Desabafo
1 Fim
Eu costumava admirá-la basicamente em tudo. O formato das mãos dela era lindo, as unhas pequenas, finas e quadradinhas, o cabelo sempre um pouco bagunçado, a boca vermelha, os olhos, oh os olhos, tão lindos, tão sinceros.
A paixão é tão estranha, tão severa, tão gritante. Eu ficava enciumada ao vê-la conversando com as outras garotas e garotos, ou quando ela se virava de costas para mim porque alguém a havia chamado. No começo eu tive esperanças que ela também gostasse de mim como eu gostava dela, quase confessei minha paixão por ela, mas ainda bem que não fiz isso. Se tivesse feito, eu teria que ter encontrado um buraco para me enfiar.
Não éramos amigas nem nos conhecíamos há muito tempo. Eu a vi no primeiro dia de aula, de longe pois ela sentava lá do outro lado da sala. Eu sabia quem era ela, e ela sabia quem era eu, mas éramos diferentes demais para nos falarmos. Mas eu sentia que havia algo entre nós, aqueles olhares, às vezes trocávamos algumas palavras, mas tudo entre nós era tão intenso, tão diferente.
Eu sempre fui mal resolvida, não tinha experiência com meninos e muito menos com meninas. Mas eu gostava de meninas, de um modo diferente eu pensava. Eu só tinha duas melhores amigas e mais nada, minha vida familiar era e sempre foi problemática. Mas voltando sobre ela, ah sim, depois das férias quando voltamos para o segundo semestre, o mapa de sala foi reorganizado e eu fui sentar justamente atrás dela, para acabar com minha vida.
Passamos a conversar todos os dias, desde coisas banais até os assuntos científicos. Ela era inteligente demais, boa demais. Ela desenhava, tão bem. Eu sempre a atrapalhava para perguntar algo sobre os cálculos de matemática ou de biologia, ela é muito boa nisso. Céus, ela era tão ela.
A priori eu pensava que era apenas um deslumbramento da minha parte em relação a ela. Mas quando chegava no final de semana, eu queria que viesse logo a segunda para que eu sentasse atrás dela e a olhasse mesmo que fosse de costas. Aquilo ia me consumindo aos poucos e eu mal sabia que estava terrivelmente apaixonada, e ainda mais por uma garota. Mas aquela garota não era qualquer garota.
Seus olhos sempre tão intensos, sua pele tão macia, Deus como ela era viciante. Eu era jovem demais para entender tudo aquilo, aquele complexo de emoções. No entanto, eu era e sou uma romântica eterna, e sempre imaginava junto com ela, cheguei até a pensar nos casaríamos ou algo assim.
Nos meus sonhos, eu era dela ela era minha, só nos sonhos.
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