Notas iniciais
Aqui est a historia, espero que tenha conseguido explicar bem as tradicoes academicas de ca.Boa Leitura

Já estava-se a meio de Setembro, mas mesmo assim o vento frio decidiu soprar pelas ruas desertas de Abrantes. Um rapaz, com os seus 18 anos, andavam pela calçada naquela noite fria, deixando os seus cabelos negros voassem ao som do vento. Perdido em pensamentos, nem se importava do perigo que era andar sozinho as duas da manha por aquelas ruas.

Não era como se a pequena cidade do centro de Portugal fosse um covil para mafiosos, mas também não podia ser considerada um mar de rosas, ainda por mais aquelas horas da noite.

Mas isso não incomodava o rapaz. Ele queria sentir, até ao ultimo dos seus poros o cheiro e o vento da sua cidade natal. Já que amanha iria começar uma nova etapa da sua vida. Mudaria de cidade, pelo menos durante a semana, para estudar na universidade.

Iria trocar aquela pacata cidade, onde não havia nada, por uma bem parecida também do interior. Castelo Branco, a cidade onde iria passar os próximos três anos, era apenas uma hora de distancia, porem, para felicidade do jovem, lá ao medos tinha McDonal's. Iria poder tirar a barriga da miséria.

No bolso das calças o telemóvel começa a vibrar, tirando o rapaz dos seus pensamentos. Assustado rapidamente atende a chamada.

Rui António Oliveira Silva por onde andas? Queres ser enforcado? Se os pais descobrem que ainda não chegaste a casa é desta que vou-te visitar ao hospital.– Rui apenas afasta o telemóvel do ouvido tentando não ficar sordo com os gritos da irmã no outro lado da chamada.

– Isabel tem calma, ok? Eu estou mesmo a porta. Essa gritaria pode ter-me custado a vida. — Diz antes de desligar a chamada e entrar rapidamente em casa. Em pontas de algodão, entra em casa, indo rapidamente ao quarto da irmã. Por sorte os pais continuavam a dormir e nem tinham reparado as horas tardias que tinha chegado.

– Finalmente. Pensei que tivesses morrido numa valeta. — Reclama a irmã mais nova do jovem.

– Estou vivo, e vou dormir. Vê se amanha mantes essa boca calada. — E sem esperar resposta, vai para o seu próprio quarto. Amanha seria um dia longo.

Era de esperar que fosse cansativo, levar um monte de roupas e tudo o que era essencial para viver uma nova vida, numa nova casa. Mesmo que fosse perto de casa, as tralhas eram muitas. Toda a família, tinha ido deixar o jovem na nova casa.

A mãe tinha passado o dia a limpar-lhe o novo quarto, e a organizar-lhe as coisas. Mesmo que Rui reclamasse que podia fazer sozinho, a mãe insistia em fazer.

A casa era um apartamento perto da escola. Iria viver com mais dois rapazes também que estudavam na mesma universidade que ele, mas um ano mais velho. Estava ansioso para poder começar a vida universitária, mesmo que não tivesse com muita paciência para as praxes, iria atura-las.

Só no final da tarde é que finalmente os seus pais e irmã o deixaram sozinho com a nova vida. Os colegas de casa tinham chegado na mesma altura que os pais tinham saído. O que fizera com que não sentisse sozinho nenhum segundo.

A noite passou tão rápido, que Rui quando deu por si já estava de joelhos no outro dia de manha a porta da escola. Pouco conseguia olhar para o lado, para deparar-se com mais caloiros, como ele, vestidos com a mesma t-shirt feia e a sofrerem os mesmos gritos pelos superiores.

A praxe era algo que ele dispensava mesmo bem. Um "ritual" de passagem entre os caloiros e os superiores. Onde os caloiros sofriam com brincadeiras e gritos. Tudo para poder usar o traje da escola, no ano seguinte. Mas por um lado essas brincadeiras serviam para os caloiros socializarem entre si.

Mas até essa manha de tortura passou rápido. Ele agradecia por não ter sido um dos caloiros logo marcados. Tinha sido pouco praxado, menos os joelhos que agradeceram muito o final da tarde quando pode chegar a casa e deitar-se apos um banho.

– Então caloiro? Morto no primeiro dia? — Pergunta Afonso, um dos seus colegas de casa, ao entra-lhe pelo quarto sem se quer bater.

– Deixa-te de merdas. Estou mais morto que vivo. E ainda vou ter de ir a uma estupida festa. Eu sei lá onde fica a porra do bar. — Reclama Rui sentando-se na cama, encarando o colega de quarto.

Afonso Rodrigues, era um rapaz de Lisboa que estava no segundo ano, do mesmo curso que Rui, engenharia informática. Cabelos e olhos escuros, mediano para a idade, e sem ser muito gordo ou muito magro, estava bem como estava.

– Uh a festa tens de ir. É o melhor. Vão todas as escolas. Ótimo para conhecer pessoas. — Diz Henrique, o outro colega de casa, entrando também sem modos no quarto do novo morador.

Henrique Morais, também estudava na mesma universidade dos colegas de casa, mas o curso era de engenharia civil. Era de Santarém, e desde do ano passado vivia com Afonso naquela casa, tinham-se tornado amigos desde dos primeiros dias deles lá. Usava grandes óculos que lhe escondia os olhos azuis, que desatavam-se com os cabelos castanhos escuros.

– Não te preocupes a gente vai contigo está primeira semana para garantir que não te perdes. O Henrique o ano passado perdeu-se algures para o lado da Escola de Artes, durante um arraial, só se encontro no dia a seguir e foi porque perguntou o caminho a uma velha. — Os três começam a rir com a historia.

Os nomes das festas e a vida universitária ainda eram um bocado confusos para Rui, mas ele já sabia bem como era as rivalidades entre as universidades, mas quando era para haver festa, estavam todos metidos no mesmo barco. Os arreais era a prova disso. Festas organizadas por uma escola, no seu recinte, onde era cerveja e musica pimba até ao inicio das aulas.

– Meu, uma cena, não vás parar a Escola de Artes, não sais de lá. Até a Escola Agraria que é ao lado é mais fácil de encontrar caminho. — Tenta-se defender Henrique.

– Não faço questão de ir conhecer ovelhas. — Diz Rui. A Escola de Artes, ficava dentro da Escola Agraria, por isso ficava no meio do nada, e com muitas ovelhas ao pé.

– Mas onde raio é a festa hoje? — Pergunta Afonso.

– Kimika. — Responde Rui.

– Boa, vamos preparar-nos que vai ser uma noite irresistível. — Comenta Afonso entusiasmado.

Rui quando deu por si já estava metido dentro de um minorca bar, cheio de sofás com padrão de vaca e paredes roxas. Ele não sabia quanto já tinha bebido, mas aquela garrafa de cerveja na sua mão já devia ser a quinta. Todos dançavam e divertiam-se. Ele naquele momento sentiu-se meio que colostrofobico.

Sem dar satisfações aos rapazes que estavam a sua volta, sai em direção a rua precisava de ar. Mas mal dá dois passos la fora, acaba por tropeçar em alguém. Esperava sentir o chão debaixo do seu corpo, mas em fez disso apenas sentiu uns braços bem definidos.

Envergonhado olhara para o seu salvador, mas fica hipnotizado com queles olhos grandes verdes que o observavam com atenção. O rapaz que o tinha ajudado era lindo. Cabelos negros como carvão, pele branca como a neve e olhos verdes como o prado. Rui não sabia dizer o porque de estar achar um rapaz lindo, estava-se a sentir uma donzela indefesa. De certo que só podia ser efeitos do álcool. Se calhar era boa ideia deixar o resto daquela cerveja para depois.

– Estás bem? — Perguntou o desconhecido, ajudando o pobre rapaz bêbado endireitar-se.

– Sim. Obrigado. Acho que esta cerveja fez pior do que devia. — Sem tirar os olhos no seu salvador, encosta-se a parede para ter a certeza que não ia cair. As suas pernas estavam fracas. Era certeza a bebida que tava a dar aqueles sentimentos estúpidos.

– Na boa. Eu também já acho que abusei. Já agora, sou o Tiago. — Diz estendendo a mão ao rapaz. Rui aperta-a sem ter de pensar. Os olhos rapidamente correm para fora dos olhos verdes, e analisa o resto do rapaz. Era bem mais alto que ele, e com corpo bem definido. A t-shit rosa tinha-o denunciado que o rapaz fazia parte da Escola de Artes, e que ele devia ser caloiro assim como ele.

– Rui. — Apresenta-se mas sem querer largar a mão do novo conhecido, e esse também não parecia muito preocupado com a situação.

– És da escola de tecnologia não é? — Rui apenas afirma com a cabeça. — Sou de Artes, estou a fazer Design de comunicação e tu?

– Engenharia Informática...- Ele não estava a perceber porque a voz não estava a sair como queria. Ele tinha mesmo de ir para casa dormir. — Bem eu,....han... melhor ir.

– Queres companhia até casa? Não pareces muito bem. — Tiago finalmente solta as mãos e tenta ajudar o outro a manter-se direito.

– Não, os meus colegas de casa estão ali. — Aponta para Afonso e Henrique que estavam sentados numa das mesas da esplanada rodeado de outras pessoas. — A gente vê-se por ai.

Vai em direção aos colegas de casa sem olhar para trás, sem saber que ficou a ser observado atentamente pelo o recém conhecido.

Não demorou muito para Rui chegar a casa e deitar-se na cama finalmente. Porem só teria umas quatro horas para poder dormir. Amanha tinha aulas. Mas os seus pensamentos não estavam ai. O rapaz de olhos azuis ainda permaneciam no seu pensamento. Aquilo não era nada normal. O seu coração parecia que ia dispara do seu peito. Ele só podia ter sido drogado, nunca na sua vida tinha sentindo-se assim, muito menos por um homem. E assim do nada.

– Foda-se estou aqui a um dia e já ando a pensar merdas que não devo. Agora pensas que és gay. Vai dormir Rui António. Estas bêbado. Tu gostas de miúdas. Principalmente com umas belas pernas... — Resmunga para si, tentando pegar sono e deixar de pensamentos parvos.

O primeiro mês passou rapidamente. Rui continuava a ir as aulas, a se praxado e as noites festas. Já tinha um grupo de amigos inseparáveis. Eram todos do meus curso que ele, e todos caloiros. Iam sempre para as festas juntos. Todos os fins de semana voltava Abrantes, para a sua casa. Mas já não lhe fazia tanta impressão passar o tempo fora. Nesse mês acabou por se adaptar a viver por conta própria e ter-se de desvencelhar-se sozinho. Porem podia sempre contar com Afonso e Henrique.

Durantes as festas, os seus olhos andavam sempre a percorrer o local a espera de voltar a encontrar os olhos verdes. E muitas vezes os via. Normalmente durante as rixas entre escolas. Contudo ainda não tinham voltado a falar. Mesmo que se cumprimentassem sempre com um sorriso. E por alguma razão desconhecia, aquele sorriso fazia o coração do rapaz acelerar. E já não podia culpar o álcool.

– A noite está ótima. — Grita Sofia, uma das novas amigas de Rui. Estavam todas as escolas reunidas na Rep, a discoteca onde normalmente iam todas as quintas apos os bares fecharem.

– Bora dançar. — Grita em resposta João, arrastando Sofia com ele para o meio da pista de dança. Os dois já cabeavam, e só se apoiavam um no outro.

– Não bebes mais Rui? Só te vi a beber duas cervejas ainda. — Pergunta André, estranhando ver o amigo ainda tão sóbrio as três da manha.

– Estou a fugir a rotina. — Responde Rui tentando ser convincente. Mas a verdade é que procurava uma oportunidade de falar com o dono dos olhos verdes, e de preferência sóbrio. Mas o rapaz parecia que não estava em parte alguma.

Já eram quase quatro da manhã, e Rui já estava a desistir a sua busca e ir para casa, quando alguém esbarra com ele.

– Foda-se tem cui... — Começa a reclamar, mas cala-se ao deparar-se com o rapaz que tanto procurava.

– Desculpa empurraram-me... — Mas também não acaba a desculpa ao ver em quem tinha batido. — Oi Rui. — Responde sorridente.

– Oi. — Queria tanto falar novamente com ele que agora não sabia o que falar. Só podia ser karma.

– Aleijei-te?

– Não, eu só não estou de bom humor. Farto deste barulho e de gritar para me fazer ouvir. — Responde Rui com uma velocidade que ele próprio não saia que conseguia falar.

– Eu estava a ir-me embora agora. Queres boleia? Tenho carro. — Pergunta Tiago com um sorriso que fez Rui perder a fala, esquecendo-se de responder. — Não te preocupes, eu estou sóbrio, eu não bebo álcool.

– Ah... não, ok... Eu... sim...

– O que? — Pergunta Tiago achado piada a maneira que o outro rapaz corava e tentava responder.

– Ah, quero dizer que aceito a boleia. — Tiago sorri, e pega-lhe na mão tirando-o no meio da multidão, garantido que não se perdiam um do outro.

Ninguém parecia reparar que os dois estavam de mãos dadas. A maioria das pessoas já estavam muito bêbadas, mas também ver dois homens agarrados era algo normal de se ver por lá. Principalmente na Escola de Artes. Mas mesmo assim Rui sentia-se envergonhado com aquilo. Mas por algum motivo não queria soltar aquelas mãos suaves.

Quando finalmente conseguiram sair da confusão da discoteca, sentiram o ar frio a bater-lhes no corpo. Nem se tinham percebido que la dentro mal já respiravam.

Sem soltar o mais baixo, Tiago leva-os até ao seu carro, e entram rapidamente os dois. O vento estava-lhes a gelar os ossos.

– Então hoje aguentas-te sóbrio. — Brinca enquanto metia o carro andar.

– Que péssima imagem tens de mim. — Rui amua encostando-se mais no banco do carro. Tinha a noção que tinha sido uma atitude infantil e meio que gay, mas aquele rapaz ao seu lado, estava a fazer duvidar de toda a sua existência.

– Apenas digamos que já me apercebi que gostas de beber.

– Uii, agora parece que me andas a seguir.

– Seguir? Não. Prestar atenção? Digamos um talvez. — Rui não sabia o que responder perante aquela declaração. Estava ainda mais confuso agora. O que será que Tiago queria dele afinal? — Então onde queres que te deixe?

– Um lugar qualquer. Não apetece ir já para casa. — Nem teve tempo de dizer mais nada, quando deu por si, o rapaz tinha parado o carro, perto do castelo.

– Vamos passear? Os dois? — Disse Tiago oferecendo novamente o seu sorriso misterioso. Rui sai do carro e aproxima-se da muralha. A cidade toda dormia, e o frio teimava a piorar. — Bem que dizem que Castelo Branco só tem três estações...

– ...Verão, Inverno e a estação dos comboios. Sofri essa na praxe. — Responde Rui, agora concordando plenamente com aquilo. No inicio tinha achado estupido, mesmo tendo chegado lá no verão e o clima ser pior que o inferno arder. Os dias mudavam de temperatura, de alta para baixa, como quem muda de cuecas.

Rui senta-se na muralha com os pés para fora. Ficando com as pernas penduradas a metros de altura. Tiago senta-se ao seu lado, mas de costas para a cidade, mantendo os pés bem quietos no chão.

Ficaram calados, apenas observando as luzinhas da cidade. Tiago sentia-se meio nervoso, vendo o outro rapaz sentado assim, ainda mais depois de ter bebido um pouco. Mesmo que o mais certo era estar perfeitamente sóbrio, ainda não era seguro estar sentado assim. Com cuidado para não assustar Rui, passa o braço pela barriga prendendo-o assim num abraço. Rui treme ao ver a ação do outro, mas mesmo por alguma razão prefere não reclamar, e aproxima-se mais do outro, deitando a cabeça em cima do outro.

Aquilo estava tudo errado. Rui sentia-se atraído por um rapaz que mal conhecia. E ainda mais um rapaz. Aquilo não fazia sentido. Ele mal o conhecia, e era rapaz. Ele sabia que estava a tornar-se repetitivo nos pensamentos. Mas aquilo soava tão mal. Ele era hetro, ele tinha tido uma namorado por dois anos, que acabaram a um ano se tanto. O que estava a passar-se com ele.

– Não sei o que se passa comigo. — Confessa Tiago, apertando ainda mais o outro rapaz.

– O que queres dizer? — Rui tenta-se fazer de desentendido, mas algo dentro dele dizia que o outro rapaz sentia o mesmo que ele.

– Sentir-me atraído por um rapaz. Parece tão errado e tão certo ao mesmo tempo. — Rui assusta-se com a confissão do outro, e acaba por mexer-se rápido, mas graças aos braços fortes de Tiago, não teve uma queda de morte.

Com o susto, Tiago pega no Rui ao colo e senta-o de forma mais segura. Mantendo-se a frente do jovem que o olhava com um olhar assustador, Tiago aproxima-se do ouro, colocando os lábios num pequeno selinho.

Rui fica paralisado com tudo o que estava acontecer, a sua mente dizia que era errado, o seu coração que era certo. Não conseguia decidir, não conseguir saber o que queria.

– Eu sei que parece loucura, porque basicamente nós só falamos uma vez, esta é a segunda. Mas eu durante este mês não te conseguia tirar da cabeça. Eu não sou gay, nunca fui. Eu namorava com uma miúda. Mas tive que acabar com ela. Porque depois de te conhecer, quando a beijava só pensava em ti. Eu não percebo o que se passa. Tu também te sentes assim? — A respiração dos dois estava descontrolada devido ao medo e ao stress de toda a cituação.

– Eu não sei. Eu não sei nada. Tiago, olha.... falamos depois... eu...não sei. — Rui salta do muro saindo rapidamente do local. Mas apenas dá dois passos, antes de sentir o seu pulso ser preso.

Vira-se para trás encarando os olhos verdes desesperados. Eles estavam tão confusos como Rui se sentia. Afinal estavam no mesmo barco. Recua os dois passos, e aproxima novamente a boca ao de Tiago, entregando-se no beijo mais apaixonante, com um dançar de línguas. Mas poucos minutos durou, até Rui voltar-se a separar e sair dali o mais rápido possível.

Os dias passaram, que formaram um mês desde do acontecimento. Já estavam a meio de Novembro. Desde do beijo que tinha trocado com Tiago, nunca mais se falara. Via-se praticamente em todas as festas. Mas nenhum tinha coragem de falar com o outro. Ambos estavam confusos.

Mas aquilo estava-a matando Rui aos poucos. O seu peito doía ver o dono os olhos verdes longe de si. O sabor da sua boca não saia da sua. Ainda podia sentir o calor dos seus toques. E isso estava a enlouquece-lo.

Finalmente o Outono tinha dado graças da sua presença, e à dias que não parava de chover. Rui ia a entrar no apartamento, tentando sair rapidamente da chova, já que o seu guarda-chuva tinha-se partido com o vento que tinha soprado no dia anterior, quando tropeça em alguém.

Por azar, algo muito molhado cai por baixo de si. Ele devia de ser muito azarado, para tropeçar em alguém e cair em cima de um guarda-chuva encharcado.

– Foda-se, caralho, que merda de vida. — Pregueia com todas as asneiras que se lembrava, enquanto se levantava e tentava tirar as gotas do corpo, mesmo sabendo que não resultaria em nada.

– Rui? — Aquela voz foi facilmente reconhecida pelo outro. Dirige o olhar em direção a voz, e depara-se com o rapaz que não saia da sua mente, sentado no chão.

– Que fazes aqui? — Perguntam os dois ao mesmo tempo. — Eu moro aqui. — Voltam a responder em uníssono.

– Isto só pode ser a gozar com a minha cara. — Reclama Rui, enquanto se levantava e ajudava o outro a fazer o mesmo.

– Desculpa pela queda, acabei vir das compras e os sacos romperam-se. — Explica Tiago. Nesse instante Rui apercebe-se de vários alimentos espalhados pelo chão. Rapidamente os dois apanham as compras.

– Eu ajudo-te. Em que andar moras? — Pergunta Rui sem saber se seria seguro.

– Terceiro. — Os dois rapidamente chegam ao local, deixando as compras em cima da mesa da cozinha. — Rui podemos falar? — Porem a única resposta que recebe, foi um beijo de tirar o folgo. Sem pensar em mais nada, Tiago pega no outro rapaz ao colo e leva-o em direção ao quarto, fechando a porta atras de si, sem parar o beijo.

– Eu não sei o que se passa comigo, não sei se é o certo. Eu só sei que eu preciso disto. Agora. Agora eu quero estar contigo. Quero descobrir o que sinto. Quero descobrir se posso entregar-me ao que sinto. Se for mesmo paixão que seja isto. Aceitas, o desafio? — Diz Rui quando se soltam do beijo.

– Eu nunca tive com nenhum rapaz. Mas par sentir isto de novo, e de novo, eu entrego-me a este desafio. Vamos descobrir juntos o que é certo e o que é errado. — Responde Tiago enquanto os deitava sobre a sua cama. Rapidamente voltam a explorar a boca um do outro, enquanto as peças de roupa molhadas iam sendo mandadas para parte incerta do quarto do jovem artista.

Eles não sabiam o que o futuro lhes esperava. Apenas sabiam o que queriam naquele momento. Eram jovens, e mesmo que houvesse alguns preconceitos, eles não se preocupariam com aquilo agora. Agora era a descoberta, apenas os dois precisavam de saber daquilo. Seria um segredo que ambos estavam dispostos arriscar e a amar.

Notas finais
Espero que Tenha gostado e que tenham entendido tudo, alguma duvia perguntam ok?Obrigada por lerem
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!