Desabafos De Uma Adolescente Francesa
2 Uma carta do Wallace.
Notas iniciais
Foram duas semanas com os dias todos iguais, levantava cedo, tomava meu café da manhã, pegava o ônibus, ia pra escola, voltava da escola... Enfim, tudo igual, sem novidades e acontecimentos especiais. Durante essas duas semanas eu e o Henrique viramos amigos, pode-se dizer assim. E nessas duas semanas eu sentia que a Paula me odiava cada vez mais, e eu adorava isso. Na segunda-feira, em que faziam exatas 2 semanas de aulas, o Henrique faltou. Fiquei com a Luisa, aquela garota que me ajudou a achar a sala de 5 do bloco C no primeiro dia de aula. Ela foi bem simpática comigo, disse que era apaixonada pela Europa, e até brincou dizendo que quando eu voltasse queria que eu a levasse na mala, "Mas eu nunca mais vou voltar pra França, nunca mais..." pensei. Nesse exato momento uma lágrima escorreu sobre meu rosto, eu não queria chorar, mas foi praticamente involuntário, e depois dessa primeira lágrima vieram outras e outras. Eu não conseguia parar, era horrível aquilo que eu estava sentindo. Eu amava a França, ou melhor, eu amo a França, e saber que eu nunca mais vou poder voltar a morar lá é horrível, dói demais. Eu não queria chorar, eu não queria parecer fraca, mas era inevitável que eu sentisse falta, afinal, nasci, e sempre morei lá, desde pequena, sair de lá assim brutamente, era muito difícil pra mim.
- Você.. está chorando?
- Não, eu não estou chorando, é impressão sua -disse eu enxugando as minhas lágrimas rapidamente-.
- Se precisar desabafar, ou se quiser conselhos pode vir me procurar ok?
- O-Ok, eu te procuro sim.
- Vamos pra proxima aula?
- Vamos sim.
Fomos pra aula, almoçamos, e voltamos pra casa. Ela moravam bem perto da minha casa, no caminho fomos conversando sobre ela, afinal, ela sabia muitas coisas sobre mim, mas eu não sabia nada sobre ela, a não ser que o nome dela era Luisa. Descobri que ela era carioca, mas se mudou com 3 anos de idade, junto com a família toda. Ela era realmente simpática. Quando cheguei em casa tinha um envelope no chão. "Dans: Wallace. Pour: Amelie". "U-Uma carta do Wallace? Mas como assim?". O Wallace, era meu ex-namorado. Terminamos por causa dessa minha maldita vinda ao Brasil.
"Olá Amelie, quanto tempo não é verdade? Todos aqui sentem muito a rua falta... Mas então, como você está? Espero que esteja bem, se você quer saber, estou bem também. Lembra daquele compeonato de futebol que eu iria participar? Pois é, meu time ganhou, fiquei muito feliz, você deve imaginar não é? Ainda consigo escutar tua voz a me dizer: "Larga o Bento, Wallace." quando eu pegava o teu hamster, lembras-te disso? Sinto tanto a tua falta pequena, volta logo pra França ma blonde. Te adoro, muito"
Mesmo sem querer, uma lágrina escorreu pelo meu rosto, eu ainda gostava muito dele, minha vontade era estar do lado dele. Eu queria ter comemorado com ele a vitória do seu jogo, eu sei o quanto isso era importante pra ele. Junto com a carta vinha uma foto, qua nós tiramos 2 dias antes da minha viagem. Estavamos um ao lado do outro, ele me seguraba na cintura que eu o segurava no ombro. Quem tirou a foto foi minha ex-cunhada, Geraldine.
Já era tarde, e eu fui pra cama, mas não consegui dormir, fiquei pensando na carta, no Wallace. Não resisti e as 2h da manhã liguei pra ele, afinal, na França ja eram 7h, ele de certeza estaria acordado.
— Bonjour?
— Bonjour ma princesse, que surpresa boa.
— Recebi sua carta ontem...
— Ah, que bom. Ainda bem que ligaste, estava com saudade da sua voz. Como vão as coisas por ai? Já tem muito amigos?
— Claro que não né, você sabe bem como eu sou.
— Mas nenhuma amiga? Não acredito ma blonde.
— Eu tenho a Luísa e o Henrique, apenas. Mas eu não quero falar deles. Tem falado com Kalet? Estou com tantas saudades dela...
— Eu falei com ela ontem, ela mandou um beijo pra você, disse exatamente assim: "Quand on parle avec Amelie dit j'ai envoyé un baiser. Après tout, elle n'envoie jamais de nouvelles."
— Ah, diga a ela que eu retribuo o beijo, e que não mandei noticias porque não tive tempo. Agora eu vou ter que desligar, são 2h da manhã e eu preciso dormir.
— Ok ma blonde, vá descansar, vamos nos falando. Fica bem, e não esqueçe que eu te adoro ok?
— Fica bem também, e eu te adoro mais ainda.
Desliguei o telefone, talvez conseguisse dormir um pouco... Talvez...
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