Desastre dos Sonhos
1 Prólogo
“I just don’t belong here (...) we might find our place in this world someday, but at least for now, i gotta go my own way”
Brenda POV on
Quatro da manhã, Cecília entra no meu quarto me acordando colocando alguma musica (que não consegui entender qual era) no volume maximo e cantando enquanto batucava as batidas nas minhas costas.
– Acorda logo Brenda! Pelo amor, que lerdeza! –ela gritou enquanto tentava fazer cócegas em mim.
– O que você quer? Cara, por um acaso, você sabe que horas são? O sol nem deve ter saído Cecília Sestari, me deixa dormir em paz! – tentei falar com o rosto afundado no travesseiro para fugir da luz acesa.
– E você? Por acaso se lembra que daqui uma hora e meia temos que estar no aeroporto para pegar o vôo para a nossa nova vida? – ela disse se sentando do meu lado na cama enquanto eu tentava fazer meu corpo responder ao meu cérebro.
– Jura que eu só tenho uma hora e meia para me arrumar? –falando em meio a um bocejo.
Ate que enfim tinha chegado o dia. Esperei três anos pelo dia em que iria para a sonhada Califórnia. Parecia um sonho o fato de eu e Cece tenhamos entrado na UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles) parecia não ser real, parecia que a qualquer momento iríamos acordar e ... puf, foi tudo um sonho. Mas não, chegou o dia de pegar o vôo e finalmente sumir daqui.
–Sim, você tem agora uma hora e uns vintes e poucos minutos, então corre!- disse me empurrando para fora da cama.
Fui me arrumar correndo deixando Cecília arrumando o resto das minhas coisas no quarto. Eu estava de bom-humor e ninguém iria conseguir destruí-lo. Não hoje.
Cecília POV on
Não conseguia parar quieta. Qualquer coisa me deixava ansiosa e agitada, mas uma mudança de vida? Meu estado chegava a ser assustador. Não consegui parar por um minuto: conferia se nossas coisas estavam prontamente organizadas, se a Brenda não estava esquecendo nada, se nossos passaportes estavam o.k , se meu celular estava com bateria...eu mal dormi durante a noite e não me conformo em como a Brenda pode ficar relaxada e calma nessas situações. Eu sentia que se parasse um minuto de me preocupar, tudo daria errado e nós não conseguiríamos ir embora, o que me aterrorizava.
Enquanto Bren se arrumava, decidi ler um pouco. Ler me acalmava e eu necessitava disso, mas meu plano falhou aproximadamente 15 minutos depois, quando eu precisava ler três vezes a mesma frase para entender. Não conseguia ficar focada e isso começou a me dar dor de cabeça. Resolvi ligar para os meus pais, para ter absoluta certeza de que eles estariam aqui em meia hora para nos levar ao aeroporto:
–Alô – disse uma voz sonolenta do outro lado da linha.
–Pai? Ah não, só pode ser brincadeira... Pai, VOCÊ ACABOU DE ACORDAR? – perguntei, me alterando.
–Ceci? Que horas são?
–A hora em que você deveria estar no caminho para nos buscar! Meu Deus pai, você se esqueceu de nós?
–Claro que não filhota, eu to saindo de casa já! – ele disse apressado.
–Pai, eu consigo ouvir a mamãe resmungando enquanto você a acorda. Eu não acredito que vocês estão fazendo isso com a gente! Nunca conseguiremos chegar lá na hora por culpa de vocês! – eu disse, desligando na cara dele.
Sim, eu me senti culpada com isso, mas eles haviam me garantido que o alarme estava ligado e que não haveria atrasos. Odeio fazer drama, mas o trajeto da casa dos meus pais à da Brenda era de aproximadamente meia hora, e mais uma hora até o aeroporto. Nunca daria tempo.
Brenda POV on
Estava saindo do banheiro totalmente pronta para que o pai da Cece chegasse e fossemos para o aeroporto até que a ouvi no telefone:
–Para de me ligar pai! Agora já era, a gente dá nosso jeito. Logo depois de desligar, ouvi o barulho do peso dela sendo jogado na cama.
Pronto Sestari, você conseguiu me deixar nervosa e preocupada, só o que me faltava.
–Ei, o que ta rolando? Ouvi você no telefone, não me diga que é noticia ruim! — disse ja sabendo a resposta.
Ela se levantou, revirou os olhos e falou baixo:
– Meus pais perderam hora... Então não podem nos levar e, eu pensei em uma única solução que esta a dois quarteirões...
Eu ia matar ela, COMO ELA PODE PENSAR NISSO? Como ela chegou a cogitar a possibilidade de pedirmos um favor a ele? Nunca!
–Cecília Marie Sestari, nesse momento estou te matando na minha mente e me controlando pra não fazer isso! Como você pode pensar que eu faria isso? Não vou pedir ajuda á ele! — disse transparecendo a minha raiva em cada palavra.
–Bren... É o jeito, me desculpa, mas é a nossa única solução, vamos ter que pedir pra ele.
–Não, Cecí, ele não, qualquer outra pessoa mas, ele, não.
–Ou você pede para ele, ou dê adeus ao nosso recomeço.
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