Descobri Que Te Amo - Cobrade
20 Revelação
Os dois continuavam abraçados, e Cobra ainda chorava. Depois de um instante de silêncio, os dois se afastaram e Jade quebrou o silêncio.
– Por favor Cobra. Me conta o que aconteceu. — disse Jade preocupada, e Cobra que havia se acalmado virou — se de costas. — Você não confia em mim... Não é isso? — disse a bailarina, que já estava começando a chorar.
Ao ouvir aquelas palavras, Cobra sentiu uma vontade enorme de chorar novamente, porém desta vez conseguiu segurar as lágrimas.
– Claro que eu confio em você. — disse ele virando — se para encara — la. — Você é a pessoa que eu mais confio nesse mundo.
– Então porque não me conta? — respondeu Jade
– Eu... Estava lembrando de algumas coisas... Da minha família. Não gosto de falar sobre isso, por favor! — mentiu
– Desculpa. — disse Jade abaixando a cabeça
– Olha, eu fiz... Quer dizer comprei, uma comida pra gente jantar. — disse forçando um sorriso
– Ótimo! Porque eu estou morrendo de fome. — respondeu ela puxando Cobra para os fundos do QG.
Os dois comeram, conversaram, riram, brincaram com a comida. Por um momento parecia até que Cobra havia esquecido o que tinha acontecido poucas horas atrás, ali naquele mesmo lugar.
– Sabe... Você também é a pessoa que eu mais confio nesse mundo. — disse Jade acariciando o rosto do rapaz.
Aquelas palavras fez Cobra lembrar — se novamente do que estava o atormentando. Jade recebeu apenas um sorriso em resposta e logo depois o beijou. Pouco tempo depois, Jade adormeceu, e Cobra que não conseguia dormir, permanecia em pé por um bom tempo observando — a. Cobra sentia raiva de si, não estava conseguindo controlar, então acabou socando a mesa que estava ao seu lado assustando Jade.
– Cobra o que aconteceu? — disse Jade com os olhos arregalados.
– Nada. — disse Cobra e sentou — se ao lado de sua dama no colchão. — Foi mal, eu acabei fazendo barulho. E te acordei.
– Com o sono que eu estou eu volto a dormir rapidinho. — disse a bailarina voltando a deitar.
Logo Jade adormeceu novamente, e Cobra só conseguiu pegar no sono quase de manhã, estava com a cabeça a mil. Eram 7:30 da manhã quando os dois acordaram. Cobra levou Jade até em casa para a mesma poder tomar banho e trocar de roupa. No caminho de volta para a Ribalta, estava tudo em silêncio. Jade percebeu que Cobra estava estranho, com a cabeça longe.
– Cobra o que foi? — disse Jade
– Oi? — disse ele saindo do transe
– Você está estranho. — respondeu desconfiada
– Não se preocupa minha dama. — disse ele.
Jade ainda estava preocupada. Nunca o tinha visto daquele jeito antes, nem quando se tratava de dificuldades financeiras. Depois de alguns minutos, Cobra parou enfrente a Ribalta. A garota saiu do carro e se despediu com um selinho, afinal Cobra só iria treinar a tarde.
Enquanto isso, do outro lado da cidade, Mar estava terminando de se arrumar para ir a Ribalta. "É hoje que a festinha daquele casalzinho acaba", pensou alto enquanto se olhava no espelho. Para ela, acabar com o namoro de Cobra e Jade não era só mais um pedido de seu tio, Lobão, ela queria se vingar, ainda não perdoara Cobra pelo jeito que ele a tirou do QG na noite passada. Lobão ainda estava no presídio e garantiu a si mesmo que depois que acabasse com Cobra e Jade, era a vez de Gael e sua família.
Quando Mar entrou na fábrica, percebeu que Cobra a olhava, mais aquilo não era um olhar de quem a estava achando bonita, era um olhar de quem não esquecera do que presenciou. Mar não se importou e subiu as escadas a levavam até a Ribalta. Cobra estava arrumando as prateleiras do QG, quando se viu derrubando tudo de novo. Depois sentou — se com as mãos na cabeça. "Conto, ou não conto?" pensava ele. "Ela confia em mim..."
Bianca também estava chegando na Ribalta e tinha percebido que Duca olhava para Mar e sentiu ciúmes. Ao invés de subir as escadas, caminhou em direção ao namorado para tirar satisfação.
– Por que você estava olhando para aquela ali? — disse a atriz com as mãos na cintura.
– Nossa, mais como é ciumenta essa minha namorada. — respondeu o lutador
– Você não respondeu a minha pergunta. — retrucou
– É uma história aí. Não tem nada haver comigo e muito menos com você.
– Ah não. Agora eu quero saber! E você vai me contar. — disse sentando — se ao lado de Duca
A academia estava praticamente vazia, os alunos ainda não haviam chegado. Gael estava distraído com algumas papeladas no escritório da academia, e apenas Zé e Marcão estavam colocando os equipamentos.
– Linda. Já falei que não é coisa nossa. — respondeu Duca, e Bianca fez bico. — Tá bom, tá bom. Mais antes de eu te contar alguma coisa você vai me prometer que não vai contar nada pra ninguém, principalmente pra Jade.
– A Jade? — Bianca parecia surpresa
– É... Promete?
– Prometo.
Duca contou o que tinha visto, e sobre a sua conversa com Cobra. Bianca ficou impressionada, pelo fato de Mar ter ido no QG e principalmente pela as palavras de Cobra, mais ela também ainda tinha dúvidas sobre o rapaz. Aos poucos, os alunos da academia e da Ribalta começaram a chegar. Antes da aula começar, Jade aproveitou para ir ao banheiro, estava apertada e não percebeu que Mar a seguia. Jade entrou em um dos banheiros e pouco tempo depois saiu e se assustou ao ver Mar que retocava a maquiagem.
– O que você está fazendo aqui? — disse a bailarina
– O banheiro é público querida. — disse ela e logo depois virou — se para encarar Jade. — Mais... Eu queria mesmo falar com você.
– E a gente tem algum assunto em comum?
– Ah tem sim. Um assunto bem lindo por sinal. — riu
– Fala logo garota. — Jade já estava irritada
– Enquanto você arrumava a Ribalta ontem a noite, eu estava com o Cobra. — disse simplesmente
– O que?
– Você quer que eu desenhe? Eu e o Cobra estávamos juntos ontem a noite. Ele beija bem e tem uma pegada... — disse Mar e em menos de um segundo recebeu um tapa de Jade e a mesma não satisfeita derrubou a garota e começou a esbofetear — la.
Bárbara estava em um dos banheiros e escutava a conversa e correu para tirar Jade de cima de Mar. Mar estava descabelada e sentindo a dor dos tapas que havia levado, mais mesmo assim ria da raiva de Jade.
– Eu te entendo Jade.. Mulher quando leva chifre, vira bicho. — riu virando — se para sair do banheiro. — Ah, e se não acredita, pergunta para o Duca. Ele viu tudo! — essas foram as últimas palavras de Mar antes de bater a porta do banheiro.
– Me solta! — disse Jade e Bárbara a soltou
– Não, não. Essa garota só está fazendo isso para me provocar! Isso não é verdade, não é verdade. — disse Jade enquanto andava de um lado e para outro com as mãos na cabeça.
– Jade, eu te avisei sobre o Cobra. Sabia que isso ia acontecer um dia. — disse Bárbara
– Me erra ruiva. — disse Jade que saiu do banheiro.
Jade estava com muita raiva, não sabia ao certo o que estava sentindo. Ao ver Duca treinando, lembrou — se do que Mar havia dito e pensou: "Vou tirar essa história a limpo agora".
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