Desastre? Eu Acho Que Não.
9 Geier
Notas iniciais
O céu estava sem estrelas, e o tempo frio. Fiquei pensando sobre os estreitos caminhos da vida. Aqueles nos levam para infinitos caminhos. E, uma vez e outra, acabamos por nos encontrar em uma encruzilhada, na qual só você pode escolher sua própria trilha, sem essa coisa de destino.
Já me encontrei nessa situação, e me pergunto se optei pelo caminho certo. Aprendi que algumas coisas devem ser mantidas em segredos. Sentimentos principalmente. O amor nos deixa fracos, irracionais e facilmente atingíveis. Não digo que sou uma pessoa fria. Só que tem coisas que eu deixo passar. Não vale a dor de cabeça. As pessoas, numa grande porcentagem, não valem a pena ser conhecidas. Mas para toda regra tem uma exceção. Mya. Percy. Joseph. Skye. Eles são minhas exceções. Sem tirar nem botar.
Parando de divagar sobre essas merdas da vida, reparei onde estava, a floresta. Conforme eu continuava a andar, ela parecia ficar mais densa, com um o odor asqueroso de terra remexida ficando cada vez mais insuportável ao meu nariz.
Olhei para leste e um vulto me fez parar rapidamente. Me agachei atras de uma árvore ligeiramente menor que eu e por entre as folhas comecei a observar. Ele estava dentro de um circulo desenhado no chão, havia um tipo de.. aquilo é uma panela rosa? Tanto faz. A pessoa encapuzada jogava coisas que não consegui identificar na panela e entoava uma canção em uma língua desconhecida.
Tentei ir para traz de uma arvore maior para ver melhor e acabei quebrando um galho. Parabéns fera! Agora o filho do Voldmort vai te cozinhar também. Quis bufar mas se o fizesse acabaria me denunciando ainda mais.
Tudo ficou na mais silenciosa quietude, o cara encapuzado olhou pros lados sem preocupação e retornou a jogar coisas na panela. A medida que ele cantava a panela ia se desintegrando com tudo que tinha dentro dela formando uma gosma amarelo-esverdeada.
Infelizmente não parou por ai. Aquela nojeira foi inchando, crescendo e tomando uma forma até virar um tipo de não sei o que é aquilo enorme. Ele era humanoide, algo entre um homem e um abutre, seus olhos mostrava uma expressão sádica ao olhar seu invocador que tirou o capuz ao falar numa voz baixa e penetrante: “Ataque”.
Entenda, quando se vê uma criatura daquela, sem uma fragilidade aparente, correr é a unica e melhor opção. Ele tinha penas que mais pareciam espinhos e provavelmente era venenoso.
Como eu venceria? Não sei. Essa é uma daquelas horas que desejo ser filho de Athena, eles saberiam qual esse monstro era e mais quinhentas maneiras de mata-lo. Ou talvez se eu fosse um mortal, talvez conseguisse alcançar o sino de “estamos sendo atacados”. Mas eu sou um semideus. E uma coisa que nossa raça não tem é sorte.
Senti uma garra agarrando meu braço e me empurrando contra o chão. Crack! Maldito! É meu braço da espada! Peguei a espada com a mão direita e tentei um golpe sem muito resultado. Ataquei de novo e consegui aumentar a distancia. Corri. Faltavam apenas 5 metros até o sino.
As garras do monstrengo me empurraram de cara no chão. Crack! Maldito! É meu braço da espada! Peguei a espada com a mão direita e tentei um golpe sem muito resultado. Meus olhos estavam ardendo pelo suor que caiu neles, e no meio segundo que eu pisquei monstrengo não estava mais na minha frente.
Olhei a minha volta mas ele não estava em lugar nenhum. Ouvi um grito agudo chamou minha atenção. Era a garota nova. Quem eu estou enganando? Era a Louise. A ruiva que andou nos meus pensamentos esses dias. Me vi lembrando de como eu me senti.. afetado quando soube que a primeira filha de Afrodite que falou comigo sem ser atirada estava na enfermaria. Mas eu não devia, se eu continuasse pensando no sorriso encantador e nos olhos misteriosos, e… se concentra porra! Tu tá em perigo! E ela também!
Um som agudo e cortante chegou aos meus ouvidos, o monstro estava em cima de um poste se preparando para atacar. Arrisquei olhar novamente para a garota, ela estava estática.
Não sei se a observei por dois segundos ou dois minutos, mas foi tempo suficiente para o maldito se arremessar contra mim. Ele me deu um chute e.. Ouch!
Que tipo de criatura tem uma garra no calcanhar? Ele estava em cima de mim, com as mãos no meu pescoço. O bafo que veio em direção da minha cara quando ele corvejou era pior que mil túmulos abertos. Me debati mas ele era muito forte, e as penas eram mesmo pontiagudas como eu imaginava.
— Vultur! Convertimini ad quas venerunt.
O monstrengo recuou como se a garota de menos de um metro e sessenta o ferisse com apenas algumas palavras. Eu me arrastei até Louise e olhei-a.
O que vi me assustou mais que a criatura voltando a ser gosma e sumindo.
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