Descobrindo O Erro!
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Gostaria de fazer um agradecimento especial a todas as leitoras que favoritaram minha fic :* Brigada! Mesmo.
A campainha soou. Julie até pensou que fosse Nícolas. Ficou apreensiva se perguntando se abria ou não a porta. Enxugou as lágrimas com as costas das mãos. Quem quer que fosse na porta, ela não queria que a visse como estava. A campainha soou novamente, insistente, então sem mais escolha, Julie se levantou, foi até ela, e abriu. Pra sua surpresa, era Bia e Valtinho, que estavam de mãos dadas.
- Julie, a gente veio te chamar pra ir na sorveteria com a gente e... Julie?! – Exclamou espantada quando se deu conta do semblante da amiga – O que aconteceu?
- Eu terminei com o Nícolas. – Falou sem pestanejar, imaginando que aquilo pudesse esclarecer tudo.
- Ai meu Deus! Sério?! – Julie assentiu, triste. Então, Bia olhou para o namorado – Valtinho, vai indo pra sorveteria que já já eu chego lá.
Valtinho que até então estava alheio ao que acontecia ao seu redor, se espantou com o que disse sua namorada – Ué, Bia, por que isso agora? A gente não ia junto?! Isso não tá certo.
- Ia. Mas, tem gente... – Apontou para amiga com a cabeça na esperança de que ele pudesse compreender — ... Que tá precisando com urgência de um ombro amigo.
Ledo engano, Valtinho não entendeu. – Quem...?
Bia revirou os olhos – Ninguém, Valtinho. Deixa isso pra lá, e faz o que eu tô pedindo. – Empurrou o namorado — Vai andando que eu te alcanço...
Valtinho cruzou os braços, mas diante do olhar que Bia lhe lançou, achou melhor obedecer. Por isso, sem mais delongas, deu um beijo no rosto da namorada, e foi embora batendo os pés com força no chão, chutando tudo que via pela frente.
Bia ainda olhou para o namorado, que se distanciava, mas depois que o viu virando à esquina, abraçou a amiga pelos ombros e entrou dentro de casa.
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Cinco minutos antes, Nícolas saiu da casa de Julie, batendo a porta com força atrás de si. Estava muito apressado e com cara de poucos amigos. Do outro lado da rua, sentado na beira da calçada, conversando com Humberto, Martim viu quando Nícolas entrou no carro e saiu cantando pneu. Ele deduziu que ali tinha coisa, então correu em direção à Edícula para contar o que viu para Daniel, sem nem ao menos se despedir do amigo fantasma. Contudo, antes de entrar na edícula, percebeu um movimento vindo da casa de Julie. Voltou alguns passos para ver de que se tratava. Era Bia que havia chegado junto com o namorado.
- Aí, Daniel, parece que você vai voltar pro páreo. Eu tenho quase certeza que a Julie terminou com o Nícolas. – Disse Martim para Daniel que estava neste exato momento lançando um dardo em direção ao alvo. — O cara ficou tão mau que saiu cantando pneu.
O dardo foi direto no meio, fazendo Daniel sorrir vitorioso. Mas, o ar de vitória não se referia a isso, e sim ao fato de que Julie finalmente poderia ser sua.
- Você tem certeza? E a Julie? Como ela está? Você a viu?– Daniel perguntou, preocupado. E entregou uma dardo para Félix – Sua vez!
- Certeza mesmo, eu não tenho não, mas eu vi quando a Bia chegou lá... – Pausou, causando um suspense — A Julie estava chorando.
Isso partiu o coração de Daniel. – Ah, meu Deus, eu vou lá ver como é que ela tá... – Daniel disse, já se dirigindo pra parede.
- Não, Daniel. – Disse Félix, puxando o braço do amigo. Ele tinha acabado de jogar o dardo, que bateu na parede — O melhor agora é deixá-la sozinha. O que a Julie precisa agora é de um ombro amigo, não de um pretendente a namorado. A Bia tá lá. Com certeza, ela vai saber confortá-la. Não se preocupe.
Daniel parou. Sábias palavras aquelas de Félix. Julie estava chorando porque acabara com o namorado. Era normal estar chorando, mas talvez se ele fosse lá, e começasse a escutar seus lamentos, o ciúme acabaria os fazendo brigar. E a última coisa que ele queria naquele momento era brigar com Julie, afinal, finalmente, parece que a sorte lhe sorriu. Não iria desperdiçar. Estava a um passo de conseguir o que mais queria no mundo.
Daniel segurou no ombro de Félix – Você tem razão. Obrigado por me impedir de fazer uma besteira.
- Disponha... – Sorriu em retribuição ao agradecimento.
Martim que até então apenas prestava atenção na conversa, ficou pensativo — Então, agora que a Julie tá livre, vocês vão... Sei lá... Namorar?
Daniel se virou pra ele com um sorriso apaixonado – É a coisa que eu mais quero desde que eu vi a Julie pela primeira vez.
Martim olhou para Félix, de esguelha, lembrando que não era bem assim. Afinal, no começo os dois não se topavam de jeito nenhum. Viviam como gato e rato.
– E a Marina, como fica nessa estória? – Perguntou Martim sem esconder seu interesse.
- A Marina? Fica do jeito que está. Como eu já disse, a gente nunca teve nada. – Respondeu Daniel de forma natural.
- Nada?! Nadinha?! – Martim quis ter certeza – Ah, pra cima de mim, Daniel? Você quer mesmo tentar me convencer que nunca rolou nada entre vocês?! Eu digo isso porque... No começo vocês eram um grude só, viviam saindo pra cima e pra baixo...
- É, a gente vivia saindo sim, mas como eu disse... Nunca rolou. Ela até tentou algumas vezes, eu que nunca quis. Acho que acabei, sem querer, sendo fiel a Julie, ou ao meu sentimento, sei lá. A única vez que rolou um clima mais intenso foi no primeiro dia que eu... – Pausou, e franziu a testa pensativo. Os fantasmas olhavam para Daniel, esperando que ele concluísse sua frase, mas em vez disso, Daniel acabou viajando em seus pensamentos, recordando do dia em que conheceu Marina, quando ela, literalmente, o puxou para dançar...
Flash Back – ON
- Quer dançar? – Marina perguntou, pegando Daniel de surpresa.
- Não. – Respondeu seco.
- Por que não sabe, ou porque não quer?
- Porque não quero.
- Que pena, então... – Suspirou e levantou – Eu terei de dançar sozinha. Se mudar de idéia, eu estarei lá no meio do salão. – Virou-se e rebolando foi para o meio do salão.
Daniel continuava sem acreditar no quanto aquela fantasma era atrevida. Ela dançava com toda sua sensualidade passando a mão pelo seu corpo, provocando-o. Daniel riu pelo nariz e baixou a cabeça em negativa quando percebeu que ela o chamava com o dedo indicador. Contudo ao levantar a cabeça, mal pôde acreditar no que via, não era mais Marina quem dançava ali, e sim Julie. Pelo menos, era o rosto dela que ele via com o corpo de Marina. Daniel ainda tentou apertar os olhos e esfregá-los, mas aquela visão não desapareceu, pelo contrário, ela ficou ainda mais forte. O que estava acontecendo com ele? Será que havia pirado de vez?
Ela o chamou mais uma vez, e dessa vez, ele não pensou duas vezes, levantou e foi até ela. No começo, ele achava que se chegasse perto talvez aquela imagem desapareceria, mas para seu desespero isso não aconteceu.
- Julie?! – Exclamou, olhando para aquela visão.
A fantasma enlaçou Daniel pelo pescoço – Eu posso ser quem você quiser. – Sussurrou em seu ouvido. Daniel a puxou pela cintura, como que hipnotizado e eles começaram a dançar.
Flash Back — OFF
- Daniel? – Félix chamou – Danieeeeel...
- CLARO! – Gritou Daniel, despertando de seus devaneios. Os fantasmas deram um pulo de susto. – Como eu não pensei nisso antes. Agora eu entendo porque a Julie jura de pé junto que me viu ficando com uma menina. – Balançou a cabeça, crédulo. Se a Marina conseguiu se passar uma vez pela Julie, podia muito bem ter se passado de novo e o enganado — Só pode ter sido ela. – Concluiu.
Martim e Félix entreolhavam-se confusos. Mas, foi Martim quem perguntou, da forma mais natural possível, como se Daniel estivesse delirando: — Ela quem?!
Daniel sorriu. Havia descoberto algo muito importante, mas por enquanto, não podia compartilhar com seus amigos. Pelo menos, até que tivesse certeza.
- Ninguém. Eu... Preciso tirar uma estória a limpo. – Se dirigiu até a parede, ma antes de atravessá-la, se virou para os fantasmas — Se a Julie aparecer, diz pra ela que eu saí pra... – Estava tão ansioso pela descoberta que não conseguia vir nada em sua cabeça — Ah! Inventem aí qualquer coisa... Já volto.
- Pra onde você vai? – Perguntou Félix. Tarde demais. Daniel já havia atravessado a parede. Se virou para Martim – Você entendeu alguma coisa?
Martim deu de ombros — Se você não entendeu, imagine eu...
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- Julie, eu tô chocada. Nunca imaginei que o Nícolas pudesse ser assim tão... Tão... Grosso! – Disse Bia depois que Julie lhe contou tudo que havia acontecido. Elas haviam subido para o quarto, e estavam sentadas na cama, uma de frente para outra, ambas com as pernas em borboleta. Julie já se encontrava mais calma.
- Pra você ver... A gente namora um menino um tempão, e só conhece ele, de verdade, quando termina.
- Pois é, espero que o Valtinho não invente de agir assim porque eu ficaria muito decepcionada.
Julie sorriu fraco, levantou-se e foi até o espelho. Não gostou do que viu refletido. Seus olhos estavam inchados de tanto chorar, e seu nariz estava vermelho como um tomate – Ai meu Deus! Eu tô um lixo.
Bia levantou e foi pra trás da amiga. Abraçou-a, apoiando seu queixo em seu ombro. Então sorriu para o espelho, com o objetivo de confortar a amiga – Não fica assim, Jú. Você vai ver que logo logo isso passa. O Nícolas só agiu assim porque ele ainda gosta de você. É natural que fique triste por alguns dias, semanas, anos... Sei lá.
- Anos? Vira essa boca pra lá, Bia! Eu não quero que ele fique magoado comigo. Eu gosto dele. Como amigo. Mas, eu gosto.
- Eu sei, mas veja pelo lado bom...
- Que lado bom?! – Perguntou Julie, incrédula.
- É... Não tem lado bom. – Julie revirou os olhos — Quer dizer, tem sim. Você agora tá livre pro Daniel. Vocês, agora, finalmente, vão poder ficar juntos, sem medo, sem culpa...
Julie se virou pra ela, com a testa franzida – Peraí! Eu tô ouvindo direito? Você tá me dizendo pra ir atrás do Daniel?! O que foi que houve? Uma nave espacial pousou aqui e abduziu minha amiga... Quem é você? Você não é a Bia. A Bia que eu conheço nunca me diria pra ficar com o Daniel.
Bia riu envergonhada – Ai, Julie, como você é exagerada... Eu sei que sempre te disse que achava o Daniel um egoísta, convencido cético, cínico, esnobe, materialista, arrogante, prepotente...
– Biiiaaaaa! – Julie interrompeu a amiga falando entre dentes, os olhos arregalados.
– Desculpa, Julie! Acho que me empolguei. – Esboçou um sorriso forçado — Bem, continuando... Eu sempre achei isso do Daniel, mas depois do que Martim me contou, eu comecei a achar que o Daniel só tenta se esconder debaixo dessa pose de bad boy porque no fundo, bem no fundo mesmo, ele não passa de um cara sensível, romântico, gentil, amigo...
Julie ficou curiosa — E o que foi que o Martim te disse pra você mudar, assim, tão radicalmente de opinião? Posso saber?
Bia segurou as mãos da amiga para que elas pudessem sentar na cama. Ela sabia que aquilo podia ser um choque para Julie.
- Lembra daquela vez que a esposa do Claus disse que seu primeiro namorado seria aquele que encontraria algo que você nem sabia que tinha perdido?
- Claro que lembro. Foi o JP quem encontrou a minha correntinha com meu nome, que eu nem sabia que tinha perdido. – Julie repetiu palavra por palavra, como se imaginasse que a amiga tivesse esquecido dos detalhes.
- Aí é que tá... Não foi o JP quem encontrou a correntinha. – Falou na lata
- Como não? Você viu quando ele me entregou. Você tava lá, Bia.
- É. Só que o JP só encontrou aquela correntinha porque o Daniel colocou ela lá.
Julie franziu a testa. Ainda não sabia aonde sua amiga queria chegar – E por que ele faria isso?!
- Porque naquele mesmo dia, o Martim e o Félix convenceram o Daniel a desistir de você, dizendo que um relacionamento entre uma viva e um fantasma nunca daria certo; que você nunca teria uma vida normal. E como se não bastasse, o tonto do Martim ainda reforçou dizendo que você não merecia isso. – Julie virou o rosto para o lado. Ela não sabia o que dizer. Ficou calada, então Bia continuou – O Daniel ficou arrasado, tadinho. Em nenhum momento pensou nele, no quanto ele ia sofrer te renunciando, mas pensando em você, só em você... Pegou sua correntinha na gaveta do seu criado mudo e colocou no chão pra que o JP pudesse pegar. E como ele havia escutado, escondido, tudo que a cartomante falou, sabia que a gente ia pensar o óbvio: Que o JP deveria ser o seu primeiro namorado... Que foi o que a gente realmente pensou – Julie balançava a cabeça, sem acreditar no que ouvia. Bia então segurou sua mão, forçando-a a olhá-la nos olhos – Julie, eu só te disse tudo isso porque isso mostra que o Daniel nunca te machucaria. Ele preferiu se machucar a te ver machucada. Julie, o Daniel, mesmo sendo um... Fantasma, definitivamente, é o cara certo pra você. Por isso, você tem que ir atrás dele. Tem! E dessa vez, pode contar comigo. Eu vou ajudar vocês a ficarem juntos. Eu juro. – Pausou, dando de ombros — Porque é isso que amigas fazem... Né?! – Sorriu sem graça, rememorando as vezes em que não apoiou a amiga como devia.
Julie fez uma cara enigmática – Mas, você não é minha amiga. – Falou séria. Bia arregalou os olhos, e baixou o olhar. Não esperava uma reação como aquela. Ficou decepcionada. Então Julie sorriu com o sorriso mais terno que ela podia sorrir, e completou: — É a minha melhor amiga. — Bia levantou o olhar, sorrindo de canto a canto da orelha. E as duas se abraçaram, emocionadas.
- Posso saber o que você ainda está esperando aqui? – Bia perguntou ao se soltar da amiga, enxugando com as costas da mão, uma lágrima. Julie franziu o cenho, também enxugando uma lágrima – Vai logo lá na edícula. O Daniel precisa saber logo que você o ama.
Julie sorriu – É né?! – Bia assentiu, e Julie levantou decidida. Foi até o guarda-roupa, pegou uma escova, penteou seus cabelos, passou um perfume. E acenando para a amiga, saiu batendo a porta atrás de si.
- Oi, Zumbizinho! – Disse Bia ao atender o celular que vibrou em seu bolso – Tô saindo daqui. Chego aí em no máximo 10 minutos. Ué, você já tá indo pra casa? Tá bom... Você que sabe, eu sei que eu vou tomar sorvete, e se você não quiser me fazer companhia, meu amor... Tem quem queira. – Sorriu, sabendo que sua chantagem daria certo – Ah, você vai me esperar? Tá bom. Até daqui a pouco, então. Outro pra você. – Desligou o celular, enfiou na bolsa e saiu triunfante, tanto por ter conseguido convencer seu namorado — que ficou quase meia hora esperando por ela na sorveteria — a ficar, como também, por Julie.
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– Martim, Félix, cadê o Daniel? – Perguntou Julie, abrindo a porta da edícula.
Félix olhou para Martim buscando ajuda. E eles, como sempre, ficaram numa saia curta, pois ainda não haviam inventado nada para dizer – O Daniel? Ele foi...Martim, diz pra Julie pra onde o Daniel foi?
- Não. Quem devia saber era você. Ele disse a você e não a mim aonde iria. – Se safou, deixando o amigo em maus lençóis.
Félix fez uma careta pro amigo, e falou entre dentes – Muito obrigado pela ajuda.
- De nada. – Respondeu Martim sorrindo, mas logo em seguida acabou se tocando — Acho.
Julie esperava impaciente – E aí?! Vocês vão ou não vão me dizer onde é que tá o Daniel?
- O Daniel? Ele foi... – Engoliu a seco, nervoso. Não gostou do olhar de Julie. – Ele foi... Pro parquinho. É. Ele foi pro parquinho.
- Ai meu Deus, e precisava demorar tanto pra dizer isso?! – Julie disse indignada, mas logo mudou a expressão. Estava muito feliz, não iria estragar esse momento com as lezeiras dos fantasmas — Valeu! Eu vou lá me encontrar com ele. Mas, se por acaso ele aparecer por aqui, fala pra ele me procurar porque eu tô precisando muito falar com ele. É importante.
- Tá bom. A gente fala sim, Julie. Pode deixar. – Martim disse por fim, e Julie sorriu agradecida.
Então ela acenou para os fantasmas, e saiu correndo porta a fora. Estava tão ansiosa para encontrá-lo, que nem se tocou que já era noite, e que fazia frio. Não havia levado nenhum casaco pra se proteger. Além disso, estava sozinha.
Chegando lá, os balanços estavam vazios, mas balançavam como se alguém estivesse se balançando nele. “Invisível”. Sorriu, ao pensar que poderia ser Daniel.
- Daniel?
Nada. Nem sinal.
- Daniel? – Insistiu porque o balanço balançou ainda mais forte, com o vento. – Daniel, você tá aí? Se tiver... Fica visível. – Olhou de uma lado para outro. O parquinho estava deserto, e o único som que podia ouvir era o farfalhar do vento contra as folhas das árvores. – Daniel... Aparece! – Falou trincando os dentes. Começara a ficar com medo. Os pêlos do seu corpo se arrepiaram. Lembrou que estava sozinha. Lembrou também que sempre que isso acontecia o “maluco perseguidor” acabava dando o ar de sua graça.
De repente, escutou um barulho de tênis vindo em sua direção. Seja lá quem fosse, havia parado atrás dela, pois conseguia sentir um bafo quente em suas costas. Virou a cabeça lentamente, o coração aos pulos. Contudo, ainda não conseguia ver, por isso, girou o corpo.
- Você?! – Exclamou com os olhos arregalados.
O “maluco perseguidor”, finalmente se revelava na sua frente, o olhar sombrio.
- JP... Eu já devia saber que era você. Afinal, você acabou rememorando a cena do crime quando pegou o meu colar.
Ele deu uma risada malévola, antes de responder – Juro que pensei que fosse mais esperta... Mas, já vi que não. Continua sendo a mesma idiota de sempre. – Balançou a cabeça em negativa, os olhos semi-cerrados — Sair de casa, a essa hora da noite, sozinha, Julie, não foi muito inteligente de sua parte.
- Não me chame de idiota! Seu... Seu... ARGH! – Julie esbravejou partindo pra cima dele. Porém, ele foi mais rápido, segurando seu pulso pra que ela não pudesse bater nele.
- Sério, que você acha que vai conseguir me deter?! – Indagou em tom de deboche. – Tsc, tsc, Julie, Julie, não adianta espernear, e muito menos me bater, você agora está nas minhas mãos. Seu pai nunca te ensinou que é perigoso andar por aí sozinha...? – Seus olhos se tornaram ainda mais sombrios. Julie ficou apavorada – Você corre o risco de ser assaltada, estuprada ou... Sei lá, talvez... Seqüestrada.
Julie tentou se soltar – O q-que v-você pretende fazer co — comigo?
Ele suspirou, e sorriu sarcástico – O que você acha? – Pegou o outro pulso dela, quando ela menos esperava.
- Me solta, seu louco! – Mexeu os braços com violência na tentativa de se soltar. Em vão. JP permanecia no comando. Então ela o olhou com o olhar fuzilante – Se não me soltar agora, eu vou... Eu vou...
- Você vai o quê? Gritar? Tenta. Ninguém vai te escutar, até porque... Você nem vai conseguir fazer isso por muito tempo.
- Hã?! Como assim, eu não vou conseguiu fazer isso por muito tempo? Do que você tá falan... Huuuuuuummm – Resmungou quando JP tapou sua boca com um pano umedecido — Huuuuuuuuummm, Huuuuuuuuuummm... – Resmungou ainda mais, antes de perder as forças, e cair nos braços de JP – Por... que... você... – Tentava falar, os olhos pesando, prontos para se fechar – JP... Você vai...ver...quando o Daniel... Ele... vai... Ele...
Desmaiou.
JP sorriu. Conseguira seu intuito. Ajeitou Julie, encarando-a de forma profunda e malvada e saiu dali, carregando Julie, adormecida, em seus braços. Ela, em meio aos seus delírios, balbuciava o tempo todo o nome de Daniel.
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Meia hora depois de JP levar Julie, Daniel apareceu no parquinho junto com Marina. Ele a havia obrigado a acompanhá-lo porque queria que ela explicasse para Julie tudo que ocorrera no dia em que ela o pegou sendo beijado por Marina. Ele finalmente entendia o porquê de não se lembrar de nada. Ela tinha feito ele esquecer tudo. Para ele, era como se nada tivesse acontecido naquele dia. Julie tinha que entender. E Marina lhe devia um favor.
- Ué, cadê ela? – Perguntou Daniel, franzindo a testa – O Martim e o félix me garantiram que ela estaria aqui.
- Ah, vai ver... Ela desistiu de esperar e foi pra casa. – Respondeu Marina com desdém. Ela não estava nem aí para o paradeiro de Julie.
Daniel ficou pensativo. De alguma forma era como se ele pudesse sentir que algo ali não lhe cheirava bem – Não... Eu conheço a Julie. Ela teria me esperado. Nunca iria embora sem falar comigo antes.
Marina revirou os olhos, já estava de saco cheio desse nhen nhen nhen dos dois – Claro. Entendo. Mas, e aí?! A gente faz o quê? Senta e espera? – Apontou para os balanços.
Daniel ficou mais uma vez pensativo – Não... Acho que sei de alguém que pode me ajudar.
- Quem?! – Perguntou, curiosa.
Ele ainda abriu a boca pra responder, mas aí lembrou que Marina não era confiável. Era melhor deixá-la fora disso. Resolveu ser evasivo: – Ninguém. Assunto meu. Vamos fazer o seguinte... Vai indo lá pra edícula que assim que eu encontrar com a Julie, eu vou lá pra você esclarecer tudo com ela, ok?!
Marina não gostou nenhum pouco daquele plano, mas sabia que negar, seria perda de tempo, por isso... – OK! Se não tem remédio, eu vou lá sim na edícula. E te espero com a sua... – Fez careta de desdém – Julie.
Daniel sorriu fraco, de lado, e desapareceu sem se despedir. O mesmo fez Marina, mas antes, ela bufou de raiva.
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- Bia, acho que você vai acabar virando viúva antes do tempo... Porque eu juro que um dia desses, esse monte de número vai acabar me matando.– Comentou Valtinho para a namorada. Eles estavam sentados, à mesa da cozinha de Bia, um de frente para o outro, estudando matemática. – Tô todo enrolado aqui. – Completou, coçando a nuca.
Bia começou a rir – O que foi dessa vez, zumbizinho? – Segurou a mão dele com carinho, por cima da mesa. Era a quarta vez que o namorado reclamava de uma questão naquela noite – Deixa eu te ajudar... Qual foi a questão que você errou?
Ele passou o caderno pra ela com a mão esquerda, pra não ter que soltar a outra mão dela, e apontou pra décima questão – É essa maldita questão aqui. Eu já quebrei a cabeça com ela, e não consigo acertar de jeito nenhum.
Bia franziu a testa, enquanto examinava a questão. Tinha quase certeza que não havia nada de errado, até que seus olhos se fixaram nas duas últimas linhas – Olha aqui Valtinho... – Soltou a mão do namorado para lhe mostrar o caderno – Tá vendo? – Valtinho chegou mais perto – Você errou a soma dos sinais. Menos com menos é mais. E não menos, esqueceu? – Olhou pra ele, e explicou com toda paciência — Meu amor, isso é uma regra básica da matemática, se você não aprender... – Parou de falar, fixando o olhar em “alguém” que estava atrás de Valtinho. – O que você tá fazendo aqui?!
Valtinho franziu a testa para a namorada, estranhando aquela súbita pergunta nada a ver. Depois, seguindo o olhar dela, virou o rosto pra trás. E não viu absolutamente nada. Tremeu nas bases – Zumbizinha, com quem você tá falando?
- Bia, por acaso, você viu a Julie? – Perguntou Daniel, com um semblante de preocupação.
- Eu pensei que ela tinha ido atrás de você na edícula. – Respondeu Bia de forma natural, esquecendo-se completamente da presença de seu namorado ali.
Valtinho tentou olhar de novo pra trás, e, de novo, não havia ninguém. – Bia, é sério você tá me assustando.
- E ela foi... Mas, a gente acabou desencontrando e... Agora ela sumiu. Já procurei ela por toda parte, na casa dela, nos lugares aonde ela costuma ir... Bia, eu tô começando a ficar preocupado, a Julie não é disso.
- É. Ela não é mesmo. Agora quem tá começando a ficar assustada sou eu.
Valtinho se levantou da cadeira – Você tá assustada?! Quem tem que tá assustado com alguma coisa aqui, sou eu! Bia, você tá bem? Com quem diabos você tá falando? – Apontou para o canto vazio atrás de sua cadeira – Meu amor, aqui não tem ninguém.
Foi aí que Bia se tocou da presença do namorado, e ficou preocupada. Se levantou da cadeira e indo ao seu encontro, segurou suas mãos – Calma, Zumbizinho! Desculpa, eu só tava... Pensando alto. É. Pensando alto. É que eu acabei de me lembrar de que tenho uma coisa muito importante pra resolver e...
- Mais importante do que matemática?! – Perguntou o namorado, estupefato.
Daniel revirou os olhos – Mas, que garoto imbecil! Não sei como você ainda consegue namorar com esse cara!
Bia fuzilou Daniel com o olhar. Não gostou do que ele disse, ela era a única que podia falar mal de Valtinho. Então, reuniu toda sua paciência para se dirigir outra vez ao namorado – É. Mais importante do que matemática. Por isso, agora, você vai recolher seu material e vai pra casa pra que eu possa resolver esse pequeno probleminha. Amanhã a gente estuda um pouco mais. Aproveita para descansar um pouco a cabeça. Ela trabalhou além das forças, hoje.
Valtinho franziu os lábios, triste, mas sabendo que não tinha escolha, recolheu o material bem direitinho, deu um selinho na namorada e foi embora.
- Sério, achei que ele fosse ficar aqui pra sempre. – Comentou Daniel com raiva
Bia ignorou o comentário, puxando Daniel pelo braço – Tá. Deixa o Valtinho pra lá. E agora vamos lá pro meu quarto. Meus pais devem estar chegando e eu não quero que eles me vejam falando sozinha e deduzam, com isso, que eu fiquei louca. – Explicou, enquanto subiam à escada.
Chegando lá, Bia abriu a porta do seu quarto, acompanhada de Daniel que atravessou a parede. Se sentou na cama, e esperou que ele lhe contasse, com detalhes, tudo que aconteceu desde o momento que ela saiu de lá.
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Enquanto isso, um pouco longe dali...
Julie começava com dificuldade a abrir os olhos – Hum... Hum... – Tentava também levantar, mas sentia que estava sem forças – Hum... Onde eu estou? – Murmurou, quando seus olhos começaram a se adaptar à luz do ambiente em que se encontrava. – Que lugar é esse?
- Ora, ora, finalmente a bela adormecida acordou! – JP falou, assustando Julie que ainda permanecia numa tentativa insuportável de abrir os olhos por completo.
Enfim, conseguiu. E percebeu que estava deitada, em posição fetal, numa espécie de tapete surrado e verde, dentro de uma casa velha e caindo aos pedaços. Enquanto que, JP estava sentado numa cadeira de frente pra ela, com um dos tornozelos apoiado no joelho.
Julie ficou irritada, tentou se sentar, e, foi aí que percebeu as cordas envolvendo seus pulsos e tornozelos, com nós bem firmes – Me solta! O que você pensa que tá fazendo? Que lugar é esse?
Ele agachou e chegando bem perto dela, ajudou-a a se sentar. Julie conseguia sentir seu bafo de onça – É um lugar bastante agradável para completar o que eu pretendo fazer. – Sorriu, malévolo — Julie, você nunca mais em sua vida vai querer se meter com alguém como eu.
Julie engoliu a seco — Por que tá fazendo isso comigo? O que foi que eu te fiz?
- Ah, você esqueceu?! Pois, eu vou lhe lembrar... – Segurou o queixo dela com força, forçando-a encará-lo, enquanto ele dizia, com voz sombria – Eu fui expulso daquela porcaria de colégio por sua culpa. Era você quem deveria ter sido expulsa por causa da poeira que eu espalhei na sala, mas não, aquele seu namoradinho tinha que aparecer e estragar tudo. – Julie não conseguia entender o porquê de só ela estar ali já que a raiva dele também se dirigia pra Nícolas, então, como se adivinhasse se pensamento, ele continuou – Não fique você pensando que ele está a salvo... Não. Eu estou apenas me aquecendo. E o seu namoradinho é o meu próximo alvo, não tenha dúvida disso.
Ele a soltou jogando o rosto dela com violência pro lado. A respiração dela ficou profunda. A raiva era maior do que o medo. – Você não vai conseguir. Daqui a pouco meus amigos vão dar por minha falta e virão me procurar. Então, eles vão acabar com a sua... – Ela parou de falar, bruscamente, quando viu JP jogar o pescoço pra trás numa gargalhada.
- Eles vão acabar com o quê, Julie? Com a minha raça? – Gargalhou mais uma vez – Deixa eu te explicar uma coisa, sua idiota... Eu não tenho mais vida desde que meus pais me mandaram pra um colégio interno. Por isso, não se preocupe, eu não tenho medo de morrer, nem de ser preso, e muito menos dos seus amigos.
Julie arregalou os olhos, e fez a única coisa que poderia fazer numa situação como aquela... Gritou: — SOCORRO! SOCORRO! ALGUÉM ME AJUDA! SOCORRO!
Outra gargalhada ecoou pelo barraco – Sério, que você acha que alguém vai te escutar? – Balançou a cabeça de um lado para o outro, franzindo a boca — Julie, a gente tá muito longe, além disso, essas paredes, por incrível que pareça, são a prova de qualquer tipo de som, então poupe suas cordas vocais porque não vai conseguir nada gritando feito uma louca.
Diante daquelas palavras, Julie ficou desesperada. Lágrimas de medo começaram a brotar de seus olhos – JP, pelo amor de Deus, me fala o que você pretende fazer comigo.
Ele sorriu cínico, chegou bem perto dela, e outra vez quis segurar seu queixo, mas ela se desviou dele, virando o rosto – Eu não ia fazer nada. Pretendia apenas te dar um susto. Mas... olhando você assim... Com medo... Não sei... Acho que mudarei meus planos... – Estudou-a de cima a baixo com uma expressão nojenta de desejo. – Enfim... – Se levantou, colocando as mãos nos bolsos – Teremos muito tempo pra isso. Tá com fome?
Julie olhou pra ele fazendo careta, numa expressão de interrogação. – Oi? Claro que não!
- Eu imaginei que dissesse isso. – Suspirou – Tá bom. Você que sabe. Vou lá fora ver se encontro alguma coisa pra comer. Ao contrário de você, tô cheio de fome. Fica aí me esperando viu?! Já volto. – Julie arqueou as sobrancelhas, mostrando suas mãos amarradas pra ele – Ah, é?! Você não tem escolha. — Sorriu, com deboche — Acredita que eu tinha me esquecido.
Foi até à porta, segurou a maçaneta, mas antes de sair, olhou para Julie que se contorcia, tentando se soltar – Quer uma dica?! – Julie levantou o olhar — Desiste! Esses nós são muito fortes. São nós de marinheiro. Aprendi quando roubei um barco uma vez e... Enfim, por mais que se esforce, nunca conseguirá desatá-los. – Pausou, abrindo a porta – Já volto. – Disse, e saiu, batendo a porta com força para em seguida, girar por duas vezes a chave na fechadura.
Julie estava trancada, e não sabia o que fazer. Tentou se desamarrar, esfregando as mãos, uma na outra, em vão, JP estava certo, os nós nem se mexiam. Desistiu, e olhou para o barraco à procura de uma janela ou qualquer buraco que pudesse lhe dar fuga. Não havia. A única janela que tinha estava trancada, com duas tábuas pesadas, pregadas nela, em forma de X.
Por fim, suspirou vencida, e encostou suas costas na parede. Lágrimas começaram a escorrer dos seus olhos. E em meio àquilo tudo, ela só conseguia se lembrar de uma pessoa... – Daniel, cadê você? Me salva! Pelo amor de Deus, me salva! – Sussurrou para si mesma, mirando em um rastro de luz da lua que atravessava uma pequena fresta da janela.
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Alguns minutinhos ANTES...
Depois de escutar toda a estória, Bia resolveu ligar para alguns amigos que ela e Julie tinham em comum, para perguntar se um deles a tinha visto ou falado com ela recentemente. Infelizmente todos responderam não saber do paradeiro da Julie, com exceção de um que perguntou se Julie era aquela professora gostosa de informática. Este nem ao menos sabia de quem se tratava, mas tudo bem, talvez tenha confundido o número, não iria desistir.
Enquanto ligava, Bia andava de um lado para outro, já Daniel permanecia sentado em um puff, com os cotovelos apoiados nos joelhos. E quanto mais os minutos passavam, mais ele se afligia, preocupado. Até que teve um momento em que resolveu se levantar. Sua paciência em esperar já havia se esgotado. Não agüentava mais ficar parado enquanto não sabia o que estava acontecendo com sua doce Julie. Contudo, quando deu o primeiro passo, sua cabeça começou a latejar, no prenúncio de uma dor intensa que veio logo em seguida. Voltou para o puff. Não conseguia dar sequer mais um passo. A dor era lancinante. Segurou a cabeça com força, fazendo careta. Teve uma vontade imensa de gritar.
Bia estava naquele momento, de costas, com o celular no ouvido, falando com o décimo amigo de sua lista telefônica, quando escutou um grito estrondoso, quase que como um urro de um animal, vindo de detrás dela.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA – Daniel gritou, levando Bia a se virar quase que automaticamente, para vê-lo, sentado no puff, segurando a cabeça com força, se contorcendo de dor.
Desligou o celular na cara do amigo, e desesperada, correu ao encontro de Daniel – Daniel! Daniel! Você tá bem? – Tentou chegar perto, mas os gritos de Daniel ficavam cada vez piores. Ela se viu em um filme de terror. Seu único consolo é que seus pais, que estava no quarto ao lado, não podiam escutá-lo. Senão, eles já teriam chamado a polícia ou, na melhor das hipóteses, alguns cientistas.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA– Gritava ele, fazendo caras e bocas. –MINHA CABEÇA... TÁ DOENDO MUITO! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA.
Bia ficou extremamente preocupada. Nem sabia que fantasmas podiam sentir dor – Daniel, pelo amor de Deus, o que você tá sentindo? Como eu posso te ajudar? – Perguntou quase que gritando.
Mas, Daniel continuava sentindo aquela dor, até que, de repente, como num passe de mágica, ela foi passando, e passando, e passando... Então, como se ela nunca tivesse existido, passou.
Bia percebeu, com alívio, que ele havia parado de gritar. Entretanto, continuava segurando a cabeça que estava abaixada.
– Daniel? – Bia chamou baixinho, enquanto tentava se aproximar — Você tá bem? Daniel, tá me escutando? — Ela o olhava preocupada, pedindo a Deus que ele respondesse alguma coisa. Qualquer coisa.
Um silêncio pairou no ar, até que, de repente, Daniel ouviu uma voz em seu subconsciente... “Daniel, cadê você? Me salva! Pelo amor de Deus, me salva!”. Era a voz da Julie. Tinha certeza que era a voz dela. Era muito nítida e clara, como se ela estivesse ali mesmo, falando com ele.
Bia que estava, naquele instante, quase tocando sua cabeça com a mão, parou com ela no ar quando percebeu que ele começava a levantar a cabeça.
- Julie? – Ele enfim, falou, olhando pra frente, o olhar perdido.
Bia arregalou os olhos, dando um passo pra trás e colocando instintivamente a mão na boca. O que será que houve com ele? Será que tinha ficado louco? Ele sabia que Julie não estava ali, então por que a estava chamando tão crédulo? – Ela se perguntava em pensamento, olhando para Daniel com cara de interrogação.
Notas finais
Beijos e até a próxima!
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