Descendants of the Sun
3 O apêndice não é desse lado

VIOLETTA
—Eu completei o seu trabalho de pesquisa. — falei dando a apostila para o Diretor que assentiu encarando a apostila, ficando surpreso com o resultado.
—Eu agradeço pelo seu trabalho. Isso ajudou você? — perguntou e eu sorri fraco.
—Sim, ajudou muito. — respondi e ele continuou encarando a apostila.
—Seus gráficos estão limpos e organizados. — comentou e eu senti uma pontada de orgulho na voz dele. — Só falta a entrevista final para sua nomeação de professora no departamento, certo? — perguntou me encarando. Eu almejava isso mais que tudo e todos nesse hospital sabiam disso.
—Sim, estou me preparando... — parei de falar ao ver, pela parede de vidro atrás do diretor, o meu paciente/ladrão, fugindo. Arregalei os olhos e tentei manter a calma. — Sinto muito! Mas o meu paciente está fugindo! — comentei.
—Ele está fugindo sem ser tratado? — perguntou confuso e eu assenti.
—Sim, se já terminou... — ele me interrompeu.
—Ok. Vá atrás dele, ele precisa ser tratado. — falou e eu sai correndo do hospital. E como ele precisava ser tratado, ele estava mancando muito e por causa disso eu consegui me aproximar dele e segurar o seu braço, fazendo o mesmo bufar frustrado.
[...]
—Nossa, eu preciso ir! — reclamou o paciente, mas eu não dei ouvidos, continuando a empurrar a cadeira de rodas até o quarto dele. — Se eu estiver aqui, o hospital vai se transformar em um caos! — continuou gesticulando e apontando para tudo, parecia uma criança birrenta, isso me deixava de alguma forma feliz, já que eu não tinha nenhum tipo de divertimento esses dias.
—Você fugiu? — perguntou Naty, a minha fellow e eu parei de empurrar a cadeira de rodas.
—Ele quase chegou ao estacionamento. Os tornozelos incharam ainda mais. — falei e o cara suspirou parecendo exausto.
—Isso é frustrante! Se eles me pegarem, eu vou acabar em um mortuário, não aqui! — tornou a reclamar e eu revirei os olhos. — Que direito o hospital tem de me manter aqui? Se eu quero ficar ou ir embora, isso é comigo! — eu o encarei e aproximei o meu rosto do dele.
—Não é um direito seu, é o nosso dever.
—Se quiser ir embora assine o consentimento de não receber tratamento e pague a conta. — falou Naty e eu afastei o meu rosto do dele.
—O quê? — ele se levantou da cadeira, ficando maior que nós duas. — Por que eu preciso pagar? Eu não recebi nada aqui. — replicou e eu percebi que a Naty estava começando a se irritar com ele.
—Você foi examinado pela doutora. Você precisa pagar por isso. — rebateu ela e o rapaz cruzou os braços.
—E se eu não pagar?
—Então chamarei a polícia. — ele pareceu se acalmar e deixou de encarar a Naty.
—Não acredito nessas pessoa! — resmungou frustrado. — Ok, tudo bem. Meu amigo está vindo. Vou deitar até ele chegar. — vi ele querer sair dali, mas eu segurei o seu braço.
—Sua cama é aqui, senhor. — falei apontando para a cama dele e um barulho exasperado saiu de sua garganta.
—Nossa! — ele puxou o braço. — Eu vou ao banheiro! — exclamou indicando a direção em que ele iria seguir.
—Você quer que eu acredite? — perguntei e ele revirou os olhos.
—Eu vou pagar. Tudo bem? — ele pegou o celular dele e pôs na minha mão. — Vou dar meu celular para você! — falou exasperado indo na direção que apontara. — Queria destruir esse lugar! — resmungou enquanto caminhava a passos lentos e contados. — Que dia de azar! — resmungou mais alto, ele saiu do meu campo de visão e eu cruzei os braços.
—Não acredito nessa criança! — dito isso, o celular dele começou a tocar, eu encarei a tela e arqueei as sobrancelhas ao ver o nome que ali tinha. — 'Chefão'? Que comédia! Todos eles deveriam ser enviados ao serviço militar para crescerem!
[...]
ANDRÉ
Assim que consegui me afastar daquelas loucas, eu peguei o meu celular e sorri vitorioso. Ela acha mesmo que eu vou voltar para pegar um celular que nem ao menos é meu? Trouxa! Eu precisava sair daqui, se eles me encontrassem, eu estaria perdido.
[...]
LEÓN
Eu estacionei o carro no estacionamento do hospital e o Broduey foi o primeiro a descer. Eu o segui, mas não antes de ver um grupo de caras que pareciam arruaceiros passar por nós, e tentei ligar, novamente, para o celular dele, só que ninguém atendia. Nós andamos um monte até chegar na sala de emergência. Na área, apenas as cortinas separavam as camas dos pacientes.
—Ele está morto! — resmungou Broduey e eu abaixei o celular.
—Então... vamos confirmar o local do mortuário? — brinquei e ele me encarou sério. — Cara, você é tão meticuloso. — comentei balançando a cabeça negativamente. Tornei a ligar e, dessa vez, eu escutei o toque do celular dele, perto de nós, nós olhamos em volta e percebemos uma médica pegar o celular do bolso do jaleco, nós nos aproximamos e ela atendeu o celular.
—Alô? — falou e eu me aproximei mais, ficando atrás dela.
—Alô! — falei e ela se virou para mim, encerrando a chamada. Ela se levantou de onde estava sentada e me encarou confusa.
—Você é o Chefão? — perguntou ela e eu fiquei um pouco paralisado por tamanha beleza, mas logo voltei.
—Sim. Por que você está com esse celular? — perguntei curioso e ela me olhou desconfiada, guardando o celular no bolso do jaleco.
—O paciente me deu. — respondeu voltando a fazer o que fazia antes, encarar uma ficha qualquer. — Você é o guardião?
—Não sou o guardião. Sou o dono do celular. — respondi e ela me ignorou por completo, lendo a ficha em voz baixa, ri pelas narinas, não acreditando que eu estava sendo ignorado por uma médica. Ela olhou para algo atrás de mim e suspirou, parecendo exausta.
—Onde está o paciente do acidente com a moto? — perguntou para que uma das enfermeiras respondesse.
—Talvez esteja na sala de raios-X. — respondeu uma das enfermeiras que estava perto dela, eu puxei a enfermeira para longe dela e fiquei no seu lugar.
—Com quem você está falando? — perguntei aproximando meu rosto do dela e a mesma me encarou.
—Vocês que querem mandá-lo para o mortuário? — perguntou me desafiando com o olhar e eu mordi o lábio inferior. Gostei dela.
—Você disse mortuário? — perguntei me afastando e encarando o Broduey que observava a cena.- Deve ser um mal entendido... — ela me interrompeu.
—Enfermeira Ferro? Diga para esses rapazes esperarem do lado de fora. E diga para a segurança vigiá-los. — falou e eu permaneci encarando ela, os olhos castanhos da cor do chocolate, a pele branca e os cabelos com mechas loiras, parecia um pouco mais jovem, quase como se ainda fosse uma adolescente. — Depressa!
—Por favor, esperem lá fora. — a enfermeira começou a me empurrar para fora e eu respirei fundo.
—Espera... — eu não entendi no início, mas eu não queria me explicar, eu queria decorar o rosto dela em minhas lembranças. A enfermeira continuou nos empurrando até nos afastar dela, eu continuei a encarando, nossos olhares se cruzara por um tempo, até fecharem a cortina e eu não poder mais vê-la.
—Ele deu o celular para ela. Parece que ele fugiu. — murmurei tentando voltar para a terra.
—Por que não vamos encontrá-lo? — perguntou e eu o encarei com uma das sobrancelhas arqueadas. — Não acho que ele foi longe. — falou e eu sorri fraco.
—Não, ele não foi. — murmurei voltando a me perder em um outro mundo. — Por que você não vai atrás dele? — perguntei ainda encarando a cortina, com um sorriso no rosto. Eu o encarei e o vi sério, eu coloquei a mão do lado esquerdo do meu meu abdômen, fingindo um dor forte, trazendo a atenção de muita pessoa para nós. — Que dor! Por que tão de repente!? Deve ser apendicite! — me curvei pondo a mão no ombro dele e ele cruzou os braços.
—O apêndice não é desse lado. — resmungou e eu botei a mão do outro lado do abdômen.
—Quis dizer desse lado! — tentei concertar tirando a mão do ombro dele. — O que há de errado comigo?
—Na verdade, é do outro lado. — falou e eu parei, encarei ele e ri sem humor.
—Você quer morrer? — perguntei e ele permaneceu com aquela cara séria. — Vamos atrás do cara.
[...]
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