Descendants 2
33 War Marks

Olhe só, você, agora. O personagem que criou.
—Queenie Queen
...
..
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Cherry ainda estava sorrindo três dias depois, não que isso fosse uma coisa muito extraordinária, já que na maioria das vezes parecia que ela estava sorrindo.
Não devia gostar de Valette, ela ficava se lembrando o tempo todo, não devia se apegar a nenhum garoto que beijasse, eram insignificantes, como Luan. Já tinha cometido esse erro uma vez, com Hugo, e tinha dado errado demais para que ela se sentisse minimamente tentada a repetir.
Mas não podia negar que sempre teve um certo interesse por Victor, perseguirá por anos e anos ele e Carmim pela Ilha, e depois, quando passaram-se mais anos ainda, os perseguiu separadamente, naquela fase onde as crianças concluem que o sexo oposto é miserável, inútil e nojento só para ambos os lados darem de cara na porta mais uma vez anos depois.
Ela não podia negar que sempre achara tanto ele quanto a “princesa de copas” um tanto quanto fascinantes. Mas isso tinha sido muito antes dela se mudar para Auradon com o pai, voltando vez ou outra na ilha, aprendendo a viajar entre os dois mundos de forma que ninguém suspeitasse. De longe, ela viu os dois crescerem. Viu Carmim se tornar a princesa rebelde e encrenqueira que era hoje, e Victor sendo forçado a seguir seu pai como um cavaleiro da rainha.
Mas nessa época Cherry já tinha cansado do papel de perseguidora, tinha concluído que sua vida acabará se tornando muito mais interessante do que as daqueles dois para que perdesse seu tempo com eles... Bem, tinha sido assim até alguns meses atrás.
Mas por que infernos, Cherry pensou, estava ali deitada relembrando o passado enquanto seu estomago há horas e horas roncava? Se seu pai estivesse ali, ele já a teria arrastado para um restaurante e lhe enfiado comiga garganta a baixo, mas, na ausência de alguém que lhe lembrasse de que precisava se alimentar, Cherry se contentava em ficar na cama com uma lata de sardinha vazia.
Não pela primeira vez, ela se perguntou onde Cheshire – que ele não a ouvisse chama-lo pelo nome, por favor – havia ido tão rápido e silenciosamente. Desde muito pequena, Cherry estava acostumada a cuidar de si mesma enquanto seu pai fazia suas eventuais viagens, mas ela sentia que desta vez era diferente de algum jeito. Algo grande, realmente grande, iria acontecer muito em breve. Ela só queria saber o que...
...
Já era primeiro de março quando Carmim se deu conta. Ela realmente se espantou quando a Professora Darling colocou a data no quadro negro, na última aula daquela manhã.
—O que? – ela arfou para si mesma, com os olhos esbugalhados. Parecia impossível.
—Tudo bem? – perguntou Hannah, com quem estava fazendo dupla.
—Claro, tudo ótimo, só a data que e pegou um pouco desprevenida – ela garantiu, um pouco surpresa ainda.
Já estavam em Março...
—Eu sei, o tempo voo – Hannah riu.
—Silêncio as duas ai atrás – pediu a professora – Qual é o terceiro maior bem de Auradon, lembram?
—Respeito – as duas falaram juntas, e riram baixinho, mas não ousaram seguir conversando durante a aula.
—Então... – Hannah começou a falar assim que as duas pisaram fora da sala de aula — Will e eu queríamos saber se você e Chris não querem sair com a gente nessa sexta, um grupo de teatro famoso vai se apresentar na cidade, e tal...
—Você acha mesmo que eu não tenho nada melhor para fazer do que assistir uma peça de teatro sobre alguma pessoa idiota que passa por a gente em qualquer esquina? – Carmim colocou um chiclete para dentro da boca, e ofereceu um para Hannah, que negou – E além do mais, eu não quero ficar segurando vela para você e o Will, vocês dois são nojentos.
—Você acha mesmo que ninguém notou o que tá rolando, ou só gosta de me fazer de boba? – Hannah exigiu, parando com as mãos na cintura.
—Os dois – Carmim deu os ombros.
—Por favor, Carmim, Queenie disse que você saiu com ele toda a noite e só volta de madrugada — Hannah acusou.
—E daí? – Carmim perguntou.
—Carmim – Hannah a encarou desconfiada – Por acaso vocês não estão...
—Hannah! – ela tapou o rosto – Por favor, não é nada disso... Nós dois só gostamos de ficar no terraço... Conversando!
—Certo, certo... Se você diz, eu acredito – falou Hannah, levantando as mãos – É que Queenie disse que você parecia tão feliz sempre que voltava de noite.
—Acho que está na hora de ter uma conversa séria com a Queenie – Carmim suspirou — Só espero que Bruno não esteja por perto, ele está grudado nela o tempo inteiro agora...
—Olha só, se for sobre preservativos, ela não vai mesmo querer ouvir – falou Hannah, e Carmim lhe encarou feio – O que foi? Ela fugiu de casa com doze anos, nem sei como não foi estuprada... Lembra do que quase aconteceu com a Cherry ano passado?
—Se não fosse pelo Hugo – Carmim concordou – Acho que foi mais ou menos nessa época que ela começou perseguir ele.
—Percebeu que ele não tem mais reclamado dela? Até Gart notou isso, estávamos falando outro dia – falou Hannah – Será que a garota que ele se encontra todas as noites é...
—A Cherry? – Carmim completou – Não, não é mesmo, acredita em mim.
—Eu nem vou perguntar quem é, por que sei que você não vai me contar – Hannah suspirou – Mas, então, vocês vão ao teatro com a gente?
—Vamos fazer assim, eu vou falar com o Chris mais tarde e se... Se a gente for, eu falo com você até quinta, certo?
—Certo... – Hannah fez uma careta – afinal, por que ele não veio na aula hoje?
—Ele teve que ir a prova de roupa para o casamento do pai, não notou que nossa querida Ally também não está pressente? – perguntou Carmim falsamente.
—ESPERA! – gritou Hannah, segurando o braço da ruiva e a encarando freneticamente – Você está me dizendo que a Ally, a ex do seu namorado, vai ver ele sem roupa... E você está calma desse jeito?
—Pelo Gancho do seu pai Hannah, pare com isso – falou Carmim – Daqui a pouco eu vou pensar que você e o Will... Que você e o Will... Ah Minha Maravilhas! Quando foi?
—Quando foi o que? — perguntou Hannah.
—Agora quem está tentando me fazer de boba é você — Carmim a encarou — Fala, Hook!
—No dia dos namorados – falou Hannah, corando.
—Como você pode não ter contado isso para mim? Somos melhores amigas – Carmim falou.
—Desculpe, eu não sabia como contar – a outra falou, muito vermelha – Mas então, você e Chris...
—Não, só por que você... Enfim, não quer dizer que eu também tenha, certo? – Carmim falou – Eu e Chris estamos saindo a... Um mês? Nem estamos namorando oficialmente ainda, pelo menos não que eu saiba...
—Certo – Hannah riu – Mudando de assunto, já falou com sua mãe?
—Será que o Gart e a Becky... Não, esquece, a Becky é muito inocente – falou Carmim – Sobre o que?
—Nosso passageiro extra, é claro – Hannah falou como se fosse obvio – Ela vai pirar legal quando souber disso, você sabe não é?
—Ela já é pirada – Carmim murmurou mais para si mesma do que para a melhor amiga – Estou fazendo tudo o que ela que, ela não tem do que reclamar!
—É a sua mãe Carmim, ela sempre acha algo para que reclamar – falou Hannah, revirando os olhos – Parece até alguém que eu conheço...
—Cala a boca – Carmim grunhiu – Hein, você viu a Queenie?
—Não – falou Hannah – Não há vi o dia inteiro...
—Estranho – falou Carmim, olhando para dentro da cantina – Bruno e Bianca estão ali, com Charlotte. Mas ela não está. Nem com Gart... E onde está Hugo?
—Onde mais? Na biblioteca, é claro – falou Hannah – Gart diz que ele praticamente transformou a parte dele do quarto em uma biblioteca, que está obcecado!
—Úrsula ficaria orgulhosa – falou Carmim, entrando no refeitório sem esperar por Hannah, que seguiu atrás dela.
...
Queenie jogou longe a revista. Era demais para ela.
—É claro que a jovem futura rainha sempre pode contar com seus amigos para defendê-la, como Evie Queen, que a tirou do salão antes da confusão começar – ela repetiu, incrédula, encarando os rostos sorridentes de Evie e Mal na capa da revista – Que ela abandonou a irmã recém-possuída desmaiada no meio do salão ninguém lembra!
Queenie agarrou um vaso de flores do criado mudo ao lado da cama e jogou longe, vendo-o se despedaçar no chão em sua frente.
Marcas de Guerra / War Marks (composição original)
E se o bem, não for tão bom?
E se o mal, fosse o melhor?
E se a verdade, e a mentira,
Fossem uma só?
And if good, is not so good?
And if evil were the best?
And if the truth and the lie,
They were one?
Olhe só, você, agora.
O personagem que criou.
Lembra da vida, que levava?
Lembra do mal que causou?
Ah eu lembro... Eu me lembro... Sim eu lembro!
Look at you now.
The character he created.
Remember the life that took?
Remember the evil that caused it?
Oh I remember ... I remember ... Yes I remember!
Queenie saiu do quarto até a varanda, se apoiando no parapeito e olhando para longe, deixando o sol banhar seu rosto, mas nem mesmo aquele sol era o suficiente para aquecer as lembranças que voavam em sua mente tão nítidas.
Só quem sofre na pele, sabe,
Só quem sofre, lembra da dor,
Me lembro como se fosse ontem,
De quando não havia amor.
Only those who suffer in the skin, you know,
Only those who suffer, remember the pain,
I remember like it was yesterday,
When there was no love.
Só quem sente os ossos rangendo,
Quem luta para sobreviver,
Só os que passam dias sofrendo,
Só esses livres devem ser!
Only those who feel the creaking bones,
Who struggle to survive,
Only those who spend days suffering,
Only these should be free!
Eu me lembro das palavras cruéis.
Eu me lembro dos meus dedos sangrando.
Eu me lembro da dor do meu corpo.
E me lembro de seu riso louco.
I remember the cruel words.
I remember my fingers bleeding.
I remember the pain in my body.
And I remember your crazy laughter.
Só quem sofre na pele, sabe,
Só quem sofre, lembra da dor,
Quem ouve mentiras e acredita,
Deixa de acreditar no amor!
Only those who suffer in the skin, you know,
Only those who suffer, remember the pain,
Who listens to lies and believe,
No longer believe in love!
Ah eu lembro, de todas as brigas.
Apelidos e humilhações.
E me lembro, de todas as intrigadas.
E de quando me ignorou.
Oh I remember, from all fights.
Nicknames and humiliation.
And remember, all intrigued.
And when he ignored me.
Queenie secou as lágrimas do rosto, e entra para dentro do quarto, andando entre os cacos do vaso quebrado e encarando seu reflexo no espelho.
Só quem sofre na pele sabe,
Só quem sofre, lembra da dor,
Quando se tem marcas de guerra,
Não existe espaço pro amor!
Only those who suffer skin knows,
Only those who suffer, remember the pain,
When you have war marks,
There is no room for love!
Queenie respirou fundo, colocando a testa no vidro gelado. Se todos soubessem, então talvez as coisas fossem mais fáceis. Talvez a dor das lembranças diminuísse se todos parassem de tratar Evie como se fosse uma princesa de verdade, boa e generosa.
Alguém bateu na porta, ela respirou fundo, encarando o rosto perfeito no espelho, antes de seguir para abrir.
—Oi – ela sorriu, quando viu Bruno.
—Ei, você não foi na aula e não desceu pra almoçar, eu vim ver se estava tudo bem – falou ele, com certa preocupação – Estava chorando?
—Não, não – ela riu – Só bati o pé na quina da mesa, nada demais. E, eu não queria te preocupar, só estava a fim de matar aula um pouco hoje!
—Ah, certo – falou ele – Então, eu e a Bia estávamos pensando em matar aula também e fazer algo hoje de tarde... Não conhece ninguém que queira ajudar?
—Hummm, talvez – falou Queenie, rindo – Tem algo em mente?
—Não – falou ele – Você tem?
—Algumas coisas – falou ela – Onde está Bia?
—Na verdade, ainda não contei a ela nossos novos planos – falou ele – melhor irmos procura-la.
—Espera – falou Queenie, puxando ele – E se dessa vez fosse só nós dois?
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