Desaparecida

32 Comitê de Boas-vindas


Notas iniciais
Olá amores! Eita que falta pouco para concluirmos essa história. De longe, esse é o meu capítulo favorito até agora ♥ Espero que gostem, beijos!

Klívia e Katherine suspiraram de alívio ao terem alta do hospital, na tarde seguinte. Depois de passarem por exames e darem depoimentos à polícia, finalmente poderiam voltar para casa.

Ao entrarem no carro, Killian começou a atualizá-las das fofocas da vizinhança, ao mesmo tempo em que mostrava seu novo brinquedo, o Dino Di.

— Vocês não sabem o que aconteceu com a vizinha do número 23, né? Parece que a irmã da madrinha dela que roubou o marido dela!

— Não, não, não foi a irmã da madrinha, foi a tia da madrinha. Não espalhe fake news, filho. — corrigiu George.

Christine ria baixinho, prestando atenção no trânsito.

Ao se aproximarem de casa, as gêmeas deram as mãos, aquele seria o primeiro passo para que a vida voltasse ao normal. A fachada, de cor bege, era complementada por um telhado inclinado em tons de cinza. Uma pequena varanda adornada com plantas ornamentais destacava a entrada principal, que era marcada por uma porta de madeira escura.

Ao adentrarem, uma sensação de aconchego foi imediatamente sentida.

No centro da sala, um amplo sofá de couro marrom. Poltronas estofadas de cor creme complementavam o conjunto. Uma grande TV de tela plana pendurada na parede ocupava uma das extremidades da sala. A decoração minimalista, mas elegante, contava com alguns quadros modernos nas paredes, recordações das férias em família e confraternizações de final de ano; almofadas coloridas e um tapete felpudo de lã branca no hall, dando um toque de charme e sofisticação.

— Aah, lar doce, lar! — Kathy disse, respirando fundo.

— Como é bom estar em casa. — Klívia acrescentou.

— E, principalmente, como é bom ter meus bebês de volta. — falou Christine e deram um abraço em família.

— Nós amamos vocês! — declarou Killian, com ênfase.

— Essa casa ficou bem menos barulhenta sem as músicas malucas da Kathy. — comentou George, tirando risada de todos.

— Ei! — protestou Kathy, aos risos.

— Mas como eu senti saudades disso.

— Bom — Christine continuou assim que o desfizeram o contato. —, preparei uma torta de mirtilo especialmente para esse momento, está na cozinha.

— Certeza que deve estar ótima, mãe. O cheiro está maravilhoso, até mesmo já se espalhou pela casa toda. Mas antes, vou dar uma olhada no meu quarto, para guardar essas coisas. — Klívia comentou se referindo à mochila que carregava.

— Eu vou com você. — interveio Kathy.

— Tudo bem, estaremos esperando na cozinha. — respondeu George.

Elas subiram as escadas. De frente a porta do quarto, Klívia ficou alguns instantes com a mão encostada na maçaneta, até encontrar um resquício de coragem para abri-la.

As paredes eram pintadas em tons pastéis suaves, como rosa bebê e azul-claro, e estavam decoradas por um varal de polaroids de momentos da infância, com os amigos, da cachorrinha Amora filhote.

No canto esquerdo do quarto, havia uma prateleira branca repleta de álbuns de música coreana e uma pequena coleção de HQs clássicas de super-heróis. Na parede ao lado, pendurado em uma moldura dourada, estava um pôster do BTS, a boy band sul-coreana que ela tanto amava. Logo abaixo do pôster, uma estante azul-claro abrigava diversos livros, dentre eles os romances da Jane Austen, a saga A Seleção e a saga Caraval.

Percebia-se uma pequena bagunça perto da estante. Ali haviam cases dispostas no chão, dentro delas estavam, respectivamente, um violão, um teclado e uma flauta doce. Eram instrumentos que a jovem tinha recebido de presente de amigos e familiares que sabiam do seu amor pela música, mas que ela nunca teve destreza o suficiente para tocar de forma harmônica.

Ainda assim, os instrumentos faziam parte da decoração, como se dissessem que um dia poderia aprender a tocá-los. O violão, com suas cordas desafinadas, parecia esperar pacientemente pelo momento em que ela teria tempo para dedilhá-lo com habilidade. O teclado, com suas teclas desgastadas pelo uso, parecia pedir para que ela encontrasse a melodia perfeita para cada nota. E a flauta doce, com sua simplicidade, parecia desafiá-la a tirar dela as mais belas melodias.

A cama de solteiro, com edredom branco, ocupava o centro do quarto, e ao lado dela havia uma mesa de cabeceira também branca, com um abajur roxo que emitia uma luz suave. Em cima da mesa, uma pequena pilha de revistas de astronomia dividia espaço com um porta-retratos contendo uma foto dela com suas amigas — Rachel e Kory —, tirada em um show, da banda dos rapazes na praça, que tinham ido juntas.

Um pequeno tapete felpudo branco e azul dava um toque aconchegante ao quarto, assim como as almofadas azuladas espalhadas pela cama, algumas com frases motivacionais, que Kathy comprou numa feirinha no inverno anterior.

Tudo estava exatamente do jeito que deixou. Como era bom estar ali novamente. Nada daquilo que vivenciou na última semana parecia ser real. Seu coração ficou apertado durante todos os dias, porque tudo o que mais queria era voltar para a segurança do seu lar, para seu quarto, para seu refúgio.

Assim que seus pés tocaram o piso de porcelanato, as lágrimas começaram a brotar dos seus olhos, e se deixou desabar no chão, chorando sem parar. Katherine, que tinha acabado de entrar, correu até ela, aconchegando-a em um abraço apertado.

— O que aconteceu? — perguntou, preocupada.

Hesitou por um momento, sem saber como explicar o que tinha acontecido. Mas, por fim, conseguiu dizer:

— Estou chorando de felicidade, por estar viva e poder ver meu cantinho de novo. Eu nunca percebi o quanto ele é importante para mim até agora.

A irmã não precisou dizer mais nada. Ela segurou Klívia firmemente, deixando que ela chorasse até se sentir melhor.

Voltaram para o andar debaixo e foram para a cozinha. Mas ao ligar o interruptor, as luzes não foram as únicas coisas que se acenderam. Um aglomerado de amigos e familiares se espremia na sala de estar, sorrisos largos e expectantes em seus rostos.

— Surpresa! — gritaram todos juntos, e as duas mal podiam acreditar no que viam. Uma faixa pendia do teto, dizendo “Sejam bem-vindas de volta, nossas heroínas!”, enquanto um bolo ostentoso ocupava a mesa de centro, junto da cheirosa torta de mirtilo.

— Gente, o que… Não precisava, de verdade… — Klívia comentou.

Kory se adiantou, dizendo:

— Você fez um trabalho incrível, amiga Klívia. Não poderíamos deixar de celebrar o seu retorno.

Rachel acrescentou:

— Kathy, você também foi incrível, nos inspirou com sua coragem.

Kathy sentiu lágrimas de gratidão rolarem por seu rosto enquanto era abraçada pelos amigos. Klívia, mais contida, sorria timidamente enquanto observava a cena. Mas mesmo ela não pôde conter as emoções quando Damian se aproximou e lhe entregou um pequeno buquê de flores.

— Sei que não existem palavras que possam expressar completamente o que você passou, mas… quero que saiba que estou… estamos, aqui com você. Essas flores são um símbolo do nosso carinho e da nossa torcida para que encontre a paz e a felicidade de novo. — Ele disse, e a voz embargada deixou claro que essas palavras eram muito mais do que um simples agradecimento.

Enquanto a festa continuava ao redor delas, Klívia e Kathy se encontravam anestesiadas. A sensação de segurança que sempre associaram à sua casa estava agora entrelaçada com um novo sentimento, de que mesmo em momentos difíceis, poderiam contar com uma rede de pessoas que as amavam sempre prontas para oferecer ajuda.