Desafio dos 15 contos
1 Sweater Weather
Notas iniciais
Neill Goodwin não imaginava que ficar sem ela. Aquele o afetava. Muito. Há duas semanas a vida tinha mudado dramaticamente.
Casados há seis anos, Neill e Elle Goodwin se conheceram na faculdade. Ela do curso de Artes e ele de Química. Todo mundo dizia que Elle não era pra ele, que os dois eram muito diferentes. Neill vinha da Transilvânia, era órfão, tímido, falava pouco inglês e era o típico nerd, alto, pele pálida, cabelão castanho na cara. Viu sua vida se colorir com a chegada da artista plástica. Elleonor tinha madeixas tão ruivas que pareciam pegar fogo o tempo todo, às vezes manchados com alguma tinta de um dos quadros que eram o hobby favorito daquela ruiva temperamental. Ela tinha a linha tênue entre o genioso e o gentil e sempre estava tão rodeada de amigos quanto Neill estava sem.
Foi um começo difícil. Neill entrou na faculdade quando Elle era veterana. Um dia, quando estava voltando da biblioteca com muitos livros embaixo do braço, um jogador de basquete os jogou no chão e começou a rir dele. Elle se enfureceu.
Era uma tarde de quinta feira, o professor de química quântica pediu um trabalho tão urgente que Neill estava tentando não surtar. Alguém esbarrou propositalmente com ele no corredor.
— LUGAR DE PERDEDOR É NO CHÃO.
Urrou o brutamontes que trazia consigo mais dois amigos que sempre estiveram com ele. Neill sentou no chão sentindo o pulso latejar, tentou juntar os livros a sua frente mas não conseguiu os levantar.
— Mas o que é isso aqui?
A voz aguda vinha de trás deles, eles se viraram e Neill pode vê-la. Ela usava uma blusa da mulher maravilha e um short jeans manchado de tinta. Os cabelos presos em um rabo de cavalo estavam bagunçados. Pensou ser a visão mais linda que já teve ate então.
— Não se mete, Hunter. – Vociferou o loiro que jogou Goodwin no chão. — Isso é coisa de homem pra ameba
Os amigos riram novamente, a garota o fuzilou.
— Cala a boca, Charlie, você é um idiota. – A tal Hunter se aproximou, esbarrando no ombro do homem que era pelo menos um metro mais alto que ela. Ela se abaixou e sorriu para Neill e ele pensou ter errado as batidas. — Você está bem?
Neill não conseguia responder, ele ficou observando as sardas em seu rosto e as assemelhou a constelações. Seus olhos eram de um azul claro, celeste, impermeável e seu sorriso fazia seu rosto se tornar iluminado.
— Será que dá pra você ir embora daqui e deixar esse mane ai? Ele ta te olhando com cara de bobo, deve nunca ter visto uma garota na vida.
As risadas dos amigos de Charlie o acordaram, Neill corou envergonhado. Ela levantou transtornada e o defendeu.
— Vai se foder, Charlie. Você não deveria falar sobre como tratar as garotas já que não é padrão pra isso e ainda tem… aquele probleminha, devemos conversar sobre isso agora? Porque eu posso.
Charlie ficou vermelho de raiva. Ele olhou pra Neill transtornado e apontou, deixando a ameaça bem clara. Chamou os amigos e se afastou. A garota se virou para o rapaz no chão.
— Vem, vou te ajudar a levantar – Ela pegou na mão possivelmente fraturas e soltou assim que ele soltou um grunhido de dor – Ah, não… venha, vamos para a enfermaria… não adianta negar.
Disse enquanto Neill se preparava para dizer não. Ela pegou os livros e se direcionou a enfermaria Neill a olhava tentando capiturar aquela beleza suave. Quando percebia, Elle se virava e sorria, perguntava se doia muito até chegarem na enfermaria. Neill teve uma contusão, foi liberado das aulas daquele dia. Como dormia no campus, ela o acompanhou até meu quarto, levando as coisas do rapaz.
— Então, Neill Goodwin, acho que acabei nem dizendo meu nome. Sou Elle Hunter, do curso de Artes.
Ela sorriu de novo, do jeito que o deixou todo derretido e olhando pra ela o tempo todo.
"Você é tão linda" ele pensou ter pensado, mas ele sorriu envergonhada e olhou pro chão, voltando em seguida para Neill, com as bochechas coradas.
— Você também é lindo.
Foi a vez dele se sentir quase mortificado por perceber seu pensamento alto. Ele se aproximou, ficou na ponta dos pés e o beijou no rosto, deixando-o fora de órbita.
— Até outra hora, Neill Goodwin.
— Me-me chame só de Neill
Foi o que ele conseguiu dizer antes dela se afastar. Neill se sentia como se tivesse sob efeitos colaterais de um dos remédios que tomava. E quase não acreditou quando a viu voltar, Elle sorria envergonhada.
— Você pode sentar comigo durante as refeições, sabe? No refeitório… se quiser, claro, se… seus amigos não se importarem…
Neill não tinha amigos.
— Eles não se importam. E-eu quero.
Elle sorriu e se afastou verdadeiramente, tendo um Neill extremamente tocado por sua presença espontânea naquele dormitorio.
E eles nunca mais se separaram. Ele entrou naquele refeitório pensando em desistir, mas Elle apareceu, com o cabelo solto, cabelos que ele sentia vontade de tocar e se queimar. A amizade nasceu e um ano depois, o namoro. Foi ela quem pediu e Neill estava tão apaixonado como jamais pensou em estar. Elle teve mais dois anos na universidade, Neill tinha mais quatro. Lá dentro varios comentários eram feitos sobre o relacionamento dos dois. No começo, ninguém entendia porque diabos Ellie estava fazendo com o nerd de química, depois não entendiam como um garoto tão inteligente como Neill estava com a destrambelhada de artes.
Eles não precisavam responder, mas um aquecia o coração do outro, como a tranquilidade de poder colocar as mãos dentro do suéter de lã no meio do frio.
Quando Neill se formou, ele teve de sair da Califórnia para Flórida, mas Ellie largou o emprego e foi junto com ele, eles noivaram e se casaram dois anos depois. Ellie conseguiu virar sócia de uma grande galeria em Miami, se tornou uma incrivel artista plástica. Ela e Neill conversavam muito sobre trabalho. Neill sempre quis abrir seu próprio laboratório para produzir remédios. Elle queria ter uma galeria em Nova York, ela era apaixonada por aquela cidade barulhenta. Neill ria, nunca se imaginou em Nova York.
Quando chegou a chance de Ellie em Nova York, Neill tinha sido promovido a gerente geral do departamento de experimentos na empresa onde trabalhava, um dos cargos mais altos, ficando abaixo do diretor e dos presidentes.
Elle havia chegado eufórica em casa, ela tinha continuava com o incrivel brilho de menina no auge de seus 31 anos. Ela o beijou.
— Você não vai acreditar! Eu consegui, consegui. Eu consegui ser promovida, vou cuidar da galeria de Nova York.
Ela sorriu aberta e abriu os braços esperando por Neill, mas ele não a abraçou ou parabenizou. Elle desfez o sorriso e ficou tensa.
— O que foi, amor? Não tá feliz?
— Não estou! Você tem noção de onde fica Nova York? Como pretende fazer isso?
— Ora como eu pretendo? Eu ganhei uma promoção, no lugar onde eu sempre sonhei em ficar. Eu pretendo morar lá, como fizemos quando viemos pra cá.
Neill se enfureceu, ela estava jogando na sua cara ter vindo pra cá com ele?
— Eu sabia que um dia você ia jogar na minha cara que tinha vindo pra cá por minha causa, mas você também conseguiu se situar muito bem por aqui, isso não aconteceria comigo. Eu não posso largar tudo pra ir com você!
A ruiva ficou vermelha de raiva, ela apontou o dedo no rosto de Neill
— Espera ai. Você não pode me acusar assim, eu não estou jogando nada pra você, só estou dizendo que fizemos nossa vida aqui quando não conhecíamos ninguém e podemos muito bem fazer o mesmo em qualquer lugar. Você que está sendo egoísta, esse foi sempre o sonho da minha vida. Custa me dar ao menos os parabéns?
— Custa, porque quem está sendo egoísta aqui é você! Eu acabei de ser promovido. Tem noção de como vai ser bom pra minha carreira? Claro que não né. Tudo o que importa é seu sonho bobo de ir pra porcaria de uma cidade onde a taxa de estresse é crescente. Você acha mesmo que eu vou largar meu emprego, então se prepare pra ir sozinha.
Elle o olhou abismada, ela conteve as lágrimas nos olhos tão lindos, agora aquosos. Neill estava enfurecido.
—O-o que você quis dizer com isso?
Ela falou baixo, como se não tivesse forças para dizer mais nada.
— A escolha é sua, se decidir ir, saiba de irá sozinha, porque se escolher ir, nosso casamento acabou.
Ela o olhou extremamente chocada, com as lágrimas caindo pela face, banhando os pontinhos em sua bochecha, pontinhos de Neill beijava tão veemente sempre que podia.
— Você não pode está falando sério, Neill… você não pode estar me mandando decidir isso.
Ela se aproximou dele e ele quase vacilou, mas a raiva crescente em si não permitiu. Neill se afastou.
— Vou deixar você pensar nisso. Hoje eu durmo no sofá do meu escritório.
Ele se virou e subiu.
— Neill, você não pode fazer isso, a gente tá conversando… NEILL!
O rapaz deixou a ruiva berrando na sala e se trancou no escritório.
Neill lembrava de tudo se arrependendo e reconhecido ter sido um grande idiota naquela noite. Quando acordou, fez o café dela do jeito que ela gostava. Decidiu conversar melhor com ela, tentar achar uma alternativa para os dois, mas ai entrar no quarto, a cama estava vazia e arrumada. Pensou que talvez ela tivesse no atelie, o que era perigoso, pois lá tinha mais coisas cortantes, mas ela também não estava lá.
Neill ficou preocupado. Eles nunca brigaram tão feio assim. Onde estaria ela? Neill mandou mensagens e áudios que Elle não visualizou por mais que estivesse online, em seguida, ela o bloqueou. Neill então ligou para Elle, quatorze vezes, com exatidão, chamava e não atendia, na última, estava desligado. Ela não queria falar com ele. Ele então ligou pra quase todas as amigas de Elle, elas não sabiam seu paradeiro e perguntavam se estava tudo bem, elas não sabiam o que tinha acontecido, ele não iria dizer. Desconversava e desligava. Dee Lennin era a última amiga pra qual Neill não ligou, ela foi a unica que não o atendeu nas três vezes que ele tentou.
Neill imaginou que Elle estivesse com ela. Ele foi se arrumar para o trabalho. Voltaria a ligar, continuaria a insistir. Ele pegou o carro e foi para o trabalho, pensando em como se desculpar pelos erros da outra noite. Voltou pra casa as 18:30 com um buquê de flores e uma nova paleta de tintas nas mãos. A casa estava quieta. Quieta demais. Ele a procurou, nos banheiros, nos quartos, o atelier estava vazio e ele pode perceber que arrumado. Voltou pro quarto percebendo, pela brecha do guarda roupa, que estava aberto. Abriu todo, grande parte das roupas dela não estavam lá. Neill se desesperou. Ligou para Elle e nada, continuou tentando, deixou várias mensagens, mas ela não retornou. Ligou para Dee e esta finalmente atendeu. Dee não se demorou
"Ela está bem, mas você foi um idiota… dê um tempo a ela. Vou tentar te informar como ela estar assim que eu puder, mas saiba que ela está decepcionada."
Dee desligou e Neill entrou em desespero. Ele não sabia como ficar sem ela, sem o cheiro dela, sem o cabelo dela banhando o travesseiro, sem a alegria matutina. Ela precisava voltar, ele precisava dela, ele se sentia totalmente posse de Elle, e sabia que ela se emprestava pra ele, mas ele sempre foi dela. Na primeira noite ele não dormiu, ele apenas chorou agarrado ao travesseiro dela, lembrando dos momentos juntos e de como o rosto dela pareceu tão decepcionado e de como ele foi idiota. Ele não era ninguém sem ela, como teve coragem de dizer que a deixaria? Ela jamais precisou dele como ele precisava dela, ele jamais teria coragem de deixa-la. Como ele pode ter sido tão egoista e em vez de parabenizar, apoiar e fazer amor com sua esposa, acabou por discutir com ela e deixá-la embora?
Os dias foram passando e toda a cor foi sumindo para Neill, detestava voltar pra casa e ve-la tão quieta, tão fria. Os cabelos de fogo e a pele quentinha dela não iam esquenta-lo. Ele só tinha aquele suéter. Era sexta-feita de manhã e Neill não foi trabalhar. Sentia-se exausto e fadigado. Seu peito ardia uma dor que nenhum médico poderia fazer passar. Ele ligou para Dee. Ela havia o informado no domingo que Elle não estava na cidade, mas que ainda não tinha ido para para Nova York. Neill já tinha saturado a falta que ela fazia. Precisava lutar por ela. Dee o atendeu.
— Por favor, Dee, sei que você está me dando informações, mas eu não aguento mais. Eu fiz besteira e eu tenho que tentar consertar, tenho que tentar convencer ela a voltar pra mim, então me diga onde ela está, eu preciso ter a chance de ser perdoado. Ela a amo, Dee, mais do que a minha própria vida. Ela é tudo que tenho. Me diz onde ela tá, me diz onde minha mulher foi pra longe de mim.
Ele soluçava ao telefone e Dee resolveu que era melhor dar a Neill a localização de Elle, ele parecia desesperado e sofreu o suficiente por seus erros e a amiga estava sofrendo tanto quanto, ainda mais agora, quando precisava dele mais do que nunca.
— Se acalme, ela está na praia…
— Onde?
— West Palm Beach. Última casa da N. Flagler Dr. Antes da Rivera Beach. Por favor, Neill, vá com calma e conversem. Elle precisa de você.
— Aconteceu algo?
— Nada letal, apenas… conversem.
Ela desligou deixando Neill mais curioso. Ele fez a mala as pressas e ligou pro chefe, não voltaria na segunda-feira. Foi pouco mais de uma hora até West Palm, mas pareceram anos. Ele tinha muito pra falar, muito pra pedir.
Neill estacionou na frente da casa que Dee descreveu. Era um chalé pequeno bem afastado da área urbana. Neill odiava praia, mas amou chegar até lá. Saiu do carro pegando apenas a chave da casa, que pegou com Dee. Ele abriu a casa e entrou. A primeira coisa que sentiu foi o cheiro dela em seguida, os quadros e tintas espalhados pelo lugar. A criatividade dela estava em alta. A sala era pequena e se dividia com a cozinha por uma bancada. Havia duas portas do outro lado da sala e mais uma depois da cozinha, onde via-se a praia. O coração dele indicava aquela porta mais do que nunca, dizia que ela estava lá, Neill era um homem da ciência, mas sempre seguiria seu coração principalmente com relação a Elle, o amor de sua vida.
Ele a viu assim que atravessou a porta, estava em pé, de costas para ele e observando o mar. O tempo havia mudado e indicava chuva para Palm Beach. O vento espalhava os cabelos ruivos enormes por suas costas. Neill só pensava que estava com saudades, ele não conseguiu se mexer e não soube quanto tempo observou as madeixas ruivas dela balançando com o vento, até vê-la se virar, com o rosto banhado por lagrimas. Ele não se conteve. Se achando o maior perdedor do mundo, ele atravessou a praia até ela, ignorando odiar areia. Ele se aproximou e viu em Elle um misto de expressões. Confusa, surpresa, envergonhada. Neill não perdeu tempo, a agarrou, morrendo de saudades, enterrando sua cabeça no pescoço dela, agarrando os fios de cabelo dela, segurando o rosto dela, olhando nos azuis cristalinos dos olhos dela, ainda úmidos por conta do choro recente podendo ver a constelação que suas sardas formadas, as bochechas, o nariz e o queixo avermelhados, ela era tão linda que ele quase ficou sem fôlego. Sentiu as mãos gélidas de Elle em seu rosto. Ele avançou e a beijou, com saudade, com vontade, deixando sua língua brincar com a dela e se permitindo ir ao paraíso só com aquele beijo.
Sua felicidade acabou quando ela o empurrou para longe e acertou um tapa em seu rosto. A ruiva temperamental estava ali e ele que arcasse com as consequências.
— Okay, eu mereci. Eu gosto de apanhar de mulher bonita. – Diz massageando a mandíbula.
— Merece muito mais. Se você pensa que vindo aqui vai me fazer ficar, saiba que eu não pretendo deixá-lo continuar. Você me deu a escolha e eu escolhi ir. – Vociferou exaltada.
Neill sabia que essa seria a escolha dela, entretanto estava fascinado em olhar pra ela, vermelha de raiva com os olhos num tom mais cinzento, a achando perfeita.
— Para de me olhar com essa cara de idiota e fale alguma coisa, homem – Neill riu, mesmo sabendo que aquilo a deixaria possessa — Eu vou quebrar a sua cara Neill Otto Goodwin.
Ela partiu pra cima mas ele a segurou.
— Calma, calma. – Ela parou e cruzou os braços — Eu vi conversar, tentar achar uma solução…
— Não me interessa sua solução e quer saber? Vai pro diabo que te carregue.
Ela se virou para voltar pra casa, mas Neill se pôs em sua frente, segurou seus ombros e olhou nos olhos.
— Por favor, me escuta. Eu errei, disse um monte de besteiras e me arrependi quase na mesma hora. Eu não queria ter dito tudo aquilo.
— Então porque você disse? – Seus olhos voltaram a ficar aquosos.
— Porque eu morri de medo de você perceber que eu sou um perdedor e que você merece coisa melhor, mas eu ainda te amo demais pra te deixar partir. Eu sou o egoísta da porra dessa história toda. Eu deveria te dar os parabéns e não brigar com você. Me desculpe.
— Agora é fácil pedir desculpa, depois de brigar comigo, fazer eu me sentir uma megera egoísta, me deixar falando sozinha e não me procurar por duas semanas. Pensei que tinha me abandonado.
Sua voz era abarrotada de rancor, algo que levaria semanas pra eles finalmente superarem, mas ele precisava daquela brecha.
— Eu nunca te abandonei, eu teria ido atrás de você. Sabe, Elle, eu sou um idiota. Eu jamais farei isso novamente. – Neill se ajoelha com lágrimas nos olhos. — Me perdoa, por favor, me perdoa! Eu jamais quis te fazer sentir assim, você é incrível e nada deve tirar esse brilho lindo do seu olhar. Por favor, me perdoa. Eu to morrendo de saudades, Elle, ficar sem você é meu pior castigo.
Ele se levanta e segura o rosto dela em suas mãos.
— Você me machucou tanto, Neill, não sei se consigo perdoar.
— A gente pode tentar, juntos. Eu sou homem, sou naturalmente um idiota, cometo erros com você o tempo todo, mas a partir daqui, eu prometo parar. Isso não será pra sempre, Elle. Me dá uma chance pra ser o homem que você merece.
All I am is a man
I want the world in my hands
Elle segurou seu rosto e se aproximou, o beijando, ele sentiu o toque doce dos labios dela, junto ao salgados das lagrimas de ambos. Ele sorriu entre o beijo. Aquela era uma chance que ela estava o dando e não haveria outra. O vendo gelido fez os dois se separarem, Elle tremeu de frio. Olhou para baixo sorrindo um pouco, que fez seu coração se aquecer naquele frio.
— Você odeia areia e praia – Falou se voltando a ele.
— Hoje eu amo… como nunca percebi que a paisagem de você com a praia é a minha favorita? Pretendo nunca mais perder isso.
Eles sorriram, mas ela logo parou lembrando algo.
— Neill…
— Eu sei, Nova York… eu vou. Vou com você onde você estiver. Nós vamos para Nova York.
Vejo os olhos dela brilharem de felicidade.
Use the sleeves of my sweater
Let's have an adventure
Head in the clouds but my gravity's centered
— Vo-você vai abandonar seu emprego? – Ele afirmou com a cabeça – Ahh Neill… você… eu nem sei o que dizer.
— Quem tem que dizer sou eu. Parabéns, amor. Estou feliz pelo seu sucesso.
Eles se abraçaram enquanto uma fina chuva caia molhando os dois. Neill a pegou no colo e entrou no chalé, carregando a amada que ria. Ele a colocou no chão e fechou a porra. Elle o atacou com os olhos cheios de luxúria o puxando para o quarto. Ela tirou a camisa dele e ele a dela, a chuva estava forte, mas o quarto estava quente com dois corpos que se encaixam um no outro de duas almas que eram uma só.
One love, two mouths
One love, one house
No shirt, no blouse
Just us, you find out
Nothing that wouldn't wanna tell you about no
Quando Neill acordou, Ellie não estava mais na cama. Ja era cedo, o sol começava a dar sinais, porem ainda contido pela neblina. Neill se levantou, vestiu a cueca e uma calça de moleton que Ellie tinha levado. Saiu do quarto, a procurando na casa, mas ouviu seu cantarolar na varanda que ficava de frente para a praia. Ele se aproximou e a abraçou por trás, deixando seu queixo na curva do pescoço dela. Elle sorriu, ele desceu seus braços até tocar suas maos nas geladas dela.
— Cause it's too cold for you here. And now so let me hold both your hands in the holes of my sweater
Cantou a parte do refrão da música Sweater Weather do The Neighbourhood, que ela cantarolava, enquanto levava as mãos dela junto às suas para o bolso do suéter dele, como a música pedia. Elle riu. Virou um pouco o rosto para beija-lo.
— Quando vamos começar a mudança? To pensando em pedir o aviso prévio na segunda-feira e então ja começo a pesquisar o preço dos apartamentos.
Elle ficou tensa e apertou a mão dele.
— Não… tenha pressa. Nós só vamos para Nova York em 10 meses.
— Dez meses? Porque esperar tanto tempo por uma promoção? – Chocado, ele a olhou, mas Elle não devolveu nada. Mordeu o lábio
— Eu não poderia ir antes.
Neill lembrou da conversa com Dee no dia anterior. Elle tinha algo para contar.
— Você está doente? Dee me disse que ia precisar de mim, mas não quis me dizer o que era. Então é isso, você está doente?
Ele o olhou séria por um momento e depois riu deixando Neill confuso. Ela solta suas maos e abre o suéter de Neill e segura suas mãos de volta os levando até sua barriga e passando carinhosamente por ali, deixando apenas em cima de uma pequena protuberância se formando um pouco na área do umbigo.
— Gravidez não é doença, Neill.
Falou ela, sorrindo. Neill a virou de frente com um meio sorriso. Ele não estava acreditando.
— Nós? Um bebê?
Elle riu da expressão abobalhada na cara de seu marido, de repente um medo de ser rejeitada que a rondava há três dias, quando o médico deu o veredito da gravidez de dissipou. Ele estava olhando com a cara mais boba do mundo.
— Nós vamos ser país. Seu bobalhão.
Neill se ajoelha, segurando os dois lados do quadril de Ellie e depositando beijos na extensão de sua barriga.
— Oi filha, papai acabou de descobrir de você e você não tem noção do sentimento forte que tem aqui dentro de mim. Eu te amo, amo muito a mamãe e amo muito você.
Ele se levanta, Elle fecha o casaco.
— Como tem tanta certeza de que é uma menina?
— Vai ser uma menina ruivinha e temperamental como a mãe. Certeza.
Elle riu, Neill a puxou e a beijou, segurando a cintura, começou a dançar com ela depois do beijo, cantando o resto da música. Ela tinha o céu nos olhos, onde ele se perdia, onde era seu paraíso. Ele se sentia o homem mais feliz do mundo enquanto carregava o mundo em suas mãos. Elle era seu mundo.
It's too cold
It's too cold
The holes of my sweater
Fale com o autor