Descendência do mal
1 Prólogo
Prólogo
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1819
— Você sabe Lanore, não precisa entregar a criança – disse Jonathan, acariciando o pequeno embrulho de panos que hora ou outra choramingava e se movia – talvez Adair não saia de lá nunca.
— Não há uma certeza, talvez algum dia, seja amanhã ou mesmo daqui a milhares de anos ele se liberte e venha atrás de nós, a criança corre o mesmo risco, se ela for imortal também poderá ser castigada pela eternidade – respondeu Lanore – e eu não sei... não sei se quero carregar um pedaço daquele monstro.
Lanore então entregou a criança, que agora chorava fracamente, a uma mulher que permanecera em silêncio durante todo tempo. Ela o aninhou ao peito e o acalmou.
— Vai ficar tudo bem, vamos cuidar dele – falou a mulher sorrindo, enquanto tirava do corset um papel com um endereço rabiscado – aqui está o endereço do lugar onde ele vai ficar, se precisar visita-lo.
Lanore pegou o papel com desdém e o jogou no chão.
— Espero que o dinheiro que te demos seja suficiente para que eu não precise visita-lo – respondeu, virando de costas, contornando a cintura de Jonathan com seu braço pálido e saindo do porto.
A mulher embarcou no navio com o embrulho nos braços. E ao contrário do que ela esperava e torcia, o pequeno bebê resistiu a viagem.
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