ele e se jogou em seus braços sem se fazer de rogada. Afinal, eles haviam se casado.
- Posso lhe perguntar, Lorde Webber, por que está gritando com a minha esposa? — perguntou o duque em um tom de voz sarcástico.
- Sua esposa! – exclamou ele com escárnio. – Você acredita mesmo que ela é sua esposa? Ora, você não é nenhum tolo, Knight! Sabe tão bem quanto eu que neste país, casamento com menor de idade só é válido legalmente com o consentimento do tutor.
- Nos casamos com uma licença especial – comentou o Duque alisando o braço avermelhado de Isabelle. – O padre que realizou a cerimônia não fez perguntas. Portanto, se preferir, estou disposto à levar a questão aos tribunais e vou alegar compaixão, diante dos juízes, como motivo que me levou ao casamento.
- Compaixão?! Você pode ameaçar e fazer barulho, Knight, mas eu vou levar a minha sobrinha comigo imediatamente e dar a ela o castigo que merece por fugir de casa e se jogar nos seus braços!
Ele estava gritando de raiva, mas isso só fez Alexander sorrir.
- Espero, milorde, que repita o que acabou de dizer, exatamente com essas palavras, diante dos juízes. Como já disse, não importa os meus sentimentos em relação à sua sobrinha, não posso permitir que uma garota tão delicada, seja tratada com tamanha brutalidade e acreidito que qualquer um dos jurados concordará comigo. E caso queira desmentir, tenho testemunhas honrosas que tenho certeza que me apoiarão.
O visconde de Barrington olhou para o grão-duque e sua mulher e para Nicolai e ficou vermelho de raiva. Fez-se um silêncio por algum tempo e depois, ele disse com calma:
- Não sei do que está falando.
- Estou dizendo... – o duque começou com rispidez –, que se decidir recorrer à justiça para anular nosso casamento, eu pretendo levar minha mulher ao tribunal e mostrar o modo com que tem sido tratada. Não sei se o senhor se lembra, mas deixou marcas bem nítidas nas costas dela e isto, milorde, servirá para mostrar ao mundo social, o qual gosta tanto de brilhar, exatamente o tipo grosseiro e bruto que é e sempre foi!
Houve um silêncio total no cômodo enquanto os grãos-duques tentavam compreender o que estava acontecendo. George tinha uma vaga ideia do que estava acontecendo, pois lembrava-se de ter ouvido Alexander comentando algo, mas queria compreender direito o que estava acontecendo na sala.
Então, em tom afável, o visconde disse:
- Talvez eu tenha sido um pouco precipitado... É claro que, se está satisfeito com esse casamento esquisito, não tem sentido eu querer anulá-lo.
- Seria absolutamente inútil! – riu Alexander. E gesticulou para as portas abertas da sala de estar. – E agora, milorde, tenho certeza de que seus cavalos devem estar recuperados e ansiosos para repetir a longa viagem de cinco horas de volta para Londres.
Leopold arregalou os olhos para o duque, incrédulo.
- Você está me expulsando de sua casa, Knight?
- Não – ele disse com sarcasmo. – Estou apenas deixando claro que prefiro o senhor lá fora a ficar aqui dentro, impregnando o ar com seu veneno e seu interesse. Boa noite, milorde.
Não havia mais nada a fazer e com raiva, Leopold olhou para a sobrinha amparada pelos braços do duque. Isso não iria ficar assim, ele havia concluido. Então atravesou o saguão e saiu. No entanto, parou um tempo na porta. O rosto estava contorcido de raiva e ele resmungava baixo.
- Você é doente, Knight. Muito doente – disse com raiva.
- Por que você não nos deixa em paz agora, e vá esperar que seu genro morra. Afinal, é apenas isso o que você está esperando para assumir a cadeira dele na câmara dos lordes, não? — comentou Alexander com ironia.
O visconde rosnou e foi embora.
Isabelle ainda tremia de medo, mas havia algo de diferente que a reconfortava. Porém Isabelle ainda tremia e temia. Ela conhecia aquele olhar que ele lançou quando ela estava abraçada ao marido e sabia que ele não iria desistir.
Essa simples ideia a deixou com medo.
- O quê foi isso? — perguntou o Grão-Duque, um pouco em choque. – Parece que você tem uma longa história para compartilhar conosco, Knight.
Alexander sorriu para o companheiro e depois para o irmão.
- Isso foi incrível – Isabelle murmurou olhando para ele. – Foi como se ele tivesse medo de tocar em mim... Ele... Covardemente cedeu a ideia de nosso casamento!
- Acostume-se com isso, meu amor. Como eu disse, agora você é intocável.
...
- Está tudo aqui, milord – criado disse colocando o último baú no vestíbulo.
O homem cruzou os braços, concordou com a cabeça e agradeceu. Nem se preocupou em ser grosseiro, pois todos sabiam que ele tinha motivos de sobra para estar tão furioso e revoltado quanto ele estava. Na verdade, ele se sentia um tolo por não ter tomado aquela decisão mais cedo.
Sua princesinha o havia esquecido, seu país estava um caos e sua família corria perigo. Já era hora de ele dar um basta naquilo e ir, de vez, para a Inglaterra.
- Parece que milord ainda não está de bom humor – comentou Anne Marie para a patroa, com uma nota de preocupação na voz.
- Sim, Nannerl. A filha é algo precioso para ele e passar um mês sem uma única notícia dela o deixa de péssimo humor – respondeu a mulher. – É por isso que estamos indo para Inglaterra agora mesmo.
- Marquis de Bordeaux! Marquis de Bordeaux! – um criado foi para o vestíbulo com um envelope em suas mãos.
- Oui? – o homem disse de má vontade, se virando para o criado.
- Uma carta de sa fille, Madame Isabelle Marie Rêveur! Future Duchesse de Knightley – o criado disse entregando a carta aos seus patrões e se afastando.
Mas havia algo que não havia passado pela garganta de Jean Paul Rêveur.
- Future Duchesse de Knightley?!
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