Milo estava para completar quatro anos de idade e seus pais resolveram fazer uma festa para ele. O tema seria os vingadores. E todos os seus amiguinhos teriam que vir vestidos a caráter.

Às seis horas a festa começou. Seus amiguinhos estavam vestidos de: Aldebaran de Hulk, Shaka de Gavião Arqueiro, Mu de dr. Estranho, Shura de Homem Formiga, Aioria de Homem Aranha, Saga de Thanos, Kanon de Loki, Shina de Feiticeira Escarlate, Marin de Viúva Negra...A festa bombava ao som de hip hop.

Milo estava vestido de capitão America. Ele nunca esteve tão feliz até a campainha toca. Era o vizinho que havia se mudado para a casa ao lado. Milo logo quando o viu sabia que não iria gostar dele. E é claro que ele viria fantasiado de homem de ferro, só para provocá-lo.

Camus não queria sair de sua cidade onde conhecia todo mundo. Mas seus pais tinham sidos transferidos para Atena e ele teria que vir junto. Afinal como poderia viver sozinho se somente tinha seis anos de idade. Bem que ele tentou argumentar com sua lógica infantil, mas não deu certo. E agora lá vinha ele sentado no carro com seus pais ouvido jazz.

Quando chegou ao bairro junto com o caminhão de mudança, os vizinhos da casa ao lado logo se apresentaram e desejaram ajudar. Seus nomes eram Shion e Dohko e tinham um filho chamado Milo.

No começo Camus mesmo não sendo muito sociável resolveu fazer amizade com o loiro tagarela. Este parecia uma vitrola. Falava, falava... não deixava ninguém falar. Ele mesmo fazia as perguntas e respondia. Parecia mais um monólogo do que um diálogo. Até que ele começou a falar sobre os vingadores.

_ Com certeza o capitão America é muito superior ao homem de ferro._ diz, Milo empinando o nariz.

_ O que? Tá maluco, garoto. O homem de ferro é muito melhor._ Diz, Camus estufando o peito.

_ Sem a armadura ele é o que? _diz Milo, com as mãos da cintura. _ Ele não tem super poderes?

_ Genio, bilionário, playboy e filantropo._ diz, Camus numerando as qualidades de seu super herói com os dedos. _ E você? Seus poderes saíram de um mero tubo de ensaio.

E assim começou a briga dos dois, até os dias atuais.

Camus não queria vir à festa do seu arqui-inimigo declarado, desde aquela manhã fatídica a cerca de dois meses atrás. Todavia seus pais não lhe deram escolha. As aulas iam começar e a festa seria um bom momento para conhecer novas crianças, diziam eles.

Até que a festa tirando o aniversariante estava ótima. O homem de ferro vez amizade com o Hulk, Viúva Negra, dr. Estranho e Homem Aranha. Já o capitão America estava furioso porque o maldito homem de ferro tinha lhe roubado os amigos. A partir daquele dia estava sendo declarada a guerra civil.

Quatorze anos haviam se passado. Agora Milo estava com dezoito e Camus com vinte. Durante todos estes anos ambos viviam brigando. O loiro sempre tentando chamar a atenção de Camus que ficava sempre na dele o ignorando.

Em quanto um era pura emoção: impulsivo, rancoroso, ciumento... O outro era o oposto. Tinha tendências a reprimir suas emoções. E não suportava melodramas e gestos melosos demais. Por isto, seus amigos diziam que eles eram iguais a: óleo e água, fogo e gelo.

Esta guerra civil continuou até os pais de Camus ser transferidos novamente. Quando Milo ficou sabendo quis dar uma festa. Adeus, Homem de ferro. Espero nunca mais vê-lo, pensava Milo quando via o caminhão de mudança afastar-se.

Uma semana depois, Milo estava inconsolável. Nunca pensou que iria sentir saudades do cabelo de fogo. Ele passou tanto tempo brigando com o ruivo e bolando mil e umas maneiras de infernizar a sua vida. Que agora sentia com a partida do ruivo que uma parte da vida dele tinha perdido o sentido da sua existência.

Ele se lembrava de uma vez em que ele e Saga colocaram tinta verde no shampoo que Camus deixava no armário da piscina da escola. No dia seguinte lá estava o ruivo, agora não mais ruivo com seus cabelos verdes. Todavia para a desgraça de Milo o ruivo de verde ficou ainda mais bonito. Tantos as garotas, quantos os rapazes suspiravam por onde ele passava. No dia seguinte após o seu novo visual, vários alunos pintaram os cabelos de verde. Graças a Camus, o verde passou a ser tendência da moda daquele ano. O loiro após a saída do ruivo não tinha mais ninguém para provocar.

Ao termino da escola, Milo e seus amigos foram para faculdade. Alguns para a mesma, outros não. Cada um foi trilhar o seu destino de acordo com sua profissão.

Atualmente, Milo estava com vinte e oito anos e trabalhava na empresa Le Blanc onde era arquiteto. Hoje eles teriam uma reunião com o novo diretor da empresa. Todos os funcionários estavam no salão aguardando a chegado do novo chefe.

Neste dia, ele resolve se produzir melhor. Para assim, poder impressionar o seu novo patrão. Estava usando uma calça social azul marinho, uma blusa de gola de padre branca e um blazer um tom mais claro que a calça. Seus cabelos que desde a faculdade não foram cortados, estavam longos e levemente cacheados.

Camus subia no elevador ajeitando a prata que fazia par com seu terno preto. Estava curioso sobre as pessoas que passariam a trabalhar com ele. Esperava conseguir manter um clima de cordialidade entre todos. Era o seu pensamento até que a porta do elevador se abriu, dando de cara com...

_ Capitão America! _ diz, Camus.

_ Homem de Ferro!_ Diz, Milo.

Os funcionários olhavam de um para o outro sem entender nada.

Camus andava de um lado para o outro na sua sala. Ele não esperava que o diabo loiro como ele apelidou Milo, fosse um de seus empregados. Já tinham se passado quantos anos? Dez, doze anos desde que não se viram mais. Por um momento ele pensou até em dispensá-lo da empresa, mas sua integridade moral não o deixava tomar tal resolução. Com certeza o loiro dos infernos não pensaria duas vezes antes de fazer exatamente isto se estivesse no seu lugar. Ele abre a maleta que estava sobre a mesa. Graças a deus eu não esqueci o remédio para enxaqueca. Estou prevendo que a partir de hoje serei sócio vitalício da farmácia, pensava Camus.

Enquanto isso, Milo andava de um lado para o outro da sua sala sem saber que atitude tomar. Eu devo ter sido o centurião que deu a estocada em Jesus na cruz para ver se ele estava morto, pensava Milo.

_ Entre todas as empresas em Atena qual era a probabilidade do filho do capiroto ter vindo trabalhar justamente na qual eu trabalho? _ Milo passava a mão no cabelo enquanto falava sozinho_ Eu devo ter sido muito ruim em outras vidas.

O telefone toca.

_ Milo o chefe está te chamando na sala dele._ Diz, Jabu.

_ Ok.

É agora que eu serei despedido, pensava Milo enquanto caminhava para a sala do chefe.

Ele bate na porta e entra. Lá observa Camus olhando para uns papeis sobre a mesa e resolve aguarda o outro lhe falar. Não aguentando a espera, ele solta um pigarro e Camus olha para ele.

_ Desculpe, estava distraído com os papeis da obra do novo shopping Olimpo.

Milo aproxima-se da mesa e olha atentamente para os documentos.

_ São as plantas que eu fiz para o shopping. Elas já foram aprovadas pelo dono do empreendimento.

_ Sim. Achei o projeto bastante interessante. Mais gostaria de falar com você sobre algumas mudanças referentes ao local de recreação.

A partir daquele momento os dois começaram a trabalhar no projeto do shopping. Conforme as semanas foram passando estas viraram meses e ambos começaram a se entenderem melhor. E começaram a perceber durante o projeto que as diferenças de personalidades os complementavam. Uma vez que um conseguia ver algo diferente, um detalhe que o outro não percebia.

Desta parceria veio o desejo de ficarem juntos cada vez mais. Depois de oito meses de projeto Milo pede Camus em namoro e este aceita. Hoje dia quinze de outubro eles completariam um ano e meio de namoro. E Milo estava eufórico, pois seria também a inauguração do shopping.

Às dezenove horas estavam várias pessoas presentes no local. O dono do shopping, os funcionários desde, os funcionários da empresa le Blanc que ajudaram a projetar a obra e os demais convidados.

Ambos estavam felizes olhando para sua obra, que hoje seria aberta ao publico. Quem diria que um projeto desta magnitude iria unir tantas pessoas para sua concretização. As Dezenove e cinco, Camus caminha até o palco.

_ Boa noite, a todos. Eu gostaria de agradecer a presença de todos e dizer que estou muito feliz que este projeto conseguiu sair do papel. Hoje segundo a mídia ele é considerado um dos melhores shoppings já criados em Atena._Camus para momentaneamente seu discurso devido à saraivada de palmas_ Gostaria de agradecer ao senhor Zeus que acreditou em nossa empresa para fazer esta obra _ Zeus um velhinho de bengala levanta a mão _ e a todos os funcionários da empresa le Blanc e principalmente ao homem que projetou tudo isto que vocês estão vendo. Meu namorado Milo Scorpius. _ Camus aponta para Milo_ Obrigado por fazer parte da minha vida._ Milo manda um beijo para ele_ Agora quero chamar ao palco o dono do shopping Zeus.

Neste momento Camus desce do palco e se posiciona ao lado de Milo e o velhinho sobe ao palanque.

_ Obrigado a todos novamente por terem comparecido a este evento. E aqueles que não puderam mais estão assistindo pela televisão muito obrigado. Esta obra era um desejo meu de fazer um lugar onde todas as pessoas poderiam vir, se divertir e passar momentos felizes. Ela atende a todos os gostos. Desde o mais rico até o menos afortunado de forma igualitária. Agora sem mais delongas espero que se divirtam._ diz, Zeus cortando o laço da inauguração, simbolicamente colocado no palco.

Milo e Camus estavam recebendo os comprimentos de todos pelo magnífico trabalho, quando Zeus aproxima-se deles.

_ Realmente ficou um belo trabalho._ Diz Zeus olhando em volta.

Milo que estava com o braço em torno da cintura de Camus, concordou com a cabeça.

_Eu nunca imaginei que eu iria me dar tão bem com meu arqui-inimigo._ diz, Milo beijando Camus na bochecha. _ Quando criança eu e Camus éramos inimigos declarados.

_ Eu também nem imaginava reencontrá-lo e me apaixonar._ diz, Camus.

_ Fico feliz que minha obra tenha levado os dois a conviverem juntos e acertarem as suas diferenças. _ Zeus se apóia a bengala_ Tudo na vida tem a sua hora. Como as folhas do outono que caem e a primavera que surge para renová-las. Mais entre elas sempre ira existir o inverno, que é o momento no tempo de aguarde. Agora é o momento de vocês desabrocharem. Espero que possam vir ao shopping ver e curtir cada espaço que vocês criaram. Brevemente eu entrarei em contato para mais um projeto. _ Diz, Zeus se afastando do casal.

Milo coça a cabeça.

_ Engraçado, eu jurava que já tinha ouvido uma frase parecia com esta em algum lugar._ diz, Milo sendo abraçado por Camus.

_ Talvez tenha ouvido em outra encarnação. _ Camus estende a mão para Milo _ Vamos começar a fazer agora o que Zeus sugeriu. Estou doido para inaugurar a sala do cinema.

Milo olha para Camus de forma sapeca.

_ Eu também. _ Diz , Milo arrastando Camus para a fila do cinema.

“ Foi preciso saber esperar, o tempo certo vir a fluir... Foi preciso saber encantar, vencer o tempo, e então voltar pra ti.”

Fim.

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