Estou correndo. Minha respiração está desregular e meu coração bate muito rápido. Meus pés batem com força no chão, fazendo as folhas e galhos se quebrarem e um delicioso som se projetar abaixo de mim, mas eu não devia estar fazendo barulho, não podia. As árvores parecem se projetar na minha frente, e eu desvio delas com muita dificuldade, as vezes deixando pedaços de roupas presos entre os galhos. Olho para trás. As lanternas estão longe, mas seu eu parar em menos de cinco minutos eles me terão em mãos. Mas não terão, por que eu só sairei daqui sem vida.

Droga, pai! Você disse que eles não descobririam se eu conseguisse. Eu consegui, mas mesmo assim eles nos acharam. Agora, você está morto. Morto. Eu vi sua vida se esvair, você estava nos meus braços. Não chorou, não agonizou. A luz branca iluminou seu rosto e eu vi você sorrir. “Eu nunca duvidei de você, minha bruxinha.”, você disse. Eu era sua bruxinha. Era. Passado, agora a única coisa que eu posso fazer é correr, por que estou fraca demais. Nessa floresta. O que farei, pai?

Já estou longe da civilização, mas eles não desistirão de me procurar, e eu já estou muito cansada para continuar a correr. Eu poderia muito bem me deixar ser pega. Não o farei, pela honra de meu pai. Ainda estou segurando o chip? Abro minha mão somente o suficiente para senti-lo. Legal, está ali.

Corro mais um pouco, esperando me dar um pouco mais de vantagem sobre eles. Estou quase passando por um riacho quando uma dor alucinante me pega desprevenida no ombro. Droga, droga, droga, eles me pegaram. Eles me pegaram e agora eu vou morrer, vou me tornar experimento, meu corpo será decepado e estudado. Analiso minhas costas, e o que encontro não é exatamente o que esperava. Uma flecha está presa a minha carne, enquanto o sangue escorre. Uma flecha? Quem diabos usa uma flecha hoje em dia? Que droga, como eu não previ isso vindo? Já estou fudida mesmo, que se dane. Encosto numa arvore grande a minha esquerda e uso toda a força que me resta para tirar aquela flecha de mim. A dor é extraordinária. Maldito seja aquele que atirou. Mas, se o objetivo dele era me matar, ele errou. Isso me faz sorrir um pouco, e um riso cheio de ódio escapa por dentre meus lábios. A ponta da flecha reluz; é envenenada.

Meus dentes rangem. Merda. Estou morta. Sinto meus sentidos começarem a se perder. Minha visão embaça e eu caio nas folhas. A última coisa que vejo é uma figura escura descer de uma árvore e andar até mim, cautelosamente. A figura anda, e quando vê que eu já estou praticamente morta, chuta meu rosto. Droga, isso também dói como o inferno. Minha cabeça absorve o impacto o vira para o outro lado. Retiro uma pequena adaga da cintura e fico ela com força na panturrilha da figura, e ela se agacha de dor. É bom, não é? Lamento não ter sido esperta o suficiente para ter envenenado minha adaga também, mas isso deve ser o suficiente para deixar a figura com bastante raiva.

Minha vista escurece e eu fico desacordada.

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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.