Descendants 2
7 Let the Games Begin

Vocês ficaram amigos depois de tudo, a dupla virou quarteto.
— Uma Shell
...
Por duas semanas, Kaya ficou na ala hospitalar da escola. Grande parte dos dias, ela estava sozinha na enfermaria. Só após as aulas que seus amigos iam lá visita-la. Até Evie foi ver como a garota estava.
A partir do 10° dia internada, ela começou a ter mais companhia. Outros alunos, 99% eram garotos, estavam chegando com membros esfolados ou quebrados. A garota demorou um tempo para entender porque estava com muitos companheiros: a temporada de Torneio estava se iniciando em Auradon.
— Consegue se firmar, querida? — A enfermeira perguntou ajudando Kaya a se levantar. Ao longo dessas semanas que passou na ala hospitalar, teve de usar muletas para andar, havia torcido, muito forte, o tornozelo.
— Consigo. — A mais nova respondeu. Deu pequenos passos sem as muletas. — Posso ir embora agora?
— Claro, mas preciso que volte ao final da semana, só para ter certeza que está bem.
A de cabelos rosas assentiu e saiu da ala hospitalar devagar. Logo que saiu do prédio, viu os papeis azuis e amarelos por todo. Demorou para reconhecer algum rosto, na verdade, Kaya não reconheceu o rosto, e brancos de Carlos.
— Kaya! Está melhor? — Carlos sorriu para a garota.
— Sim, e antes que pergunte: a enfermeira me dispensou, não estou fugindo dessa vez.
— Claro, claro. Hã, eu vi Uma com o Harry agora pouco. — Carlos apontou para suas costas.
— O que está acontecendo?
— Primeiro jogo da escola no Torneio. — Carlos deu de ombros. — No final da semana vai ter o Aniversário de Auradon, este ano meio que dá início para as temporadas dos jogos.
— Sou obrigada a ir? — Kaya ergueu uma sobrancelha.
— Não... mas é divertido. — o garoto sorriu. — Eles montam um parque de diversão só para esse dia. E a montanha russa é melhor do que a lá da Ilha.
— Está tentando me convencer a ir? — Ambos riram.
...
Uma estava se acomodando na arquibancada, havia perdido Isabelle de vista, precisava achar a amiga, pois ela sozinha com as cartas de baralho não iria dar muito certo.
A de cabelos brancos abriu o caderno que a mãe lhe dera, nele não tinha muitos feitiços e sim como fazer poções, artefatos mágicos e suas propriedades. A concha que sua mãe lhe deu estava naquele caderno, as conchas das filhas de Ariel também. O livro de feitiços de Mal tinha várias páginas falando sobre ele. Uma foleou as últimas páginas, muitas estavam em branco.
— Veio ver o jogo? Ou ler? — Jay sentou do lado da garota.
— Ah, oi! — Uma fechou o caderno rápido. — Vim assistir aos garotos. Pensei que você ia jogar.
— Ex aluno, esqueceu? — Jay riu. — Vai ao Aniversário de Auradon?
— Ainda não sei, mas é provável que me arrastem, então sim, eu vou. — Uma deu de ombros rindo. — Fiquei sabendo que você está de rolo com a filha da Mulan, é verdade? — ele balançou a cabeça. Uma bateu palmas rindo. — A Dupla Indomável acabou então. Gil vai ficar decepcionado.
— Ele supera. — Jay riu.
— Era muito engraçado vocês dois. — Uma riu. — Vocês dois eram impossíveis.
— Você não pegou a época em que ajudávamos o Carlos na Educação Física, ele nos ajudava Ciência Estranha e o Harry ajudava no Enriquecimento. Ai a gente ajudava ele com a Daiana, acredita? — Jay começou a rir sozinho.
— Vocês ficaram amigos depois de tudo, a dupla virou quarteto. — Uma disse meio incomodada. — E o meu quarteto virou duas duplas que se distanciaram. E depois veio a Kaya se juntar.
...
O jogo havia começado. Auradon Prep contra Arendelle Prep. Não era uma partida muito boa, já que os garotos de Andalasia não tinham o mesmo ritmo dos garotos de Auradon, mas como era o primeiro jogo da escola, a animação estava à mil.
Isabelle estava em seu quarto, dava para ver e ouvir o jogo perfeitamente de lá. Não tinha a mínima vontade de sair e comemorar alguma coisa com os alunos de Auradon. Não pertencia aquele lugar, por que iria se alegrar?
Estava entendia no quarto, resolveu ir à biblioteca procurar algum livro para ler ou achar alguém para conversar. Mas para sua surpresa, achou Mal sentada na escadaria de madeira com as mãos cobrindo o rosto.
— Não sou igual a você, não sou igual a você... — Isabelle estranhou, mas colocou a mão no ombro de Mal, fazendo-a tomar um susto.
— Ei, calma, sou eu. — Isabelle segurou o riso.
— Isabelle... o que está fazendo no meu quarto? — Mal olhou confusa para a garota.
— Hã, estamos no salão de entrada dos dormitórios, Bertha. — A ruiva disse. — Voltou a ser sonambula?
— Não... sim... talvez. — Mal balançou a cabeça. — Não tenho um ataque de sonambulismo desde... tem muito tempo, na verdade.
— Certo. — Isabelle concordou devagar com a cabeça. — Consegue achar o quarto sozinha ou vai precisar de ajuda para não se perder por aí? Estou atoa, sabe, mas não quero ser babá.
— Quando eu acho que você está preocupada comigo, você volta ao seu estado normal.
— Se em algum momento perceber que estou sendo doce, eu quero um favor seu, mas acho que isso pode não acontecer em um futuro. — Isabelle sorriu falsamente, Mal se levantou.
— Já aprendi isso. — Mal disse voltando para o quarto.
Don't you wanna be evil like me?
A voz de Malévola começou a escoar pela cabeça de Mal.
— Não... de novo não. — Mal choramingou e tampou os ouvidos. Mas isso só fez com que a voz ficasse mais alta.
Don't you wanna be mean? Don't you wanna make mischief your daily routine?
— Para! Para! — Mal sussurrou.
Não tenha medo, criança. Estou aqui para te dizer o que deve fazer...
A garota apoiou na parede e fechou os olhos. Não sou igual a ela, sou melhor, sou boa. Mas era um pouco tarde, seus olhos já estavam verdes brilhantes.
...
— Mal? — Uma voz abafada chamou a garota. Não sabia dizer de quem era, mas com certeza não era da sua mãe. — Mal! — A voz a chamou mais uma vez, agora em alto e bom som. A de cabelos roxos abriu os olhos e viu que era Evie. — Pela Fada Madrinha, você está bem?
— Onde estou? Minha cabeça está latejando... — Resmungou a garota.
— Casa dos White. — Evie falou dando espaço para a garota se sentar na cama. — Breno te achou aqui perto, Ben já está vindo.
— O que aconteceu? — Mal perguntou. Evie lhe ofereceu um copo d’água, mas a de roxo recusou. — Como eu vim parar aqui?
— Bem, era o que eu queria saber, na verdade todo mundo. Mas, quando o jogo acabou, fui para o quarto, não te achei, achei Izzy e ela tinha dito que você já estava no quarto, então perguntei para Ben se ele tinha te visto. Todos ficaram preocupados. — Evie disse com calma.
— Por quê? Podia simplesmente ter desencontrado com vocês. — Mal disse tranquilamente.
— Te procuramos pela escola inteira. — A de azul respondeu. Mal olhou torto para a amiga. — São onze e meia da noite, você ficou desaparecida por quase três horas.
Mal mordeu o lábio, não sabia se contava ou não para Evie sobre os sonhos, sobre a voz de sua mãe em sua cabeça. Sumi, porque minha mãe possuiu meu corpo, não sei como, pensou. Ia abrir a boca para dar uma resposta, mas Ben apareceu na porta.
— Oi — a garota sorriu. Evie se afastou deixando o rei se aproximar. — Fiquei preocupado...
— Desculpa — Mal balançou a cabeça. O rei deu um sorriso e acariciou uma bochecha dela.
— Não some, por favor. Não sei o que faria sem você. — Ben sussurrou, juntando as mãos da garota e depositando um beijo em cada. — Eu te amo, Mal, já te disse isso?
Mal sorriu e deu um beijo em Ben.
— E eu? Já te disse que te amo muito?
...
Isabelle estava sentada na varanda do quarto. Tudo já estava calado, claro. Já passavam da meia noite e no outro dia, todos iriam ter aula. Mas algo estava a incomodando, não conseguia pensar direito, não para de pensar que seu reino, seu lar, poderia estar vivo.
A ruiva fechou a sacada e se olhou no espelho. Pegou o baralho na mesa e começou a embaralho. Sentou-se na cadeira de sua penteadeira e começou a se observar. Não parecia nada com sua mãe. Isso era bom, não era? Começou a sentir raiva de si mesma. Deveria ser igual a ela, deveria ser melhor que ela, deveria ser uma Rainha de...
— Copas! — Ela pegou uma carta e jogou contra o espelho, mergulhando como se ali fosse um rio. A garota abaixou a cabeça, respirou fundo e voltou a se encarar no espelho.
COPAS/HEARTS (canção original)
Isabelle: Como vim parar aqui?
Está tudo tão confuso,
Como deixei esse mundo me enlouquecer?
Preciso de ajuda, preciso de uma luz, preciso...
Encostou a mão em seu reflexo, uma lágrima estava prestes a se derramar. No mesmo estante, o reflexo começou a tremer e uma mão cheia de anéis bateu no vidro, segurando a carta que havia sido engolida pelo espelho. A figura da Rainha de Copas ficou mais nítida, fazendo Isabelle dar um pulo da cadeira.
Rainha: Olha ela, tão tola, tão sozinha
Como se permitiu chegar a esse ponto?
Ande levante a cabeça e me encare
Quero ver a força da minha Princesa de Copas
Enxugue essa lágrima, e se prepare.
— Mãe? — Isabelle chegou mais perto do espelho.
— Você me chamou, não foi? — A mais velha estava segurando a carta, que era a Rainha de Copas.
Isabelle: Queria que me ajudasse, que me guiasse
Eu imploro, me dê uma luz
Estou sozinha no escuro, e odeio essa sensação
Rainha: Você precisa aprender uma lição
Calma, respire e sinta sua força interior
Uma Rainha nunca está só
Isabelle: O que eu preciso fazer?
Rainha: Seu coração deve ignorar
Assim vai estar preparada para a lutar
Isabelle: Lutar? Contra o quê?
Rainha: Oras, conquistar seu reino de volta
Ter sua casa de volta, ter seu poder de volta
Está perto, aguarde, espere e fique pronta.
Isabelle: Como vou fazer isso?
Rainha: Você é minha filha, a futura Rainha de
COPAS!
Isabelle: E se eu não for capaz?
Rainha: Sangue para sangue
Confio na minha garota de
COPAS!
Isabelle: Se eu fracassar?
Rainha: Levante a cabeça e siga
As pessoas falham,
E se você fracassar, aprenda
Porque isso que te torna uma Rainha de
COPAS!
— Consegue fazer isso? — Sua mãe perguntou. Exibia um grande sorriso. Isabelle se encolheu antes de responder.
— Sim. Se você me ajudar. — A mais velha assentiu. Isabelle se levantou e encarou o espelho.
Isabelle: O que eu preciso afinal?
Rainha: De nunca se esquecer do verdadeiro mal
COPAS!
Dueto: Essa é a diferença entre uma Rainha
E uma Rainha de
COPAS!
Rainha: Não tenha dúvida, não tenha incerteza
Se você é mesmo minha filha, minha pequenina
Vai fazer a coisa certa,
E eu vou te ajudar, não importa
Eu sempre estarei contigo
COPAS!
Isabelle: Princesa de Copas, (copas!)
Sou filha da Rainha de Copas, (copas!)
Sou a próxima no trono de Copas, (copas!)
Sou a futura majestade, sou a futura
Rainha de COPAS!
Isabelle caiu de costas na cama. Ficou mais confusa do que antes, mas isso a fez adormecer. E sonhou, sonhou que estava de volta para o País das Maravilhas e que brincava com alguém, tentou ao máximo ver de quem era o rosto, mas não conseguiu.
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