Desalento

1 Desalento


Notas iniciais
Eu ainda não tinha lido os livros quando escrevi a fic, então pode ser que os personagens estejam um tanto OOC. Na medida do possível, relevem. ^^

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Desalento

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Quando Nico chegou à cafeteria, Hazel já estava lá, ocupando uma mesa e bebericando uma xícara de café. Fazia cerca de quatro meses que não se viam, e os cabelos dela estavam mais compridos; sentada à mesa, com as pernas cruzadas e a espinha muito reta, ela também parecia mais adulta. Um inegável ar de mulher desenhava-se em torno dos seus olhos. Não eram mais semi-deuses adolescentes perdidos no mundo, tinham superado a previsão sobre suas expectativas de vida e estavam se tornando adultos. Isso era um tanto assustador, especialmente quando ele nunca tinha acreditado realmente nessa possibilidade.

Assim que o viu, Hazel sorriu e a acenou. Nico contornou mesas e cadeiras até ela. Pousou a mão sobre os cabelos da irmã em um carinho suave, ao mesmo tempo que puxava o assento à frente do dela para se sentar.

— Você está bonita — disse como cumprimento, e o sorriso de Hazel se alargou.

— E as suas olheiras não estão tão escuras quanto eu esperava — ela supostamente retribuiu o elogio, fazendo Nico dar de ombros.

— Tenho dormido razoavelmente bem.

— Uns pares de anos sem nada tentando destruir o mundo costumam ajudar nesse sentido. Apesar de que, às vezes, sinto falta de uma ameaça. É um bom motivo para reunir os amigos — Hazel falou em um tom sugestivo, para logo em seguida sorver mais café. — Quanto tempo faz que você não vê ninguém?

Nico comprimiu os lábios. Sabia que a irmã tocaria nesse ponto em algum momento da conversa, mas esperava que pudessem andar por assuntos amenos antes disso.

— Pouco mais de um ano — admitiu em um tom baixo e seco. De qualquer forma, achava que Hazel tinha contado os dias com mais precisão do que ele.

— Posso marcar um encontro com o pessoal, o que acha? Estão com saudades. Reyna, Jason, Percy...

— Não — Nico a cortou. — Nunca fui bom nisso de estar com as pessoas, Hazel, você sabe. Eu tentei, fiquei no acampamento tanto quanto pude, mas não somos mais crianças, não é? Eu precisava de ar. Estou bem, de verdade, só não quero a companhia de tanta gente por enquanto.

Hazel levantou uma sobrancelha e o encarou de uma forma presunçosa que deixava claro que ela sabia muito bem que, de todos os amigos que tinham, Nico estava fugindo apenas de Percy. Não era de se estranhar que ela soubesse; afinal, fugir de Percy era o que Nico tinha feito durante dois terços da vida.

As coisas tinham ido bem por um tempo, era verdade, mas quando Percy deixara o acampamento meio-sangue definitivamente, para morar com Annabeth, Nico decidira que também já havia tido o suficiente do lugar e da vida de semi-deus. Não tivera muito contato com nenhum dos amigos depois disso.

Hazel colocou mais açúcar no seu café, voltou a beber e fez uma careta.

— Você ainda está com o Will?

Nico sentiu suas bochechas arderem e se amaldiçoou por corar como um tolo.

— Sim.

— Vocês estão morando juntos?

— Ele continua morando no apartamento ao lado.

Hazel assentiu.

— Então continuo achando que vocês estão desperdiçando aluguel.

Nico se permitiu sorrir em resposta ao comentário.

— Esse arranjo tem funcionado. Estamos bem, se é isso que você quer saber.

Hazel lhe lançou um olhar avaliativo, como se estivesse calculando a sinceridade daquelas palavras.

— De verdade? — perguntou, por fim, e Nico ergueu uma sobrancelha para ela.

— Não tenho motivos para mentir sobre isso, não é? Estamos bem — reafirmou.

Hazel não pareceu muito segura, mas acabou suspirando, como se não tivesse outra escolha a não ser aceitar aquela resposta. Em seguida, passou a remexer na bolsa, tirando um envelope azul lá de dentro.

— Você tem feito um bom trabalho em evitar todo mundo, sabe? Percy queria encontrar com você para entregar isso, mas achei melhor eu me encarregar de dar a notícia — ela falou e deslizou o envelope sobre a mesa, na direção de Nico.

Após um aceno de incentivo de Hazel, Nico estendeu a mão para a carta. Seu sangue, de repente, parecia muito gelado. Não era mais do que um punhado de palavras, mas, ao lê-las, seu estômago revirou e Nico sentiu que poderia vomitar.

Hazel deve ter percebido seu desalento, pois estendeu a mão e tocou seu braço em um leve aperto confortador. Nico devolveu o envelope para ela. Não queria ler aquilo de novo, nem continuar segurando-o.

— Que tipo de idiota tem um filho antes dos vinte e cinco anos hoje em dia? — questionou numa fracassada tentativa de parecer casual, que acabou soando terrivelmente amarga.

— Aparentemente, o tipo de idiota pelo qual você ainda está apaixonado.

Nico lhe lançou um olhar ameaçador, e Hazel pôde ver as sombras dentro da cafeteria se avolumarem e se estenderem pelas paredes. Manteve-se impassível, sustentando o olhar dele pelo que pareceu um longo tempo, até que Nico finalmente retomou algum controle sobre sua raiva.

— Estou com o Will. Gosto dele.

— Claro que gosta — Hazel disse em um tom gentil. — Mas não esqueceu o Percy. Não é algo que possamos controlar, afinal.

Ela esperou um assomo de fúria, mas, após um segundo, Nico apenas baixou os olhos, parecendo desamparado e cansado.

— A vida é uma merda, não é? — ele disse e viu Hazel dar de ombros, displicente.

— Na maioria das vezes, é sim. Mas nós sabemos que a morte não é muito melhor, então restam poucas alternativas a não ser seguir em frente.

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Quando Will chegou em casa, mais cedo do que deveria depois de suas duas últimas aulas do dia terem sido canceladas, encontrou Nico encolhido no seu sofá. Não era uma surpresa vê-lo ali, os dois flutuavam de um apartamento para o outro. Havia livros de Nico na cabeceira da sua cama, e a maioria dos seus casacos estava no guarda-roupa alheio. Ainda assim a postura dele não prenunciava coisas boas.

— Nico? — chamou baixinho, deixando de lado sua mochila e o jaleco que trazia pendurado no braço.

Aproximou-se devagar. No momento em que Nico levantou o rosto, pareceu a Will que seus olhos estavam vermelhos, como se ele tivesse chorado recentemente. Não pôde ter certeza, no entanto, não quando as sombras na sala se ergueram, tornando-se mais intensas.

— Você está bem? — questionou.

Em vez de responder, Nico colocou-se de pé. Descalço, seus passos pareceram ainda mais leves. Will prendeu a respiração quando ele parou à sua frente e o abraçou, passando os braços ao redor do seu peito. Surpreso, retribuiu o aperto, e pôde sentir o coração de Nico ecoar através do seu corpo.

Deslizou a mão pelas costas dele, percorrendo a linha da sua coluna em um carinho delicado, fazendo-o estremecer

— Está tudo bem? — tornou a perguntar.

Sentiu os lábios de Nico sobre o seu ombro e, então, junto ao seu pescoço.

— Quero transar com você — ele disse, muito seguro a despeito do intenso rubor em suas bochechas.

Como se aquelas palavras não bastassem, Nico ondulou o quadril e roçou o baixo ventre contra sua perna. Will sentiu seu pênis despertar em resposta àquele contato. Estava muito consciente de que Nico tinha fugido da sua pergunta, mas aquele não era um pedido que estivesse disposto a negar.

Levou a mão até a face dele, fazendo-o erguer o rosto, e o beijou na boca. Nico correspondeu com ânsia, enredou os braços no seu pescoço e o puxou para mais perto, até que não havia nenhuma parte do seu corpo que não tocasse o corpo dele. Quando Will sentiu o fôlego morrer em seu peito, Nico rompeu o beijo, correndo os lábios por sua mandíbula e, por fim, sugando a pele sensível do seu pescoço. A perna dele subiu entre suas coxas, em um gesto demandante e desesperado.

Will se afastou.

— Preciso tomar um banho.

— Não quero esperar — Nico falou e afastou sua blusa para cima, tocando a pele da sua cintura.

Oh, a urgência dele era bastante óbvia.

— Podemos tomar uma ducha juntos — ofereceu.

— Também não estou com paciência para isso — ele disse e voltou a procurar seus lábios.

Em contraponto àquela ânsia, Will correu as mãos pelas costas dele com delicadeza, uma e outra vez. Afagou seu cabelo suavemente, apartando-se apenas quando Nico puxou sua camisa, obrigando-o a tirá-la. As unhas dele cravaram em suas costas e ele levou a mão livre até a sua virilha, acariciando-o por cima da roupa.

Will gemeu, porém, no instante seguinte, segurou o pulso dele, fazendo com que Nico se detivesse. Aquela proximidade era prazerosa, e a excitação arrepiava sua pele, mas, ainda assim, sentia-se agoniado. O toque de Nico estava gelado como uma sombra, e o olhar dele parecia terrivelmente triste.

— Seja lá o que houve, duvido que seja o fim do mundo, Nico.

Ele o encarou por um instante, surpresa e desamparo bastante evidentes em sua expressão, e Will soube que sua suposição estava certa: seja lá o que fosse, algo o atormentava. De fato, Nico não se deu ao trabalho de replicar; em vez disso trincou os dentes e assentiu ligeiramente. Will o beijou na bochecha e sobre a fronte, seus dedos desenhando formas assimétricas na pele pálida de seus ombros. Era óbvio que havia algo muito errado por trás daquele anseio, mas se Nico precisava dele daquela forma, que fosse. Lidaria com as consequências depois.

Tomou-o pela mão.

— Meu quarto? — sugeriu, conduzindo-o apesar da desnecessidade do gesto.

Nico voltou a beijá-lo antes que alcançassem o cômodo. Will deixou que ele impusesse o ritmo e o beijou de volta com ganas, mordendo seus lábios. Pararam à porta, e ele enredou a perna nas suas. Em vez de tentar se desvencilhar para que pudessem entrar no quarto, Will o içou, carregando-o pelos poucos passos que faltavam. Pôde sentir a ereção dele contra sua cintura e seu hálito junto ao seu pescoço, inebriante.

Alcançaram a cama em uma confusão de braços e pernas. Curvando-se sobre ele, Will beijou seu pescoço, fazendo-o gemer. Desceu os lábios e percorreu as costelas de Nico, marcando a pele sobre os ossos salientes. Sentiu as mãos de Nico sobre seus ombros, pescoço e, então, sobre sua face, acariciando desajeitadamente.

Desafivelou o cinto de Nico e se incorporou para desvestir-se, enquanto ele aproveitava o ensejo e também se livrava das próprias roupas. Despido, Nico abriu as pernas e o puxou para si, beijando-o entre suspiros ao mesmo tempo que envolvia os membros de ambos na mão, bombeando-os juntos.

Will arfou, a excitação correndo por seus nervos. Nico tinha as faces coradas e as pupilas dilatas, e quando Will pousou a mão sobre sua cintura o viu arrepiar-se. Ainda assim, ele tinha gosto de amargura.

No momento em que Nico ameaçou inverter as posições, Will desceu o corpo, deslizando as mãos e apertando a carne do seu quadril, até alcançar a ereção dele com os lábios, fazendo Nico gemer baixinho. Lambeu e sugou, ora devagar, ora engolindo-o por inteiro. Não permaneceu ali por muito tempo, no entanto. Assim que a respiração de Nico se tornou mais intensa, o garoto puxou seus cabelos e se afastou.

— É o bastante — ele murmurou sem encará-lo

Will aquiesceu. Esticou-se, tateando a gaveta do criado mudo até encontrar lubrificante e camisinha. Nico mal deu tempo para que ele colocasse a proteção, dispensando qualquer outra preliminar ou preparação. Will deixou que ele empurrasse seu peito e deitou-se na cama. Suspirou quando Nico colocou-se em cima do seu corpo, passando uma perna de cada lado do seu quadril.

Ele arfou, apertando os dentes, ao descer sobre seu membro. A dor contorceu as feições de Nico. Will também sentiu sua carne arder ao penetrá-lo, a invasão mais difícil do que deveria por causa da pouca dilatação.

— Você vai se machucar — disse, a voz embargada, pousando as mãos na cintura de Nico.

— Não me importo — ele falou, meio desesperado, baixando mais o corpo.

Em resposta àquilo, Will impulsionou-se para cima. Se ele queria que fosse intenso, que doesse, daria isso a ele. Nico ganiu, curvou-se e tocou seu peito com os lábios.

Mesmo com a respiração entrecortada, ele não tardou a começar a se mover. Will gemeu ao sentir as nádegas de Nico contra os ossos do seu quadril. Levou uma das mãos até a ereção dele, envolvendo com os dedos e afagando. Um arrepio correu por sua pele e todos os seus nervos pareciam demasiadamente sensíveis. Seu sangue esquentou nas veias, repleto de excitação.

Demorou um segundo para perceber que Nico começara a chorar. As lágrimas silenciosas cortaram o rosto dele e pingaram em seu peito, frias em contraste com a quentura da sua pele.

— Merda, Nico, o que aconteceu? — perguntou, esperando que ele se afastasse.

Em vez disso, Nico inclinou-se sobre o seu corpo, ainda se movendo contra o seu membro.

— Percy vai ter um filho. Hazel me entregou o convite para o chá de bebê hoje mais cedo — ele disse em um tom dolorido, junto à sua orelha.

Will sentiu como se algo gelado tivesse tomado seus pulmões. Uma dor surda cruzou seu peito. Compreendeu o desalento de Nico: qualquer esperança que ele ainda tivesse sobre Percy havia finalmente se perdido. Tentou se incorporar e afastá-lo, mas Nico apertou mais as pernas junto ao seu corpo e tornou o vai-e-vem ainda mais intenso.

Diante disso, Will o puxou para si, beijando-o novamente, tomando sua saliva e suas lágrimas. Uma onda de raiva misturou-se à sua excitação, esquentando seu sangue e fazendo sua pele arder. Ainda assim, oh, sempre soubera que Nico não tinha esquecido Percy, talvez jamais conseguisse olvidá-lo por completo; mas ele estava consigo naquele momento, desalentado e doído, e pouca coisa importava mais do que isso.

Um ruído rouco escapou da garganta dele, meio soluço, meio gemido. Will apertou o membro de Nico com mais força, numa carícia dura, impedindo que a ereção dele se perdesse. Nico impulsionou as cadeiras contra o seu aperto, desejando encontrar alívio naquelas sensações. Will levou a mão livre até a face de Nico, acarinhando-o sobre a umidade das lágrimas.

Os músculos dele se contraíram, ao mesmo tempo em que Nico moveu-se com mais desespero, e no instante seguinte Will sentiu o gozo dele em seus dedos. Will manteve a carícia sobre o membro alheio até que Nico deixou-se cair sobre o seu peito, lânguido.

Retirou-se do corpo dele com cuidado. Seu pênis deu um ligeiro estirão, dolorido, ainda ereto. Nico pareceu hesitante sobre como agir, mas Will deu às costas para ele, poupando-o de uma decisão. De qualquer forma, não se sentia com ganas para algo mais do que uma ducha fria. Sem dizer nada, foi até o banheiro e abriu o chuveiro na água gelada.

Demorou um longo tempo, mas quando voltou para o quarto Nico não parecia ter se movido, embora as lágrimas houvessem cessado. Will pegou uma coberta do guarda-roupa e lançou sobre ele, aninhando-se debaixo dela em seguida. Sêmen havia secado sobre o estômago de Nico e a pele dele estava gelada.

Abraçou-o, e ele o encarou com uma expressão de completa surpresa.

— O que você está fazendo?

— Deitando.

Nico balançou a cabeça, obviamente desconcertado.

— Você deveria ir embora — ele disse e hesitou. — Deveria me mandar embora, gritar, qualquer coisa, não isso!

— Não quero ir embora, nem quero que você vá, Nico.

— Você ouviu o que eu disse? Annabeth está grávida; o Percy... É por isso que eu... — ele murmurou e pareceu prestes a voltar a chorar.

Will estreitou o aperto sobre o corpo dele, aconchegando-o.

— Que você esquecesse o Percy nunca foi uma condição para que estivéssemos juntos, achei que soubesse disso. Enquanto você quiser continuar comigo, está tudo bem — disse e sentiu o suspiro de alívio de Nico sobre a sua pele.

— Eu não queria me sentir assim, não queria magoar você...

Will enredou os dedos no cabelo dele, afagando os fios.

— Está tudo bem — repetiu, e Nico envolveu sua cintura com os braços, finalmente permitindo-se pousar o rosto sobre o seu peito.

— Eu também amo você.

Will apenas assentiu perante aquelas palavras. Oh, sabia que ele amava. Era a única coisa que tornava aquela dor suportável.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!