Desabafos solitários
3 Muralha de gelo
Às vezes eu fico pensando, será que possuo sentimentos mesmo? Será que possuo a capacidade de amar alguém de verdade? Me pergunto, pois me sinto tão fria e indiferente a sentimentos e ao afeto, que me faz duvidar. É como se toda a preocupação e carinho que eu recebesse das pessoas, eu jogasse fora. Não sei explicar direito, é como se eu não conseguisse demonstrar gratidão por isso, apenas deixando passar sem me importar.
Afeto, amor e carinho, são sentimentos em que me apego e que me enjoo rapidamente, assim como pessoas. Uma hora a pessoa se torna importante para mim, e em outras eu tenho vontade de descartá-la sem nenhuma explicação. Apenas porque me cansei dela. Não deveria ser assim, mas é o que acontece. Por isso me questiono se tenho capacidade para tal, pois me sinto como um bloco de gelo. Que por mais que as pessoas tentem derrete-lo, sempre haverá algo para impedir.
Sei que esse meu jeito, pode acabar machucando as pessoas ao meu redor, mas é inevitável de não acontecer. A frieza do meu ser fala mais alto. Acabo sendo insensível, e devo ser, mesmo não querendo. Por isso não me sinto digna de amar e ser amada por ninguém, mesmo almejando isso algum dia. Pois como posso amar alguém, se tenho conflitos comigo mesma?
Às vezes me sinto uma farsa, a pior das pessoas pelas coisas que penso, sinto e sou. Para outros eu posso ser uma boa pessoa, uma boa amiga, mas no fundo não sou nada disso. Ou pelo menos não sinto isso. Eles enxergam qualidades em mim, eu só vejo defeitos. Defeitos que espero um dia consertar. Há muito barulho em minha mente, que não me deixam sossegar. Barulhos que nunca se calam, que nunca descansam, que estão sempre martelando. Barulhos de uma mente que não para de pensar. Talvez seja o meu maior problema: pensar demais.
De qualquer forma, espero amenizar essa frieza e indiferença com um tempo. Espero que minhas palavras façam as outras pessoas entenderem o que se passa em minha cabeça. Que elas possam enxergar meus medos, meus complexos, meus sonho através da escrita, sem dar uma explicação em uma conversa. Pois é na escrita que eu consigo mostrar o meu lado que poucos conhecem.
Apesar de me sentir um ser inútil que só anda pra trás, acho que a única coisa em que sou boa, é escrever. Pois o resto sou uma negação, assim como a minha vida.
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