Descendants -Interativa
11 Ascensão e queda do rei
Notas iniciais
Shadow Green
Confesso que minha cabeça anda meio confusa com tudo que se passa. É muita pressão de um lado e do outro uma princesa me perseguindo para todos os lados sem se importar com o que falam sobre a mesma. Também preciso confessar que machuca-la não está mais em meus planos. Na verdade acho que nada disso esteve um dia e meus planos. Infelizmente alguém já havia percebido tudo isso e agora tinha certo receio de falar com White.
–Por que está agindo feito uma idiota? –perguntava a mim mesma enquanto observava meu reflexo contra o espelho do quarto.
Jogava meu cabelo negro para trás para pode encostar minha testa contra a superfície refletora. Devia muita coisa a essas pessoas já a White não tinha porque ajuda-la. Um longo suspiro atravessou meus lábios e finalmente me afastei do espelho.
Talvez tenha ficado uns cinco minutos deitada sobre minha cama olhando para o teto branco. Entre meus dedos o Bobbit se arrastar pelo meu braço, mesmo sendo um verme aquático ele conseguia se vira bem na superfície e até que aguentava bastante.
–This is Halloween...–cantarolava enquanto escutava a porta do quarto ser aberta com certa delicadeza.
Deslizei meu olhar em direção a porta e pude ver o garoto de cabelos loiros perfeitamente arrumados assim como suas roupas impecáveis que sempre estavam alinhadas com perfeição em seu corpo, mas dessa vez um inchaço incomum se ressaltava em sua face perfeita.
–O que aconteceu com seu rosto?- questionava enquanto passava a ponta de meu dedo indicador pelo que seria a cabeça do verme que continuava a rastejar pelo meu braço.
–Nada de relevante. –respondia Klaus que se sentava sobre uma cadeira. –Mas estou aqui por dois motivos.
Já sabia muito bem um dos motivos, ele sabia o que havia acontecido no dia dos namorados, ele iria me matar sem pensar duas vezes.
Sentei-me sobre a cama e permaneci de cabeça baixa, encarar o bruxo não era uma ideia muito boa, ele sempre ganhava e criava certo terror psicológico quando alguém olhava diretamente para seus olhos.
–Klaus... Eu sinto... -antes de ter a chance de terminar minha fala pude sentir algo afiado cortar minha bochecha esquerda. Uma dor fraca tomava conta do lugar e se tivesse algum tipo de fluido correndo em minhas veias estaria vazando. Meus olhos ficaram arregalados enquanto sentia o punhal de Klaus contra minha garganta.
–Shadow, eu te salvei daquele inferno. –falava o garoto enquanto retirava o punhal do meu pescoço e jogava para mim.
Certo medo de agarrar na lamina do objeto passou pela minha cabeça, mas foi abafado pelo reflexo que agarrou no cabo do objeto magico. A primeira vista era uma simples arma humana, mas aquela simples arma estava todo o poder de Klaus, se quisesse mata-lo era apenas destruir esse objeto. Era tanto poder que conseguia me deixar em certo estado transe, mas mesmo sendo ‘’seduzida’’ por todo aquele poder ainda sentia a mão de Klaus em meus cabelos.
–Shadow eu te ajudei a capturar esse corpo que tanto gosta. –falava o garoto enquanto enrolava uma mecha de meu cabelo em seu dedo indicador.
–Eu sei... Mas... -Klaus fez um gesto com a mão para que esperasse ele terminar.
–Se lembra daqueles casos de miíase*. –dizia o garoto enquanto ria um pouco. –Você ficava tão fofa vendo seus vermes devorar pessoas ainda vivas.
Ainda estava meio distante, mas a imagem daquelas pessoas sendo devoradas de dentro para fora realmente criavam um sentimento bom de nostalgia. Klaus que havia me ensinado a usar meus poderes de uma forma certa.
–Sim. –respondia sorrindo e nesse momento pude sentir a mão do loiro sobre a minha. – Os gritos que eram abafados...
–Jack mantinha seu pai preso porque sabia o quanto ele era mortífero para os seres humanos. Shadow com um único toque seu o humano saudável morre. Você sabe o quão poderosa é e sabe que as pessoas desse lugar faram de tudo para impedi-la de usar seus poderes. –dizia Klaus enquanto deslizava sua mão pelo meu braço. –Sabe melhor que eu que será uma questão de tempo para White e os demais perceberem todo esse poder que você tem. Seu pai também tinha a liberdade dele... Até Jack perceber o quão perigoso ele era. Você realmente acha que vão deixar uma parasita rastejar pelo reino por muito tempo?
Olhava para frente com certo receio de acabar presa em um buraco dependendo de alguém para me alimentar. Klaus tinha razão não tinha porque continuar protegendo White, ela e os outros vão me destruí ao perceberem que sou algo muito infante.
Klaus retirou o punhal de minha mão com certa brutalidade e caminhou um pouco para frente e estendeu a arma para mim.
–Me ajude a acabar com os felizes para sempre deles. –o sorriso nos lábios do garoto era realmente assustador.
Agarrei a mão do garoto e abri o mesmo sorriso.
–Sabe que sempre vou ajuda-lo a matar quantas pessoas forem necessárias. — Sorria da mesma forma que o garoto, mas soltei sua mão quanto me lembrei de algo. –Qual é a segunda coisa?
–Oh!- Klaus guardava seu punhal e se dirigia até a porta. –Quero que conheça a nova aluna que vai nos ajudar bastante.
–Quem são os pais? –questionava enquanto sentava-me de novo sobre a cama.
–Tadashi Hamada.
Fiquei uns segundos tentando juntar o nome a pessoa, quando finalmente consegui voltei a olhar para Klaus.
–Ele não morreu tipo jovem demais para ter filhos?
–Na verdade ele não morreu, apenas teve boa parte de seu corpo queimado. Mas foi o suficiente para ficar louco e nutri o mesmo ódio que nos temos. –Klaus abriu a porta do quarto e pediu para uma garota asiática entra.
Seu rosto era fino e seu cabelo comprido e negro. Por algum motivo tinha algo em sua face que a tornava perfeita demais para um ser humano. Não tinha nenhuma falha na pele nem nada.
–Essa é Sayuri Como já deve ter percebido um humanoide perfeito. As pessoas parecem não se importar com Tadashi criando uma própria filha para sim. Achei isso um tanto quanto interessante. Você não?
xXXXx
Isabelle Marrie Grace
Virava a pagina do livro e erguia um pouco o livro de Magia elementar para o professor não notasse minha farsa. Sobre o livro da disciplina havia um de meus livros favoritos’ ’Hamlet’’, talvez fosse todo a parte da vingança ou a própria historia que parecia recair sobre minha família aos poucos, acho que não preciso dizer que a culpa de tudo se deve a meu irmão adotivo.
Na verdade nos poucos anos que passei nessa escola pude notar coisas um tanto quantos peculiares. Klaus não é o único que almeja a coroa de Darmen, não seria nenhuma surpresa se na cerimonia de coração meu querido irmão fosse assassinado. Agora com os filhos dos vilões vagando pelos corredores ficava mais claro o quanto meu irmão era alvo. Talvez seja coisa da minha cabeça... Espero estar errada sobre tudo isso e que o único que almeje a coroa de meu irmão seja Klaus.
–Está errada. –disse uma voz masculina ao meu lado.
Acho que dei um salto da cadeira. Alguém estava lendo minha mente? Isso é serio? Agora tinha sérios problemas com as pessoas daquela sala. Todo mundo ali tinha poderes mágicos menos eu e o cara ao meu lado podia ler mente. Qual a necessidade disso?
–O-o que disse?-perguntei um pouco nervosa.
–Está lendo o livro de uma forma errada. Não deveria se distrair enquanto ler Hamlet sabe cada palavra conta algo diferente e que pode ajuda-la a compreender melhor. –respondia o garoto enquanto deitava sua cabeça sobre a carteira.
–Oh! Você estava falando do livro. –dizia mais aliviada enquanto fechava o romance e voltava meu olhar pro garoto de cabelos castanhos. Abaixo de seu olho esquerdo havia uma cicatriz que chamava demais minha atenção, queria perguntar o motivo daquele ferimento, mas parecia muito deselegante da minha parte.
–Do que mais poderia estar falando?-questionava o garoto enquanto arqueava sua sobrancelha esquerda. — Por que usa só azul?
Desviava meu olhar pro vestido azul que trajava e depois tocava a fita em meu cabelo que era da mesma cor.
–Porque gosto da cor. –respondia enquanto voltava meu olhar para frente.
–Está infeliz. –respondia o garoto voltando seu olhar pra frente. –Sua mãe fazia o mesmo. A cor azul mostra o quanto está infeliz nesse lugar e que quer ir embora. Todos também te acham louca?
–Como sabe quem é minha mãe?
–Você é a cara dela e usa seus vestidos para mostrar seu estado de espirito. Realmente uma ótima maneira de mostra o que sente, mas sem perder a postura de uma princesa. Deve ser triste não poder mostra o que sente. O azul te cai muito bem. –enquanto falava o garoto brincava com uma formiga em sua mesa. –Você também deve ser uma pessoa calma e que poupa a vida de todos. –quando terminou de falar amassou o pequeno inseto e voltou a me olhar sorrindo. –Prazer, Kopp. Filho de Scar e futuro usurpador do seu reino.
Acho que nunca fiquei tão chocada em toda minha vida e minha expressão deveria estar tão ridícula que pude ver Kopp rindo como se tivesse contado a piada mais engraçada do mundo.
–É brincadeira princesa. Tenho lugares melhores para usurpa.
Assim que Kopp terminou de falar percebi que a aula já havia chegado ao fim. Ainda estava um pouco sem chão. Talvez seja por causa de tudo que estava pensando antes dessa conversa ou talvez pelo garoto ser filho do piores vilões. Minha cabeça girava um pouco, mas precisava falava com Damen. Não podia deixar meu irmão correr perigo, não agora que ele estava tão perto de se tornar rei.
–Damen. –falei em um tom baixo enquanto saia da sala deixando para trás minhas coisas sem me importar muito com isso.
Dava passos meio largos e caminhava pro corredor que aconteciam as aulas do ultimo ano, como de costume ele estava sentado sobre uma mureta conversando com Dimitrio e Kim. Dei passos mais largos até finalmente estar parada ao seu lado. Minha respiração estava um pouco ofegante e Kim perguntava se estava tudo bem comigo. Damen perguntava se estava louca.
–Qual o seu problema Belle? –questionava meu irmão enquanto me puxava para mais perto de si.
–Eu preciso falar com você... Vão tentar mata-lo. –acho que não pensei muito bem nas minhas palavras, na verdade nem era isso que tinha em mente simplesmente foi isso que saiu.
–Do que está falando? Pelo amor de deus. Deixe-me em paz. Não é a primeira vez que você acha isso. Olha eu sou o futuro rei é claro que vão querer me matar, mas pelo amor dos deuses. Sabe que sou tão forte quanto o papai e se veio falar de Klaus eu já estou cansado disso tudo. Klaus não é perigoso! –ele estava mentido, ele sempre foi a pessoa com mais receio de nosso irmãozinho.
–Mas Da...
–Sem, mas! Já basta! Eu sou o futuro rei e você a ultima a suceder o trono, o que a torna inútil em nossa família. Volte para suas aulas e me deixe um pouco em paz.
Acho que qualquer pessoa normal teria ficado com raiva do irmão, mas não eu. Eu tinha que parecer uma princesa sem nenhuma preocupação. Kopp estava certo. O azul me caia muito bem, era minha forma de mostra o quão triste estava naquela família. E seria bem mais triste quando visse a morte de Darmen.
xXXXx
Taissa De Vil
Via Isabelle se retirava da sala com tanta pressa que havia esquecido por completo de seu material. Dei um longo suspiro enquanto me aproximava da bolsa azul da garota. Retirava do meu bolso um pequeno espelho e o colocava com cuidado em meio às coisas da garota. Sempre olhando ao redor para ter certeza que não era vista por ninguém.
–Nunca achei que veria uma De Vil dividindo suas coisas. –falava uma voz feminina que estava parada enfrente a porta.
–Lily! Suma daqui! –ordenava enquanto via uma de suas sombras vinho na direção da mochila de Belle. –Pare de brincadeira! Sabe que seremos mortas se isso der errado!
A garota bocejava enquanto fechava seus olhos. Sua sombra recuava e voltar a ao o que deveria ser seu normal.
–Sabe o outro lado às coisas eram um pouco mais fáceis, eu não acredito que estou presa aqui agora.
Revirava os olhos enquanto a escutava. Deixava o espelho de uma forma que Isabelle não percebesse o objeto novo que existia entre seus pertencer.
–Pelo amor de deus, pare de reclamar. –pedia enquanto pegava minhas coisas e caminhava para fora da sala. –Sabe muito bem que estaria morta. Oh! Você nem deveria existir, não foi você que o pai vender em troca da liberdade? Acho que sua sombra iria adorar devora-la.
Podia sentir os olhos de Lily focados em mim e confesso que senti um pouco de receio. Se aquela garota quisesse matar alguém não seria uma coisa complicada, só precisava dar uma simples ordem para sua sombra que assim seria feito.
Enquanto saiamos da sala um gato preto nos observava enquanto lambia sua pata esquerda.
–Eu não acredito! –gritou Lily que com um gesto de mão fez a sombra sufocar o animal. –De esse recado pro seu dono.
Dei um soco no braço da garota enquanto suspirava baixo. Diferente de minha mãe não suportava violência com animais, mas sabia que aquela coisa não merecia tanta compaixão assim.
–O que foi? –questionava Lily enquanto franzia o cenho e esfregava o braço na região que havia acertado o soco. –Esse gato não te causa arrepios?
Enquanto a garota falava podia ver o felino voltando ao seu normal e se sacudindo um pouco. Demorou uns minutos para voltar a si, mas não demorou a se posicionar de uma forma ameaçadora e ficar a poucos segundos de pular no pescoço de Lily.
–Binx! –gritou uma voz masculina. Demorei a ligar à voz a pessoa, mas era Darmen. Antes que o gato avançasse ele já estava preso nos braços do príncipe. –Eu não acredito que Klaus deixou esse monte de pelos solto de novo. Sinto muito por isso. Assim como Klaus esse gato não passa de um saco de pulgas sem utilidades... Ai!-antes de terminar suas ofensas diárias ao meio irmão Binx acabou por dar uma dentada na mão do garoto e pular para longe. Antes de sumir nos corredores deu uma olhada para Darmen e rosnou.
–Animal inútil. -rosnava o garoto enquanto colocava a parte machucada de sua mão na boca e limpava o sangue da região.
–Sempre achei que príncipes não pudessem falar mal bichinhos fofos. –zombava Lily com um ar um tanto quanto superior.
O príncipe se resumiu a revirar os olhos e seguir seu caminho. Realmente ele era bom demais para se deixar abalar por algo tão bobo.
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