Notas iniciais
A partir deste capítulo Julie vai começar a ter certas decepçõezinhas com seu namorado, mas calma ainda não é o fim do romance porque Julie terá que aprender a voalorizar nosso fantasma... O amor está no ar, vcs i´rã perceber, mas muitas briguinhas para esquentar a fic!

Brigada por acompanharem! Queria conhecer minhas leitoras fantasmas. Beijos!

- De jeito nenhum! – Berrou Daniel.

- Por que não? – Quis saber Julie, com as mãos na cintura — O que tem demais nisso?

Os outros fantasmas só assistiam à discussão. Sabiam em seu íntimo que era melhor não se meter, pois aquilo, ia além de um simples não querer que Nícolas assistisse ao ensaio. Ciúmes era o nome daquilo.

- O que tem demais? – Daniel perguntou, indignado. – Tem tudo demais! A gente nunca deixou ninguém assistir ao nosso ensaio. E não é porque o seu namoradinho mané quer assistir, que isso vai mudar.

- Droga Daniel! – Exclamou Julie, também com indignação — Você NÃO é o dono da banda, sabia? É apenas um integrante, assim como eu e os outros fantasmas, ou seja, assim como você tem o direito de opinar, eu também tenho, e na minha opinião, o Nícolas pode sim assistir ao ensaio.

- Ah, então você quer colocar isso em votação... – Disse Daniel em tom de provocação, inclinando-se para frente, chegando bem perto do rosto de Julie, fuzilando-a com o olhar — Pois, muito bem, vamos colocar em votação. Quem é a favor do man... Quero dizer, do Nícolas assistir ao nosso ensaio, levanta a mão.

Os outros fantasmas tremeram nas bases. Sabiam que agora não tinham escapatória. A primeira a levantar a mão foi Julie, seguida de perto por Martim, e por fim, pelo Félix, que levantou a mão devagar, com medo do olhar furioso que Daniel lhe lançou. Traidores, pensou Daniel.

Julie sorriu com triunfo – São três contra um. Acho que você perdeu, Daniel. – Falou provocando — Então... Vistam suas fantasias que eu tô indo lá em casa buscar o Nícolas. – Disse e saiu correndo edícula afora.

No começo, Daniel não se mexeu, porém, com medo que Nícolas chegasse e descobrisse seu segredo, cedeu e pegou a roupa, vestindo-a, trincando os dentes.

- Fiquem sabendo os dois que tem volta! – Resmungou Daniel olhando para Félix e Martim alternadamente. Os fantasmas estavam bastante cientes disso, afinal, conheciam Daniel muito bem. Sabiam que ele nunca ia deixar isso barato.

A porta da edícula se abriu e Julie, de mãos dadas com Nícolas, entrou. O olhar de Daniel, por baixo da máscara, era de fúria.

- E aí, beleza?! – Cumprimentou Nícolas, estendendo a mão para os fantasmas. Todos apertaram a mão dele, com exceção de Daniel que deixou a mão dele no ar. Julie revirou os olhos e puxou o namorado.

- Liga não, Nícolas! O Daniel é assim mesmo. – Disse e lançou para Daniel um olhar de reprovação. – Vem! Vamos sentar aqui no sofá porque eu preciso terminar de compor uma música. – Os dois se sentaram, juntinhos, para desespero de Daniel. – Era isso que eu estava tentando fazer antes de você chegar, mas tô completamente sem inspiração. – Completou Julie sem graça.

- Por que você não experimenta compor uma música pra mim? – Sugeriu Nícolas, despertando em Daniel um ciúme ameaçador. Ele por baixo da máscara remendava, em tom de deboche, tudo que Nícolas falava para Julie. Ainda bem que ninguém viu. -Talvez isso ajude. – Finalizou Nícolas.

- Mas, eu já compus uma música pra você. Só que o senhor fez o favor de jogá-la no lixo. Esqueceu?

Nícolas fez cara de interrogação, mas depois de alguns segundos conseguiu lembrar-se do CD que Julie lhe havia dado na escola, e que ele, com raiva havia jogado no lixo.

- Ow Jú, me perdoa! – Daniel repetiu para si com desdém: Jú???. Quem esse cara pensa que é para apelidar a Julie? – Eu juro que se, naquele dia eu soubesse do que se tratava aquele CD, eu nunca jogaria no lixo. Nunca!

Julie sorriu em solidariedade – Tudo bem... Você não tinha mesmo como saber.

Ele sorriu, e sem pensar duas vezes, segurou seu rosto e a beijou, na frente dos fantasmas; na frente de Daniel.

Daniel ia partir pra cima dos dois se não fosse a mão de Félix que o segurou, dizendo através do olhar para não cometer nenhuma bobagem.

Daniel expirou com raiva, mas se conteve. Então pigarreou para lhes chamar a atenção. Julie e Nícolas pararam de se beijar e ficaram muito sem graça com sua reação instintiva.

- Julie, o nosso próximo show é nesse sábado. – Argumentou Daniel – Será que dava pra você se concentrar um pouco, ou a gente vai ter que encerrar o ensaio aqui?

Julie corou, mas Nícolas não gostou nenhum pouco do jeito como Daniel se dirigiu a ela. Apertou os olhos em direção a Daniel.

- Desculpa! Eu vou me concentrar. Prometo. – Julie disse, e começou a rabiscar o caderno. Nícolas, com carinho, colocou o braço ao redor de seus ombros a fim de lhe dar um pouco de força. Daniel ficou com muito ciúme.

- Quer saber?! – Exclamou Daniel – É melhor você deixar isso pra lá. Já deu pra ver que hoje não vai sair mais nada daí. Vem! Pega o microfone! – Ele disse lhe estendendo o microfone — A gente ganha muito mais ensaiando nossas músicas antigas.

Como um criança colocada de castigo pela mãe, Julie foi até o microfone.

- Conta o tempo, Félix! – Mandou Daniel, e sob o toque das baquetas, os insólitos começaram a tocar.

Nícolas permaneceu sentado, assistindo ao ensaio, ou melhor, assistindo às investidas de um certo guitarrista sobre a sua namorada.

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Depois do ensaio, Julie e Nícolas foram se encontrar com Bia e Valtinho. Eles haviam combinado de irem ao cinema, pois estava passando um filme de ação ótimo. Logo que chegaram, Nícolas foi com Valtinho comprar a pipoca, enquanto Julie e Bia compravam os tickets. Elas estavam muito animadas. Era a primeira vez que saiam juntos, os quatro, como casais. Durante o filme inteiro, Nícolas segurou a mão de Julie com carinho, porém não lhe dirigiu um só palavra. Julie tranquilizou-se achando que era porque ele não queria perder nenhuma cena do filme.

Depois que terminou o filme, Nícolas e Valtinho foram deixar suas namoradas em casa. No caminho, Nícolas continuava em silêncio, e Julie começou a estranhar. Ao deixá-la na porta de casa, Julie resolveu puxar um assunto.

- O filme foi bem legal! – Disse Julie para Nícolas, de forma animada. — A parte que eu mais gostei foi aquela que o mocinho pulou do avião pra salvar a menina. – Pausou — Nícolas? – Julie chamou estranhando o modo aéreo que Nícolas se encontrava – Nícolas!

- Ah,oi, Julie! – Respondeu ele ainda aéreo.

- Nícolas, você escutou alguma coisa do que eu acabei de dizer? – Perguntou Julie, com os braços cruzados.

- Não... Você disse alguma coisa?

- Nícolas, aconteceu alguma coisa? – Quis saber Julie com a testa franzida — Sei lá, desde que a gente saiu do cinema que você tá todo estranho comigo.

Nícolas não conseguiu mais se conter – Aconteceu. Aconteceu sim, Julie. Aconteceu que eu quero saber quem são os caras da sua banda. – Falou irritado.

Julie deu um pulo, nunca imaginou que aquele emburramento se tratasse disso – Nícolas, eu já te disse uma vez... Eu não posso dizer. É um segredo.

- Julie – Segurou seu braço de leve – Eu sou seu namorado, acho que tenho o direito de saber quem são os caras da banda da minha namorada, ou não?!

- Julie não gostou nenhum pouco do tom que Nícolas usou para dizer que ela era sua namorada — Nícolas, mesmo que eu te dissesse, você nunca ia acreditar em mim. Nunca.

- Tenta pelo menos. – Falou um pouco mais calmo.

Julie ficou pensativa, sua pupilas olhavam de um lado para o outro, como que escolhendo a melhor forma de dizer.

Levantou o olhar – E-Eles são fantasmas!

Nícolas apertou os olhos, indignado – Ah, não, Julie! Outra vez essa história de fantasma!

- Eu falei que você não ia acreditar.

Nícolas fixou o olhar no de Julie, tentando encontrar alguma evidência de que ela estava mentindo, mas a única coisa que conseguia enxergar era sua total sinceridade.

Passou as mãos pelos cabelos, tentando se decidir se acreditava ou não – Tá, Julie, se é assim... — Segurou o braço dela — Vamos lá na edícula pra você me mostrar esses tais... Fantasmas. – Falou com desdém.

- Não dá. – Respondeu ela sem graça, soltando seu braço.

- Como assim, Julie, não dá?

- É que... – Suspirou – Os fantasmas só aparecem pra quem eles querem. E nesse caso eu teria que antes ir lá falar com eles e...

Nícolas não a deixou terminar a frase, falando bruscamente – Julie, para! Sério, você acha mesmo que vou acreditar nessa história? – Julie arregalou os olhos, nunca tinha visto eu namorado se comportando daquela maneira – Quer saber?! Quando você quiser me contar a verdade, me procura tá?! – Beijou o rosto dela – A gente se vê na escola. Tchau!

Nícolas girou nos calcanhares e foi embora. Julie permaneceu ainda por alguns segundos vendo seu namorado se afastar, até que ele sumiu quando dobrou a esquina. Sem saber o que fazer, Julie abriu a porta de casa e correu para o quarto. Estava perplexa com o que acontecera.

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- Daí ele foi embora? Assim, sem falar nada? – Bia perguntou pela webcam, depois que Julie tinha contado para ela tudo que aconteceu.

- Foi Bia, sem falar nada. – Pausou – Ai Bia, o que eu faço?

- Ah, Julie, o que você já deveria ter feito há muito tempo. – Julie fez cara de interrogação – Você vai lá na edícula pedir pros fantasmas aparecerem pro Nícolas.

- Ai Bia, você parece que não conhece o Daniel. Ele nunca vai aceitar uma coisa dessas. Nunca. – Julie não se dava conta do quanto a opinião de Daniel lhe importava.

- Julie, você tem que parar de ficar preocupada com o que o Daniel pensa ou deixa de pensar! – Exclamou Bia em tom de sermão — Afinal, você agora é a namorada do Nícolas e ele não tem nada a ver com isso. Ou você vai querer perder o seu namorado que você teve tanta dificuldade para conquistar por causa do mau humor do Daniel?

Julie ficou pensativa- É, né?! Acho que você tem razão. Eu vou lá na edícula sim e vou exigir que eles apareçam para o Nicolas, queira Daniel ou não.

- É isso aí! Agora eu tenho que ir porque acabei de ver aqui no meu celular... Tem 21 ligações não atendidas do Valtinho. Vou ver o que ele quer antes que enlouqueça. Beijo e boa sorte!

- Brigada – Sorriu, fechou seu notebook e correu em direção à edícula.

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Julie abriu a porta da edícula – Daniel, Martim, Félix, vocês estão aí?

Os três fantasmas se materializaram, cada em uma posição diferente. Daniel apareceu sentado no sofá com os braços cruzados e pernas esticadas. Martim apareceu sentado no amplificador e Félix apareceu sentado na bateria.

Julie cruzou os braços em posição de ameaça – Ótimo! Que bom que todos estão aqui porque eu quero mesmo falar muito sério com os três.

Daniel se levantou e aproximou-se de Julie com as mãos enfiadas nos bolsos – Hum... E eu posso saber o que você tem pra falar de tão sério com nós três? – Daniel perguntou com ironia.

Julie respirou fundo – Eu vim aqui pedir, aliás... Eu vim aqui exigir que vocês apareçam para o Nícolas! – Disse muito séria.

- DR em 5,4,3... – Martim começou a falar, olhando pra Félix

- 2,1 – Completou Félix.

- Como é que é? Você veio aqui exigir o quê? – Perguntou Daniel, perplexo.

- Que vocês apareçam para o Nícolas. – Repetiu Julie sem preâmbulos.

Daniel chegou bem perto do rosto de Julie de forma ameaçadora – Você só pode tá ficando maluca, né? Eu sabia que isso ia acontecer. Só foi a gente deixar esse mané assistir ao nosso ensaio que você vem com essa idéia. Não, Julie, isso está fora de cogitação!

- O que é que tem? Qual a sua desculpa? Porque o Demétrius não está mais na cola de vocês.

- Julie, entende uma coisa, sou EU que não quero aparecer pra esse babaca!

- Ah é?! Se é assim, então a gente vai colocar isso em votação... – Julie cruzou os braços.

- Ih! Sabia que ia acabar sobrando pra gente. – Félix comentou. Martim concordou com o olhar.

Daniel preparou-se para responder a altura, mas acabou se lembrando da traição dos amigos na outra votação – Não, Julie! Não precisa colocar em votação, porque... – Julie sorriu com triunfo – Eu tô fora!

O sorriso de Julie morreu em seus lábios – Como assim você tá fora?

- Eu tô fora da banda, da edícula... – Pausou — Da sua vida, Julie! – Respondeu Daniel com ar tristonho.

- Hã?! Não Daniel, a gente pode conversar e... – Sem mais delongas, ele atravessou a parede. Julie ainda tentou segurá-lo, mas quando esticou a mão, bateu com ela na parede – Daniel! – Gritou Julie como se ele fosse escutar. Então olhou para os fantasmas que chegaram mais perto dela. – Será que ele foi embora mesmo?

- Relaxa Julie! – Confortou Martim – Isso é drama do Daniel.

- É, Julie, se preocupa não que daqui a pouco, ele volta. A gente já tá acostumado com esse jeito do Daniel. É sempre assim quando ninguém concorda com ele. – Completou Félix.

Julie sorriu fraco – Vocês tem certeza? Porque ele me pareceu tão decidido...

- Ele sempre parece decidido. – Disse Martim.

- Tá, se vocês dizem, então eu vou lá pro meu quarto, mas... Faz um favor, me dá notícias quando ele aparecer. Tô preocupada. – Os fantasmas sorriram em acordo e Julie foi embora.

Alguns minutinhos depois, Julie já estava agoniada em seu quarto, querendo saber notícias de Daniel. Tinha de admitir que ficou muito preocupada com sua reação. Andava de um lado para o outro do quarto com uma bolinha na mão que gostava de apertar sempre que se estressava. Tinha vontade de ir lá na edícula, mas se continha porque sabia que os fantasmas viriam dizer caso desse sinal de vida.

O tempo passou, Julie estava cada vez mais apreensiva. Jogou a bolinha longe e resolveu passar o tempo de outra forma, então foi até à estante a procura de um livro que há muito tempo tentava terminar. O livro estava na última base da estante. Pegou um banquinho e subiu nele, esticou o braço, e ainda ficou na ponta dos pés. O livro estava realmente difícil de pegar, mas depois de muito esforço, conseguiu chegar até ele, aliás, conseguiu tocá-lo porque sem querer deixou cair no chão.

Desceu para pegá-lo e percebeu que do lado dele havia uma fotografia que com certeza estava dentro dele. Não se lembrava de ter guardado uma fotografia ali, por isso, curiosa, pegou a fotografia para ver do que se tratava. Era uma fotografia dela abraçadinha com Daniel, andando de bicicleta. Sentou na cama e lembrou que aquela era uma das fotos que Demétrius iria usar para prender Daniel. Ele tinha conseguido com ele no dia que o chantageou e levou para edícula. Julie viu as fotos, e sem entender o porquê, acabou “roubando” esta foto em específico. Gostava dela. Gostava muito dela. Lembrava-a de um dia maravilhoso que passara com seu melhor amigo.

Ficou triste, e olhando para foto, acariciou o rosto de Daniel com os dedos...

- A gente pode entrar? – Perguntou Martim e Félix com metade dos corpos para dentro do quarto de Julie.

Julie tomou um susto, e escondeu a fotografia de forma instantânea embaixo do travesseiro.

- Pode, claro! – Levantou da cama de supetão – E aí? Alguma notícia do Daniel?

- Infelizmente não, Julie. O Martim e eu procuramos por toda parte, até no bar dos fantasmas. E nada. O Daniel é um fantasma desaparecido. – Constatou Félix.

- É, Julie, e o Daniel nunca ficou tanto tempo sem aparecer. – Martim falou sério – A gente tá começando a ficar preocupado.

Julie suspirou – E agora, o que a gente faz?

- Não sabemos, mas a gente promete que vai continuar procurando, daí qualquer coisa a gente te avisa, pode deixar. – Disse Félix e Julie sorriu agradecida. Depois disso, os dois desapareceram.

Julie sabia que não ia conseguir dormir sem saber nada sobre o Daniel. Então foi até o guarda roupa e pegou um moletom. Vestiu-o subindo o zíper, depois abriu a porta, olhando para os dois lados do corredor. Se seu pai a visse saindo aquela hora nunca a deixaria sair. Por sorte nem sinal de seu pai. Fechou a porta bem devagar para não fazer barulho e saiu na ponta dos pés. Seu ojetivo? Encontrar Daniel.

Notas finais
E aí, aonde será que nosso fantasma foi?

Aguardem também novos personagens, ou será velhos?!

Até o próximo capítulo! Mil beijos!