Descobertas
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Novamente sozinha. Depois de todos os problemas já enfrentados sozinha, todas as batalhas em que teve que se esforçar para ser a melhor e não permitir revoltas, depois de todas as decisões difíceis que teve que fazer sozinha. Ainda tinha mais, tinha o antes. Tinha o agora. Ainda tinha, e tem, muitos momentos em que se sentia sozinha.
Sozinha em casa, com fantasmas do passado a perseguindo, sozinha naquela ilha, onde , por mais que tivesse sua irmã, ainda estava sozinha. Uma só tinha a outra, mas as duas estavam sozinhas, em um mundo diferente, um realidade nova, com o peso do passado em suas costas.
Quando piratas, que estavam aprisionados a ilha, as atacaram, a si e sua irmã, e as levaram para seu navio como reféns . Sozinhas tendo que atirar todo tipo de abuso que duas garotas sofrem nas mãos de homens bárbaros do mar. Sozinhas na hora de aprender a se defender, sozinhas em todos os momentos.
E foi assim, nesse mesmo navio que notou. Sua irmã, Hylla, era sua única amiga. E foi assim, também, que riu em muito tempo. Se sentia uma idiota por nunca ter percebido o quão era próxima da irmã. O que haviam passado juntas, e o que mais passariam. Estariam sempre juntas. Eram irmãs, não? Irmãos não se separavam, nunca. Fisicamente sim, mas emocionalmente estariam sempre juntas.
E levou esse pensamento até que sua irmã se tornou a rainha das amazonas. Estariam juntas emocionalmente. E se esforçou, se esforçou muito para melhorar. Para ser um orgulho, e para provar a seus fantasmas do passado o quão boa ela podia ser. E conseguiu.
Se tornou pretora do Acampamento Júpiter. Virou uma das melhores em luta, era justa, pensava todos os passos possíveis antes de agir. Podia-se dizer que era a melhor.
Mas ainda não acabou. Então conheceu Jason. O outro pretor. Loiro, alto, olhos azuis, uma pequena cicatriz no lábio, calmo, paciente e extremamente amigável. Então ela pensou em todos os passos que podia tomar, tudo o que podia acontecer, tudo o que poderia viver e sentir. O casal perfeito que seriam.
E, de uma hora para a outra, tudo caiu. Notou que não mais pensava na irmã, não a via à muito tempo. Jason, o loiro de olhos azuis e sorriso perfeitamente branco e postura de bom moço havia sumido. De uma hora para a outra, tudo o que acreditava ser sua vida e ser certo, tinha ruído. Ido ao chão em um baque.
PercyJackson. Esse era o nome do garoto que apareceu alguns meses depois do desaparecimento de Jason. Ela mal tinha tempo para respirar com o tanto de coisa que tinha que fazer, mas notou e observou o garoto, que havia surgido de forma extremamente original e interessante. Filho de Netuno. Fez coisas incríveis, e recuperou artefatos importantíssimos para sua legião. E novamente, ela pensou. Pensou que os deuses haviam mandado alguém para ficar ao seu lado, alguém que a ajudaria. E assim, em pouco tempo, Percy ganhou o cargo de pretor.
Alguns meses depois, porém, algo ainda mais estranho aconteceu. Um navio voador, vindo de não se sabe onde, aterrissou em cima do Acampamento Júpiter. Mas estranho ainda foi quando Jason saiu voando do mesmo. Com uma garota nos braços.
Piper era seu nome. Cabelos castanhos lisos e curtos, olhos multicoloridos e uma voz que faria com que qualquer um a obedecesse. E pelo o que parecia, namorada de Jason. Ele a queria apenas como amiga, nada mais, nada menos.
Annabeth. Longas madeixas loiras enroladas, com olhos cinzas que pareciam analisar toda a situação ao seu redor, e ótima em lutas, já que, ao encontra Percy, só faltou cortar-lhe a garganta . “Seria uma ótima Amazônia”, foi a única coisa que conseguiu pensar. E novamente, Percy também era comprometido com a bela loira.
Raiva era o que sentia. Raiva e ressentimento. Não conseguia acreditava que não era o suficiente para nenhum deles. Nem conseguia olhar-lhes nos olhos.
Uma confusão havia sido armada. Dois acampamentos, os mesmo deuses, mas, mesmo assim diferentes. Afinal, em Roma se veneravam outros deuses, deuses da guerra principalmente. Diferente da Grécia, dos gregos, que veneravam a sabedoria.
E, no agora, ou nem tanto assim, se ocorreu a guerra. Gaia despertando. Mil e um problemas. Acampamentos diferentes. Semideuses de diversas partes lutando um contra o outro.
E a Atena Partenos. Que era sua missão. Devia levá-la ao Acampamento Meio-Sangue e impedir uma outra guerra. E foi assim que conheceu Nico di Angelo. Bem, não conheceu, o garoto estava no acampamento júpiter tinha um certo tempo. Filho de plutão, ou Hades, ainda não havia organizado essa nova informação em sua mente.
E foi assim que notou, finalmente, que devia ser o suficiente para si mesma. Nada de rancor, nada de raiva. E tudo graças a Nico. Que, durante essa inesperada viagem, passou a ser visto por quase como um irmãozinho mais novo. Um irmãozinho que havia vivido tudo que ela tinha vivido.
Tempo errado, lugares errados, irmãs distantes (ou quase, Hylla estava apenas longe, enquanto Bianca estava morta) , se apaixonar pela pessoa errada, acreditar nas pessoas erradas, fantasmas passados, sozinhos no mundo, em muitos locais diferentes, muitas responsabilidades. A diferença era que, ela havia procurado por isso. Foi ela que se esforçou para ser considerada a melhor. Havia sido ela a passar a considerar o Acampamento Júpiter mais importante do que manter contato com sua irmã, foi ela que viu Percy como uma forma de superar o desaparecimento de Jason, ela que olhava para eles e suas respectivas namoradas com rancor e raiva, e assim, não dando chances de uma amizade florescer. Nico não, Nico era uma verdadeira vitima da própria vida.
Foi literalmente jogado no mundo dos deuses e semideuses com sua irmã quando tinha apenas 10 anos (e uns 65 anos de diferença para o mundo atual), enquanto a mesma se tornou uma caçadora de Ártemis, deixando o irmãozinho no Acampamento Meio-Sangue, com a promessa que o mesmo estaria seguro. Nico não havia usado Percy como forma de escape, não, ele realmente havia se apaixonado pelo garoto, o via como um herói. E isso o levou a acreditar que sua irmã estaria segura com ele. Em boas mão. No entanto, não foi isso que aconteceu, Percy não protegeu Bianca, não o suficiente. Ela faleceu, o deixando sozinho. Sem família, em outra época, em um país que não era o seu de origem, e pior, sem ninguém em que pudesse confiar totalmente depois do acidente.
Havia sido Nico a ensiná-la que não se deve ver apenas as falhas, não era esse seu propósito, mas foi isso que fez. Com suas experiências ela viu o que fez de errado, viu como foi tola. E notou como mudar.
Após conhecer e conviver com Nico di Angelo, Reyna Avila Ramírez-Arellano nunca mais foi a mesma.
Aprendeu que não devia pensar tanto, afinal, a vida não espera por ninguém. E nem esperar demais das pessoas, que são seres racionais, imprevisíveis. Só se deve desejar que seja uma boa surpresa e aceitar essa pessoa como amiga.
E foi assim que Reyna, ou RARA como Leo insistia em chamá-la, passou a ter amigos, e a confiar nas pessoas sem esperar nada, apenas recebendo as agradáveis surpresas que seus amigos a proporcionavam. Como por exemplo, uma guerra de travesseiros as três da manha, mesmo sabendo que tinham teste na escola de Nova Roma, disseram que Reyna estava muito estressada e tinham que ajudá-la.
Reyna sentia uma alegria incomparável no peito quando via Nico sendo feliz ao lado de Will. Ou quando via Jason o protegendo como um bom irmão mais velho faria.
E foi assim que Reyna fez amigos que nunca poderia abandonar. Claro, falava com Will apenas por meio de Nico, mas sempre se é bom conhecer pessoas novas. E viver experiências que ela tinha que apenas viveria com aqueles garotos.
Era um dia quente. Apolo fazia muito bem seu trabalho, com um grande e brilhante sol. Um céu azul sem nuvens, em um parque que tinha muitas árvores frondosas, com grandes sombras e frutos para colher a hora que se desejasse. Estavam os três, Reyna, Nico e Will, embaixo de uma macieira, com vários dos frutos vermelhos, denominados maças. Um lençol vermelho quadriculado com branco estava pousado no chão, a baixo do piquenique com mais comida que um banquete que Will havia feito para os dois morenos. Se tinha desde bolos, pães, frios, refris, sucos e o mais diversas coisas estranhas, como um suco de acerola. Nem Reyna, nem Nico sabiam que era possível se fazer um suco da pequena fruta, que detinha apenas uma fina camada como “fruto” e um grande caroço. Também tinha frutas. Desde ameixas a lichias, o que confundiu levemente Nico, que informou que tal fruta era do inverno. E era estranho encontrá-la na primavera. Oh, sim. Era primavera, e Perséfone havia feito um bom trabalho com flores de diversas cores, amarelas, vermelhas e brancas. Sem contar as rosas, onde uma, de uma cor entre o branco e o amarelo se encontrava no cabelo castanho escuro de Reyna, ou também, as margaridas, diversas eram as cores que se tinha. E Will havia tido todo o cuidado do mundo para fazer duas pulseirinhas e uma coroa de flores com todas as cores dessa flor que ele encontrasse pelo caminho até a macieira. Então, além da rosa amarelada, também tinha uma pulseira de margaridas coloridas nos pulsos de Reyna e Nico, e uma coroa de flores em Will.
Nico, assim como Reyna, usava uma coroa de flores com rosas. Mas as suas eram de um rosa clarinho, meio desbotado. Com galhos negros, que foram usados para ligar as flores. Estava completamente adorável. E essa era a opinião de Reyna ao olhar para Nico.

O resto do dia passou com eles comendo toda a comida preparada por Will, rindo, conversando, e as vezes, escalando árvores. Reyna e Nico tentavam ensinar alguma forma de luta corpo-a-corpo para Will, mas o loiro cismava em não conseguir aprender, então, depois de alguns tempo, desistiram e ficaram apenas conversando, e talvez, só talvez, brincando um pouco.
Não era exatamente algo impossível de se fazer com outras pessoas, mas ela sabia que isso só era especial como ela sentia que era, com aqueles dois, e as vezes, um loiro com sorriso branco, que agora era apenas um amigo.
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