Descentendes de Berk - Interativa
5 A Caçula
Notas iniciais
–Frey! Pai! -uma menina de cabelos castanhos e olhos bem verdes invadiu a casa onde Soluço e Frey conversavam sobre algo aparentemente muito serio.
Soluço ao ser interrompido durante a sua fala, quase caiu da cadeira, enquanto Frey deu um leve saltinho no lugar com o coração saindo em disparada.
–Pelo amor de Odin, Skylar. -resmungou Soluço já mais calmo do susto. -O que foi?
–Peguei um Nadder! -gritou a menina se gabando. -Os jurados decidiram que pelo meu teste psicológico ter mostrado minha competitividade, o dragão perfeito para mim era o Nadder Mortal!
Soluço arqueou uma das sobrancelhas e encarou Frey, que fez uma cara de quem já sabia, levantando levemente os ombros.
–Frey não foi para o campo de testes com vocês? -perguntou Soluço.
–Dei um jeito e aceitaram colocar Brenda no lugar. Afinal, o que pode ser mais importante que uma reunião com o paizão? -respondeu o menino, que por incrível que pareça, estava sendo sincero.
Frey, diferente de Soluço, em sua infância, achava que o pai tinha ideias muito boas, e adorava bater um bom papo com ele, apesar de não querer a responsabilidade de ser um líder. Frey era muito responsável, inteligente, e quando queria, fazia qualquer coisa dar certo. Seria um ótimo líder para Berk, porém, o garoto não gostava de muitas tarefas.
–Brenda está no campo? -Soluço perguntou alegre.
Frey limpou a garganta.
–Sim senhor! -respondeu o garoto com um tom zombeteiro.
Soluço gostava de Brenda, uma grande amiga de infância de Frey. Apesar de os jovens nunca terem assumido, ou nunca deixar parecer, muitos já disseram ver Brenda roubando alguns beijinhos de Frey, que era nitidamente caidinho por ela.
–Brenda foi muito legal! -anunciou Skylar animada. -Ela deixou eu subir no Skrill dela.
Brenda era uma menina de altura mediana, olhos levemente verdes, e cabelos pretos. Brenda, desde criança, era engraçada, e sempre fazia piadinhas bem boladas em diferentes situações, mesmo tendo perdido seus pais em um naufrágio aos 3 anos.
–Eai, pequena? -perguntou Frey à irmã menor. -Qual o nome da fera?
–Afiado, por causa de seus espinhos, e sua classe. -respondeu a menina.
Skylar tinha 16 anos, e era uma das menores, porém, uma das mais habilidosas e responsáveis da futura nova Academia de Dragões que se formava esse ano.
–E como foi o seu vôo no Relâmpago? -perguntou Soluço orgulhoso.
–Interessante... -respondeu a menina.
Relâmpago, o dragão de Brenda, era o único Skrill em Berk, e talvez, o único da região.
Para soluço, Brenda era como uma filha, pois após a morte de seus pais, Brenda ficou sozinha no mundo, e ao ver Frey, com 5 anos, Soluço cuidou da menina, para fazer companhia para Frey e Keyla. Pouco depois do nascimento de Skylar, a filha caçula de Soluço, Brenda foi morar sozinha, porem sempre visitando Frey e seu pai.
Em um dos passeios com Frey e Escaldante, Brenda deu de cara com Skrill, que a levou para uma caverna. Frey, quando achou ter perdido a amiga, avistou-a pilotando o animal.
–Onde está Keyla? -perguntou Skylar, a caçula.
Soluço revirou os olhos.
–Voando com Airon. -respondeu.
Soluço se desentendia facilmente com Keyla, pois não queria que a filha seguisse o caminho que ele havia seguido.
Skylar sentou-se perto de Frey, enquanto um dragão adentrava no aposento.
–Esse é Afiado. -apresentou Skylar apontando para o dragão.
Afiado era um Nadder realmente muito bonito, Frey não conseguia parar de olhar para as bem cuidadas presas curvadas do Bicho.
–Adorei as cores dele! O que acharam? -perguntou a menina.
O Nadder possuía costas roxas levemente clareadas, parte de baixo, verde fosforescente, e listras das duas cores na calda e seus espinhos.
Frey admirava em silencio os chifres da cabeça do dragão.
–Parabéns! -falou Soluço.
–Quem quer voar? -perguntou a menina.
–Eu acompanho. -se ofereceu Frey.
Frey chamou sua Fúria da Noite e voou rápido como um trovão.
–Achei que iríamos voar! -zombou Frey da distancia que havia ganhado de sua irmã.
–Quem disse que não vamos? -respondeu a irmã ironicamente, ao surpreender o irmão quando se aproximou.
Frey estranhou a incrível velocidade que a irmã havia alcançado em poucos segundos e então reduziu a sua, para conversar com Skylar.
–Ei! -chamou Frey. -Vocês já voaram?
Skylar era a primeira pessoa que iniciava na Academia, desde o incidente com Dagur.
–Não estou aqui para conversar! -gritou a menina, acelerando, e ultrapassando Frey e Escaldante.
Skylar e Afiado já estavam criando uma forte relação. Na época de Soluço e seus amigos, era muito mais dificil de criar amizade com um dragão, por serem criaturas selvagens, porém, havia ficado muito mais fácil domar um dragão, por Berk já ter uma geração de dragões nascidos lá, o que tornava os bichos, animais domésticos.
Escaldante se preparou para acelerar em direção à dupla, que se encontrava alguns metros a frente.
–Não garota! -ordenou Frey acariciando a cabeça do animal. -Ainda não.
Frey e Escaldante reduziram a velocidade, e faziam um vôo suave, enquanto Skylar se esforçava para abrir uma maior distancia do irmão.
Alguns segundos se passaram, até que Skylar se encontrava em alto mar, a pouco mais de um quilometro de Frey.
–Agora, garota. -anunciou Frey segurando-se em sua sela, e se abaixando em seu dragão para ganhar uma melhor aerodinâmica.
Escaldante disparou, atingindo uma incrível velocidade em poucos segundos. Skylar e Afiado, agora se encontravam novamente mais visíveis para Frey.
Em cerca de 20 segundos, Escaldante ultrapassou Skylar, deu meia volta e iniciou o incrivelmente rápido processo de retorno a Berk.
Quando Skylar se recuperou do quase tombo, por conta do vento exercido pelo irmão, Frey já estava na metade do caminho para Berk.
Skylar ficou realmente estressada com si mesma pela falta de habilidade, que havia demonstrado perto do irmão, então soltou um leve rosnado e partiu para casa.
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Skylar chegou irritada em casa e avistou Brenda sentada conversando com Keyla e Frey.
–Não vai contar para a Keyla sobre o seu dragão? -perguntou Frey com a intenção de irritar ainda mais a irma caçula.
–Não durmam tarde. -respondeu Skylar seca entrando em seu quarto. -Amanha tem mais iniciações, e você estará cuidando do campo, Frey.
Os três mais velhos da academia de dragões, Keyla, Brenda, e Frey, começaram a rir do estresse de Skylar.
Skylar, apesar de ser a caçula, sentia-se responsável pelos irmão, e temia que algo acontecesse a eles.
Depois de muito papo com o irmão, e Brenda, Keyla foi se deitar.
Brenda e Keyla eram muito chegadas, e desde pequenas se consideram irmãs, o que deixava Frey muito feliz.
Brenda olhou para Frey com uma cara que só ele poderia entender na hora.
–Vamos. -falou o menino se levantando.
Toda noite, Frey e Brenda voavam com seus respectivos dragões, para verificar se tudo aparentava estar bem em Berk, e também, é claro, para deixar os dragões tomarem um ar.
Frey foi até seu quarto para chamar Escaldante para o vôo enquanto Brenda se direcionava ao seu Skrill.
–Vamos, garota? -perguntou Frey estendendo a mão para Escaldante.
Escaldante abriu um sorriso e se levantou em silencio.
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Pouco depois, Frey e Brenda voavam sobre Berk observando as pequenas e bonitas casas que se encontravam logo a baixo das estrelas, e de uma linda Lua cheia.
–Bom... Acho que esta tudo bem por aqui. -falou Frey cansado.
–Não está não. -contrariou Brenda, fazendo Relâmpago "soltar" um raio em uma arvore na floresta, que logo se incendiou.
Brenda olhou para Frey com seus lindos olhos, que somente os observando muito a fundo, eram verdes.
Frey percebia os olhos verdes da menina, e quase caiu de seu dragão por estar mais atento em observar os olhos da menina com longos cabelos pretos.
Brenda soltou uma risadinha e partiu para a floresta.
Frey olhava a menina, voando em seu dragão, enquanto Escaldante soltava algo parecido com uma risada.
–Cale a boca! -gritou Frey. -Se não nunca mais verá essa lua.
Escaldante continuou "rindo" e partiu para a floresta.
O dragão de Frey, era com certeza mais inteligente até que Banguela, o que fazia Frey conversar com ela. Escondido, por ser muito introvertido com pessoas que não é íntimo.
Ao chegar na floresta, o garoto pousou com Escaldante logo a baixo da enorme Lua, e atrás de Brenda que apagava o fogo.
Era obvio qua a menina só havia feito aquilo para passar mais tempo com o garoto, mas Frey não ligava.
–Isso é por me seguir. -falou Brenda beijando o rosto do garoto.
–E isso é por queimar a floresta! -respondeu o garoto dando um leve soco no braço da menina.
Os dois riram um pouco e ficaram se olhando. Eles sabiam que havia coisas mais importantes para pensar do que beijinhos, e por isso mantinham seu relacionamento, escondido ate mesmo deles, quando possível. Mas o fato, era que nem sempre era possível.
Frey puxou a menina para um longo beijo, que o abraçou de leve, demonstrando afeto.
Brenda aproveitava o beijo como algo que nunca havia provado, quando Frey afastou o corpo dela um pouco.
–O que é isso? -perguntou o menino assustado com um barulho de dragões.
Enquanto Frey e Brenda faziam toda aquela cena lá em baixo, Philips, Keyla, Maya, e Skylar voavam logo em cima deles.
–Isso não é certo com o pai de vocês... -choramingava Maya, a menina de 18 anos do grupo.
–E o que é certo no mundo! -gritou Philips voando, aparentemente sozinho.
Philips adorava fazer seu Transformasa desaparecer enquanto voava.
Philips tinha cara de louco, e seus cabelos loiros e bagunçados realçavam essa característica nele.
Skylar, achava o menino de 19 anos, Philips, bem legal, porém, as vezes, por trabalhar muito duro, a menina se estressava com a falta de determinação do garoto.
–Agora! -Frey gritou atras do grupo sem ser notado, enquanto Escaldante atirava uma bola de plasma em Ilusão, o Transformasa de Philips, antes de ver quem era.
Brenda e Relâmpago deram um impulso em Philips que quase caia de seu dragão.
–De novo! -gritou o loiro.
Frey levou sua mão esquerda ate seu rosto ao notar quem eram os intrusos.
–Vocês... -sussurrou Frey. -Vão dormir!
Todos obedeceram a ordem do menino mais velho, exceto Keyla, a irma rebelde, que acelerou com seu Rouba Ossos.
–Brenda... Leve as crianças para casa. -ordenou Frey calmamente. -Vou pega-la.
Frey olhou para Brenda uma ultima vez e ordenou à Escaldante, a recordista de velocidade da historia de Berk, que acelerasse novamente, em direção a irmãzinha loira.
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